Filmes consagrados em festivais chegam em janeiro ao Cinema Virtual

Filmes consagrados em festivais chegam em janeiro ao Cinema Virtual

‘O Castelo dos Sonhos’, ‘Contágio em Alto Mar’, ‘Medo de Amar’ e ‘Inteligência Artificial – Ascensão das Máquinas’ são as estreias do mês

“Medo de Amar”

Cinema Virtual, plataforma de streaming que segue o padrão dos cinemas físicos, investe na pluralidade cultural de qualidade e traz, em janeiro, filmes de diferentes gêneros e países, indicados e vencedores de prêmios em festivais de cinema. Com estreias nacionais, sempre às quintas-feiras, os filmes, por serem exibições em streaming, conseguem chegar a localidades que ainda não contam com salas de cinema.

Na primeira semana do ano, estreia o drama lituano “O Castelo dos Sonhos”, indicado como melhor filme no Gijón Internatonal Film Festival (2020). Na semana seguinte, é a vez do longa de mistério irlandês “Contágio em Alto Mar”, vencedor do “Da Vince Festival” (2020). No dia 21, entra em cartaz a comédia do Reino Unido, “Medo de Amar”, ganhadora de 13 prêmios, entre os quais London Independent Film (2020), San Diego International Film (2019), entre outros. No dia 28, estreia o filme de ficção científica “Inteligência Artificial – Ascensão das Máquinas”, vencedor do FEST International Film Festival, SOFEST Film Festival, além de outros.

Confira os detalhes da programação:

7 de janeiro de 2021

O Castelo dos Sonhos (Pilis aka The Castle) Drama – Lituânia (2020)

Aos 13 anos, Monika acaba de se mudar para Dublin. Mesmo contra a vontade de sua mãe, a pianista Jolanta, ela sonha em ser cantora de uma das principais casas de shows da Irlanda, e nada impedirá Monika de realizar esse sonho.

  • Gijón International Film Festival (2020) – Indicado como melhor filme

14 de janeiro

Contágio em Alto Mar (Sea FeverTerror – Irlanda (2020)

A tripulação de uma traineira do oeste da Irlanda, abandonada no mar, luta por suas vidas contra um parasita crescente em seu abastecimento de água.

  • DaVinci Film Festival (2020) – Ganhador do prêmio: Melhor filme
  • Sitges – Catalonian International Film Festival (2020) – Indicação: Melhor Filme

21 de janeiro

Medo de Amar (PhilophobiaComédia – Reino Unido (2019)

Kai é um jovem aspirante a escritor que viveu toda a sua adolescência eu uma pequena cidade no interior da Inglaterra, e agora está aproveitando sua última semana do colégio com seus amigos. Mas um acidente tira a vida de um deles, e muda o destino de todos para sempre.

  • Cinema on the Bayou Film Festival (2020) – Ganhador do prêmio: Melhor Direção (Guy Davies)
  • European Cinematography Awards (2019) – Ganhador do prêmio: Melhor Fotografia (Guy Davies e Stefan Yap)
  • International Film Festival of Wales (2019) – Ganhador dos prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor (Guy Davies) Melhor Ator (Joshua Glenister)
  • Lift-Off Global Network, London (2020) – Ganhador do prêmio: Melhor Filme
  • Lift-Off Global Network, London (2019) – ganhador do prêmio de juri: Melhor Filme
  • London Independent Film Festival (2020) – ganhador do prêmio: Melhor Filme
  • San Diego International Film Festival (2019) – ganhador dos prêmios: Melhor Filme (júri e popular)
  • SoHo International Film Festival (2020) – ganhador do prêmio: Melhor Ator (Joshua Glenister)
  • South African Independent Film Festival (2020) – ganhador dos prêmios: Melhor Diretor (Guy Davies) e Melhor Ator (Joshua Glenister

 28 de janeiro

Inteligência Artificial – Ascensão das Máquinas (A.I Rising) – Ficção Científica – Estados Unidos (2018)

Em uma missão solitária para Alpha Centauri, o astronauta Milutin se une a uma ciborgue chamada Nimani 1345. Desesperado por contato humano, Milutin altera as respostas programadas de Nimani, mas ao fazer isso ele arrisca não só a segurança da missão, como a sua própria vida.

  • FEST International Film Festival (2018) – ganhador do prêmio: Melhor Filme; Melhor Diretor (Lazar Bodroza); Melhor Ator (Sebastian Cavazza), Melhor Atriz (Stoya)
  • LET’S CEE Film Festival (2018) – ganhador do prêmio: Melhor Filme
  • Tarkovsky Film festival – Zerkalo (2018) – ganhador do prêmio: Melhor Diretor (Lazar Bodroza)

O Cinema Virtual é uma plataforma de streaming desenvolvida em parceria com os cinemas que traz a experiência das salas de exibição para dentro de casa. Com estreias às quintas-feiras-feiras, a plataforma disponibiliza produções inéditos e exclusivas. 

Premiado filme brasileiro ‘MACABRO’ estreia nas plataformas digitais

Premiado filme brasileiro ‘MACABRO’ estreia nas plataformas digitais

Dirigido por Marcos Prado, filme inspirado em um dos casos reais mais assustadores do Rio de Janeiro, conhecido como “Irmãos Necrófilos”, aborda temas como racismo, violência policial e feminicídio
Premiado no Brooklyn Film Festival, o filme brasileiro MACABRO, dirigido por Marcos Prado (Estamira), estreia nas plataformas Net Now, VivoPlay, Looke, Itunes, Microsoft e GooglePlay, a partir de 29 de dezembro. 

Sobre o Filme

MACABRO é inspirado na história real de Ibraihim e Henrique de Oliveira, os “Irmãos Necrófilos”, que nos anos 90 foram acusados de brutais assassinatos de oito mulheres, um homem e uma criança, na Serra dos Órgãos, em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro. O filme teve estreia nacional durante a 42a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, foi exibido no Festival Internacional de Cinema do Rio e sua estreia internacionalmente foi na competição oficial do Festival de Austin no Texas e foi premiado como melhor filme, na categoria “Dark Matters” do Austin Film Festival. 

Os crimes narrados no filme foram amplamente noticiados na mídia nos anos 90, quando assassinatos em série cometidos por dois jovens irmãos negros, seguido de estupro, estavam acontecendo na região serrana, envoltos em lendas e histórias sobrenaturais, contadas pelos próprios moradores – uma comunidade de imigrantes suíços, extremamente religiosa e conservadora.

A captura dos “Irmãos Necrófilos” foi uma das missões mais longas e difíceis da história do BOPE. O filme adota esse ponto de vista, ao acompanhar o sargento Teo (Renato Goés), um jovem policial que nasceu na região e passa por uma crise profissional e ética, quando é resignado para voltar à sua cidade natal na busca pelos suspeitos escondidos na Mata Atlântica. 

A ideia de fazer MACABRO surgiu em 2009, quando o diretor teve acesso a detalhes sobre o caso. Nessa época Prado foi procurado pelo advogado de Henrique, um dos irmãos que se encontrava preso, alegando que ele havia sido condenado injustamente – que não haviam provas contra Henrique, e que ele não havia participado dos crimes com o irmão Ibrahim.  

Como ter certeza de que Henrique havia ou não participado dos crimes? Como construir uma narrativa em que deixasse essa suspeita sem solução? Quais seriam as motivações para esses crimes tão bárbaros? Porque a maioria dos crimes foram feminicídios? “O que mais me chamou atenção nessa história, além das barbaridades dos crimes em série cometidos pelos ´irmãos necrófilos´” e as lendas criadas pelos locais, é que talvez Henrique tenha sido condenado injustamente a 49 anos de prisão. Eram muitas perguntas sem respostas e uma porção de camadas a serem exploradas”, comenta Prado, diretor de “Paraísos Artificiais”, “Estamira” e “Curumim” e produtor dos filmes “Tropa de Elite 1 e 2”.

O roteiro de MACABRO, escrito por Lucas Paraizo e Rita Gloria Curvo, é fruto de uma extensa pesquisa por parte dos roteiristas e do próprio diretor, em fóruns, processos, autos de julgamentos, entrevistas com moradores da região e com o próprio acusado, Henrique de Oliveira.  

MACABRO foi rodado numa região próxima onde os crimes aconteceram e que até hoje está na memória e no imaginário de quem vive naquela localidade. Mas, também fala sobre o racismo cotidiano de dois garotos, que viveram em um ambiente de constante violência doméstica, cresceram violentados, autossuficientes e que tiveram que aprender a viver na floresta, para fugir da bruta realidade a qual eram expostos dentro da própria família e da comunidade onde nasceram. 

Sinopse 

Macabro é um longa-metragem de ficção baseado na história real dos “Irmãos Necrófilos”, dois jovens irmãos que nos anos 90 foram acusados de brutais assassinatos na Serra dos Órgãos. O thriller de suspense segue o sargento Teo em sua busca pelos suspeitos escondidos na Mata Atlântica. Enquanto a população, a imprensa e a polícia local condenam os irmãos, Teo percebe que um deles pode ser inocente e que a sociedade local revela um padrão histórico de abuso racial, tendo o racismo como uma realidade tão violenta quanto os crimes em série.  

Ficha Técnica

Diretor – Marcos Prado Produtores – Marcos Prado, João Queiroz Filho e Justine Otondo 
Produtores Associados – José Alvarenga Jr. e Rodrigo Pimentel 
Produtoras Executivas – Justine Otondo e Mariana Bentes 
Elenco – Renato Góes, Amanda Grimaldi, Guilherme Ferraz, Diego Francisco, Eduardo Tomaz, Juliana Schalch, Flávio Bauraqui, Paulo Reis, João Pydd, Claudia Assunção, Osvaldo Mil, Thelmo Fernandes
Roteiristas – Lucas Paraizo e Rita Gloria Curvo 
Diretor de Fotografia – Azul Serra 
Montadores – Lucas Gonzaga e Quito Ribeiro 
Diretora de Arte – Ula Schliemann 
Figurinista – Ana Avelar 
Trilha Sonora Original – Plínio Profeta 
Editor de Som – Tomás Alem e Bernardo Uzeda 

Sobre o Diretor

Marcos Prado é sócio fundador da ZAZEN PRODUÇÕES e diretor de MACABRO (2019), O MECANISMO (2018) – ORIGINAL NETFLIX SERIES, PARAÍSOS ARTIFICIAIS (2010) e dos documentários CURUMIM (2016) e ESTAMIRA (2004), ganhador de diversos prêmios nos principais festivais de cinema do mundo. Como produtor, Marcos produziu TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO (2010), filme que levou mais de 11 milhões de pessoas ao cinema e TROPA DE ELITE, ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlin in 2008. Marcos também produziu vários outros premiados documentários como ÔNIBUS 174, GARAPA e SEGREDOS DA TRIBO. Atualmente está trabalhando na biografia do rapper Sabotage. 

Sobre a Zazen Produções 

Uma das mais premiadas produtoras de cinema do Brasil e responsável por MACABRO, PARAÍSOS ARTIFICIAIS, TROPA DE ELITE 2, filme brasileiro de maior público na história do cinema nacional, TROPA DE ELITE, vencedor do Urso de Ouro em 2008. Criada em 1997, a Zazen também produziu os documentários CURUMIM, SEGREDOS DA TRIBO, GARAPA, ESTAMIRA, documentário de maior público nos cinemas em 2006, ÔNIBUS 174, vencedor do Emmy Awards e OS CARVOEIROS. Reconhecida mundialmente pela alta qualidade de suas produções, a Zazen tem seus filmes distribuídos em cinema e TV para diversos países por empresas como Netflix, Globo, IM Global, Universal Pictures, Paramount Pictures, HBO, National Geographic, Arte France, BBC, NHK, ThinkFilm, Rio Filme, SIC Portugal, GNT, Canal Brasil, entre outras.Além de ter recebido diversos prêmios nos principais festivais nacionais, seus filmes representaram o Brasil em festivais internacionais como Festival Internacional de Berlim, Emmy Award (EUA), Sundance Film Festival (EUA), Karlovy Vary (Rep. Tcheca), Havana (Cuba), Festival Internacional de Documentário de Marseille (França), Direitos Humanos de Nuremberg (Alemanha), Festival Internacional de Rotterdam (Holanda), Festival Internacional de Documentários de Chicago (EUA), entre outros.

Sobre a Querosene Filmes 

A Querosene Filmes é formada pela união das experiências complementares de João Queiroz e Justine Otondo, que combinam a capacidade de captação de recursos e gestão financeira com a habilidade em produção executiva de projetos nacionais e internacionais. A equipe participa ativamente de todos os processos que envolvem a realização de um produto audiovisual, sempre em estreita cooperação com os talentos associados.Através de parcerias estabelecidas com grandes players do mercado como a FOX, Warner, Universal, Paris Filmes, Globo Filmes, a Querosene realiza produtos competitivos no mercado e de alta qualidade artística, tendo sido premiados em grandes festivais nacionais e internacionais, como Mostra Internacional de Cinema de São Paulo,  Festival Internacional de Guadalajara, Festival de Havana,  entre muitos outros. Em 11 anos de existência a Querosene produziu ou co-produziu 14 longa-metragens nacionais e internacionais, com filmagens em SP, Rio, Buenos Aires, Montevidéu, Tóquio, Cidade do México, entre outros. 

Sobre a Globo Filmes  

Desde 1998, a Globo Filmes já participou de mais de 300 filmes, levando ao público o que há de melhor no cinema brasileiro. Com a missão de contribuir para o fortalecimento da indústria audiovisual nacional, a filmografia contempla vários gêneros, como comédias, infantis, romances, documentários, dramas e aventuras, apostando na diversidade e em obras que valorizam a cultura brasileira. A Globo Filmes participou de alguns dos maiores sucessos de público e de crítica como, ‘Tropa de Elite 2’, ‘Minha Mãe é uma Peça 2’ – com mais de 9 milhões de espectadores -, ‘Se Eu Fosse Você 2’, ‘2 Filhos de Francisco’, ‘Aquarius’, ‘Que Horas Ela Volta?’, ‘O Palhaço’, ‘Getúlio’, ‘Carandiru’, ‘Cidade de Deus’ – com quatro indicações ao Oscar e Bacurau que recebeu o prêmio do Júri no Festival de Cannes. Suas atividades se baseiam em uma associação de excelência com produtores independentes e distribuidores nacionais e internacionais. 

Sobre a Pandora Filmes

A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil revelando nomes outrora desconhecidos no país, como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e os vencedores da Palma de Ouro de Cannes: “The Square – A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund e “Parasita”, de Bong Joon Ho. Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Beto Brant, Fernando Meirelles, Gustavo Galvão, Armando Praça, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa, Pedro Serrano e Gabriela Amaral Almeida. 

Poltrona Séries: Silêncio na Floresta-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Silêncio na Floresta-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

 

Que tal uma série inspirada em um best-seller, com uma história bem amarrada e  poucos episódios para você consumir e cheia de mistérios? ‘Silêncio na Floresta’ é uma produção polonesa da Netflix baseada na obra ‘The Woods’, de Harlan Coben, um thriller de suspense que promete envolver o espectador e fazê-lo acompanhar a história até o fim.

A narrativa acompanha a trajetória do promotor público Pawel Kopínski, que tem sofrido pela perda da irmã nos últimos 25 anos. Justamente após esse período, com a descoberta de uma pessoa que sumiu junto da irmã Kamila em um acampamento de verão, novos indícios surgem e dão esperança a Pawel de que Kamila pode ainda estar viva, mas aos poucos segredos tenebrosos de sua família são revelados.

O roteiro apresenta dois fatos interessantes, um é o mistério sobre o desaparecimento de Kamila e mais um jovem no acampamento, o outro sobre problemas internos que o protagonista tentou enterrar no passado, mas que acabaram por encontrá-lo no presente. E alguns desses demônios que Pawel enfrenta também o pressionam em sua carreira profissional, e terá que tomar decisões difíceis, pondo em risco sua trajetória como promotor de Varsóvia.

Há duas linhas temporais que são acompanhadas em todos os seis episódios: agosto de 1994, época do acampamento de verão no qual Kamila e o amigo Arthur sumiram e dois outro adolescentes foram brutalmente assassinados, Monika e Daniel, e 2019, que mostra Pawel e todos os envolvidos com a tragédia. A cada episódio, um segredo novo é desvendado, os nós são aos poucos desatados e o que aconteceu na noite do crime fica ainda mais claro. A participação dos pais dos jovens envolvidos e da antiga paixão de Pawel, Laura, possuem participações decisivas e fazem o protagonista se aproximar da verdade e saber se a irmã de fato sobreviveu ou não ao incidente.

A fotografia com cores frias e algumas cenas com tons em vermelho aguçam a vontade do espectador em seguir com a história e buscar pistas para saber quem matou os dois adolescentes e o que houve com os outros dois. Ninguém está ileso, todos são suspeitos, até mesmo Pawel, que era um dos instrutores no acampamento.

Apesar do final morno, ‘Silêncio na Floresta’ brinda o espectador com uma narrativa impactante, uma investigação meticulosa e eficiente e personagens com arcos bem construídos e importantes para a solução do mistério, e sem esquecer de Pawel, o personagem central, que atinge seu ápice ao encontrar uma pista valiosa no lago onde ocorreu o crime. Uma história alucinante e que vale a maratona.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Natal Nada Normal/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Natal Nada Normal/ Cesar Augusto Mota

O Natal representa noite de paz, amor e redenção, com as desavenças sendo deixadas de lado. E o que dizer de uma família que possui problemas como todas as outras, mas tudo dá errado na realização da celebração? A produção alemã “Um Natal Nada Normal”, da Netflix, apresenta um enredo instigante e nos mostra o qual fraternos e solidários podemos ser com os outros, não só no dia de Natal. A minissérie possui três episódios, de cerca de 40 minutos, de rápido consumo, e com um bom elenco.

Basti é um músico que mora em Berlim e tenta trilhar o caminho do sucesso, mas as coisas estão difíceis para ele. Durante as férias, ele vai para a cidade de Eifel passar o Natal com a família, mas não é só ela que o aguarda, como alguns problemas, principalmente no que tange ao irmão mais novo Niklas, que agora tem um relacionamento com sua ex, Fine. De quebra, Basti vê que a avó Hilde mora em um asilo e que seus pais Brigitte e Walter vivem brigando. O jovem vai passar por maus bocados e terá que desatar alguns nós para poder ver a família unida novamente e tentar passar um Natal feliz.

Apesar do enredo simples e já explorado à exaustão, como questões familiares e desavenças entre irmãos, notamos um certo cuidado no trato desses temas com o Natal como pano de fundo. O protagonista passa por conflitos internos até se encontrar, mas ao perceber seus erros, sente enormes estragos ao seu redor, provocados por seu comportamento infantil, afoito e inseguro. Isso movimenta a trama até o fim, e sentimos um certo alívio quando ele resolve tudo na base da criatividade e com a ajuda de suas maiores paixões, a música.

Mesmo que sejam poucos os episódios e a resolução dos conflitos seja simples, a minissérie tem o trunfo de abordagem enxuta e com personagens carismáticos em meio a questões triviais do cotidiano. O jeito descolado da avó de Basti deixa a narrativa mais divertida, e a chegada de Karina, a primeira namorada de Niklas, vai mexer com todas as peças do tabuleiro. E o que parecia estar perdido muda com uma grande surpresa.

Questões como amizade e cumplicidade dão o tom, e há importantes mensagens sobre a família e as principais consequências de segredos serem há muito tempo guardados. Os desdobramentos encerram a narrativa com chave de ouro, e notamos o quão importante é a família, devendo todos nós aproveitarmos os momentos juntos, o máximo de tempo possível.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Gambito da Rainha/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Gambito da Rainha/ Cesar Augusto Mota

Quer uma série estimulante e que faça você ficar com os olhos presos na tela do início ao fim da história? ‘O Gambito da Rainha’ (The Queen’s Gambit), nova produção da Netflix, traz importantes lições de vida, bem como uma narrativa com grandes variações e uma beleza estética proporcionada pela fotografia e figurinos da época retratada.

Acompanhamos a história de Elizabeth Harmon (Anya Taylor-Joy), que vai para um orfanato após a perda da mãe. Lá, ela é doutrinada a seguir todos os costumes dos anos 50, além de ser obrigada a tomar tranquilizantes como as outras crianças. Mas justamente pelo vício no remédio ela descobre sobre sua real habilidade: jogar xadrez. Beth aprende tudo com o senhor Shaibel (Bill Camp), o zelador, e não para mais. De pequenos torneios na cidade, ela passa a participar de campeonatos de maior porte, e encontra no apoio da mãe adotiva Alma Wheatley (Marielle Heller), um estímulo para que suas habilidades se sobressaiam durante as partidas.

O xadrez, à primeira vista, pode parecer um jogo repetitivo e sem emoção, mas as impressões mudam graças ao magnetismo da personagem principal e de seu olhar hipnotizante. O espectador passa a a torcer pelo triunfo de Beth, que se mantém sóbria até a partida derradeira, e se entregar a outros vícios quando se vê encurralada, como estimulantes e álcool. O que impressiona não é só a agilidade e estratégia de Beth, mas como seu cérebro funciona, e vemos isso nas cenas noturnas, quando ela olha para o teto. Visualizamos o tabuleiro e os movimentos de todas as peças, isso provocado pelo efeito dos estimulantes.

Os figurinos e ambientes dos anos 60 são fascinantes, e a fotografia com cor acinzentada transmite o quão frio é o jogo de xadrez, no qual um movimento em falso pode por tudo a perder. O vício de Beth e a obsessão pelas vitórias não só a afetam, como também todos os que estão ao seu redor, e constatamos que não só a perseguição pelo triunfo é prejudicial, como ela tem dificuldades de relacionamento e problemas do passado mal resolvidos. Tudo isso faz parte de uma grande montanha russa, e aos poucos vemos a protagonista descendo rapidamente, mas se recompondo de forma triunfal.

A série transmite importantes valores, como as escolhas que a vida impõe, e algumas podem difíceis, a necessidade de ser forte o tempo todo e a necessidade de aproveitar bem a vida, vivendo intensamente, sem se deixar levar pelos problemas. Uma produção que vale a pena e fará você se interessar do primeiro ao sétimo (último) episódio.

Cotação: 5/5 poltronas.