Poltrona Séries: Elite-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Elite-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

A série que fez pouco mais de vinte milhões de pessoas assistirem já na primeira semana está de volta. Com forte apelo, críticas sociais e debates acerca da diferença de classes e um forte enredo como pano de fundo, ‘Elite’, produção espanhola do serviço de streaming Netflix, vem com oito novos episódios para intrigar e engajar ainda mais o espectador, agora com um novo mistério.

O fim da primeira temporada foi para lá de chocante, pois ocorreram o assassinato da jovem Marina (María Pedraza) e a prisão de Nano (Jaime Lorente), acusado de cometer o crime. E o retorno às aulas no colédio Las Encinas não poderia ser tenso, pois o irmão Guzmán (Miguel Bernardeau) anda bastante atormentado e ríspido com alguns colegas, principalmente com Samuel (Itzan Escamilla), irmão de Nano, suspeito de ter ligação com a morte de Marina. Este se envolve em incidentes e acaba por sumir misteriosamente. O desaparecimento de Samuel acaba por ser o mote da atual temporada, que também ilustra os tormentos de Carla (Ester Espósito), Christian (Miguel Herrán) e Pólo (Álvaro Rico), outros envolvidos.

Os personagens da primeira parte do Las Encinas voltam, mas também nos deparamos com novos estudantes, eles vão movimentar bastante a trama e proporcionar muitas emoções. Surge uma nova investigação, cada episódio apresenta interrogatórios e alunos cada vez mais pressionados. Cada depoimento e pistas encontradas pela polícia tornam a narrativa mais tensa e convidativa para quem está acompanhando desde o início. Os verdadeiros culpados pelo assassinato já são conhecidos, mas suas angústias e a dúvida se eles vão resistir por tanto tempo pela culpa que carregam e se vão se entregar às autoridades são os ingredientes para conduzir e sustentar os oito episódios, que são muito bem articulados e o elenco consegue segurar bem as pontas.

Quanto aos novos alunos, Rebeca (Claudia Salas) é uma jovem emergente e que acaba por envolver Samuel em negócios escusos. Acabamos por entender a ascensão que ela e sua família tiveram, e não foi um ‘ganhar na loteria’, como ela afirma por diversas vezes. Valerio (Jorge López), meio-irmão de Lucrécia (Danna Paola) é um garoto cheio de vida, mulherengo, mas com uma quedinha pela meia-irmã. Na reta final da temporada, ele se envolve em um sério episódio que acaba por provocar estragos na vida de Guzmán e também na sua e de Lucrécia. Já Cayetana (Georgina Amorós) é a personagem que gera mais discussões, pois apesar de sua empatia com seus colegas e pela enorme força que demonstra para alcançar o que deseja, ela tem uma personalidade contestável, pois demonstra ser alguém que não é e a expectativa se ela vai ou não ser desmascarada só cresce a cada episódio, tendo em vista que não é fácil sustentar uma mentira por muito tempo.

A produção mostra algumas cenas fortes, dentre elas envolvendo sexo, com um grau moderado de apelação, e comportamentos de jovens que refletem os adolescentes atuais, ainda mais com o advento das redes sociais. Muitos querem se sentir amados e pertencentes a um grupo, outros usam e abusam da tecnologia para intimidar, descobrir segredos e desfazer algumas amizades e relacionamentos, e outros encontram sérios problemas familiares e não contam com total apoio dos pais. Alguns dilemas do cotidiano são encaixados e explorados como na primeira temporada, com uma estrutura narrativa eficiente, de bom ritmo e que instiga o espectador a acompanhar até o fim, para ver os dramas dos adolescentes solucionados, além do desaparecimento de Samuel, bem esclarecido no desfecho.

Humor, dramas e o clima de suspense marcam os oito novos episódios de ‘Elite’, a nova sensação da Netflix, e que está mobilizando muitos espectadores, principalmente no Brasil. Vale a pena maratonar.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Succession: relações de poder marcamo dress code dos personagens masculinos

Succession: relações de poder marcamo dress code dos personagens masculinos

Em sua segunda temporada, a série SUCCESSION, da HBO, continua sua incursão pelo universo dos milionários norte-americanos. As relações de poder entre os integrantes da família Roy, que movimentam a trama, são ilustradas também pelo figurino – especialmente quando se trata do universo masculino. A série vai ao ar todos os domingos, às 22 horas, pela HBO e a HBO GO.

Criada pelo indicado ao Oscar® Jesse Armstrong, a produção tem como personagem principal Logan Roy (Brian Cox), o patriarca que manipula seus quatro filhos para evitar sua substituição à frente da Waystar Royco – conglomerado do setor de comunicações construído por ele. Inspirado no rei Lear, personagem de William Shakespeare, Logan chegou ao topo do mundo e já não está mais preocupado em impressionar ninguém.

 

Logan Roy

Do alto do seus 80 anos, ele prefere o conforto à elegância e  não abre mão da sua coleção de bonés de beisebol e de uma correntinha para pendurar os óculos  no pescoço. Troca facilmente o fino corte dos paletós, confeccionados por seu alfaiate particular, por uma coleção de cardigãs de cores variadas. Mas sempre acrescenta uma gravata quando marca presença nas reuniões da empresa.

 

Kendall Roy

Se a aparência não é prioridade para Logan, o mesmo não se pode dizer de seus filhos. A começar por Kendall (Jeremy Strong), o mais dedicado de todos, que ostentava sua classe de forma impecável, com ternos de cortes modernos, acompanhados de camisas e gravatas elegantes, seguindo a linha dos maiores executivos novaiorquinos. A combinação misturava o clássico “paletó + camisa branca + gravata escura” e ganhava o complemento de calça slim e sapatos sociais de cadarço – dando um ar de modernidade e sofisticação ao visual.   No entanto,  a reviravolta em sua história, como a frustrada tentativa de destituir o pai e o envolvimento em uma acidente fatal, provocaram também um downgrade no seu look: saem as gravatas e entram down jackets com forro de penas de ganso.

 

Roman Roy

Na contramão de Kendall, o caçula Roman (Kieran Culkin) trocou o guarda-roupa de playboy pelo de executivo desde que começou a trabalhar na Waystar Royco. E busca impressionar com seu estilo ao acrescentar um lenço no bolso sempre nos mesmos tons da gravata. Sua tentativa de ascenção também se destaca quando está fora do ambiente corporativo, ao se vestir com calças sociais e camisas escuras, preferencialmente as azuis-marinhos e vinho.

 

Connor Roy

O primogênito Connor (Alan Ruck), mesmo fora do ambiente manipulador criado por seu pai, lança mão do dress code para realizar seu mais novo desejo: tornar-se presidente dos Estados Unidos. Para isso, deixa de lado os ares de hippie de meia-idade que vive em um rancho do Arizona. Abandona as jaquetas de camurça, coletes puffer e camisas xadrez e passa a adotar ternos e gravatas clássicos – um look à altura das suas inspirações.

Poltrona Séries: La Casa de Papel 3/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel 3/ Cesar Augusto Mota

Os ladrões mais queridos da Espanha estão de volta. A série ‘La Casa de Papel, sucesso de crítica e público, chega à sua terceira parte e com oito novos episódios na Netflix. E vem com algumas novidades, principalmente no que concerne à corrupção que as autoridades espanholas escondem.

O grupo de assaltantes, composto por Nairóbi (Alba Flores), Tóquio (Úrsula Corberó), Denver (Jaime Lorente) e os outros ladrões se reúnem novamente e aparecem curtindo a fortuna faturada com o assalto à Casa da Moeda Espanhola. Tóquio, disposta a curtir ainda mais o momento de fartura, decide pedir um tempo para o namorado, Rio (Miguel Herrán) e o deixa na ilha em que viviam no Caribe. Porém, o grupo é rastreado e pego pela polícia panamenha. Encurralada, Tóquio recorre ao Professor (Álvaro Morte) para reunir os assaltantes e um novo assalto é planejado, no Banco da Espanha, que possui centenas de barras de ouro. E tudo isso para refazer contato com a polícia e negociar o resgate de Rio.

Um grande plano é executado e acaba por deixar ensandecidas as pessoas nas ruas de Madrid e tudo é relatado na visão de Tóquio, com flashbacks que antecedem ao assalto, recurso apresentado nas temporadas anteriores. Grandes reviravoltas acontecem e eventos muito perigosos acabam por desestabilizar o grupo, com a iminência do plano vir a fracassar.

O que chama a atenção nessa parte três é a forte motivação do grupo de assaltantes de mostrar o quão abusivo e opressor é o sistema de vigilância espanhol e segredos obscuros que aos poucos são revelados. Os personagens não querem apenas roubar, mas demonstrar que a segurança do país e falha e que o país conta com autoridades questionáveis, e isso faz o espectador se identificar ainda mais com os assaltantes e ir com eles até o fim do plano. Conseguirão todos saírem ilesos e bem-sucedidos no que foi planejado? Vão ostentar muita riqueza? E os conflitos internos entre os personagens? Serão bem resolvidos?

Outro ponto positivo está na variação de cenários durante os episódios, com direito a uma ilha paradisíaca em um deles. A ousadia do Professor na execução do plano também chama a atenção, com a divulgação de uma mensagem enigmática e uma importante revelação, para o espanto dos cidadãos espanhóis. Se vimos ladrões encurralados anteriormente, vemos agora personagens mais decididos e dispostos a se darem bem e fazer coisas para prejudicar as autoridades corruptas da Espanha. E novos ladrões pintam na área, como Mónica (Estocolmo) e Raquel (Lisboa): Palermo, Marsella e Bogotá. Todos com personalidades peculiares, mas capazes de cativar o espectador. A participação de cada um possui destaque na trama e elas ditam o ritmo dos episódios, bem como os rumos do plano de assalto. Uma temporada incrível e cheia de surpresas.

Se você estava esperando por uma temporada frenética e que propusesse novas emoções, ‘La Casa de Papel 3’ vai muito além do que já foi apresentado e mostra outro lado dos assaltantes que ganharam a atenção e carisma de milhões de espectadores, e com direito a novos integrantes. Vale a pena essa nova experiência.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Galeria

Terceira temporada de Stranger Things registra recorde de audiência na Netflix

Por Luis Fernando Salles

A Netflix anunciou que a terceira temporada de Stranger Things, lançada em 4 de julho, bateu recorde de visualizações no período de uma semana após sua estreia.

Segundo a empresa, 18,2 milhões de contas assistiram a toda temporada e 40,7 milhões de assinantes ainda estão acompanhando a série.

Stranger-Things
Divulgação Internet

Para termos de comparação, a segunda temporada de Stranger Things, lançada em 2017, havia sido assistida por completo por um total de 8,8 milhões de contas nos primeiros três dias após o lançamento, levando em conta apenas o território dos Estados Unidos. Estes dados, no entanto, não levam em consideração as visualizações em mobile ou laptops.

Os números, todavia, não podem ser confirmados, pois a Netflix não deixa claro seu sistema de medição de audiência e não informa seus dados com regularidade.

A quarta temporada da série do “Mundo Invertido” está praticamente confirmada e há possibilidade de mais uma, segundo o produtor executivo Shawn Levy, que alegou que “definitivamente iria acontecer”.

Todas as três temporadas de Stranger Things estão disponíveis na Netflix.

Fonte: Adoro Cinema

 

Poltrona Séries: Chernobyl- 1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Chernobyl- 1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Criada por Craig Mazin (Se Beber Não Case! 2) e dirigida por Johan Renck (Breaking Bad), ‘Chernobyl’, a nova série da HBO, reconta os acontecimentos que envolvem o maior desastre nuclear testemunhado pela humanidade. Em 26 de abril de 1986, o reator número quatro da usina nuclear de Chernobyl, ao norte da Ucrânia, explodiu, liberando uma nuvem de radiação que se espalhou por boa parte do hemisfério Norte. Consequentemente, foi liberado na atmosfera terrestre um nível de radiação equivalente a 400 bombas atômicas de Hiroshima.  Uma produção que, sem dúvida, merece nossa atenção, principalmente em uma época de declínio da antiga União Soviética.

Logo no primeiro episódio surge uma frase que impacta o espectador muito antes dos eventos trágicos serem apresentados na tela: “Como um reator RBMK explode?” E essa indagação serve para diminuir uma possível distância existente entre pessoas que apenas ouviram falar e não acompanharam o caso na época, colocando-as no cenário devastador e de tragédia sem precedentes. Em seguida, são mostrados muitos bombeiros em meio aos escombros na esperança de resgate por vítimas com vida contaminadas por urânio e crianças brincando perto do cenário devastado pelo acidente nuclear. E sem esquecer das muitas pessoas impressionadas com o brilho no céu durante a noite.

Além da tragédia, o sentimento de culpa e a preocupação com a imagem da União Soviética perante o mundo também são bem trabalhados. Valery Legasov (Jared Harris), o Diretor do Instituto Kurchatov de Energia Atômica de Moscou, responsável por criar os reatores RBMK utilizados em Chernobyl, é um dos centros da série, em uma jornada épica e que protagoniza grandes embates com Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley), representante do conjunto de cientistas que trabalharam na reparação da tragédia. Em cinco episódios, a série apresenta um arco envolvente e personagens capazes de despertar comoção e compaixão pelas vítimas, além de dar um importante sinal de alerta sobre energia nuclear, que pode vir a se tornar uma arma nas mãos do ser humano, e muitas vezes letal.

A incrível ambientação e os dramas psicológicos causados após a explosão do reator foram realizados com primor, e as discussões proporcionadas acerca dos interesses acima da preservação humana e possíveis perigos de evolução da Terra em meio à falta de cuidado do ser humano com a natureza e o mal uso de material radioativo enriquecem o trabalho da HBO e tornaram essa série muito aclamada nos Estados Unidos e diversas partes do mundo, e não foi à toa. Há realidade mesclada com ficção, uma obra com o intuito de causar impacto e ao mesmo com a intenção de trazer informações didáticas. E não se deve esquecer também do cunho filosófico da série, que reflete o caráter do ser humano em escancarar ou acobertar a verdade, com a frase de Legasov: “Quando a verdade ofende, mentimos até não nos lembrarmos mais dela”.

Se você está disposto a assistir a uma série diferente, que se preocupa não só em reconstituir uma tragédia, mas proporcionar um envolvimento maior do espectador com debates acerca da ciência, do ego humano e das consequências de nossas escolhas, seja em quaisquer situações, ‘Chernobyl’ consegue entregar tudo isso com louvor e deixar uma profunda marca. Vale a pena acompanhar, um trabalho digno de elogios e aplausos da HBO.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota