O Favorito

O Favorito

Viver o Cinema – Por Sabrina Salton

Às vésperas da maior premiação de cinema do mundo o assunto da coluna de hoje não poderia ser diferente: Quem vai levar o Oscar 2013 de melhor filme? Entre todas as apostas um dos mais bem cotados filmes no páreo é Argo, longa que surpreendeu a todos, principalmente por conta de sua direção assinada por Ben Afflek.

Confesso que não estava muito entusiasmada para ir à sessão de Argo, porém o filme nos transporta ao Irã no final dos anos 70 em meio a protestos raivosos contra os Estados Unidos já em suas primeiras cenas. Em um desses protestos seis diplomatas americanos conseguem escapar para viver sob sigilo na casa do embaixador canadense.

O clima é de tensão total enquanto a CIA resolve colocar em prática um plano incomum para resgatar os americanos . A ideia vem de Tony Mendes (Ben Afflek, o próprio) um especialista em exfiltrações que sugere criar um falso filme (filme dentro do filme, assunto que já abordei em colunas passadas) cujas locações usariam algumas paisagens do Irã.

Daí por diante o dinamismo do filme só aumenta, principalmente a partir do momento em que a falsa produção consegue entrar no pais inimigo e integrar à equipe os diplomatas. Eles, no entanto, tiveram receio do plano e em cenas bem engraçadas tentavam decorar seus papeis.

Vale destacar também a trilha sonora que acompanha bandas da época como Led Zeppelin, Rolling Stones e Dire Straits. O filme tem ritmo, bom roteiro e é fácil de ser assistido, por isso tem grandes elementos para levar a estatueta para casa. Além disso, já faturou alguns dos mais importantes prêmios das associações de classe mais representativas da indústria cinematográfica.

Dica da semana: Argo

Transmissão do Oscar

Transmissão do Oscar

O Oscar será transmitido a partir das 20h30 no dia 24 de fevereiro com o pré-show apresentado por Sabrina Parlatore e Fred Lessa, no TNT, canal 48, da NET. E às 21h30  com Rubens Ewald Filho. A cerimônia acontecerá no Dolby Theater, em Los Angeles e terá a apresentação de Seth MacFarlane.

A TV Globo também transmite depois do Big Brother Brasil com a apresentação da jornalista Maria Beltrão e o ator e crítico de cinema José Wilker.

É uma transmissão simplesmente imperdível!

O meu Oscar / Gabriel Araújo

O meu Oscar / Gabriel Araújo

O MEU OSCAR

Convidado pela grande amiga virtual Anna Barros, hoje troco minha coluna sobre filmes relacionados ao esporte por alguns pitacos em outras áreas. Mais precisamente o Oscar. Grande evento que agita a turma do cinema e está para acontecer.

Antes de tudo, já aviso: comentarei todos os filmes que assisti e concorrem ao Oscar em alguma categoria. Você já deve estar pensando: “vem um testamento por aí.” Mas não: sou um fracasso cinematográfico, totalmente contrário a todos os amigos que ocupam o Poltrona de Cinema, entendo bem pouco e me surpreendi com o recente convite da Anna para a coluna. Aceitei. Por que não arriscar?

Mas como eu dizia: fracasso que sou em relação a filmes, assisti pouquíssimas produções que concorrem ao Oscar. Em todas as categorias, com tantos filmes concorrendo, vi apenas três. Sim, três: 007 – Operação Skyfall, Django Livre e O Hobbit, sendo que o último deles acompanhei apenas por ganhar convites na revista em que assinava, e por meus critérios pré-ida ao cinema seria totalmente descartado.

Sigamos, analisando um a um, os três. 007 – Operação Skyfall é um ótimo filme. Bastante ação, gosto de filmes assim,  meus favoritos ao lado de comédia. E, convenhamos, 007 não tem como ser ruim. Sou um fã dos filmes de James Bond. Daniel Craig dá um show no papel. Adoro as perseguições pelas estradas, sempre presente às produções de 007. E não tenho dúvidas quanto à vitória de Adele e “Skyfall” em melhor canção original. É clichê falar que ela canta muito.

Virando a página, vamos a Django Livre. Quem me conhece sabe que não sou chegado a filmes que retratam épocas muito antigas, gosto mais de modernidade. Mas Django é uma exceção. Filme impecável, detalhes fantásticos, e finais alternativos. Os narradores de futebol, assistindo-o, diriam “nunca acabe um filme antes da hora…” na velha máxima quanto os clássicos. Christoph Waltz como Dr. Schultz é fantástico, Leonardo DiCaprio dá seu show e Jamie Foxx também vai muito bem em seu papel. Saí do cinema com muitos elogios à produção de Quentin Tarantino. É emocionante, prende quem assiste.

Encerro com O Hobbit. Um porre de filme. Detestei. Muito longo, cansativo e parecido com Senhor dos Anéis, obviamente. Um estilo de filme que não gosto. Não tenho nada mais a falar. Basicamente, achei ruim. Bem ao contrário de “Django Livre”, O Hobbit não prende o espectador. Só o cansa.

O “meu” Oscar, portanto, tem três filmes. Dois ótimos e um ruim. É deles que entenderei a vitória na disputa. E que vença o melhor, pois – ou seja, que não vença “O Hobbit”.

Colunista convidada: Renata Barros/O mestre

Colunista convidada: Renata Barros/O mestre

O filme “O mestre” (The Master) tem como base a história de um religioso,  líder da Cientologia, seita religiosa com muitos adeptos em Holywood. Isso despertou a minha curiosidade pois achava que iria abordar exatamente a força de um líder para conduzir seus adeptos ou para a felicidade ou para o fanatismo.

O roteiro deixa a desejar porque não se aprofunda nesse intento. Quando começa a mostrar o poder da manipulação, muda para outro assunto, deixando tudo no ar. E se você quiser entender mais sobre a vida em que é inspirado, tem que apelar para pesquisas para então entender as nuances do filme.

O que vale realmente é a atuação dos dois atores. Joaquin Phoenix como o discípulo está atuando impecavelmente. Ele compôs um personagem desajustado após a guerra e mostra seus conflitos que o levam a ser um pessoa à margem da sociedade. Seus trejeitos, forma de parar, de falar, enfim tudo, estão perfeitos e condizem com a indicação para o Oscar de Melhor Ator.

Philip Seymour Hoffman, que está concorrendo a Melhor Ator Coadjuvante, não fica atrás. É um excelente ator, mostra a força da manipulação em pequenos gestos.

O filme vale pela belíssima atuação dos dois. Mas peca pelo roteiro.

Sinopse: Ao término da Segunda Guerra Mundial, o marinheiro Freddie Quell (Joaquin Phoenix) tenta reconstruir sua vida. Traumatizado pelas experiências em combate, ele sofre com ataques de ansiedade e violência, e não consegue controlar seus impulsos sexuais. Um dia, ao acaso, ele conhece Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman), uma figura carismática e líder de uma organização religiosa conhecida como A Causa. Reticente no início, ele se envolve cada vez mais com este homem e com suas ideias, centradas na ideia de vidas passadas, cura espiritual e controle de si mesmo. Freddie torna-se cada vez mais dependente deste estilo de vida e das ideias de seu Mestre, a ponto de não conseguir mais se dissociar do grupo.

A nossa colunista convidada, Renata Barros é analista de sistemas, webdesigner e fotógrafa. Cinéfila inveterada e animada com a maratona Oscar.

Colunista convidada: Flavia Barbieri/As aventuras de Pi

Colunista convidada: Flavia Barbieri/As aventuras de Pi

O tipo de filme que surpreende desde o início, porque não abriga clichês, nem se baseia numa história já conhecida de mocinhos e vilões.

O filme tem uma plasticidade lúdica e uma das fotografias mais lindas desses últimos tempos. Tem cores tão profundas que intensificam o que a emoção da história pretende passar.

O filme conta a história de Pi, menino indiano, cujo pai tinha um zoologico e decide mudar-se da Índia com todos os animais e montar um novo zoológico no Canadá.

Durante a viagem feita de barco, ocorre um acidente. Pi perde toda a sua família, e se vê náufrago em mar aberto, com uma orangotango, uma hiena, uma zebra e um tigre.

Pouco a pouco os animais, cansados e confusos, vão perdendo as forças e se entregando a fome. A hiena é a primeira a atacar, matando a zebra e a orangotango.

Pi demora um tempo até perceber a presença do tigre e quando todos os animais sucumbem, ele vê sozinho com a ferocidade do animal.

É nesse momento que o filme se torna intenso e profundo. Inicia-se ali um elo de relacionamento improvável que direciona toda a história do filme. O momento de sobrevivência e auto-conhecimento.

O enredo inteiro é contado pelo próprio Pi, já na maturidade, que se permite chorar e se emocionar com suas lembranças, nos envolvendo completamente.

O final do filme desmistifica a história tão fantasiosa, e ainda assim saímos do cinema querendo acreditar que Pi viveu mesmo aquilo. Porque, então, poderíamos viver também!

Pi Patel (Suraj Sharma) é filho do dono de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento devido à retirada do incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker.