Dramas psicológicos vêm ganhando espaço entre filmes e séries, e podem ser consideradas ferramentas importantes acerca do estudo sobre a mente humana, o quão ela pode ser complexa, manipulada ou até mesmo cruel e perversa. Com direção de André Ristum, “Ninguém Sai Vivo Daqui” é uma produção brasileira que relembra ao público um dos episódios mais sórdidos e macabros da História do Brasil.
Inspirado no livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, acompanhamos Elisa (Fernanda Marques), internada no hospital psiquiátrico Colônia, de Barbacena, à força pelo pai por ter engravidado do namorado e se recusado a casar com um homem mais velho escolhido por ele. O local era conhecido por receber pessoas que se recusam a cumprir regras impostas pela sociedade ou pela própria família, sofrendo tortura e maus tratos. Elisa e os demais internos vão usar todas as forças possíveis para fugir daquele ambiente hostil e infernal.
O ambiente apresenta pouca luz e o filme é inteiramente em preto e branco, criando uma atmosférica sufocante e claustrofóbica. Esses recursos transportam o espectador para o local, fazendo-o sentir toda a dor e sofrimento pelos quais os personagens passam. O recurso do preto e branco é proposital, pois ilustra o olhar desolado e sem cor dos internos do Hospital Colônia, sem perspectivas de uma vida melhor em um ambiente torturante e opressor.
O filme proporciona importantes debates sobre a violação dos direitos humanos e saúde mental, tendo em vista as atitudes atrozes e meios cruéis utilizados pelos enfermeiros do Hospital Colônia, a privação dos direitos básicos dos internos, bem como seus transtornos psicológicos. O público se solidariza com os demais internados e se surpreende com a performance entregue por eles e principalmente por Elisa, a personagem-central. Ela conseguiu ilustrar toda a fragilidade e medo, proporcionando muita veracidade e emoção.
Apesar da falta de profundidade sobre a vida de Elisa, como seu passado e planos futuros, “Ninguém Sai Vivo Daqui” é polêmico, didático e visceral, que não só entretém, como também denuncia as barbaridades do ser humano e as complexidades da mente humana, que ainda requer estudos exaustivos da ciência.
Longa maranhense de Marcelo Botta teve sua estreia na Berlinale e passagens por Toulouse e Guadalajara. Agora, compete no Malaysia International Film Festival.
Sentados: Mariana Cristal Hui (diretora de arte) e Marcelo Botta (diretor e roteirista)De pé: Nádia D’Cássia (Vitória), Tião Carvalho (Ribamar), Rosa Ewerton Jara (Jucélia), Diana Mattos (Betânia), Ulysses Azevedo (Antonio) e Michelle Cabral (Irineusa).
No mês de julho, BETÂNIA terá sua estreia asiática em Kuala Lumpur, no MIFFest, festival da Malásia que chega em sua sétima edição despontando como uma importante porta de entrada para o mercado cinematográfico da Ásia. O evento acontece de 21 a 28 de julho de 2024.
O longa, escrito e dirigido por Marcelo Botta, teve sua première mundial aplaudida de pé por 800 pessoas no 74º Festival de Berlim e ainda participou de competitivas no 36º Cinélatino de Toulouse (França) e no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (México), entre outros festivais.
No Festival da Malásia, BETÂNIA está na competição principal, definida pelos organizadores da seguinte forma: “O nosso pilar anual do programa do MIFFest, destaca a próxima/nova geração de visionários cinematográficos. (…) Betânia, de Marcelo Botta, é aclamado por sua narrativa emocionalmente profunda e sua cinematografia impressionante. (…) A programação da Competição deste ano é um caleidoscópio de novas perspectivas e narrativas arrojadas, sendo cada filme uma jóia única que reflete o potencial luminoso de contadores de histórias emergentes que estão prontos para inspirar, desafiar e incitar diálogos”.
O filme compete em nove categorias: melhor filme (Salvatore Filmes), melhor roteiro (Marcelo Botta), melhor fotografia (Bruno Graziano), melhor atriz (Diana Mattos por Betânia), Melhores atrizes coadjuvantes (Michelle Cabral como Irineusa e Rosa Ewerton Jara como Jucélia), melhor ator coadjuvante (Tião Carvalho como Ribamar), além do prêmio do público e do prêmio New Hope, voltado para filmes que trazem alguma esperança para a humanidade em tempos de crise climática.
“Ser reconhecida por esse papel tão significativo me enche de gratidão e orgulho. A personagem Betânia desafiou meus limites como atriz e me permitiu explorar novas profundezas emocionais”, conta a protagonista Diana Mattos. “A indicação no Festival da Malásia foi a minha primeira indicação no cinema, então toda a primeira vez é inesquecível e é uma emoção incrível, indescritível”, resume a atriz estreante em longas, Michelle Cabral. “Nossa, eu fiquei, além de honrada, eu fiquei muito feliz porque essa indicação pra mim é o mesmo que um prêmio”, emociona-se Rosa Ewerton Jara.
BETÂNIA (2024) é uma produção Salvatore Filmes com coprodução do canal Brasil e produção associada de Márcio Hashimoto, Marcelo Campaner, Ventre Studio com distribuição nacional da O2 Play Filmes.
Acompanhe a jornada de BETÂNIA pelos festivais de todo o mundo no instagram @betaniafilme.
Depois de perder o marido para o derrame, em decorrência do excesso de sal que é fruto das dietas de lugares sem energia elétrica, Betânia, 65, parteira, mãe e avó insiste em sobreviver no isolado povoado entre as dunas dos Lençóis Maranhenses enquanto resiste ao clamor das filhas para que se mude para Betânia, o povoado onde ela nasceu, porém jamais habitou.
Ficha técnica
Um filme de: Marcelo Botta
Uma produção: Salvatore Filmes
Coprodução: Canal Brasil
Produção associada: Marcio Hashimoto, Marcelo Campaner e Ventre Studio.
Elenco: Diana Mattos, Tião Carvalho, Ulysses Azevedo, Nádia d’Cássia, Caçula Rodrigues, Michelle Cabral, Rosa Ewerton Jara, Vitão Santiago, Anouk Mulard, Tim Vidal e Caiçara Vibration.
Produção: Gabriel Di Giacomo, Marcelo Botta
Produção executiva: Maria Isabel Abduch, Luciana Coelho
Fotografia: Bruno Graziano
Arte: Mariana Cristal Hui
Montagem: Marcio Hashimoto
Som: Raoni Gruber, Caio Guérin, Armando Torres Jr e Martin Grignaschi
Trilha sonora: Marcelo Botta, Tião Carvalho, Boi da Betânia, Edivaldo Marquita, Misael Pereira, A Barca, Henrique Menezes, Black Roots, entre outros.
Sobre Marcelo Botta
Escreveu e dirigiu o longa “Betânia” que estreou na 74a Berlinale e passou por festivais da França, Noruega e México. Criou e dirigiu também: a série documental “Portraits” rodada em lugares isolados da América do Sul, além da série de ficção “Auto Posto”, em coprodução com a Paramount, sucesso de audiência no Comedy Central com 20 episódios produzidos e indicada ao prêmio ABRA de melhor roteiro.
Junto com Gabriel Di Giacomo, escreveu e dirigiu a série “Foca News” (2016), coprodução com a Fox exibida no FX e produziu “O Último Programa do Mundo” (2016). Também foi produtor dos longas documentais “Marcha Cega” (2018) e “Memória Sufocada” (2021) de Gabriel Di Giacomo, filmes que passaram por importantes festivais no Brasil e Europa.
Antes da Salvatore Filmes, trabalhou na MTV Brasil onde dirigiu os programas Comédia MTV (vencedor do APCA 2010), Furo MTV, Furo em Londres 2012, Trolalá, Adnet Ao Vivo e Adnet Viaja, programa rodado em 13 países da Europa e Caribe também em 2012.
O que você faria se sua vida dependesse, literalmente, de um assalto? Passagrana chega aos cinemas brasileiros, em 19 de setembro, apresentando quatro amigos que estão cansados de sobreviver aplicando pequenos golpes e correndo da polícia. O quarteto formado por Zoinhu (Wesley Guimarães), Linguinha (Juan Queiroz), Mãodelo (Elzio Vieira) e Alãodelom (Wenry Bueno) se depara com um roubo que pode tirá-los da rua. O problema é que os amigos atravessaram o esquema de policiais corruptos e o golpe ‘dá ruim’. No desespero, temendo por suas vidas, eles se aventuram a realizar um grande assalto a banco, digno das grandes produções do gênero já vistas nas telas de cinema.
O filme, um heist brasileiro, tem as ruas de São Paulo como cenário. O trailer oficial, divulgado nesta terça-feira (25), revela um grande elenco e desperta a curiosidade do público sobre como o quarteto realizará tal feito. Confira a seguir: https://bit.ly/3L4KPCL
Além de Wesley Guimarães, Juan Queiroz, Elzio Vieira e Wenry Bueno como protagonistas, Passagrana conta com nomes como Irene Ravache, Caco Ciocler, Giovanna Grigio, Carol Castro, Marco Luque, Luciana Paes e Leandro Ramos.
Passagrana é um filme realizado pela INTRO Pictures, em coprodução da Star Original Productions e distribuição da Star Distribution. O roteiro e direção ficam por conta de Ravel Cabral, que também atua na nova produção. (Ficha técnica, abaixo)
Novo longa-metragem do cearense Guto Parente, o premiado ESTRANHO CAMINHO, tem data de estreia anunciada para 01 de agosto, com produção da Tardo Filmes e distribuição da Embaúba Filmes.
O drama tem percorrido uma bela trajetória em festivais, tendo vencido os Prêmios de Melhor Roteiro (Guto Parente) e Melhor Ator Coadjuvante para o ator mineiro Carlos Francisco no Festival do Rio, Prêmio de Melhor Filme da Mostra Autorias da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, além de ter sido o grande destaque brasileiro no Festival de Tribeca.
No Festival de Tribeca, onde o filme teve sua première mundial como único longa brasileiro na competição internacional, ganhou todos os prêmios que disputou: Melhor Filme, Melhor Roteiro para Guto Parente, Melhor Fotografia para Linga Acácio e Melhor Performance para Carlos Francisco.
Fundado em 2002 pelo prestigiado ator Robert De Niro, por Jane Rosenthal e por Craig Hatkoff, o Festival de Tribeca tem grande relevância na promoção do cinema autoral e independente, premiando pela primeira vez um filme brasileiro em sua competição internacional. Hoje clássicos modernos, títulos como o canadense “A Feiticeira da Guerra” (2012), o iraniano “À Procura de Elly” (2009) e o sueco “Deixa Ela Entrar” (2008) já receberam a mesma honraria no passado.
“Eu gosto de misturar as coisas, o cinema narrativo com o experimental, o realismo com a fantasia, o humor com o espanto. A cada filme gosto de poder trabalhar com elementos diferentes, testando combinações improváveis e descobrindo novas possibilidades. Criar sem experimentar é reproduzir. A experimentação está no cerne da criação e é onde podemos assumir os riscos mais interessantes. Sem medo de errar. Ou buscando errar cada vez melhor. O fantástico é o que se encontra entre o maravilhoso e o extraordinário, é o lugar da dúvida, da hesitação, do mistério sem solução. A pergunta que gera uma nova pergunta, que gera uma nova pergunta.” explica o diretor Guto Parente sobre seu processo criativo.
ESTRANHO CAMINHO é um drama fantástico que acompanha a trajetória de David, um jovem cineasta que, ao visitar sua cidade natal, Fortaleza, é surpreendido pelo rápido avanço da pandemia de Covid-19 e se vê obrigado a procurar o pai, Geraldo, um sujeito peculiar com quem não fala ou tem notícias há mais de dez anos. Após o reencontro dos dois, coisas estranhas começam a acontecer.
Realizado inteiramente na cidade de Fortaleza, financiado pela Secretaria de Cultura do Ceará por meio de recursos da Lei Aldir Blanc – em edital lançado no final de 2020 –, o filme foi rodado entre maio e junho de 2021, com uma equipe formada majoritariamente por profissionais cearenses, como Guto Parente no roteiro e direção, Ticiana Augusto Lima na produção, Linga Acácio na direção de fotografia, Taís Augusto na direção de arte; Lucas Coelho no som; Thais de Campos no figurino; Noá Bonoba na preparação de elenco e Uirá dos Reis e Fafa Nascimento na trilha musical. No elenco, os protagonistas são Lucas Limeira (ator de “Cabeça de Nêgo, ”Quando eu me Encontrar”), no papel de David, o filho, e Carlos Francisco (ator de “Bacurau” e “Marte Um”), no papel de Geraldo, o pai.
Em 2022 o filme participou do programa WIP Latam para filmes em pós-produção, do prestigiado Festival de San Sebastian, na Espanha, onde ganhou o prêmio WIP Paradiso de melhor produção brasileira. No ano passado, o filme foi exibido na competição Horizontes Latinos do festival. A distribuição comercial no Brasil será realizada pela Embaúba Filmes.
