Poltrona Séries: Você-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Você-3ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Aclamada pelo público e com 94% de aprovação da crítica especializada, a série ‘Você’ chega à sua terceira temporada em um novo ambiente, mas mantendo a essência de Joe, o protagonista, e sua esposa Love. Os dois encaram um novo desafio, e tentarão abandonar velhos e tenebrosos hábitos que o consagraram nas jornadas anteriores. O que será que os esperam agora?

Após uma vida agitada e marcada por atrocidades, o casal Joe e Love se muda de Los Angeles para o subúrbio e vão viver em Madre Linda, um bairro aparentemente tranquilo, mas cercado por câmeras de segurança. Todo o cuidado será pouco para eles, que antes tinham a sensação de liberdade para cometer seus crimes, mas agora se sentem em um verdadeiro Big Brother, observados 24 horas por dia.

Assim que entra em cena a atraente e sedutora vizinha Nathalie Engler, começam as novas investidas de Joe, que divide sua atenção com a responsabilidade de ser pai, e fará de tudo para proteger o filho Henry, mesmo que tenha que ir até as últimas consequências. Já Love tentará conter sua impulsividade, além de administrar uma confeitaria, sonho que enfim realizou.

O carisma dos protagonistas é o principal ingrediente para segurar a série, que conta nessa sequência com dez episódios com média de cinquenta minutos cada. A narração off de Joe é mantida, recurso esse que serve não apenas como um diálogo com o espectador, mas para prepará-lo para uma sequência avassaladora de ações que vão desencadear sérias consequências. Love mantém seu semblante sereno e aparentemente inofensivo, mas esconde sua perversidade, revelada da forma mais impactante possível quando se vê encurralada ou sua relação com Joe ameaçada.

O ponto baixo está na segunda metade da temporada, que se mostra sem foco e sem saber para onde levar o espectador. Os primeiros cinco episódios se concentram nas mudanças enfrentadas pelo casal protagonista, tanto de vida em uma nova cidade, como na forma de agir diante de ameaças e na forma de enxergar a vida. Love quer proteger a família a todo custo, mas sem mudar sua personalidade controversa, já Joe vê a possibilidade de viver longe de Love e com um novo amor.

As surpresas ficam por conta das impressionantes reviravoltas na reta final e os adversários à altura que Love e Joe encontram, que são verdadeiras ameaças para seus planos. Os desfechos deixam ganchos para uma nova temporada e o novo rumo que Joe toma na vida atiça ainda mais a curiosidade do público. Uma narrativa emocionante, com sustos, situações inesperadas e conflitos solucionados de forma inteligente.

Emocionante, dinâmica e intrigante, ‘Você’ mostra o porquê de ter conquistado a atenção de tanta gente, e desde já prepara o público para novas e imprevisíveis histórias de Joe, um caçador que não se contenta e busca mais presas.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Succession-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Succession-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

O campo do drama costuma apresentar personagens com arcos interessantes, trama envolvente e temas complexos que podem instigar o público. Produção da HBO, a série ‘Succession’, de Jesse Armstrong, segue essa receita e traz temas como fama, dinheiro, poder e transtornos familiares em um universo bastante perturbador. Sua primeira temporada possui dez episódios com média de cinquenta minutos e já mostra para que veio, contar uma história de uma maneira impactante e chamativa, mesmo que explore elementos clichês à exaustão.

Acompanhamos a família Roy, cujo patriarca, Logan, é proprietário da quinta maior rede de mídia e entretenimento do mundo, uma espécie de Rede Globo ou Televisa. Ele está prestes a se aposentar e indicar o filho Kendall para assumir o império, mas sofre um derrame cerebral e as ações da companhia caem, e esse cenário faz mudar tudo. Outros filhos entram na parada, como Roman, que nada entende de administração; Shiv, que usa a influência da família para eleger candidatos a cargos públicos e Connor, que só quer saber dos lucros da empresa. A relação entre os irmãos fica insustentável, os egos falando mais alto e um tentando derrubar o outro a todo custo.

Vale tudo para o clã Roy se manter em situação privilegiada em que se encontra, como a família mais rica, poderosa e sempre no centro da mídia. Os diálogos entre os personagens são fortes, com muita ironia, humor ácido, e o uso de violência também entra em cena. Sem pudor, os filhos de Logan usam todas as suas armas, mas o dono do império mostra que ainda tem lenha para queimar e pode ficar mais tempo no comando. O ritmo é intenso, com muitas reviravoltas e com uma surpresa ao fim da temporada.

