Poltrona Séries: Biohackers-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Biohackers-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Como seria o mundo sem doenças? Vale tudo pelo bem comum, mesmo que sejam utilizados métodos contrários à ética e à moral na área da saúde? Com foco na Biologia Sintética e Biohacking, o serviço de streaming Netflix traz a série alemã ‘Biohackers’, com seis episódios em sua primeira temporada, e sua história que envolve busca pela fama e vingança.

A estudante de Medicina Mia (Luna Edler), em seu primeiro período em uma universidade em Freiburg (Alemanha) tenta se destacar entre os demais alunos e passa a integrar uma pesquisa importante sobre mapeamento genético e alterações, liderada por Tanja Lorenz (Jessica Schwarz), professora e biocientista de fama internacional. Mia tenta descobrir se Lorenz tem alguma relação com um trágico acidente que vitimou sua família e o que está de fato por traz do projeto desta, intitulado Homo Deus.

“A biomedicina pode ser o futuro da humanidade, podemos não ter mais crianças que contraiam doenças e se você quer se destacar, use métodos novos e não reproduza o que outros fizeram”. Essas três frases, além de mexerem com o emocional do espectador, traduzem bem a primeira temporada, com uma frenética competição entre calouro e professor e um desejo de revanche por parte da aluna e de projeção por parte da pesquisadora, que já é conhecida e quer ser vista futuramente como a salvadora da raça humana. Os procedimentos utilizados por Mia na tentativa de desmascarar Lorenz são questionáveis, mas o que a cientista faz em termos de pesquisa e as condutas para manter sua reputação e o prestígio de seu projeto são amorais e violam direitos fundamentais, como vida e integridade física.

Além da intrigante e instigante história, também se vê um satisfatório desenvolvimento das personagens e o encaixe dos secundários, que contribuem para importantes desdobramentos até o clímax, quando Mia e Lorenz ficam frente a frente e ambas estão a par de todos os segredos que cada uma guarda consigo. A estudante é meticulosa, junta peças que encontra e até usa mentiras para chegar ao seu alvo, e a antagonista também possui características fortes, como a ambição, ousadia e sua capacidade de manipular todos ao seu redor para conseguir o que quer e encobrir seus crimes. E o desfecho dá um gancho interessante para uma possível sequência, com muito mais perigo e ganância.

Com uma trama moderna, muitas intrigas, surpresas e traições, ‘Biohackers’ mostra que a ciência, principalmente a Biomedicina, dá espaço para muitos debates acerca de buscas por soluções dos problemas que afligem a humanidade e tem muito ainda o eu ser explorado.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Rain-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Rain-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Até onde o poder e a ambição podem levar o ser humano? Estamos preparados para lidar com as consequências de nossas escolhas? Possuímos humildade o bastante para reconhecer quando erramos ou acertamos? Todos esses questionamentos surgem em meio a uma história que envolve ciência, medicinas alternativas e até mesmo religião. ‘The Rain’, produção dinamarquesa exibida no serviço de streaming Netflix, já está em sua terceira temporada, recheada de muitas emoções.

A narrativa traz a história de Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggard Tonnesen), dois irmãos que viveram por seis anos em um bunker para se protegerem de uma chuva que matou milhares de pessoas. Nesta terceira temporada, eles estão separados e novos mistérios vão surgir antes do derradeiro encontro, que pode significar a salvação ou o fim da humanidade.

A história é composta de muita ação, com o grupo liderado por Rasmus, que entende que infectando outras pessoas, estaria salvando o mundo, e outro por Simone, que possui um líquido extraído de uma flor para deter e aniquilar o vírus. Os conflitos internos pelos quais os irmãos passam ditam o ritmo da história, com Rasmus alternando entre a tranquilidade e a fúria, e o desejo incontrolável de Simone de expurgar o vírus do organismo do irmão e voltar a viver junto dele.