“Estranho Caminho” é o 11º longa-metragem da Tardo Filmes, produtora independente de Fortaleza, que está completando esse ano 12 anos de existência. Além dos 11 longas, a produtora também tem no currículo 11 curtas e uma série de TV. Seus filmes já foram exibidos em importantes festivais internacionais, como Rotterdam (Holanda), FidMarseille (França), Bafici (Argentina), Munique (Alemanha), BFI London (Inglaterra), entre outros; e premiados em festivais nacionais como Festival do Rio, Brasília, Tiradentes, Janela do Recife e Olhar de Curitiba.
Errata enviada para comunicar que a MOSTRA PACINO é paga (R$ 10,00 inteira / R$ 5,00 meia) e não gratuita como informado anteriormente.
Ícone indiscutível da indústria cinematográfica, Al Pacino será homenageado com a MOSTRA PACINO no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, entre 06 de julho e 18 de agosto. A mostra já passou pelo CCBB RJ e também estará em cartaz no CCBB de Brasília.
No CCBB SP, a programação contará com 24 longas e um debate com dois convidados: Maria Fernanda Vomero (jornalista e doutora em Artes Cênicas) e Vanderlei Bernardino (ator e mestre em Meios e Processos Audiovisuais). Além disso, haverá um curso sobre a história da atuação no cinema (com duração de 6 horas no total), que contemplará o método moderno de atuação nos Estados Unidos (EUA), onde se formou Al Pacino.
Na seleção de títulos da MOSTRA PACINO estão alguns de seus trabalhos mais cultuados, como Perfume de Mulher, que lhe rendeu um Oscar em 1993 e filmes com interpretações consagradas, como a trilogia O Poderoso Chefão, que acompanha sua ascensão e queda como um mafioso nos Estados Unidos. Além disso, formam parte da programação filmes que fez com Michael Mann: Fogo Contra Fogo, O Informante e Um Dia de Cão, deSidney Lumet, que ganha sessão com acessibilidade (legendagem descritiva, audiodescrição e libras).
O curador da Mostra, Paulo Santos Lima, explica que a intenção é rever a história do mundo e das artes através desse grande ator. “A história de vida de um artista do cinema é a de uma filmografia (…). Filmes costumam espelhar a realidade, e a intenção aqui é revermos a história do mundo e a das artes nas últimas cinco décadas através do gênio deste extraordinário artista.”
A mostra é, também, uma chance de (re)ver filmes menos famosos, mas nem por isso menores em sua carreira, como Os Viciados, de Jerry Schatzberg, lançado em 1971, no qual o ator faz seu primeiro protagonista, um viciado e traficante. Entre os longas que a mostra resgata, estão O Espantalho, de Jerry Schatzberg, e Um momento, uma vida, de Sidney Pollack.
Não poderiam ficar de fora filmes que levaram Al Pacino a indicações ao Oscar, como Dick Tracy, Justiça para todos, Um dia de cão e Serpico. Fazem parte da mostra algumas de suas produções mais recentes, e também uma obra inédita nos cinemas brasileiros, como é o caso de Maglehorn (2015).
“Al Pacino é uma virtuose da interpretação de cinema, pelo que faz em cena e pelo que sua imagem emana da tela. Um ator genial que traz a finesse do método de atuação moderna que singulariza o cinema norte-americano e, especialmente, habita um imaginário coletivo, sendo uma referência transcultural”, conta Santos Lima.
Em mais de 50 anos de carreira, Al Pacino esteve com notórios diretores, de Sidney Lumet e Brian De Palma a, mais recentemente, Martin Scorsese e Quentin Tarantino. O ator também foi para detrás das câmeras e dirigiu quatro longas-metragens que tratam do teatro, paixão eterna de Al Pacino.
Oferecer ao público do CCBB a chance de vivenciar o trabalho de um dos maiores atores do nosso tempo é uma oportunidade única para testemunhar a evolução de uma forma de atuação que deixou uma marca indelével em décadas da cinematografia global. Ao realizar esse projeto, o Centro Cultural Banco do Brasil reafirma o seu compromisso de ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura, por meio de uma mostra que homenageia um dos maiores atores do nosso tempo e inspira uma nova geração de artistas e cinéfilos.
Ao final do release, confira a programação completa em São Paulo.