A fotografia e os ambientes suntuosos retratados mostram um certo glamour, mas ao mesmo tempo um sentimento de repugnância pela classe rica e privilegiada. Os representantes dela, os integrantes da família Roy, são antipáticos, avessos aos problemas da sociedade e desconectados da realidade. As interações são realistas e espontâneas e também com um lado humano, a preocupação dos filhos com o bem-estar do pai.

Com elementos de dar inveja, como personagens bem entrosados e com personalidades fortes, muita ação e sequências imprevisíveis, ‘Succession’ credencia a HBO no mundo dos streamings, com alta capacidade de oferecer um produto atraente e rentável em um mundo cada vez mais tecnológico e sedento por novidades.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Clickbait/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Clickbait/ Cesar Augusto Mota

Investir em fatos e elementos do cotidiano tem sido algo constante e presente nas produções da Netflix, com a capacidade de os roteiristas e produtores dos filmes e séries de construírem histórias envolventes e capazes de instigar os espectadores. O uso adequado (ou não) das tecnologias existentes e as possíveis fragilidades existentes nas relações humanas ditam o tom de ‘Clickbait’, minissérie do serviço de streaming, com uma história impactante e cheia de nuances ao longo de seus oito episódios.

Acompanhamos o fisioterapeuta Nick Brewer, que vive uma vida aparentemente feliz ao lado da esposa e dos dois filhos. Porém, ele some repentinamente e surge um vídeo na internet com ele segurando placas e admitindo ser um abusador de mulheres e assassino, com uma mensagem no fim: “Se este vídeo atingir cinco milhões de visualizações, eu  morro”. A partir daí, buscas incessantes e desesperadas da família começam, além de uma força-tarefa policial, não só para saber o paradeiro de Nick, mas também se o conteúdo do vídeo era ou não verdadeiro.

A história é apresentada sob a perspectiva de um personagem diferente a cada episódio, que vai desde a irmã do protagonista até um repórter sensacionalista, que faz de tudo para conseguir informações quentes e um furo de reportagem, antes da resposta para todas as perguntas que possam surgir na mente dos espectadores. Na medida em que a narrativa se desenvolve, as novas informações que surgem deixam a história ainda mais quente e cheia de nós, é como uma bola de neve, que vai crescendo e a qualquer momento pode causar uma avalanche. Mas nem tudo com o que o público se depara pode ser considerado definitivo, há misto do real com o delírio de alguns personagens, além do imbróglio que as redes sociais causaram na vida de cada um, principalmente da esposa e dos filhos de Nick, ainda mais vulneráveis após a exposição do caso na internet.

Temos um enredo consistente, impressionantes reviravoltas e uma conclusão surpreendente. Nota-se que nem sempre se deve confiar no que vemos e lemos em um ambiente virtual, e que não se pode confiar em todos, nem mesmo em quem está ao seu lado e em seu ambiente de trabalho. A internet é uma rede rica em detalhes, porém cheia de armadilhas, e uma simples brincadeira pode significar um estrago incalculável na vida de uma pessoa. O ponto negativo está em um caso de abuso relatado nos últimos episódios e deixado de lado, o que prejudica um pouco a história. O papel da imprensa na disseminação de informações também é bem explorado na série e uma importante crítica é tecida, pois se deve apurar as informações antes de publicá-las e o trabalho do jornalista ser com ética e responsabilidade.

Quem curte uma história com suspense do início ao fim, além de uma frenética investigação policial, ‘Clickbait’ é um prato cheio.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel-Parte 5-Volume 1/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel-Parte 5-Volume 1/ Cesar Augusto Mota

Uma das séries mais populares da Netflix está em sua reta final. Com muita ação, adrenalina, tiros e várias explosões, ‘La Casa de Papel’ vem para fechar um ciclo que deu certo ao longo dos quatro anos em que foi exibida para milhões de pessoas, com personagens carismáticos, um roteiro repleto de reviravoltas e surpresas e um trabalho técnico de excelência. O Professor e seus pupilos sem dúvida irão deixar saudades, mas como vão terminar a eletrizante jornada que começaram?

A Parte 5 começa quando Lisboa engana os policiais e entra no Banco da Espanha e a inspetora Alicia Sierra encontra o esconderijo do Professor, apontando uma arma para ele. Sem a orientação mentor e a única maneira de retirar o ouro comprometida, o grupo de assaltantes se vê agora em uma situação quase irreversível e terá de fazer suas operações de uma forma inédita, com Lisboa assumindo o papel de líder e todos usando os recursos que têm em mãos.

O trabalho de montagem e efeitos especiais são ainda mais elaborados nessa sequência, principalmente nos episódios dois e três, retratando os planos improvisados para o assalto ao Banco da Espanha, uma possível trégua do grupo do Professor e as estratégias da Polícia e do Exército para conter os delinquentes e abortar os planos deles.  O mentor intelectual vai ter que usar mais do jogo psicológico para sair da situação na qual está inserido e tentar se aliar a Sierra, cujos planos interrompidos após a gravidez e provas encontradas contra ela. Ao longo dos cinco episódios, novos segredos são revelados e deixam o espectador estarrecido e ainda mais ansioso pelo desfecho do assalto.

As diferenças desta temporada para as demais estão não só no ritmo mais acelerado e intenso, como também na maior cumplicidade entre os assaltantes, unidos por queixas, traumas e os mais diversos desejos. Eles são mais humanizados, todos unidos pelo mesmo objetivo, além do propósito de viver mais intensamente, de maneira mais livre e sem grandes compromissos. Os flashbacks e uma história mais esticada são propositais, tendo em vista o clima de despedida, além do arco dramático dos personagens, bem desenvolvidos e na iminência de conclusão. Trata-se de uma primeira parte, com cinco episódios, com uma nova sequência de cinco episódios ainda a ser exibida. Será que a conclusão para todos os personagens será satisfatória?

Destaque para Tóquio nessa parte 1 da quinta temporada, ele se mostra mais corajosa e com um sopro de esperança para a sequência dos acontecimentos pós-assalto. Com tom mais reflexivo, ela sente que é hora de fechar um ciclo e ela brinda os espectadores com cenas fortes, angustiantes e com muita tensão. Será que ela consegue sobreviver às emboscadas preparadas pela polícia espanhola?

Curioso para essa primeira parte da última temporada de ‘La Casa de Papel’? Não deixe de ver essa sequência insana, de muita ação, adrenalina e preparativos para a conclusão definitiva dessa história que conquistou milhões ao redor do mundo.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Saída-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: A Saída-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O cérebro exerce atividades simples e outras mais complexas, e algumas pessoas conseguem enxergar o que outras não têm capacidade. Histórias com suspense e mistério, como o filme Atividade Paranormal e a série Sobrenatural, estão cada vez mais comuns, e essa fórmula também é adotada pela produção polonesa ‘A Saída’, da Netflix. A obra possui seis episódios, rapidamente maratonáveis, e com ingredientes para fisgado e ainda mais curioso com o andamento da história.

Acompanhamos a jovem Julia, 17 anos, vítima de um acidente automobilístico que vitimou toda a sua família. Ela não se lembra de nada e é internada na clínica Segunda Chance, que trata de pacientes com quadros graves de amnésia e esquizofrenia paranóica. Lá, ela conhece Adam, que acaba por se tornar seu guia, mostrando toda a clínica e conhecendo outros pacientes com diagnóstico semelhante. Mas posteriormente ela se dá conta que a instituição não é o que aparenta ser, questiona seus métodos de tratamento e enfrenta grandes perigos enquanto busca descobrir tudo sobre sua origem e o que está acontecendo no mundo exterior.

A personalidade forte da protagonista e sua capacidade de senso crítico chamam muito a atenção, tendo em vista que os demais pacientes nada questionam e aceitam tudo passivamente na clínica. O roteiro prima por mostrar eventos encadeados e em ritmo lento para segurar o público ao máximo antes do clímax, o que acaba funcionando. Quem acompanha a narrativa fica confuso, pois não sabe se o que está na tela é real ou um produto da imaginação dos personagens. Julia, a paciente novata, é bastante refém de alucinações e de constantes aparições de uma garota ruiva, que pode ser algum parente ou então seu alter ego.

 Os personagens secundários seguram bem a trama, além de Adam, a paciente Magda, de quadro clínico mais grave, conduz Julia para um lado que a personagem-central jamais imaginaria, descobrindo segredos sombrios sobre a instituição psiquiátrica e quem a dirige, Zofia, uma mulher aparentemente prestativa e atenciosa, mas muito ambiciosa. A história dá um grande salto após Julia e seus amigos fazerem uma grande descoberta sobre o funcionamento da clínica Segunda Chance, e a partir daí passamos a descobrir a verdadeira identidade de Julia e por qual motivo ela e os demais pacientes são mantidos na instituição psiquiátrica e o porquê de métodos tão duros e ortodoxos. A conclusão não poderia deixar de ser chocante, com gancho para uma possível continuação.

Quem curte séries que buscam investigações, desvendar segredos e grandes saltos na narrativa, ‘A Saída’ tem muito a oferecer. Uma maratona viciante e instigante para fãs de suspense.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota