Poltrona Séries: Quem Matou Sara?-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Quem Matou Sara?-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma trama de suspense que deixa no ar várias perguntas e embaralha a cabeça do espectador é, sem dúvida, um grande atrativo. Com enorme sucesso em sua primeira temporada e algumas lacunas a serem preenchidas, ‘Quem Matou Sara?’, produção mexicana veiculada no serviço de streaming Netflix, retorna com novos ingredientes para atiçar ainda mais a curiosidade do público e deixar a narrativa mais sombria, afinal, o passado sempre volta.

Uma grande tragédia mudou para sempre a vida de Alex Guzmán e da família Lazcano. Acusado de matar a irmã Sara, Alex passa 18 anos na prisão e está disposto a se vingar de todos que o prejudicaram. Porém, novos segredos são revelados, como um diário que Sara mantinha escondido e um corpo encontrado enterrado no quintal da casa de Alex. O protagonista precisará ter cuidado para não perder o rumo, e saber quem era realmente sua irmã será apenas o começo desse novo desdobramento ilustrado nessa inédita sequência de oito episódios.

O enredo conta novamente com os personagens secundários da primeira temporada, mas novos aparecem nessa sequência para contribuir com a história e mostrar que também tiveram problemas com Sara no passado. O destaque fica com o jovem Nicandro, que vendia drogas e viva no encalço de Sara, além de Abel Osório, um senhor com problemas mentais e presente na família Guzmán em um passado recente. O homem esconde vários segredos, e aos poucos o espectador entende que impactos ele causou e qual sua relação com Sara, que passou a se interessar mais por ele em seus últimos momentos de vida.

A condução da história com novos segredos revelados foi a chave para manter o espectador com interesse pelo enredo e seu desfecho. Os personagens secundários brilham mais nessa segunda temporada e têm muito a dizer. Os que fizeram parte da primeira temporada possuem poucas histórias paralelas desta vez, mas não deixam de contribuir com a evolução da história, destaque para Jose Maria, filho dos Lazcano, que sempre mostrou muita afeição por Alex Guzmán e que terá grande peso nessa nova sequência. Muitas perguntas são respondidas, e o desfecho deixa um gancho sobre uma possível continuidade da narrativa.

Mesmo com elementos que caracterizam os populares dramalhões mexicanos, ‘Quem Matou Sara’ foi capaz de manter viva a curiosidade do espectador, em uma história repleta de mistério, reviravoltas e com personagens coesos, vibrantes e com muito ímpeto para resolver questões do passado que insistem em retornar. A produção mostra que ainda é possível mais uma temporada e a inserção de novos personagens. Um enredo repleto de atrativos e que merece bastante atenção.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O que você diz sobre uma série com muito mistério, suspense e que promove debates importantes sobre a posição da mulher na sociedade, principalmente se esta for conservadora? A produção turca ‘Fatma’, veiculada pelo serviço de streaming Netflix, traz tudo isso e nos apresenta a uma personagem que é invisível nesse meio social, e passa por muitos percalços. São seis episódios, com média de quarenta minutos cada, e muitas surpresas.

Acompanhamos Fatma Yilmaz, uma mulher de infância sofrida e que está passando por muitas dificuldades. O marido, Zafer, ficou quatro meses preso por um crime que não cometeu e depois de ser solto desaparece repentinamente. Ela possui um filho autista, que morre em um acidente, deixando a mãe completamente desnorteada. Para poder sobreviver, ela consegue diversos trabalhos como faxineira, mas ao longo do caminho vai se deparando com diversos homens que possuem alguma ligação com Zafer e que querem machucá-la. Fatma, no decorrer dos episódios, passa por grandes transformações e procura deixar cada desafeto para trás, em uma jornada frenética e de muita perseguição.

A protagonista se mostra inicialmente sem expressão, com um semblante pálido e fechado, muito por conta dos descasos que sofre desde a infância, e da sociedade atual, que não dá a ela o devido valor, e sequer desconfia dela quando uma série de crimes aparece durante os episódios. O espectador não sabe quem de fato é a Fatma, mas é feita uma construção bem parcimoniosa para que se possa compreender a motivação das atitudes de Fatma e depois passa a torcer por ela, mesmo que ela cometa barbaridades e desemboque em situações mórbidas.

Um recurso bastante utilizado em cada episódio e usado para prender a atenção do público é a de apresentar de início o clímax e depois um flashback para explicar como Fatma chegou a cada situação. Há algumas lembranças que a personagem central possui e que podem soar como pontas soltas na série, mas no fim da temporada temos tudo devidamente explicado. Fatma tenta fazer justiça de alguma forma e usa métodos bem simples para tal, e na medida em que mais inimigos se aproximam, ela tenta encontrar uma nova saída, e foge do lugar comum de uso de estratégias bem elaboradas, sem necessidade de efeitos especiais.

Assuntos como autismo, pedofilia, machismo e assédio sexual são inseridos na trama e discutidos de forma direta e didática. Essas pautas podem incomodar, mas são necessárias e refletem em diversas sociedades, inclusive a brasileira. Problemas que até hoje não são levados a sério e que ganham o devido destaque na série turca. Quem acompanha vai passar a torcer mais por Fatma, mesmo que ela cometa crimes e não utilize de métodos corretos para fazer justiça. São assuntos delicados e que não podem ser invisíveis aos nossos olhos.

Com muita ação, suspense, discussões e sustos, ‘Fatma’ insere o espectador em um mundo conservador e cheio de problemas que precisam ser combatidos. Há ganchos para uma segunda temporada, que, se vier, tem tudo para ser como a primeira, impactante do início ao fim.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Séries que retratam investigações e a busca dos protagonistas por respostas e vingança têm tomado conta dos serviços de streaming e agradado aos espectadores. Uma produção da Netflix e que lembra muito ‘Revenge’, ‘Quem Matou Sara?’ é uma obra mexicana que tenta prender a atenção de quem acompanha a história até o décimo e último episódio da primeira temporada. Será que merece nossa atenção?

Acompanhamos Alex, um jovem que foi condenado injustamente pela morte da irmã Sara em um acidente numa lancha e fica 18 anos preso. O rapaz foi forçado a confessar algo que não cometeu em troca de benefícios que a família Lazcano o prometera e a promessa de que ficaria no máximo dois meses encarcerado, o que não acontece. Ao sair da prisão, ele aos poucos executa seu plano para se vingar dos Lazcano e descobrir quem de fato matou sua irmã e por qual motivo, mas acaba se envolvendo com Eliza, filha do poderoso e corrupto Cesar Lazcano. A garota, mesmo traindo sua família, estará o tempo todo ao lado se Alex para descobrir tudo o que envolve seus familiares.­­­

­Todos os personagens possuem grandes arcos dramáticos, mas a condução de suas histórias apresentou problemas. O enredo se perde a partir do quinto episódio e há demasiadas cenas repetidas, algumas poderiam ter sido supridas e alguma outra pista relevante sobre a morte de Sara poderia ter sido inserida. Cada personagem possui alguma ligação com Sara e vários teriam motivos para querer assassiná-la, não é possível apontar um único suspeito nesta trama. Os destaques ficam com o controverso Cesar Lazcano, com um passado sombrio e com revelações grotescas sobre sua índole a cada episódio e para o administrador Elroy, figura caricata e com alguns podres em seu passado também revelados.

Discussões sobre sexualidade, preconceito e luta de classes são inseridas no contexto ao longo dos episódios, e são bem válidas. Apesar do melodrama e do tom novelesco que a série possui, nada passa batido, tudo consegue ser bem retratado e com grandes reviravoltas. O desfecho da primeira temporada é um pouco decepcionante, pois algumas revelações não fazem sentido e não fica claro quem é o assassino de Sara. Já existe um gancho, inclusive teasers que anunciam a segunda temporada de ‘Quem Matou Sara?’, que seja para alguns erros serem consertados e para brindar o público com mais ação, suspense e dramaticidade.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: O Tigre Branco/Anna Barros

Maratona Oscar: O Tigre Branco/Anna Barros

Você começa assistindo pensando ser uma nova versão de Quem quer ser um milionário e vê que não é. O Tigre Branco conta a trajetória de um indiano que quer vencer na vida e começa como um motorista sendo sempre fiel aos patrões e se metendo em encrencas, chegando a assinar uma confissão de atropelamento, sendo que a culpada era a mulher do patrão.

O filme mostra todas as mazelas da Índia mas com um roteiro muito interessante e intrincado, tanto que concorre ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. A Índia vive nesse sistema arcaico de castas e vemos diferenças abissais entre as classes sociais mas Balram não desiste de seu sonho mesmo com todas as agruras e humilhações. Ele acaba se dando bem no Vale do Silício Indiano, Bangalore.

A fotografia é belíssima com todos aqueles contrastes da capital Nova Deli e dos vilarejos paupérrimos.

Pode, sim, beliscar o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou o Bafta de Melhor Ator para Adarsh Gourav.

Disponível na Netflix.

Sinopse: Baseado no best-seller do New York Times, O Tigre Branco conta a história de Balram Halwai (Adarsh Gourav) e sua ascensão meteórica de aldeão pobre a empresário de sucesso, na Índia moderna. Astuto e ambicioso, nosso jovem herói consegue se tornar o motorista dos milionários Ashok e Pinky, que acabam de retornar da América. Tendo a sociedade o treinado para uma única função – a de servir – Balram tornou-se indispensável aos olhos de seus ricos patrões. Contudo, após uma noite de traição, ele entende o quão longe esses senhores estão dispostos a ir para se protegerem. Prestes a perder tudo, Balram se rebela contra um sistema fraudulento e desigual, buscando, de vez, sua autonomia.

Maratona Oscar: Shaun-O Carneiro-A Fazenda Contra-Ataca/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Shaun-O Carneiro-A Fazenda Contra-Ataca/ Cesar Augusto Mota

O cinema é capaz de proporcionar as mais diversas emoções nos espectadores, seja com a retratação de histórias reais, imaginárias ou pela realização de narrativas fictícias com elementos concretos. O stop-motion, feito com massa de modelar, é um recurso em potencial para mostrar histórias dinâmicas que se passam no mundo da fantasia, e é o que ocorre com ‘Shaun-O Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca’, um forte concorrente na nova temporada de premiações.

Acompanhamos o simpático carneiro Shaun, que leva uma vida pacata em uma fazenda, até que ele encontra Lu-La, uma criatura extraterrestre. Os dois vivem situações divertidas e inusitadas, mas Shaun vai ter de se desdobrar para se desvencilhar de Bitzer, o cão-pastor, e a agente Red, e ajudar seu novo amigo a reencontrar a sua família e voltar para casa. A cientista, líder do Ministério de Detecção de Alienígenas (M.D.A) e seu assistente-robô, estão dispostos a provar que existe vida fora da Terra e ficam no encalço de Lu-La o tempo todo.

Mesmo sem diálogos, a animação tem o mérito de conseguir prender a atenção do público infantil e adulto graças à dinâmica existente entre os personagens e o aproveitamento de suas características e cenários da história. Há claras referências à grandes obras da sétima arte, como o filme ‘MIB-Homens de Preto’, ‘E.T’ e as séries ‘Stranger Things’ e ‘Arquivo X’, num misto de aventura e ficção científica. Há um importante choque entre culturas e uma pergunta que já esteve na mente de muita gente: existem mesmo seres de outros planetas? Tudo é trabalhado com muito cuidado e com boas doses de humor.

Além da história, a caracterização dos personagens também impressiona, com o stop-motion bem elaborado, movimentos sincronizados e um ótimo jogo de luzes. O espectador se depara em várias cenas com ambientes alegres e compreende o que cada quadro quer mostrar, se esquecendo da falta de diálogos na narrativa. Com uma estética cartunesca, ‘Shaun-O Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca’ fisca crianças e adultos, mesmo com um assunto explorado em diversas ocasiões, como aliens e contatos de terceiro ou até mesmo de quarto graus, e consegue proporcionar muita diversão e risadas.

E não pense que a animação tem a ver com o clássico Episódio V de Star Wars, o Império Contra-Ataca. O título no Brasil foi um trocadilho proposital para introduzir a ideia de uma aventura espacial. E temos mais que isso, há também humor de qualidade, uma bela representação estética e uma história agradável de se acompanhar, para todas as idades.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota