Los Lobos, filme premiado em Berlim, estreia em 16 de setembro

Los Lobos, filme premiado em Berlim, estreia em 16 de setembro

Uma história comovente sobre dois irmãos que precisam crescer prematuramente para entender as motivações de sua mãe
Dirigido por Samuel Kishi Leopo, LOS LOBOS, estreia nos cinemas, com distribuição da Vitrine Filmes, no dia 16 de setembro. O filme teve sua premiére mundial na mostra Geração do Festival de Berlim, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri Internacional para Melhor Filme.

No Brasil foi exibido no 9o Festival Olhar de Cinema de Curitiba, onde também recebeu a premiação de Melhor Filme da mostra.LOS LOBOS é inspirado na história de vida do próprio diretor, e acompanha a história dos irmãos Maxy e Leo, que junto com sua mãe Lúcia, cruzam a fronteira do México com os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. 

“Quando eu tinha cinco anos, minha mãe deixou meu pai e levou eu e meu irmão de três anos para os EUA. Cruzamos a fronteira com visto de turistas ao declarar que íamos para a Disneylândia. Minha mãe não tinha nenhum emprego, não falava inglês e não tínhamos um lugar seguro para morar. Ao viajar às pressas nossas posses eram apenas algumas roupas, alguns brinquedos e um gravador de fitas.”, conta o diretor Samuel Kishi Leopo.

Assim, como na vida real, Lúcia encontra um lugar para ficar, de acordo com o pouco dinheiro que tem, e ainda precisa sair para trabalhar e assim deixar as duas crianças sozinhas no pequeno apartamento recém alugado. Utilizando a imaginação como ferramenta para passar o tempo, as crianças criam uma visão do mundo através dos obstáculos da saudade e do tédio que os rodeiam. Enquanto esperam a mãe voltar, pensam na promessa que ela fez sobre ir para a “Disneylândia”.A nova vizinhança de Maxy e Leo é composta por vários imigrantes, entre eles latinos, chineses, todos na mesma situação que a sua, sinalizando uma imposição de um tipo de vida onde aceitam as atuais conjunturas por falta de melhores caminhos a seguir naquele momento.“Foi muito importante para mim basear-me nas histórias e vivências da comunidade imigrante de Albuquerque para a produção deste filme. Fiz uma mistura de elementos ficcionais e documentais em LOS LOBOS, e fui compondo caracteres fictícios em locais reais, seus arredores e o multiculturalismo que se construiu para a comunidade de imigrantes.”, diz o diretor Samuel Kishi Leopo.

LOS LOBOS é um singelo retrato sobre uma família imigrante em terras estrangeiras onde não são exatamente bem-vindos e sobre como laços improváveis podem ser feitos quando encontra-se um denominador comum. Como um abraço, o filme mostra o acolhimento entre mãe e filhos que precisam crescer para entender o mundo ao seu redor, e as decisões de uma mãe solo, para fazer com que tenham um futuro melhor do que o seu.Sinopse:Max e Leo, têm 8 e 5 anos, e acabam de imigrar para os Estados Unidos com a mãe. Seus dias passam dentro de um minúsculo apartamento, enquanto esperam sua mãe voltar do trabalho, com a esperança de viajar para a Disney e finalmente conhecer o mundo lá fora. Porém, os meninos terão que crescer prematuramente para entender as motivações de sua mãe.

Ficha Técnica:
LOS LOBOS (The Wolves)
Direção: Samuel Kishi LeopoRoteiro: Samuel Kishi Leopo, Luis Briones e Sofía Gómez-Córdova
Elenco: Martha Reyes Arias, Maximiliano Nájar Márquez,Leonardo Nájar Márquez e Cici LauAno: 2019
País: México
Gênero: Drama
Duração: 95 min.

Sobre a Vitrine Filmes

A Vitrine Filmes, em dez anos de atuação, já distribuiu mais de 160 filmes e alcançou mais de quatro milhões de espectadores. Entre seus maiores sucessos estão ‘O Som ao Redor’, ‘Aquarius’ e ‘Bacurau’ de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Outros destaques são ‘A Vida Invisível’, de Karim Aïnouz, representante brasileiro do Oscar 2020, ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, de Daniel Ribeiro, e ‘O Filme da Minha Vida’, de Selton Mello. Entre os documentários, a distribuidora lançou ‘Divinas Divas’, dirigido por Leandra Leal e ‘O Processo’, de Maria Augusta Ramos, que entrou para a lista dos 10 documentários mais vistos da história do cinema nacional.Além do cinema nacional, a Vitrine Filmes vem expandindo o seu catálogo internacional ao longo dos anos, tendo sido responsável pelo lançamento dos sucessos “O Farol”, de Robert Eggers, indicado ao Oscar de Melhor Fotografia; “Você Não Estava Aqui”, dirigido por Ken Loach, e premiado com o Oscar de Melhor Filme Internacional 2021: ‘DRUK – Mais uma rodada’, de Thomas Vinterberg.Em 2021, a Vitrine Filmes apresenta mais novidades, começando a atuar diretamente na produção audiovisual e também na capacitação de profissionais, com o programa de formação Vitrine Lab. Entre as estreias deste ano estão a Sessão Vitrine edição especial de 10 anos com lançamento coletivo de quatro longas, entre eles “A Torre”, de Sérgio Borges, “Entre Nós, um Segredo”, de Beatriz Seigner e Toumani Kouyaté, “Chão”, de Camila Freitas e “Desvio”, de Arthur Lins; o novo documentário sobre o impeachment da Dilma, “Alvorada”, de Anna Muylaert e Lô Politi; “First Cow”, da diretora Kelly Reichardt; “O Livro dos Prazeres”, de Marcela Lordy e muitos outros títulos.

Por Anna Barros
Vencedor do Urso de Prata será distribuído pela Pandora Filmes

Vencedor do Urso de Prata será distribuído pela Pandora Filmes

Acabam de ser anunciados os vencedores do 70o FESTIVAL DE CINEMA DE BERLIM, onde o Urso de Prata de Melhor Diretor foi entregue pelo brasileiro Kleber Mendonça Filho ao diretor coreano Hong Sang-Soon, pelo filme THE WOMAN WHO RAN que no Brasil será distribuído pela Pandora Filmes.  

THE WOMAN WHO RAN” gira em torno de Gamhee (Min-Hee Kim), uma jovem que visita um trio de velhas amigas ao longo de três dias. O marido de Gamhee deixou a cidade em uma viagem de negócios e é a primeira vez que ela se afasta dele em cinco anos.

‘Greta’, filme protagonizado por Marco Nanini, é escolhido para Mostra Panorama do Festival de Berlim

‘Greta’, filme protagonizado por Marco Nanini, é escolhido para Mostra Panorama do Festival de Berlim

Com distribuição da Pandora Filmes, longa traz Marco Nanini no elenco

Marco Nanini está de volta aos cinemas na pele de Pedro, um enfermeiro homossexual de 70 anos, fã fervoroso de Greta Garbo. É em torno do personagem que a trama de “GRETA”, longa de estreia de Armando Praça, se desenvolve. O filme foi selecionado para a Mostra Panorama do Festival de Berlim de 2019.

No longa, Pedro (Marco Nanini) precisa liberar uma vaga no hospital onde trabalha para sua melhor amiga, Daniela (Denise Weiberg). Para conseguir internar a amiga travesti no hospital lotado, ele precisa ajudar Jean (Demick Lopes), um jovem que acaba de ser hospitalizado e algemado por ter cometido um crime. Jean pede ajuda para fugir do hospital, e Pedro vê a chance de conseguir salvar a amiga, que sofre de uma insuficiência renal grave. Pedro, então, esconde Jean na sua casa até a sua recuperação, e os dois acabam se envolvendo amorosamente.

Ambientado em Fortaleza, o filme é livremente inspirado na peça Greta Garbo Quem Diria Acabou no Irajá, do dramaturgo Fernando Melo. “GRETA” será distribuído pela Pandora Filmes.

Sinopse

Pedro (Marco Nanini), um enfermeiro homossexual de 70 anos, fervoroso fã de Greta Garbo, precisa liberar uma vaga no hospital onde trabalha para Daniela (Denise Weiberg), sua melhor amiga. Para salvar Daniela, ele decide ajudar Jean, um jovem que acaba de ser hospitalizado e algemado por ter cometido um crime. Pedro o ajuda a fugir e esconde-o em sua própria casa até que ele se recupere e nesse período, eles se envolvem afetiva e sexualmente. Essa relação será essencial para que Pedro sobreviva à perda de Daniela, mas também cause mudanças surpreendentes em si mesmo e no modo como ele lida com a solidão.

Ficha Técnica

Direção / Roteiro: Armando Praça
Produção: João Vieira Jr., Nara Aragão e Armando Praça
Produção Executiva: Maurício Macêdo e João Vieira Jr.
Direção de Produção: Maurício Macêdo
Direção de Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Direção de Arte: Diego Costa
Montagem: Karen Harley
Figurino: Thaís de Campos
Maquiagem: Amanda Mirage
Edição de Som: Waldir Xavier
Som Direto: Pedro Moreira e Moabe Filho
Mixagem: Nicolau Domingues
Elenco: Marco Nanini, Denise Weinberg, Démick Lopes, Gretta Sttar

SOBRE O DIRETOR

Armando Praça, nascido em 1978 em Aracati, Ceará é cineasta e sociólogo, trabalhou como assistente de direção, roteirista e preparador de elenco de importantes diretores brasileiros como, Marcelo Gomes, Karim Ainouz, Márcia Faria, Sérgio Rezende, Halder Gomes, Rosemberg Cariry, entre outros. Realizou curtas e médias metragens. Entre eles: A Mulher Biônica (exibido no festival de curtas metragens de Clermont Ferrand), O Amor do Palhaço, Origem: Destino e Parque de Diversões. Atualmente está lançando seu primeiro longa, Greta e se prepara para filmar o segundo, Fortaleza Hotel e desenvolve os projetos Ne Me Quitte Pas e Cachoeira do Descuido.

SOBRE A CARNAVAL FILMES

Fundada e dirigida pelos experientes produtores João Vieira Jr. e Nara Aragão, Carnaval Filmes tem foco em conteúdo original e cinema autoral. Em parceria com mentes criativas, tem entre seus recentes lançamentos os documentários Estou me guardando para quando o carnaval chegar, de Marcelo Gomes e Casa, de Letícia Simões, o longa de ficção Greta, de Armando Praça e a série infantil de animação Bia Desenha, para a TV Brasil.

Se prepara para filmar em 2019 a série Chão de Estrelas, de Hilton Lacerda, para o Canal Brasil e desenvolve o projeto de série de animação Dó Ré Mi Fadas e a série de ficção De volta para Casa.

Seus próximos lançamentos serão os longas Vestido branco, véu e grinalda, de Marcelo Gomes e Fim de Festa, de Hilton Lacerda

SOBRE A PANDORA FILMES

A Pandora Filmes é uma distribuidora de filmes de arte, ativa no Brasil desde 1989. Voltada especialmente para o cinema de autor, a distribuidora buscou, desde sua origem, ampliar os horizontes da distribuição de filmes de arte no Brasil com relançamentos de clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Fellini, Bergman e Billy Wilder, e revelações de nomes outrora desconhecidos no país, como Wong Kar-Wai, Atom Egoyan e Agnés Jaoui.

Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora Filmes sempre reserva espaço especial para o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos. Dentro desse segmento, destaca-se o recente “Que Horas Ela Volta”, de Anna Muylaert, um grande sucesso, visto no cinema por mais de 500 mil espectadores.

Ganhador do prêmio Goya 2018, ‘A Livraria’ estreia em 22 de março no Brasil

Ganhador do prêmio Goya 2018, ‘A Livraria’ estreia em 22 de março no Brasil

Baseado no romance homônimo de Penelope Fitzgerald, o filme “A LIVRARIA”, de Isabel Coixet, traz a história da viúva Florence Green (Emily Mortimer), que decide reconstruir sua vida e, para isso, resolve abrir uma livraria, apesar da oposição da população do vilarejo onde vive, na Inglaterra, em 1959. Com estreia marcada para o dia 22 de março, o longa foi o grande vencedor do Goya 2018, considerado o Oscar do cinema espanhol, e foi exibido recentemente no Festival de Berlim.

– Eu li o romance de Penelope Fitzgerald há quase dez anos, durante um verão particularmente frio nas Ilhas Britânicas. Ler o livro foi uma verdadeira revelação: senti-me totalmente transportada para 1959 e realmente me projetei na inocente, doce e idealista Florence Green. Na verdade, eu sou essa mulher. Eu me sinto profundamente conectada com essa personagem de um jeito que nunca senti com alguma protagonista de outro filme meu – revela Coixet.

A personagem vivida por Emily Mortimer é uma viúva de espírito livre, que vai contra a humidade, o frio e a apatia da cidadezinha de Hardborough para realizar o desejo de abrir um estabelecimento. Apesar da resistência que enfrenta, logo ela consegue virar o jogo quando mostra aos habitantes locais o melhor da literatura da época, incluindo o escandaloso Lolita, de Nabokov, e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

– Tem algo de heroico na personagem Florence Green, algo simples e corriqueiro. Ela está se expondo, e por nenhum outro desejo senão o de abrir uma livraria. Ela não se preocupa com apoios ou procura por eles ao seu redor. Ela só arregaça as mangas para alcançar seu objetivo. E assim, Florence Green chama a atenção – defende a diretora.

No entanto, nem tudo são flores para Florence. Com o sucesso do seu negócio, ela acaba incitando a hostilidade dos lojistas menos prósperos da cidade e cruza os interesses da Sra. Gamart (Patricia Clarkson), a vingativa e amargurada mulher que se julga a decana da cena artística local. A história relata as dificuldades e obstáculos que Florence encontra no processo: ignorância, inveja e a falsa moral dos cidadãos que irão tentar colocar um fim no sonho dela.

– As pessoas se arriscam todos os dias. Oportunidades grandes e pequenas, seguras ou perigosas: e muitas delas passam despercebidas. Mas o que acontece quando essas oportunidades SÃO percebidas? E como isso se reflete no mundo em que todos nós vivemos hoje? – conclui a diretora.

SINOPSE

Baseado no romance homônimo de Penelope Fitzgerald, A Livraria é situado em 1959. Florence Green (Emily Mortimer) é uma viúva de espírito livre, que deixa o luto para trás e arrisca tudo para abrir uma livraria – o primeiro estabelecimento desse tipo na sonolenta cidade litorânea de Hardborough, Inglaterra. Contra a umidade, o frio e a considerável apatia local, ele luta para se estabelecer, mas logo sua sorte muda para melhor.

FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama
Duração: 108 minutos
Ano: 2017
País: Espanha
Classificação: a definir
Formato: Digital 4K
Locações: Irlanda do Norte e Barcelona
Produção executiva: Albert Sagalés, Paz Recolons, Fernando Riera, Manuel Monzón
Coprodução: Jamila Wenske, Sol Bondy
Coprodução executiva: Thierry Wase-Bailey, Henriette Wollmann]
Direção de fotografia: Jean Claude Larrieu (a.f.c.)
Música composta por: Alfonso de Vilallonga
Assistência de direção: Luca Vacchi
Casting: Jeremy Zimmermann
Produção em linha: Jordi Berenguer, Alex Boyd
Design de produção: Llorenç Miquel
Edição: Bernat Aragonés
Figurino: Mercè Paloma
Maquiagem: Montse Sanfeliu
Cabelos: Laura Vacas
Mixagem de som: Albert Gay
Desenho de som: Enrique G. Bermejo
Mixagem: Carlos Jiménez

Elenco (por ordem de aparição)

Florence Green – Emily Mortimer
Edmund Brundish – Bill Nighy
Mr. Keble – Hunter Tremayne
Christine – Honor Kneafsey
Mr. Raven – Michael Fitzgerald
Jessie Welford – Frances Barber
General Gamart – Reg Wilson
Milo North – James Lance
Violet Gamart – Patricia Clarkson
Convidado 1 – Lucy Beckwith
Mr. Deben – Nigel O’Neill
Mr. Thornton – Jorge Suquet
Wally – Harvey Bennett
Ivy Welford – Lana O’Kell
Mrs. Traill – Adie Allen
Mrs. Gipping – Lucy Tillett
Peter Gipping – Toby Gibson
Theodore Gill – Gary Piquer
Ladrão – Alfie Rowland
Leitor 1 – Sophie Heydel
Mrs. Keble – Mary O’Driscoll
Mrs. Deben – Karen Ardiff
Kattie – Charlotte Veja
Inspetor Sheppard – Barry Barnes
Garoto – Conor Smith
Inspetora – Rachel Gadd
Lionel Fitzhugh – James Murphy
Harold – Nick Devlin
William – Richard Felix
Christine (adulta) – Francesca McGill

 

Poltrona Cabine: Corpo e Alma/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Corpo e Alma/ Cesar Augusto Mota

Sem dúvida os filmes românticos estão entre as preferências dos cinéfilos, ainda mais quando os protagonistas são carismáticos. Mas o que você diria de um filme cujos personagens centrais não são tão afetivos assim, marcados pela melancolia e possuem uma forte ligação onírica? Prepare-se, pois o longa húngaro ‘Corpo e Alma’, da cineasta Ildikó Enyedi, vai inicialmente causar estranheza, mas depois apresentar sequências tranquilas e conquistar o público.

Inicialmente, nos ambientamos em um abatedouro de gado, um local um tanto perturbador e sinistro, e lá trabalha Endre (Morcsányi Géza), diretor financeiro. Ele tem poucos amigos e está com o braço esquerdo debilitado, sem movimentos, e com medo de ter novos relacionamentos após algumas decepções amorosas. Logo em seguida, chega Mária (Alexandra Borbély) para trabalhar como inspetora de qualidade, uma mulher bastante estranha, com traços pálidos, sem o desejo de se aproximar de outras pessoas e com incômodo apenas por tocar nos outros. Um ambiente um pouco pesado, composto por duas pessoas deslocadas do seio social e que não reúnem os estereótipos predominantes na sociedade moderna.

O roteiro dá um tratamento onírico à história, depois vai para o universo lúdico. Os dois protagonistas são apáticos, avessos ao convívio social e sofrem de sérios traumas, mas ambos possuem a habilidade de ter os mesmos sonhos, além de poderem se encontrar neles, mas na forma de animais. Ele é um veado, ela, uma cerva, e se deparam em uma floresta congelada e cheia de neve. Mária e Endre não estão preocupados com padrões sociais e relacionamentos quando sonham, mas quando acordam se deparam com uma tarefa árdua e perturbadora, o mundo real, cheio de amarras e desconfortável para eles. Ambos tentam se aproximar e se apaixonar, e a sequência de ações praticadas por eles deixam isso mais evidente. Tratam-se de formas de libertação que encontram em um universo tão complexo e desconfortável.

No tocante à fotografia, o espectador se depara com belos planos estéticos nos sonhos de Mára e Endre, e tons pastéis e fortes no ambiente do matadouro, um conflito feito de forma proposital para que o público se encante com o mundo fantasioso e se importe mais com os personagens centrais, o que acaba acontecendo na maior parte do tempo. Porém, o nível cai no terço final da trama, mas nada que prejudique a qualidade imagética da obra, mais forte que os propriamente os diálogos da trama.

Se não é um filme tradicional, com bonitos ambientes, jantar à luz de velas e personagens carismáticos, ‘Corpo e Alma’ se preocupa em trazer ao público uma história capaz de ligar realidade e fantasia e focar nos conflitos internos de seus personagens, bem como trazer artifícios e alternativas para esses entreveros. Sensível, alegórico e impressionante, não foi à toa que o longa de Ildikó Enyedi levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Uma perfeita obra que traz temas importantes, como as relações imperfeitas entre humanos, o direito dos animais e o principal, a possibilidade de uma relação amorosa existir em um ambiente improvável, um matadouro.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota