Artistas assinam carta contra silêncio do Festival de Berlim sobre conflitos em Gaza

Artistas assinam carta contra silêncio do Festival de Berlim sobre conflitos em Gaza

Wim Wenders na abertura da 76ª Berlinale — Foto: Ronny HARTMANN / AFP

Wim Wenders na abertura da 76ª Berlinale — Foto: Ronny HARTMANN / AFP

Mais de 80 personalidades do cinema, incluindo atores como Javier Bardem, Fernando Meirelles e Tilda Swinton, assinaram uma declaração de condenação contra o Festival de Cinema de Berlim para denunciar seu “silêncio” sobre Gaza e o “genocídio dos palestinos”.

Os signatários da carta aberta, à qual a AFP teve acesso nesta terça-feira (17), afirmam estar “consternados com o silêncio institucional da Berlinale” sobre o tema, depois que o presidente do júri, o cineasta Wim Wenders, respondeu a uma pergunta sobre Gaza na semana passada conclamando a “manter-se à margem da política”.

A carta, assinada por diretores como o brasileiro Fernando Meirelles, o britânico Mike Leigh e o americano Adam McKay, declara firme discordância em relação aos comentários de Wenders, argumentando que cinema e política não podem ser separados.

“Da mesma forma que o festival se pronunciou claramente no passado sobre as atrocidades cometidas contra a população do Irã e da Ucrânia, pedimos à Berlinale que cumpra seu dever moral e se oponha claramente ao genocídio de Israel”, acrescenta a declaração.

Além disso, os signatários afirmam que vão além da posição da Berlinale de não se manifestar sobre a atuação de Israel em Gaza e querem destacar “o papel-chave do Estado alemão em permiti-la”.

“Temos que nos manter fora da política, porque, se fizermos filmes que sejam dedicadamente políticos, entramos no campo da política; mas nós somos o contrapeso da política”, declarou Wenders na quinta-feira, em resposta a um jornalista que o questionou sobre o júri manifestar sua solidariedade à Ucrânia ao mesmo tempo em que trabalhava para o governo da Alemanha, patrocinador do evento, e apoiador do “genocídio em Gaza”, nas palavras do jornalista responsável pela pergunta.

‘De cair o queixo’

Arundhati Roy — Foto: Prakash SINGH / AFP
Arundhati Roy — Foto: Prakash SINGH / AFP

A fala de Wenders gerou desconforto e fez até com que a cultuada escritora indiana Arundhati Roy cancelasse sua presença no evento. “Ouvir alguém dizer que a arte não deve ser política é de cair o queixo”, afirmou a autora em nota oficial publicada no site indiano The Wire. “É uma forma de silenciar uma conversa sobre um crime contra a humanidade enquanto ele se desenrola diante de nós em tempo real — quando artistas, escritores e cineastas deveriam estar fazendo tudo ao seu alcance para impedi-lo”, continuou.

No sábado (14), a diretora da 76ª Berlinale, Tricia Tuttle, divulgou nota em defesa dos jurados que participam do evento. Segundo Tuttle, cineastas se posicionam “através de seus filmes, sobre seus filmes – e às vezes também sobre temas geopolíticos que podem estar associados ao seu trabalho ou não”. A diretora frisou a importância da diversidade da programação do festival, que tem produções que tocam em temas como o genocídio, por exemplo, mas argumentou que “cineastas não têm o dever de se posicionar sobre tudo”.

Fonte: O Globo

Ethan Hawke brilha e Juliette Binoche emociona no Festival de Berlim 2026

Ethan Hawke brilha e Juliette Binoche emociona no Festival de Berlim 2026

Ethan Hawke na Berlinale 2026Etha

Desde 12 até o dia 22 de fevereiro, a 76ª edição da Berlinale apresenta 22 filmes em competição pelo Urso de Ouro e quase 200 títulos em sua programação total. Já na segunda metade do evento, nos dias 5 e 6 da cobertura, a competição se mostra mais fraca em comparação aos últimos cinco anos, com nenhuma obra impressionante e muitas medianas ou ruins.

Em 16 de fevereiro, o tapete vermelho do Berlinale Palast recebeu o drama At the Sea, dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó e estrelado por Amy Adams. Este era um dos mais aguardados da competição. Apesar do nome de peso, o filme acabou se tornando um dos mais rejeitados do festival até agora e Amy Adams coleciona mais um papel ruim e atuação desconfortável em sua carreira. A prometida carga emocional não se sustenta ao longo da narrativa, resultando em uma obra irregular e distante.

Em contraste, The Weight, do diretor irlandês Padraic McKinley, trouxe um cinema mais clássico e estruturado. Protagonizado por Ethan Hawke, o longa aposta na jornada do herói tradicional, com uma construção dramática sólida e uma atuação segura de Hawke. O filme, entretanto, está apenas em Especial Gala. Esta é a primeira vez de Ethan em Berlim sem o seu amigo e parceiro de longos anos, Richard Linklater. Ambos estiveram na mostra competitiva no ano passado com Blue Moon, indicado a dois Oscars neste ano.

Entre os títulos europeus, My Wife Cries, da alemã Angela Schanelec, mantém o minimalismo radical e uma abordagem austera. A linguagem é difícil de digerir por adotar uma abordagem experimental que a torna excessivamente maçante. Já Nina Roza, da canadense Geneviève Dulude-De Celles, oferece um olhar delicado sobre identidade e pertencimento, enquanto o australiano Wolfram, de Warwick Thornton, leva o público ao deserto para refletir sobre colonização e preconceito contra comunidades aborígenes.

O filme, no entanto, é maniqueísta e apresenta montagem e roteiro confusos, além de atores medianos. Ainda assim, o título chega ao festival por transmitir uma reflexão política sobre colonização e genocídio de povos nativos.

No campo mais íntimo, Queen at Sea, estrelado por Juliette Binoche, emociona ao abordar o envelhecimento e a demência, além dos conflitos familiares e a reflexão sobre cuidadores. 

Tema que também aparece em Take Me Home, da diretora coreano-americana Liz Sargent, exibido na mostra Perspectives. Protagonizado por Anna Sargent, irmã da diretora e que está dentro do espectro autista, este é um dos filmes mais delicados do festival até agora, ao tratar o autismo com humanidade e respeito.

Com poucos dias restantes até o encerramento em 22 de fevereiro, a Berlinale 2026 aponta alguns favoritos a prêmios, como Rose — apresenta no primeiro resumo — e Queen at Sea. A cobertura completa da reta final continua aqui no CinePOP

Fonte: CinePop

Karim Aïnouz se manifesta após polêmica no Festival Berlim

Karim Aïnouz se manifesta após polêmica no Festival Berlim

Presidente do júri, Wim Wenders afirmou que afirmou que cineastas eram “o oposto da política”

Karim Aïnouz concorre ao Urso de Ouro com “Rosebush Pruning”Foto: AFP/Divulgação

A polêmica em torno da posição do júri da Berlinale de se afastar de pronunciamentos políticos ganhou a atenção de diretores brasileiros com filmes inscritos no festival. Ouvidos pela reportagem, Karim Aïnouz, que concorre ao Urso de Ouro com “Rosebush Pruning”, e Eliza Capai, diretora do documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo”, se mostraram espantados com a atitude de Wim Wenders.

Na última quinta, provocado por um jornalista, o presidente do júri deste ano afirmou que cineastas eram “o oposto da política”. Wenders defendia a posição da produtora polonesa Ewa Puszczynska, também integrante do júri, que ao ser questionada sobre a postura do governo alemão acerca da Faixa de Gaza, respondeu que a “pergunta era injusta”.

“Acho que Wenders foi infeliz. Até porque ele faz um cinema profundamente político e transformador”, diz Aïnouz.

“É político no sentido em que ele questiona as estruturas de poder. É isso que eu chamo de política. É quando você, de fato, conta uma história em que você questiona. Você vai ver um filme como ‘Paris, Texas’, que é um dos filmes mais emblemáticos dele, ele questiona o que é a relação entre homem e mulher a partir de uma perspectiva íntima, mas ele está falando de um estado de coisas.”
Ele usa um título do próprio Wenders, “O Estado das Coisas”, de 1982, para falar do trabalho do cineasta. “Eu decidi fazer cinema porque eu li um texto do Walter Benjamin, “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica”, em que ele fala do impacto do cinema com algo que pode transformar o mundo”, afirma o diretor cearense que vive em Berlim.

“O cinema tem essa coisa que é muito impressionante. Eu estava na sessão ontem pensando –é um negócio muito estranho, só uma luz batendo numa tela, mas tem uma força muito grande”, diz, lembrando a sessão de seu segundo filme internacional.
“Para mim, fazer cinema sempre foi um ato político. Um ato que, de fato, eu tento questionar, criticar, provocar um estado de coisas que eu acho que não está justo. Através de um personagem que nunca vi representado e eu que estou representando. Ou através de uma história que não foi contada que eu estou recontando. Então, acho que sempre foi. Não tem como não ser um ato político.”

Opinião parecida tem Eliza Capai, que concorre ao prêmio de melhor documentário em Berlim com um filme que acompanha meninas de uma escola no interior do Piauí discutindo de maneira lúdica o papel da mulher no ambiente machista brasileiro. Seu objeto é a primeira geração de alunos totalmente inserida no Bolsa Família.

“Fazer cinema é fazer política. Qualquer decisão, qual é o tema que eu vou gravar? Onde eu vou filmar? O que cada personagem vai falar no caso de uma ficção? Quem eu vou escolher para o meu documentário? Tudo isso é político”, afirma a diretora.

“Posso fingir que eu sou apolítica, mas não existe ninguém apolítico. Todos nós somos políticos. A gente pode ter consciência de que seres políticos nós somos ou não. Eu acho que quanto mais consciência do que me define politicamente, mais potente é o meu cinema”, diz ela, que não vê problema em ser vista como ativista. “Para mim, é uma questão de justiça social.”

No fim de semana, a organização da Berlinale publicou uma carta em defesa de Wenders e dos demais jurados. Segundo o comunicado, artistas não têm a obrigação de se manifestar sobre todos os assuntos de caráter político apresentados a eles.

“Os artistas são livres para exercer seu direito à liberdade de expressão da maneira que escolherem”, disse a diretora do evento, Tricia Tuttle, na publicação. Ainda afirma que, diante do “estrondo da mídia”, os participantes não deveriam ter de responder por “ações passadas ou presentes de um festival”.

Nos últimos dias, nomes como Michelle Yeoh, que conquistou o Oscar de melhor atriz por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” e foi à mostra de cinema para receber um prêmio honorário, e Rupert Grint, da saga “Harry Potter”, também foram criticados.

Enquanto Yeoh afirmou não se considerar capaz de comentar questões como as políticas anti-imigração de Donald Trump, Grint disse que ainda escolherá um momento melhor para protestar contra a escalada de ideais fascistas dos últimos anos.

Fonte: O Tempo

BETÂNIA, nova produção da Salvatore Filmes fará sua estreia mundial no Festival de Berlim

BETÂNIA, nova produção da Salvatore Filmes fará sua estreia mundial no Festival de Berlim

 
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credito da foto: Felipe Larozza / Salvatore FIlmes

A nova produção da Salvatore Filmes, BETÂNIA, escrito e dirigido por Marcelo Botta, fará sua première mundial na seção Panorama do Festival de Berlim, que acontece entre 15 e 25 de fevereiro. O longa é segunda ficção da produtora, que, nesse ano, comemora seus 10 anos.

Estrear num festival como esse é algo que pode mudar a carreira do filme. Mesmo sendo um filme que mostra uma cultura muito regional, ele aborda aspectos e conflitos extremamente globais. Mesmo sendo, em certos sentidos, uma história quase atemporal é, ao mesmo tempo, um filme muito contemporâneo. Ainda que seja um filme de arte que conseguiu passar pelo crivo de um grandíssimo festival da mais alta qualidade, é ao mesmo tempo um filme acessível, familiar, musical e popular”, comenta Botta.

BETÂNIA é protagonizado por Diana Mattos, que intepreta a personagem-título, uma mulher que vive numa região desértica não muito longe da Amazônia. Como disse o diretor, o filme é bastante universal, mas traz marcas muito locais da cultura e da sociedade brasileiras.

Existem mais de 60 momentos musicais dentro do filme, entre toadas de Boi, Reggae Remixes e Tambor de Crioula, entre outros gêneros. O Maranhão tem uma riqueza cultural gigantesca, mas talvez seja um tesouro que ainda não foi descoberto pelo público estrangeiro e por boa parte do público brasileiro de fora do Maranhão. Poder mostrar um pouco da grandiosidade cultural do Maranhão para o mundo é algo que nos faz extremamente felizes. Saber que vamos botar gente do mundo inteiro pra sentir o pandeirão do Boi batendo lá no fundo do coração me deixa realmente emocionado.”

O elenco é inteiramente composto por atores e atrizes maranhenses – até mesmo os persoangens franceses são feitos por franceses radicados no estado. “A maior parte do elenco está pela primeira vez em um longa de ficção. Diana Mattos, a atriz que faz a protagonista Betânia, é funcionária pública em São Luís e palhaça em apresentações para o público infantil. Sua única aparição no cinema brasileiro foi em um plano detalhe de sua mão em ‘Carlota Joaquina’ da Carla Camurati.”

Botta conta que BETÂNIA foi um dos primeiros longas rodados no final da pandemia, e é um projeto que está intimamente ligado com o momento histórico do país. “Fazer esse filme foi o que nos manteve firmes e ativos durante o pior momento para o cinema autoral na história recente do Brasil. Sobrevivemos. E mais do que isso, com o longa respondemos a todo esse processo histórico no qual sofremos golpes e tentativas de golpe para dizer em alto e bom som que o cinema brasileiro merece respeito e que o cinema brasileiro estará a cada dia mais forte do que nunca.”

Sinopse

Não muito longe da Amazônia existe um deserto brasileiro onde Betânia tenta renascer enquanto o mundo acaba.

Ficha técnica

Roteiro e direção: Marcelo Botta

Elenco: Diana Mattos, Ulysses Azevedo, Nádia de Cássia, Caçula Rodrigues, Michelle Cabral, Tião Carvalho, Rosa Ewerton Jara, Vitão Santiago, Anouk Mulard, Caiçara Vibration, Tim Vidal

Produção: Marcelo Botta, Gabriel Di Giacomo

Produção executiva: Maria Isabel Abduch, Luciana Coelho

Fotografia: Bruno Graziano

Montagem: Marcio Hashimoto

Trilha sonora: Tião Carvalho, Edvaldo Marquita da Betânia        , Misael Pereira da Betânia

Sobre Marcelo Botta

Produziu e dirigiu o longa-metragem de ficção “Betânia” (2024), filmado no parque nacional dos Lençóis Maranhenses. O filme participou da sessão Primer Corte para longas não finalizados no Ventana Sur 2022 em Buenos Aires. Como resultado, recebeu três importantes prêmios de pós-produção. Dirigiu o longa “Abestalhados 2” (2022) junto com Marcos Jorge, uma coprodução com a Disney e a Zencrane Filmes.

Em 2020, criou e dirigiu dois projetos: a série documental “Viajo Logo Existo” no Travel Box Brasil e a série de ficção “Auto Posto”, em coprodução com a Paramount, sucesso de audiência no Comedy Central e indicada ao ABRA de melhor roteiro. A segunda temporada de “Auto Posto” foi lançada, em maio de 2023, no Comedy Central e na Paramount +. Escreveu e dirigiu, junto com Gabriel Di Giacomo, a série “Foca News com Daniel Furlan”(2016), coprodução com a Fox exibida no FX e produziu “O Último Programa do Mundo”(2016), para o mesmo canal. Como sócio da Salvatore Filmes, produziu os longas documentais “Marcha Cega”(2018) e “Memória Sufocada” (2021) de Gabriel Di Giacomo.

Para mais informações, acesse o site da Salvatore

“O ESTRANHO’ fará sua estreia mundial no Festival de Berlim em fevereiro

“O ESTRANHO’ fará sua estreia mundial no Festival de Berlim em fevereiro

Coprodução entre Brasil e França, novo filme de Flora Dias e Juruna Mallon foi realizado no Aeroporto de Guarulhos e arredores e retrata o cotidiano de trabalhadores e as camadas históricas desse território

O ESTRANHO, escrito e dirigido pela dupla Flora Dias e Juruna Mallon, fará sua première mundial na Berlinale Forum, do Festival de Berlim, que acontece entre 16 e 26 de fevereiro na capital alemã. O longa é uma produção Lira Cinematográfica e Enquadramento Produções em coprodução com Pomme Hurlante Films, Filmes de Abril e Ipê Branco Filmes. A distribuição é da Embaúba Filmes.

O principal cenário de O ESTRANHO é o Aeroporto de Guarulhos (SP), um símbolo de progresso e um monumento do mundo globalizado, mas também um marco do agressivo processo de colonização e ocupação do território. Embora seja um lugar onde as pessoas transitam o tempo todo, o filme joga seu olhar para aqueles que ficam, cujas vidas se cruzam naquele solo onde trabalham.

Filmando no próprio aeroporto e seus arredores, Dias e Mallon definem o processo do filme como uma total imersão no território de Guarulhos. “Pesquisa, preparação e filmagem nos levaram a perceber sua realidade como algo essencialmente heterogêneo e múltiplo. Quanto mais orientamos nosso olhar (e câmera) para os espaços e para as rotinas diárias dos trabalhadores do aeroporto, mais essa realidade se tornou rica e surpreendente. Ao lado do aeroporto encontramos bairros urbanos populosos, mas também comunidades rurais, sítios arqueológicos escondidos, e tribos indígenas em processo de retomada”.

Diretores de “O Sol nos meus olhos”, de 2012, Dias e Mallon encontram na nova parceria a oportunidade de conjugar interesses em comum, que definem como “uma pesquisa cinematográfica sobre como o processo de autoconhecimento individual e de ativação da memória ancestral se conjuga com a busca por território e a construção de paisagem. Concebemos a paisagem não como um lugar de simples contemplação, mas como um espaço de luta de forças sociais, de confronto de diversas temporalidades e cheio de camadas de significação. Assim como o universo interior de uma pessoa, a paisagem é um processo pulsante e em constante construção”.

Segundo Flora Dias, “O Estranho é um trabalho de muitos anos e de muitas pessoas. Um estreia como essa em Berlim é uma janela importante pra todas essas energias colocadas no filme. O filme teve e continua tendo uma guiança espiritual muito forte, e eu sinto que os caminhos dele estão sendo abertos pelos ancestrais que o filme reverencia. Além disso, me sinto muito grata de poder levar para o festival, especialmente este ano, um filme que honra essas múltiplas ancestralidades brasileiras. Temos mais uma chance agora, como sociedade, de amplificar nossas histórias indígenas e diaspóricas. E eu espero que O Estranho possa contribuir para isso”.

Juruna Mallon complementa: “Eu vejo O Estranho como um filme de encontros. Foram esses múltiplos encontros que, ao mesmo tempo, se tornaram a própria matéria prima do filme e que definiram a trajetória que o filme iria percorrer. Eles foram os pés e a terra dessa longa caminhada que o filme se propôs a fazer. Num primeiro momento, o encontro se deu com o território de Guarulhos, os trabalhadores do aeroporto, os estudantes e habitantes dos seus bairros. Em seguida, ele se traduziu nas parcerias com equipe e personagens que foram brotando e nos ajudando a lidar cinematograficamente com aquela rica e complexa realidade. A participação neste festival é um início especial para uma nova série de encontros no caminho desse projeto, agora entre o próprio filme e o público”.

O ESTRANHO terá sua primeira exibição pública no próximo dia 20 de fevereiro, no cinema Arsenal da capital alemã.

Sinopse

Em um território indígena funciona o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Centenas de milhares de passageiros o atravessam diariamente e 35.000 trabalhadores apoiam sua operação. O Estranho retém seu olhar não sobre aqueles que passam, mas sobre o que ali permanece. Seguimos personagens cujas vidas se cruzam no dia a dia do trabalho neste chão. Alê, uma funcionária de pista cuja história familiar foi sobreposta pela construção do aeroporto, nos conduz por encontros através dos tempos. As memórias e o futuro dela e de seus companheiros estão permeados por uma questão comum: rastros de um passado em um território em constante transformação.

Ficha Técnica

Uma produção Lira Cinematográfica e Enquadramento Produções

Em coprodução com Pomme Hurlante Films, Filmes de Abril e Ipê Branco Filmes

Distribuição Embaúba Filmes

Roteiro e Direção – Flora Dias e Juruna Mallon

Produção – Lara Lima e Leonardo Mecchi

Coprodução – Eva Chillón e Paula Pripas

Direção de fotografia – Camila Freita

Direção de arte e Figurino – Dayse Barreto

Som direto – Gustavo Zysman Nascimento

Direção de produção – Luiz Fernando Orofino

Assistência de câmera e luz – Ana Galizia

Preparação de elenco – Helena Albergaria

Montagem – João Marcos de Almeida

Supervisão e desenho de som – Léo Bortolin

Mixagem – Vitor Moraes

Elenco:

Larissa Siqueira como Alê

Antonia Franco como Antônia

Rômulo Braga comoJorge

Patricia Saravy como Silvia

Thiago Calixto como Hélder

Laysa Costa como Laysa

Sobre os diretores

Flora Dias é diretora e diretora de fotografia, radicada em São Paulo e formada em Cinema pela UFF (Brasil) e pela École Nationale Louis Lumière (França).

Como diretora, realizou o longa-metragem O sol nos meus olhos, desenvolvido no Bafici Talent Campus em 2012 e lançado no Festival Internacional de Cinema de Mar Del Plata em 2013. Seu curta-metragem Ocidente foi exibido no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo em 2016, e Miragem na Mostra de Cinema de Tiradentes em 2019. Em 2020, em contexto de pandemia, Flora lança em plataformas virtuais o curta Pytang.

Com O Estranho, seu segundo longa-metragem, participou do 2º Encontro de Coprodução Internacional do LoboLab durante o 31º Festival Internacional de Cinema de Mar Del Plata; do 8º Laboratório Sesc Novas Histórias; do 9º BrLab – Laboratório de Desenvolvimento de Projetos e do 2º Proyect Lab do Ventana Sur. O projeto teve financiamento do Hubert Bals Fund, do Visions Sud Est e da Spcine, e fará sua estreia mundial na Berlinale Forum em 2023.

Em junho de 2022, Flora participou do workshop Filming in the Amazon, conduzido por Apichatpong Weerasethakul, do qual retornou com um novo curta-metragem, Wind Roads, ainda inédito.

Como diretora de fotografia, tem desenvolvido seu trabalho em curtas e longas-metragens desde 2009. Entre eles, estão Sinfonia da Necrópole (2014, Festival Internacional de Cinema de Mar Del Plata) e O Duplo (2012, Semana da Crítica de Cannes), ambos dirigidos por Juliana Rojas; Califórnia (2015, IFFRotterdam), de Marina Person; Seus ossos e seus olhos, de Caetano Gotardo (2019, IFFRotterdam); A noite amarela, de Ramon Porto Mota (2019, IFFRotterdam); e Primeiro Ato, de Matheus Parizi (2019, IFFRotterdam).

Juruna Mallon nasceu no estado do Rio de Janeiro em 1979. Estudou História da Arte em Gothenburg, na Suécia, e formou-se em Cinema no Rio de Janeiro. Há mais de dez anos mora na França, onde fez mestrado em Estudos Cinematográficos (Universidade de Lille) e Antropologia Visual (Universidade de Nanterre).

Dirigiu os documentários Satan Satie (2015) e Les Îles résonnantes (2017); o longa-metragem de ficção O Sol nos Meus Olhos (2013); e o curta de ficção Ararat (2014). Seus filmes foram exibidos em diversos festivais e centros de arte e cultura, como o Cinéma du Réel, Visions du Réel, Forum des Images, La Gaîté Lyrique, ForumDoc, Tiradentes e Semana dos Realizadores. Por Les Îles résonnantes, recebeu o Prêmio Aquisição da biblioteca pública do Centre Pompidou em 2017 e o Prêmio de Qualidade da agência francesa de cinema CNC em 2019. Seu segundo longa-metragem de ficção, O Estranho, fará sua estreia mundial na Berlinale Forum em 2023.

Juruna é também sound designer e compositor, tendo assim trabalhado em projetos como Ontem havia coisas estranhas no céu, de Bruno Risas, e Perles, de Alex Hellot. Em 2021, integrou o júri do festival internacional de cinema documental Cinéma du Réel, em Paris.

Sobre a Lira Cinematográfica

Fundada em 2008 e capitaneada pela produtora Lara Lima, a Lira Cinematográfica se dedica ao desenvolvimento e realização de projetos de cinema, com foco em produções autorais. Desde sua fundação, lançou dezesseis curtas-metragens e os longas Seus ossos e seus olhos (2019), de Caetano Gotardo, exibido em festivais como Rotterdam, IndieLisboa, Viennale e Tiradentes; e A Felicidade das Coisas (2021), de Thais Fujinaga, que estreou em Rotterdam em 2021 e recebeu prêmios como o de Melhor Longa-Metragem de Estréia na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O terceiro longa-metragem da produtora, O Estranho, de Flora Dias e Juruna Mallon, fará sua estreia mundial na Berlinale Forum 2023.

Sobre a Enquadramento Produções

Enquadramento Produções é uma produtora independente, sediada em São Paulo e fundada pelo produtor Leonardo Mecchi, focada no desenvolvimento e produção de projetos cinematográficos, em especial primeiros e segundos longas de jovens e promissores realizadores. Entre suas produções encontram-se filmes como A FebreLos SilenciosA Morte Habita à Noite e Mormaço, selecionados para alguns dos mais importantes festivais nacionais e internacionais, como Cannes, Locarno, Rotterdam, Toronto e San Sebastian, entre outros. Sua mais recente produção, O Estranho, terá sua estreia mundial na Berlinale Forum.

Sobre a Embaúba Filmes

A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de obras autorais brasileiras. Ela busca se diferenciar pela qualidade de seu catalogo, que já conta com mais de 30 títulos, em pouco mais de 4 anos de atuação, apostando em filmes de grande relevância cultural e política. A empresa atua também com a exibição de filmes pela internet, por meio da plataforma Embaúba Play, que exibe não apenas seus próprios lançamentos, como também obras de outras distribuidoras e contratadas diretamente com produtores, contando hoje com mais de 500 títulos em seu acervo, dentre curtas, médias e longas-metragens do cinema brasileiro contemporâneo.