Além da ação, o enredo possui impressionantes plot twists e personagens capazes de provocar emoções e confusão na mente dos espectadores. Rasmus é uma espécie de Messias? Por que ele se voltou contra seu criador? Simone crê mais na ciência ou em Deus? Ela está pronta para seguir em frente caso perca o irmão, sua única família? Todas essas perguntas são respondidas sem pressa e os arcos são bem desenvolvidos em seis episódios. O clima tenso dá a impressão de que os personagens estão prestes a testemunhar o apocalipse, e essa atmosfera é reforçada pela fotografia acinzentada e os efeitos especiais. A sensação de desespero toma conta de todos nos dois últimos episódios, e o desfecho se dá de maneira impressionante.

Uma produção que sabe explorar as angústias por conta de um confinamento com muros em volta de uma cidade e as apreensões em decorrência da chegada iminente de um vírus mortal, ‘The Rain’ é uma série boa para se maratonar e colocar em debate entre os fãs de produções bem-elaboradas, além de dúvidas e polêmicas que a ciência pode proporcionar. Vale o tempo e a diversão.

Citação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Control Z- 1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Control Z- 1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

 

O mundo a cada dia está mais informatizado e globalizado, com transmissões instantâneas de informações e redes sociais bombando. O uso de tablets e celulares agora fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas, que ao mesmo tempo ficam expostas e com risco de terem seus dados roubados e divulgados. E o eu aconteceria se jovens em uma escola particular tivesse seus segredos revelados? Em mais uma produção mexicana da Netflix, ‘Control Z’ aborda temas contemporâneos e as consequências do bom e também do mau uso das tecnologias, em oito episódios.

Um grupo de adolescentes da Escola Nacional conceituada instituição da Cidade do México, é vítima de chantagens de um hacker, que ameaça espalhar nas redes sociais tudo o que sabe sobre cada um deles, e para evitar que isso ocorra terão eu executar tarefas. A jovem Sofia Herrera (Ana Valeria Becerril), uma garota bastante perceptiva, sai em busca da identidade dele, e ela contará com a ajuda de Javier Willians (Michael Ronda), filho de um astro do futebol, que chega à escola de maneira misteriosa.

A série procura ser inclusiva, com abordagem de assuntos como bullying, linchamento virtual, transfobia e transtornos mentais, com personagens secundários que não são explorados como deveriam ser, além da protagonista, que muda drasticamente na medida em que a história se desenrola. Há uma tentativa de humanização dos atos do hacker, que tenta se aproximar de Sofia, seu alvo escolhido, e só entendemos o motivo de sua escola no sétimo episódio, muito bem construído.

A condução do mistério acerca da identidade de quem está espalhando os segredos e quais as próximas revelações são bem conduzidas na história, com um roteiro que prima por não apresentar o óbvio, mas algumas pistas e misturá-las, e o público, bem como os protagonistas, vão ter eu juntá-las para desvendar o mistério. Algumas pistas falsas também surgem, além de citações literárias de ‘Guerra e Paz’, de Tolstói, são apresentadas na condução da trama. Graças ao sentido apurado de percepção de Sofia, as peças começam a se encaixar e temos um sétimo episódio que vai agradar, com um flashback de tudo o eu á aconteceu na narrativa, e a identidade do agressor.

Se os personagens não impressionam, a narrativa, bem como a  montagem dos episódios, com a sensação de se estar em um jogo de xadrez são os grandes atrativos. O clima de tensão começa desde os delírios de Sofia até a revelação dos últimos segredos no último episódio durante uma festa tradicional da Escola Nacional. A trilha sonora também contribui com essa atmosfera perturbadora, e a trama não envolve só adolescentes, os professores da Escola Nacional também temem verem seus segredos virem a público.

Apesar de dois pontos não terem sido concluídos na primeira temporada, ‘Control Z’, com sua trama moderna, tem condições de engatar continuações e engajar mais público. Apesar de algumas inconstâncias, é uma obra que prende e dá gosto de ver.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Last Dance/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Last Dance/ Cesar Augusto Mota

Existem atletas com carreiras tão vitoriosas que acabaram por deixar grandes legados. No futebol e na natação lembramos de Pelé e Michael Phelps, e quando falamos de basquete, o nome de Michael Jordan não poderia ser esquecido. De calouro da Universidade da Carolina do Norte a grande estrela da NBA, da franquia Chicago Bulls, Jordan foi protagonista de uma bela trajetória, com seis títulos durante quatorze anos em que vestiu o uniforme dos Bulls. Mas não se trata somente de sua carreira, a série documental “The Last Dance” (intitulada Arremesso Final, no Brasil), em uma parceria entre Netflix e ESPN, vai mostrar momentos memoráveis que mudaram para sempre a história do esporte.

Durante os dez episódios da produção, acompanhamos a temporada 1997-98, que culmina com o último título do Chicago Bulls. Uma equipe de filmagem começa a mostrar os bastidores, entrevistas coletivas, o dia a dia do time, as conversas nos vestiários entre atletas e reuniões com o treinador Phil Jackson. Mas logo de cara, o espectador é surpreendido com dois comunicados de Jerry Krause, diretor-geral do Bulls: a equipe será desmontada ao término da temporada e Jackson não seguirá na equipe. O foco está em Jordan, desde seu começo na equipe até o presente momento, o da despedida.

A narrativa não segue uma linha tênue, existem alternâncias entre o passado, o presente e depoimentos de grandes personagens, como Michael Jordan, Scottie Pippin, Dennis Rodman e Steve Kerr, grandes estrelas do Bulls. O técnico Phil Jackson e o gerente Jerr Krause também estão presentes no documentário, além de participações especiais, como a de Kobe Bryant, falecido no início do ano. Essas variações são feitas não só para o espectador relembrar momentos históricos, mas também mostrar os acontecimentos a quem não os vivenciou. O clima é de uma autêntica decisão, como se ela estivesse acontecendo no momento atual, e os noticiários da época ajudam a reforçar os sentimentos de alegria e ansiedade dos torcedores do Bulls e fãs de basquete.

Um dos ingredientes que fez essa série chamar a atenção está na maneira como foi a exploração da imagem de Jordan e tudo o que ele proporcionou à modalidade e à organização da NBA. De seus primeiros dribles, passes e arremessos, até a primeira decisão, na temporada 1990-91 contra o Detroit Pistons, Jordan mostra que realmente é a engrenagem da máquina Chicago Bulls. Ele é capa de se motivar com coisas simples ou até mesmo banais do cotidiano para um jogo importante e arrancar o melhor de si de seus companheiros, mesmo que tenha que discutir rispidamente ou até mesmo dar socos, como fez com Steve Kerr. Não é mostrado só o lado positivo da vida de Michael, manchetes sobre seu possível vício em apostas são mostradas, além do seu abalo com a morte do pai e a dificuldade para driblar a imprensa sobre sua vida particular.

O marketing utilizado em torno da imagem de Jordan, carismático com os fãs, um joador talentoso e de grande explosão nas quadras, além de patrocinado por grandes marcas, dentre elas a Nike, que lançou o tênis Air Jordan, fez os fãs de basquete perceberem que não se tratava apenas de um jogo de basquete, mas de um ídolo que nascia e que todos queriam se aproximar dele e participar de tudo aquilo que ele estava mostrando. A imagem de vencedor Jordan, além do período de conquistas do Chicago Bulls, que alcançou seis títulos, com dois tricampeonatos seguidos contribuíram para tornar o produto NBA rentável e capaz de alcançar públicos de fora dos Estados Unidos e não ser apenas genuinamente americano.

Os últimos capítulos reservam grandes surpresas e atitudes dos atletas e de Phil Jackson, após ‘a última dança’(The Last Dance, que dá título à série). O basquete norte-americano passou a ter proporções ainda maiores e se revelou como um fenômeno cultural que o esporte se tornou, principalmente nos Estados Unidos, com a torcida engajada durante os jogos, feliz com as conquistas e disposta a ficar perto de seus ídolos. Uma tradição que já existia e que se instalou de vez após um período histórico de uma equipe estelar e de um jogador fora de série, Michael Jordan, que chegou a se aposentar antes de voltar para o segundo tricampeonato. “The Last Dance’ é uma legítima carta de amor ao basquete e um tributo a um dos melhores jogadores de basquete de todos os tempos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Dark-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Dark-3ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Sucesso de audiência no serviço de streaming Netflix, a série alemã ‘Dark’ chega a sua terceira e última temporada e com a missão de fechar com chave de ouro um projeto que chamou bastante a atenção do público no tocante à narrativa apresentada no gênero ficção científica. Assuntos como a ciência e a religiosidade se fizeram presentes em todos os episódios e também aparecem nos oito episódios finais. Desta vez nos perguntamos: Existe apenas uma realidade ou há realidades paralelas? Tudo acontece por conta do destino ou os acontecimentos ocorrem em decorrência das escolhas feitas pelas pessoas?

A história é situada Winden, que está prestes a vivenciar o apocalipse, numa série de colisões que vão acontecer entre dois mundos, o da luz, onde vive Marta, e o da sombra, de Jonas. A missão de ambos é a de salvar o máximo de vidas possível, mesmo que aconteça o inevitável. Mas será que eles vão conseguir? Há ainda algum segredo que não foi desvendado? Viagens no tempo de 33 anos no passado e no futuro se fazem necessárias, mas a produção vai além e consegue mostrar uma sociedade do século XIX, do ano de 1888, representada por ancestrais dos personagens da série, além de um futuro com uma Winden sombria e cheia de destroços em 2050.

A narrativa é atrativa e envolvente, as árvores genealógicas representadas na parede de um bunker ilustram que as histórias de todos os personagens são importantes, não há peças soltas, e uma analogia interessante é feita, como a de peças em um jogo de xadrez. Se houver alteração em uma delas, tudo irá mudar, e as consequências são graves, não só para os que vivem os conflitos, mas toda a humanidade. Um artefato valioso também ganha holofotes, além das famosas passagens na caverna para mundos tão distópicos e ao mesmo tempo chamativos, com os característicos “eus mais velhos” dos personagens.

Os efeitos visuais e as montagens são outros ingredientes para a última temporada funcionar bem e encerrar um ciclo que já se iniciou caótico. As descaras elétricas e a desintegração de partículas atômicas são ilustradas com perfeição e a sensação é a de fim de mundo, porém algumas reviravoltas ocorrem e deixam a trama ainda mais empolgante. Há também muitos paradoxos que são abordados, os principais no que concerne ao tempo e ao espaço e o visual também ajuda a mostrar isso, com tela dividida entre passado e presente, além da narração off.

Por fim, os personagens tornam a trama interessante e atiçam a curiosidade do espectador para quais passos serão ou não dados e o que o futuro os reserva. Jonas passa por altos e baixos, e quando você pensa que ele está derrotado, um grande salto é dado por ele que desde o início de sua aventura, na primeira temporada, tenta consertar tudo do seu jeito. E Marta passa a ser mais explorada, com grande importância na temporada derradeira. Se a história já é impactante e os personagens com comportamentos questionáveis, há abordagens científicas importantes, sobre a origem do caos, a conexão entre passado e presente explicada por meio de analogia dos nós e os erros que os seres humanos cometem, além de seus desdobramentos em suas vidas.

‘Dark’ mostrou que ainda há muito a ser explorado no comportamento humano e seus desdobramentos, além de discussões importantes e que rendem muito assunto, no campo da ciência, da filosofia e da religião. Um ciclo muito bem encerrado e com um desfecho que deixou o espectador impressionado com as inúmeras abordagens feitas e as possibilidades que a ciência pode proporcionar. Vale a pena assistir.

Cotação: 5/5 poltronas.