Poltrona Cabine: Mark Felt-O Homem que derrubou a Casa Branca

Poltrona Cabine: Mark Felt-O Homem que derrubou a Casa Branca

Para a alegria dos amantes da sétima arte, Liam Neeson vai ser protagonista de mais um filme. Depois de se destacar na década passada nos gêneros ação e Thriller, o ator engata em menos de um ano seu terceiro filme dramático. Após ‘Silêncio’ e ‘Sete Minutos depois da Meia-Noite’, Neeson vai interpretar Mark Felt, o responsável por delatar o caso ‘Watergate’, que culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon. Sem dúvida um dos casos mais icônicos e escandalosos de todos os tempos, que será retratado em “Mark Felt: O Homem que derrubou a Casa Branca”, longa dirigido por Peter Landesman (Um Homem Entre Gigantes).

A narrativa nos traz Felt (Neeson), vice-presidente do FBI, responsável por informar a dois jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Berstein, sobre um enorme escândalo político, que consistiu na invasão ao Comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em junho de 1972. Durante a campanha eleitoral daquele ano, cinco pessoas foram presas sob a acusação de tentativa de fotografar documentos e de instalar escutas telefônicas no escritório dos Democratas, com a possível ciência de Richard Nixon acerca das operações ilegais. Sob o codinome Deep Throat (Garganta Profunda), Felt manteve encontros com os dois profissionais e repassava as informações que sabia, tudo às escuras, até a Casa Branca desconfiar e a espionagem ganhar proporções cada vez maiores e perigosas, ameaçando inclusive a vida pessoal de Felt e a segurança de sua família.

Você sem dúvida está pensando: “Mas eu já vi esse filme antes, foi em ‘Todos os Homens do Presidente’”, filme vencedor de quatro Oscars de Alan J. Pakula, de 1976. O longa de Pakula foca no trabalho dos profissionais do jornal estadunidense, com interpretações brilhantes de Robert Redford e Dustin Hoffman. Já o filme de Peter Landesman, também responsável pelo roteiro, vem como uma nova roupagem, não só de retratar o escândalo que devastou a política e história norte-americana, como também de mostrar a trajetória profissional e pessoal de Mark Felt, seu espírito de liderança, sua personalidade forte e como administrava seus conflitos familiares, principalmente nas discussões mais calorosas que tinha com sua esposa Audrey, interpretada por Diane Lane (Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça) e a filha Joan, vivida por Maika Monroe (A 5ª Vaga).

O roteiro nos oferece um retrato fiel do que foi o escândalo Watergate, com as respectivas prisões, os encontros entre Felt e os jornalistas, a intervenção da CIA nas investigações, bem como o temor e todas as estratégias tomadas pelos membros da Casa Branca para barrar todas as apurações feitas em relação aos escândalos nas vésperas da eleição presidencial. O conjunto de ações apresenta um ritmo equilibrado, possibilitando uma compreensão fácil acerca do enredo, além de uma montagem que favorece a separação entre a vida privada e profissional de Mark Felt. É como se o espectador se deparasse com duas narrativas na história, mas uma dependendo da outra, existe uma perfeita coesão entre ambas, além de um conjunto de peças que vão aparecendo e vão se juntando no decorrer da história, deixando quem assiste cada vez mais curioso.

As atuações são acima da média, principalmente de Neeson, que nos traz um Mark Felt por outro ângulo, com um semblante fechado e olhar enigmático, nunca sabemos o que ele está pensando. Essa personalidade transmitida por seu personagem não só valoriza o filme, como também prende a atenção do espectador, que fica ansioso para saber qual atitude Mark Felt terá e o que vai acontecer em seguida, apesar de a história real ser bastante conhecida. Não é apenas um filme de espionagem e dramático, é o filme do Mark Felt, homem forte, responsável, pautado por princípios éticos e que não mede esforços para atingir o que quer e proteger quem ama, mas também vulnerável. O roteiro favoreceu Neeson, que pode se aprofundar mais e mostrar o outro lado de Felt, para não ficar apenas no vice-presidente do FBI. Diane Lane se mostra segura na pele da esposa de Felt, e um dos alívios da trama, tendo em vista a atmosfera devastadora e sinistra que permeia o filme ao longo dos seus 103 minutos. O elenco secundário, que conta com Kate Walsh (“Os 13 Porquês”), Michael C. Hall (“Dexter”), Marton Csokas (“O Protetor”) e Ike Barinholtz (“Esquadrão Suicida”), não fica atrás, todos entregam personagens condizentes com o contexto e bastante convincentes, com cargas dramáticas que contribuem para a elevação da tensão e da qualidade da obra.

Didático, emocionante, avassalador, assim defino ‘Mark Felt: O Homem que derrubou a Casa Branca’, um filme não só para apreciadores de drama e espionagem, mas para quem aprecia grandes produções. Se você procura um filme para se entreter, dar um passeio pela história e ver atuações competentes e acima das expectativas, esse é o filme certo. Você não irá se arrepender.

Avaliação: 4,5/ 5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine/ Esportes na Poltrona/ Pelé – O Nascimento de uma Lenda/ Por: Vitor Arouca

Poltrona Cabine/ Esportes na Poltrona/ Pelé – O Nascimento de uma Lenda/ Por: Vitor Arouca

d3df5ab529cc57a70c8de1ccc5bedab4_XL.jpgO filme fala sobre a vida de Pelé dos 10 anos até os 17 (1950 até 1958). Pelé vivia em Bauru com a sua família. Estudava e trabalhava como engraxate pois sua mãe mandava, mas o grande sonho de Pelé era ser jogador de futebol.

O pai de Pelé, Dondinho, apoiava o filho, já Lúcia, mãe do menino não gostava de jeito nenhum da ideia. Pelé e seus amigos escutaram a final da Copa do Mundo de 1950 e ficaram tristes com a perda do título da seleção brasileira. Vendo o seu pai chateado, Dico promete para Dondinho que traria um título de Mundial para o Brasil.

Dico como era chamado por seus pais foi levado pelo olheiro Waldemar de Brito para fazer um teste no Santos Futebol Clube. Com apenas 15 anos, o jovem tinha uma grande chance de mostrar as suas habilidades e conseguir uma vaga num dos maiores times de futebol do mundo.

Dico passou no teste e de lá para o time profissional e seleção brasileira foi um pulo. Em dois anos, o menino saiu de Bauru e foi pra Suécia conquistar a primeira Copa do Mundo para o Brasil, um feito enorme conquistado por um rapaz de 17 anos.

O filme é interessante, mas muitas cenas da película não existiram na vida real. Outro ponto negativo do filme é não ser na língua portuguesa.

Poltronas: 2,5/5.

 

Poltrona Cabine: Thor Ragnarok/Anna Barros

Poltrona Cabine: Thor Ragnarok/Anna Barros

Os estúdios Marvel se superaram. Thor Ragnarok consegue ser melhor que Doutor Estranho, o melhor filme da franquia até aqui. E. para a minha surpresa, ele aparece para o Thor no ínício do filme.

A película é leve, cheia de tiradas engraçadas onde Thor e Lóki riem de si mesmos.

Thor tem que salvar Asgard das mãos de sua irmã Hela, totalmente do mal, que estava aprisionada por Odin e se liberta. Cate Blanchett está quase irreconhecível de cabelos pretos e muito magra. Começa tímida, depois embarca nas aventuras Marvel com desenvoltura e seu brilho costumeiros.

Thor fica um pouco inseguro porque acaba perdendo seu martelo do poder e seu pai o convence que ele é muito mais forte que o martelo. O instrumento é um apêndice e não o cerne de sua força.

Quando Thor está preso, é obrigado a lutar contra um guerreiro protegido do Grão-Mestre e descobre que ele é nada menos que o Hulk, que custa a reconhecê-lo. Ele acaba vencendo o duelo de gladiadores e Hulk revela que está sob a forma verde por dois anos. O coliseu que eles lutam, lembra um pouco o Maracanã.

Eu amo Chris Hemsworth e amei vê-lo de cabelos curtos( s resenha é cheia de spoilers). Doeu em mim quando ele trava um duelo com Hela e perde a visão. Senti falta de Natalie Portman como seu par romântico, mas seu novo affair o provoca, mas se sai bem, como  valquíria. Vários elementos da mitologia nórdica e uma palhinha da Noruega porque Odin é mandado para lá.

E para a minha felicidade, eis que Hulk também ressurge e auxilia Thor no seu objetivo de salvar seu planeta. Na verdade, eles formam um time e salvam o povo de Asgard porque para detonar Hela é necessário ressuscitar Raganarok. Eu adoro Mark Ruffalo que está seguro e preciso como nunca. Quando Thor diz que David Banner tem que usar seus doutorados para alguma coisa, é muito divertido.

Senti falta do Homem de Ferro nessa empreitada.

Há muita ação, humor inteligente, beleza(Tom Hiddleston também é lindo) e a volta de Jeff Goldblum como o vilão espevitado e cheio de glitter. É um bom contraponto para a virilidade que extravasa os poros de Thor. O Grão-Mestre é bem espalhafatoso e protagoniza uma das cenas extras.

Percebe-se liberdade ao elenco com alguns improvisos.

A valquíria a príncipio resiste ao Thor mas quando eles estão na nave para fugir, ela o pede que não morra. Um interesse sutil e despretensioso surge entre os dois. O sinal de que ela é valquíria também é maneiro. E a atriz Tessa Thompson lembra muito a ex-=mulher de Tom Cruise, Katie Holmes.

 

A união entre os irmãos em prol de um bem comum também me agrada, visto que me toca muito história de irmãos. Mesmo Lóki sendo traicoeiro, Thor o aceita como ele é e eles acabam se entendendo e decidindo destruir Hela junto com Hulk, a Valquíria e Skurge que é resgatado da prisão do Grão-Mestre.

Nem dá para ver o filme passar e é bom que se fique até o fim porque há duas cenas extras nos créditos. Filme totalmente de ação, de estética perfeita e trilha sonora Ragnarok traz músicas pop em sua trilha sonora, com “Immigrant Song”, do Led Zeppelin em duas cenas e “In the Face of Evil”, do grupo de synthwave Magic Sword. Eu também tenho uma quedinha pelo Led Zeppelin.

De quebra, ainda tem Idris Elba como o guardião Heimdall.

Alinda fotografia foi rodada em Queenland e Sidney.

A estreia é dia 26 de outubro, em grande circuito.

Cotação: 5/5 poltronas. Excelente! Super recomendo o filme!

 

Sinopse: No filme da Marvel Studios, “Thor: Ragnarok”, Thor é preso do outro lado do universo, sem o seu martelo poderoso e encontra-se numa corrida contra o tempo para voltar a Asgard e impedir Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana -, que se encontra nas mãos de uma nova e poderosa ameaça, a implacável Hela. Mas, primeiro precisa de sobreviver a uma luta mortal de gladiadores, que o coloca contra um ex-aliado e companheiro Vingador – Hulk.

 

Poltrona Cabine: 120 Batimentos por Minuto/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: 120 Batimentos por Minuto/ Cesar Augusto Mota

Você que curte filmes alternativos e sempre quis ficar por dentro do cotidiano de grupos ativistas, suas constantes lutas e principais ideologias defendidas, agora irá se deparar com uma obra didática, institucional e de grande valor humanitário. ‘120 Batimentos por Minuto’, produção francesa dirigida por Robin Campillo, chega para alertar e abrir os olhos de muita gente.

A história apresenta o grupo ACT UP, fundado na França em 1989, que luta pelos direitos dos portadores do vírus HIV e defende iniciativas por melhorias no tratamento e prevenção em relação à doença. Não só o cenário da época é retratado, como também são traçados os devidos contornos, como tensões, medos dos pacientes, os preconceitos vividos por eles e os prazeres deles em seu cotidiano, apesar do terrível diagnóstico que tiveram. Tudo é mostrado de forma honesta, com muita abrangência e veracidade.

Na medida em que o filme transcorre, vamos conhecendo cada integrante do movimento, as ideologias defendidas, bem como o dia a dia de muitos deles, seus deleites, diversões e também seus amores. Tudo mostrado de uma maneira suave e que não dê margem a julgamentos, até chegar na questão central, de mobilizar as indústrias farmacêuticas e o poder público por tratamentos e medicamentos mais eficientes no prolongamento da vida dos pacientes, bem como mostrar as falhas cometidas nas redes de saúde e também no fabrico dos medicamentos. Alguns lemas são apresentados ao espectador: é preciso exigir melhora, e também é necessário prevenção contra doenças venéreas e, mais do que tudo, sobreviver.

O roteiro, como já dito, mostra uma trama regada por muitas ações encadeadas, em torno de objetos uniformes, mas em dados momentos ocorrem exageros, uso de meios ardis e agressivos, mas justificados, no caso a necessidade dos manifestantes serem ouvidos e na tentativa de acabar com preconceitos em relação à grupos de minorias e ainda enraizados na sociedade contemporânea. Apesar de alguns momentos fugirem ao controle, a intenção do diretor em levar para as telas e mostrar ao público o universo do movimento ativista e tudo o que o cerca, com simpatizantes e opositores, é bastante válido, retrata também o que a sociedade brasileira atualmente vivencia.

As atuações do elenco são harmônicas, muito coesas e conseguem imprimir sinceridade para o espectador. A fotografia, com alguns jogos de luzes em cenas noturnas, nos trazem um certo deleite e alívio, pois trata-se de uma história com muita vibração, barulho e que dá uma boa chacoalhada em quem acompanha. A montagem é precisa, e é o principal elemento para nos mostrar com eficiência as principais propostas da história, que funcionam muito bem.

Ficou curioso? Não deixe de ver ‘120 Batimentos por Minuto’, seu coração vai pulsar forte e você terá outra visão de mundo, é preciso ampliar estar alerta, mas também ampliar os horizontes.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Me Chame Pelo Seu Nome/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Me Chame Pelo Seu Nome/ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme que você acompanha e após a sessão o considera uma obra-prima, uma alegoria, um tributo à beleza e à vida? Assim defino ‘Me Chame pelo seu Nome’, filme de Luca Guadagnino, baseado no romance homônimo “Call Me By Your Name”, do egípcio André Aciman, obra que virá forte para a temporada de premiações e cotado para Oscar de melhor filme em 2018.

A história acompanha Elio Perlman, (Timothée Chalamet) único filho de uma família americana com ascendência italiana e francesa. O jovem músico vive mais um verão preguiçoso na casa dos pais em uma belíssima paisagem italiana, e tudo começa a mudar após a chegada de Oliver (Armie Hammer), estudante de Arqueologia, que vem para auxiliar na pesquisa do pai de Elio, que é professor e também especialista em arte greco-romana.  A beleza, espontaneidade e o alto grau de intelectualidade de Oliver começam a encantar a todos, principalmente a Elio.

O roteiro apresenta uma narrativa despretensiosa, mas cheia de elementos enriquecedores e fascinantes. A família é desprovida de tabus, vive em um ambiente repleto de culturas, com diálogos em inglês, francês e italiano, predomina o apoio incondicional de todos a Elio, com incentivo a ele para ser o que deseja e há estimulo à liberdade, inclusive a de identidade sexual. Temos um protagonista que não é podado e que está vivendo uma fase de transformações, não apenas físicas, mas de identidade.

A direção de arte é primorosa, com belas paisagens na Itália e perfeitas simulações dos anos 80, trazendo ar de nostalgia para os mais velhos e um certo romantismo, com um jovem descobrindo o amor e perdendo a inocência, lembrando um pouco o filme “Beleza Roubada”.

Os atores demonstram segurança e com atuações sensíveis e que se sobressaem. Chalamet apresenta um adolescente inicialmente despreocupado e sem pretensões, mas depois bastante receoso e com ânsia pelo desejo, pela necessidade de conquista e disposição de se desprender do caos e se estabelecer. Já Hammer suplanta a atuação de Chalamet, com um Oliver também em busca da afirmação, e que projeta no outro uma busca por maturidade, que incrivelmente ainda não havia atingido, mesmo nos altos de seus 24 anos.

O roteirista James Ivory construiu um roteiro que foi muito bem conduzido por Guadagnino, com equilíbrio entre sutileza e exagero, sem uso de atos explícitos e alguns momentos subentendidos, como o sentimento entre Elio e Oliver, atiçando ainda mais a curiosidade e a atenção do espectador. Não há margem para o previsível, tudo acontece de maneira harmônica, inesperada, com uma beleza estética sem precedentes, além de elementos muito bem articulados na construção da história, dos personagens e nas interações entre eles.

‘Me Chame pelo Seu Nome’ é um tributo ao amor, à arte, às pequenas coisas da vida e um culto à liberdade do ser e do pensamento. Uma obra que aborda com naturalidade os problemas do cotidiano, além de apresentar belíssimos contornos e cenários contagiantes. Não deixe de assistir!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota