Poltrona Séries: A Saída-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Saída-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O cérebro exerce atividades simples e outras mais complexas, e algumas pessoas conseguem enxergar o que outras não têm capacidade. Histórias com suspense e mistério, como o filme Atividade Paranormal e a série Sobrenatural, estão cada vez mais comuns, e essa fórmula também é adotada pela produção polonesa ‘A Saída’, da Netflix. A obra possui seis episódios, rapidamente maratonáveis, e com ingredientes para fisgado e ainda mais curioso com o andamento da história.

Acompanhamos a jovem Julia, 17 anos, vítima de um acidente automobilístico que vitimou toda a sua família. Ela não se lembra de nada e é internada na clínica Segunda Chance, que trata de pacientes com quadros graves de amnésia e esquizofrenia paranóica. Lá, ela conhece Adam, que acaba por se tornar seu guia, mostrando toda a clínica e conhecendo outros pacientes com diagnóstico semelhante. Mas posteriormente ela se dá conta que a instituição não é o que aparenta ser, questiona seus métodos de tratamento e enfrenta grandes perigos enquanto busca descobrir tudo sobre sua origem e o que está acontecendo no mundo exterior.

A personalidade forte da protagonista e sua capacidade de senso crítico chamam muito a atenção, tendo em vista que os demais pacientes nada questionam e aceitam tudo passivamente na clínica. O roteiro prima por mostrar eventos encadeados e em ritmo lento para segurar o público ao máximo antes do clímax, o que acaba funcionando. Quem acompanha a narrativa fica confuso, pois não sabe se o que está na tela é real ou um produto da imaginação dos personagens. Julia, a paciente novata, é bastante refém de alucinações e de constantes aparições de uma garota ruiva, que pode ser algum parente ou então seu alter ego.

 Os personagens secundários seguram bem a trama, além de Adam, a paciente Magda, de quadro clínico mais grave, conduz Julia para um lado que a personagem-central jamais imaginaria, descobrindo segredos sombrios sobre a instituição psiquiátrica e quem a dirige, Zofia, uma mulher aparentemente prestativa e atenciosa, mas muito ambiciosa. A história dá um grande salto após Julia e seus amigos fazerem uma grande descoberta sobre o funcionamento da clínica Segunda Chance, e a partir daí passamos a descobrir a verdadeira identidade de Julia e por qual motivo ela e os demais pacientes são mantidos na instituição psiquiátrica e o porquê de métodos tão duros e ortodoxos. A conclusão não poderia deixar de ser chocante, com gancho para uma possível continuação.

Quem curte séries que buscam investigações, desvendar segredos e grandes saltos na narrativa, ‘A Saída’ tem muito a oferecer. Uma maratona viciante e instigante para fãs de suspense.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota