Poltrona Séries: O Urso-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Urso-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Trazer séries com conflitos e emoções bem articulados é um grande desafio para os serviços de streaming. Já conseguir tudo isso por meio da culinária tem sido uma grande inovação, e a Disney+ tem conseguido com “O Urso”, que está chegando a sua terceira temporada. Se as duas primeiras funcionaram bem, com os anseios e emoções do chef Carmy Berzatto (Jeremy Allen White), essa nova sequência tem potencial para agradar ao público?

Após terminar seu relacionamento com Claire (Molly Gordon), Carmy ainda enfrenta traumas do passado e os desafios do presente, de manter e levar seu restaurante, “O Urso”, a um grande patamar. Sua grande obsessão e seus medos podem se tornar grandes obstáculos, mas sua capacidade de motivar e exigir o melhor desempenho de seus subordinados servem como válvulas de escape e servem como esperança para Carmy.

Se ficávamos mais restritos aos conflitos internos do chef, nessa nova temporada também nos deparamos com cenas de flashback e conflitos que envolvem os demais personagens.

Há passagens oníricas, como as imagens do cérebro de Carmy e um episódio sem diálogos, mas depois volta a tradicional narrativa linear, com uma jornada complexa e todos os personagens mais introspectivos, com muitos problemas a resolver, sem contar os desafios do dia a dia, de provar que são bons profissionais e que podem continuar na equipe de Carmy.

Uma inovação da série foi a introdução de chefs reais nos episódios, para conferir mais dinamismo e autenticidade. A narrativa é criativa, os conflitos chamam a atenção e instigam os espectadores continuarem a acompanhar os episódios e o protagonista, embora transmita mais tensão que momentos cômicos, é a alma da série, que deixa gatilhos para mais uma temporada, embora a conclusão desta sequência de dez episódios não tenha sido tão satisfatória.

“O Urso” é um excelente produto da Disney+, que foge de outras produções que apresentam mais do mesmo, seja com muitas comédias românticas ou dramas insossos, é uma opção para quem busca um algo mais. Sem dúvida uma grande experiência.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Geek Girl/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Geek Girl/Cesar Augusto Mota

Em um mundo cada vez mais exigente e competitivo, no qual há padrões de aparência e comportamento pré-definidos, a autoaceitação e busca por um lugar no mundo se fazem cada vez mais constantes. E não poderia ser diferente no mundo do entretenimento, com histórias que exploram todo esse universo e presentes no audiovisual, seja em filmes ou séries. Com bastante apelo popular, “Geek Girl”, da Netflix, com dez episódios curtos de trinta minutos, vem com uma proposta não só de entreter, mas de cativar o público com sua história e protagonista. Será que o resultado foi satisfatório?

Inspirado no best-seller homônimo de Holly Smale, acompanhamos Harriet Manners (Emily Carey), uma adolescente de quinze anos desajeitada e alvo de bullying na escola, vê sua vida mudar de forma drástica quando é descoberta por um agente de modelos durante uma excursão escolar e é lançada no glamouroso e desafiador mundo da moda. Harriet passa por uma dura transição e descobre que nem tudo são flores, tendo que enfrentar os percalços da adolescência, bem como as exigências de um mercado desafiador e implacável.

A narrativa possui um ritmo fluido e apresenta uma protagonista cheia de energia e muito otimista, apesar dos olhares desconfiados de seus colegas de escola, que a enxergam como uma garota esquisita. A importância da construção de amizades, a luta por espaço no mercado de trabalho, formas de se vencer as dificuldades da vida e o amor próprio são bem explorados ao longo dos episódios, e é possível evidenciar que a personagem-central é cativante e com senso de humor, apesar de sua dificuldade em interagir com as pessoas. O elenco de apoio complementa a protagonista, e vemos belas lições de companheirismo, respeito e tolerância.

A neurodivergência de Harriet é abordada de forma leve e cuidadosa, sem a pretensão de rotulá-la como uma pessoa autista. O foco da série é destacar as lutas e triunfos da protagonista, com sua individualidade e resistência devidamente evidenciadas. Além de uma boa história, com pitadas de comédia e drama, houve a preocupação em mostrar que somos únicos e com compreensão e tolerância é possível viver em harmonia. Harriet encanta a todos, nos brinda com suas habilidades na escola e nas passarelas, além de nos surpreender com suas reações quando aprende coisas novas sobre trabalho, amizade e armadilhas que a vida nos prepara.

“Geek Girl” chega para conquistar o público com um enredo divertido, personagens vibrantes e uma protagonista carismática, com uma abordagem direta, simples e importantes lições: não é necessário ser igual aos outros para se encaixar em um círculo social, e sim agir com naturalidade e simplicidade. E não é necessário fazer nada para agradar aos outros, basta ser você mesmo.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fallout/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fallout/Cesar Augusto Mota

Tem sido cada vez mais comum a adaptação de jogos no estilo RPG (rolling play game, ou jogo de interpretação) em filmes e séries. Após o sucesso de The Last of Us, aclamado jogo da Naughty Dog e com produção da Max, a bola da vez é a série Fallout, inspirado no jogo de mesmo nome da Bethesda Studios, que se passa em um mundo pós-apocalíptico. Será que quem não é fã de jogos vai gostar dessa obra produzida pela Prime Video?

A história se passa inicialmente no ano de 2077, quando o mundo foi devastado com a queda de bombas atômicas, que destruíram praticamente tudo. Temos um grande salto e vamos para o ano de 2296, quando habitantes de abrigos luxuosos são obrigados a retornar a um cenário hostil deixado por seus ancestrais. A jovem Lucy (Ella Purnell), ocupante do bunker Vault 33, se deixa levar a um mundo radioativo e desconhecido após seu pai, Henry (Kyle Maclachlan) é sequestrado por um grupo de invasores sob a liderança de Moldaver (Sarita Choudhury).

A série proporciona uma grande aventura em um mundo com aspecto retrô-futurista, o desenvolvimento de habilidades dos personagens centrais, as motivações do antagonista que, inicialmente são desconhecidas e aos poucos são reveladas. Vemos muitas intrigas, conspirações, atuações de terríveis facções e uma visita ao passado antes do mundo ser totalmente devastado por bombas nucleares.

Além de Lucy, outros personagens se destacam, como Maximus; um soldado da Irmandade do Aço, Norm; irmão de Lucy que se responsabiliza por investigar os eventos que ocorrem na Vault 33 e Necrótico, um cowboy responsável por grandes conflitos políticos na trama. A obra prima pelo humor negro, sarcasmo, ambientes intrigantes e conflitos épicos, com uma forte crítica ao mundo capitalista.

Jonathan Nolan e Lisa Joy, diretores da série, possuem méritos de fazer uma boa transição do mundo dos jogos para o televisivo, sem a necessidade de explicar a trama para o espectador e oferecer uma narrativa com múltiplos ingredientes, sem esquecer da imprevisibilidade e de grandes arcos dramáticos. Além disso, como conseguem furar uma grande bolha, dos fãs de jogos de RPG e alcançam novos públicos, aficionados por grandes histórias em ambientes graficamente bem-construídos. Uma excelente e memorável jornada em oito episódios, que podem se estender por mais temporadas.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Magnatas do Crime/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Magnatas do Crime/Cesar Augusto Mota

As adaptações têm sido cada vez mais frequentes na sétima arte, principalmente no tocante a séries baseadas em filmes. Guy Ritchie, famoso por produções como “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes’ e Snatch-Porcos e Diamantes’, agora tem essa missão e nos traz ‘Magnatas do Crime’, adaptação do filme homônimo de 2019, dirigido por ele mesmo, em uma série com oito episódios na Netflix. Deu bom ou ruim?

Nesse spin off, Theo James (White Lotus) vive Eddie Horniman, um soldado do exército britânico que assume as ruínas de uma grande propriedade rural da família, mas sem saber que esse império engloba uma grande plantação de maconha. Se não bastasse, mafiosos britânicos passam a querer um pedaço dessa operação e o que era para ser apenas uma missão de proteção da família de criminosos vira um fascínio pelo ambiente do crime.

Em um mix entre drama e comédia, a obra apresenta um enredo criminal com uma narrativa vibrante, personagens complexos, um clima de alta tensão, além de grandes ironias e sátiras nos diálogos. Os personagens femininos não ficam atrás e também ganham destaque, mas o excesso de machismo é um dos pontos negativos, o que acaba por prejudicar um pouco o enredo. E as redes de intrigas, lutas por poder e território ditam o ritmo até o fim.

O filme se caracteriza por uma narrativa não-linear e o emprego excessivo de violência, o que nos faz lembrar um pouco as obras de Quentin Tarantino. De quebra, somos brindados com humor ácido e múltiplas perspectivas dos personagens, tendo em vista as facetas e as complexidades de suas personalidades. Apesar de estar mergulhado no mundo do crime, o protagonista desperta empatia no espectador, que passa a se importar por ele e torcer por seu triunfo ante outros mafiosos, além de desejar que a família saia ilesa.

‘Magnatas do Crime’ proporciona uma experiência emocionante e repleta de surpresas, com frenéticas cenas de ação, muitos mistérios a serem resolvidos e algumas pontas soltas, que podem resultar em uma segunda temporada. Vale assistir.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Dia/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Dia/Cesar Augusto Mota

Adaptar um best-seller é sempre um desafio para os produtores de conteúdo, principalmente os voltados para o audiovisual. O romance ‘Um Dia’ (One Day), de David Nicholls, contou com um longa metragem lançado em 2011, protagonizado por Anne Hathaway e Jim Sturgess, mas não foi tão bem recebido pelos críticos e pelo público.  Em 2024, temos uma série homônima em formato de minissérie com Ambika Mod e Leo Woodall na pele dos protagonistas. Será que desta vez deu certo?

Durante os 14 episódios, acompanhamos a jornada de Emma Morley (Mod) e Dexter Mayhew (Woodall), que se conheceram na noite da formatura da faculdade, em 15 de julho de 1988. Ao longo dos episódios, ambos estão um ano mais velhos e retratados sempre na mesma data, vivenciando várias alegrias e decepções, tudo retratado em um período de vinte anos. Apesar dos caminhos separados, cada reencontro significa uma nova descoberta e aprendizado para ambos.

Na medida em que os episódios passam, é possível sentir as complexidades de relacionamentos e os altos e baixos da vida, e o recurso utilizado pelos produtores da série em revisitar os protagonistas no mesmo dia a cada ano possibilita isso, bem como a compreensão sobre a autodescoberta e todo o processo de amadurecimento pelos quais todos enfrentam na vida. A minissérie é recheada de emoções, reviravoltas e desafios pelos quais os personagens-centrais se deparam para vencer e serem bem-sucedidos, gerando bastante engajamento entre os espectadores, que torcem pela felicidade dos dois.

As atuações de Mod e Mayhew são convincentes e excepcionais, adicionando realismo e profundidade aos protagonistas. Há uma abordagem sensível no tocante à amizade, amor, amadurecimento e autodescoberta. Quem acompanha a história pela primeira vez e não conheceu a obra literária de Nicholls irá se emocionar e apaixonar pela narrativa, bem como terá uma experiência memorável.

‘Um Dia’ traz uma narrativa bem estruturada, personagens cativantes e importantes lições sobre amadurecimento e os desafios que a vida adulta proporciona. Vale conferir.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota