Poltrona Cabine: Davi-Nasce um Rei/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Davi-Nasce um Rei/Cesar Augusto Mota

Produções bíblicas vêm ganhando bastante espaço no mercado audiovisual, seja na quantidade de produções como no número de espectadores nas salas de exibição. Peças dessa espécie significam não só informação, mas um verdadeiro exercício reflexivo sobre os valores e princípios cristãos. A animação “Davi: Nasce Um Rei”, da Heaven Content, com recorde de audiência nos Estados Unidos, chega ao Brasil apostando em um público mais familiar e em um grande engajamento.

Davi, um jovem pastor, sempre embalado pelas canções de sua mãe e silenciosas conversas com Deus, desenvolve um verdadeiro sentimento de fé. Quando surge Golias, um gigante para intimidar todo o povo de Israel, Davi, movido por sua forte crença e coragem parte em busca de algo que parece ser impossível e intransponível aos olhos dos israelenses, derrotar o gigante com uma funda e pedras. A alma, a fé e a identidade de um povo estavam a salvo.

A paleta de cores é harmoniosa e diversificada, mostrando um mundo pela perspectiva de Davi, denominado belo e criado por Deus. O jogo de sombras utilizado em momentos de tensão e o contraste feito com a luz ilustram a esperança, o otimismo e a coragem, mesmo diante de um cenário desfavorável. De quebra, as músicas contêm letras que ilustram situações alinhadas com o cotidiano, além de carregadas com um forte peso emocional. A trilha sonora é de qualidade, se encaixa perfeitamente ao contexto histórico e à luta contra as adversidades.

As atuações dos personagens são sólidas, com um protagonista carismático e com todos os atributos de um personagem que percorre uma autêntica jornada do herói, desde a sua autodescoberta até a transformação interna pela qual passou. A história é envolvente e inspiradora, com personagens secundários com fortes valores e que foram importantes na trajetória de David até o alcance de seu objetivo.  Uma história que vai além do entretenimento, com debates sobre espiritualidade, fé e escolhas.

“Davi: Nasce Um Rei” é uma obra com propósito, com potencial para envolver não apenas pessoas cristãs, como também quem procura por uma obra que entretenha, encoraje, inspire e motive. Uma animação 3D para públicos variados.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Entre Penas e Bicadas/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Entre Penas e Bicadas/Cesar Augusto Mota

Animações costumam ter múltiplos propósitos, desde o simples divertimento à transmissão de mensagens e valores para seus públicos-alvos. Além de uma bela paleta de cores, um roteiro bem estruturado e um elenco coeso contribuem para o sucesso da obra. Será que a animação chinesa “Entre Penas e Bicadas” segue todo esse script?

Criada entre galinhas, a águia Pena Dourada acredita que não consegue voar, porém, junto de sua irmã Catraca, ele embarca em uma aventura até Bird City, local onde irá explorar a origem de seu nascimento. Muitas verdades serão reveladas, além de ter de enfrentar uma batalha épica entre águias e galinhas, que exigirá de Pena Dourada escolhas difíceis e que poderão ser decisivas para seu destino.

Apesar do clichê do uso de animais falantes, a obra explora temas importantes, como a coragem para fazer escolhas, a busca pelo autoconhecimento, o sentimento de pertencimento a um grupo, além da importância da família, exaustivamente explorada em outras animações, mas não menos importante para essa animação chinesa. Os laços de amizade criados com os outros personagens e os parentes distantes que Pena Dourada são pontos altos da narrativa, com muitos momentos de grande emoção.

O ritmo da história é vibrante, a estética com cores quentes é envolvente e os personagens são carismáticos. O conjunto da obra agrada, Pena Dourada passa por uma importante e emocionante jornada, que mostra um lado que ele não conhecia, além do aprendizado sobre família e laços de afeto e amizade. Uma animação feita tanto para crianças como para adultos, uma história imersiva, didática e bastante leveza.

“Entre Penas e Bicadas” é uma animação de grande potencial, capaz de proporcionar muita emoção e engajamento do público. Entrega tudo o que se espera de uma animação, além da diversão.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Looney Tunes-O Dia Que a Terra Explodiu/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Looney Tunes-O Dia Que a Terra Explodiu/Cesar Augusto Mota

Animações sempre são sinônimo de prazer, divertimento e muitas risadas, ainda mais com personagens consagrados e carismáticos. Os ícones do universo Looney Tunes, que engloba Patolino, Gaguinho, Pernalonga, entre outros, são a bola da vez, e vêm com toques mais modernos, em gráficos 2D. “O Dia que a Terra Explodiu”, produção dirigida por Peter Browngardt, vem com o intuito de promover o retorno desses astros a suas verdadeiras e puras formas.

Constatamos uma aventura épica na qual Patolino e Gaguinho se unem à Petúnia, uma cientista de fábrica de chicletes, e acabam por se tornar os mais improváveis heróis ao tentar impedir uma invasão alienígena que pode destruir o mundo, a menos que um não destrua o outro durante todo esse processo.

Com a ausência de Pernalonga, a maior estrela de Looney Tunes, a Warner Bros aposta em dois personagens secundários, mas importantes, como heróis em uma obra de ficção científica que remete a clássicos como “Vampiros de Almas” e o “Dia que a Terra Parou”. Uma ideia ousada, mas com potencial para um retorno triunfal de personalidades que marcaram gerações.

Havia um enorme temor com essa nova proposta de animação, tendo em vista que outro projeto em 2D, “Coyote vs ACME”, fora cancelado pela Warner Bros., gerando mal-estar e desconfiança dentro da empresa e entre os fãs de Looney Tunes. Foi preciso dar uma resposta e era chance de mostrar que ainda é possível criar novas histórias e manter viva uma franquia já consolidada.  

A produção pode ser considerada um episódio de televisão estendido, e o uso constante da quebra da quarta parede foi um ingrediente a mais nessa aventura cheia de surpresas e sobressaltos. O resultado é tão grandioso que abre caminho para novas produções no futuro, e com um recurso que agradou ao público e deu novo tom aos personagens tão amados que conhecemos, o 2D.

O mercado audiovisual nos mostra ser possível resgatar obras marcantes e fazê-las conquistar novos públicos, basta criatividade e inovação, mas mantendo a essência da peça original.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

FLOW | PREMIADA ANIMAÇÃO ESTREIA QUINTA EM MAIS DE 350 CINEMAS BRASILEIROS

FLOW | PREMIADA ANIMAÇÃO ESTREIA QUINTA EM MAIS DE 350 CINEMAS BRASILEIROS


Com mais de 50 prêmios, incluindo o Globo de Ouro de melhor animação, “Flow” chega nesta quinta nos cinemas brasileiros

Nesta quinta-feira, dia 20 de fevereiro, o premiado longa-metragem de animação FLOW (Flow), indicado ao Oscar 2025 nas categorias de melhor animação e melhor filme estrangeiro, chega em mais de 350 cinemas brasileiros, com distribuição da Mares Filmes Alpha Filmes.

Com direção e roteiro do cineasta Gints Zilbalodis (“Longe” e do curta “Oasis“), o animado acompanha um gatinho cinza escuro e solitário, que tem seu lar destruído por uma grande inundação. Ele encontra refúgio em um barco habitado por diversas espécies, tendo que se juntar a elas apesar das diferenças.

Além das indicações ao Oscar, FLOW (Flow) venceu o Globo de Ouro de melhor animação e está concorrendo ao César (o Oscar francês), recebeu também duas indicações ao BAFTA (o Oscar britânico), nas categorias de melhor filme de animação e de melhor filme infantil e uma indicação ao Sindicato dos Produtores da América, na categoria de melhor animação do ano.

O animado já venceu mais de 50 prêmios, incluindo importantes prêmios da indústria como Annecy (Prêmio do Público/Prêmio do Júri), European Film Awards, Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles, Círculo de Críticos de Cinema de Nova York, National Board of Review e Associação dos Críticos de Cinema de Boston.

FLOW
Letônia – Bélgica – França | 2024 | 85 min. | Animação – Aventura – Fantasia | Livre

Título Original: Flow | Straume
Direção: Gints Zilbalodis
Roteiro: Gints Zilbalodis, Matiss Kaza
Distribuição: Mares Filmes | Alpha Filmes

Sinopse: Gato é um animal solitário, mas quando seu lar é destruído por uma grande inundação, ele encontra refúgio em um barco habitado por diversas espécies, tendo que se juntar a elas apesar das diferenças.

PRINCIPAIS PRÊMIOS E INDICAÇÕES:

# PRÊMIOS:
MELHOR ANIMAÇÃO DO ANO
– Globo de Ouro
– Annecy (Prêmio do Público/Prêmio do Júri)
– European Film Awards
– Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles
– Círculo de Críticos de Cinema de Nova York
– National Board of Review
– Associação dos Críticos de Cinema de Boston

– Annie:
Melhor Animação Independente
Melhor Roteiro

# INDICAÇÕES:
– Oscar
Melhor Animação
Melhor Filme Estrangeiro

– Critics Choice Awards
Melhor Animação
Melhor Filme Estrangeiro

– BAFTA
Melhor Filme de Animação
Melhor Filme Infantil

– César
Melhor Animação

– Sindicato dos Produtores da América
Melhor Filme de Animação

– Sindicato dos Produtores da América
Melhor Filme de Animação

Poltrona Cabine: Kayara-A Princesa Inca/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Kayara-A Princesa Inca/Cesar Augusto Mota

A cultura de um povo, com seus usos, costumes e símbolos, são sempre importantes, não só do ponto de vista da informação, como também da significação de uma nação. Mas nem sempre a quebra de uma tradição ocorre com facilidade, levando-se em conta os dogmas e princípios que levaram décadas ou até mesmo séculos para serem consolidados. Nesse contexto, a animação ‘Kayara-A Princesa Inca’ se desenrola com promessa de muita emoção e reflexões pertinentes sobre legado, coragem e resiliência.

Kayara, uma jovem de 16 anos sonha em quebrar uma barreira e ser a primeira mulher a liderar a liga dos mensageiros incas, os Chasquis. Porém, ela terá de enfrentar a resistência do pai e de todo o seu povo, tendo em vista que, via de regra, somente homens poderiam ser líderes de uma comunidade. Disposta a alterar essa regra, Kayara contará com sua coragem, resiliência e terá de enfrentar muitos terrenos perigosos e oponentes para alcançar seu objetivo.

As representações visuais da cultura inca, com os monumentos, armas, roupas e o significado das constelações, que significavam princípios e até mesmo a definição do destino de um ser humano, se dão de maneira autêntica, espontânea e com um bom jogo de luzes, com alternância entre as cores quentes para os confrontos e as frias para momentos de tensão e melancolia.

A luta de Kayara por espaço em uma sociedade patriarcal reflete o atual momento no qual vivemos, com debates acerca do empoderamento feminino, a luta diária por igualdade e afirmação e a superação de barreiras culturais e históricas. A animação não só entretem, como possui um importante papel de abrir os olhos das pessoas e mostrar que o mundo está em constante movimento e transformação, com novas descobertas, conquistas e desafios a serem enfrentados e superados.

‘Kayara-A Princesa Inca’ é uma obra que diverte, inspira, debate e conversa com todos os públicos. Uma animação divertida e necessária.

Cotação: 5/5 poltronas.  

Por: Cesar Augusto Mota