Poltrona Cabine: Adeus à Noite/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Adeus à Noite/ Cesar Augusto Mota

Abordar problemas familiares e aliá-los a questões que envolvam a sociedade e etnias podem ou não gerar controvérsias, e isso dependerá da abordagem de seu realizador. A França é um país que recentemente se envolveu em polêmicas em relação à religião, e esse contexto já foi abordado em algumas produções, principalmente no que tange ao islamismo e também aos refugiados. A proposta do cineasta André Téchiné passa justamente por esses dois itens, mas ele o faz de forma bem cuidadosa e com uma montagem precisa, com o intuito de chamar a atenção e mobilizar o espectador para os assuntos e possibilitar a cada um ter seu ponto de vista.

Muriel (Catherine Deneuve) é uma mulher idosa que por muitos anos viveu na Argélia e hoje comanda uma escola de quitação em uma fazenda. Há algum tempo, ela não vê o neto Alex (Kacey Mottet Klein), e quando eles se reencontram, a relação fica estremecida após a descoberta de fatos obscuros na vida de Alex, e Muriel fica meio que sem saída e decidir o que é melhor para ele e sua família.

A divisão da história se dá em dias separados da primavera de 2015, e os eventos abordados em cada dia se entrelaçam e uma espécie de quebra-cabeça é montado para ilustrar o cenário construído com a escolha de doutrinas e ensinamentos feitos por Alex e como tudo isso afeta toda a família do rapaz e as decisões que ele toma para sua vida. O neto quer claramente mostrar que tem poder e exige que sua religião e opção sejam respeitadas, mas não consegue o que deseja por muito tempo, e quando a avó entra em ação, a vida de todos que estão ao redor e dos amigos que estão ligados a Alex também muda. Muriel fica em uma verdadeira encruzilhada, ela vai ter que optar em proteger a sociedade contra possíveis atitudes de Alex ou evitar que o neto seja preso, tendo em vista ele já ser um foragido da justiça.

A trama paralela que envolve o islamismo, no qual Kacey está inserido, proporciona diversos momentos de tensão e suspense e os atores Oulaya Amamra e StéphaneBak contribuem para tudo isso. Os dilemas retratados são construídos de forma acurada e com a intenção de fazer o público pensar sobre intolerância e perseguição religiosa, outros assuntos tão em viga nos dias de hoje. E no que tange a relação ente avô e neto, amor, confiança e traição também são pontos em discussão com uma trama convincente e cheia de surpresas.

O elenco, liderado por Catherine Deneuve e composto por jovens revelações, foi capaz de provocar diferentes sensações e possibilitar flexões sobre ideais, estilos de vida e solidão, além de importantes preceitos sobre educação e respeito. O trabalho de André Téchiné é eficiente e feito com muito esmero e capricho, e a religião é tratada com toda a atenção e zelo. Reflexões e debates ficam por conta do espectador. Um filme didático e com uma trama forte, envolvente e de muitas emoções, com potencial para ficar algum tempo nas rodas de debate e na boca do povo.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Vai que Cola 2-O Começo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Vai que Cola 2-O Começo/ Cesar Augusto Mota

A transposição de uma série de TV para os cinemas não tem sido novidade no mercado nacional. Os resultados têm sido satisfatórios, o público cativo que acompanha produções televisivas se mostram fiéis e fazem questão de conferir a novidade nas telonas, e com a comédia não poderia ser diferente. Considerada uma sensação da televisão por assinatura, a série Vai que Cola, do canal Multishow, evidenciou uma aceitação enorme por parte de públicos variados e também segue a receita de sucesso de séries infantis que já tinham antes migrado para a tela grande. O diretor César Rodrigues aposta no forte apelo da produção para não só levar o público fiel, como também mobilizar as massas e mostrar que o humor é um produto de qualidade no mercado cinematográfico. Será que valeu a pena?

‘Vai que Cola 2-O Começo’ ilustra a origem dos personagens, antes dos acontecimentos da série. Dona Jô (Catarina Abdalla) não tinha sua pensão, ela vivia sozinha com a filha Jéssica (Samantha Schmütz), uma adolescente que vivia sua fase pré-vestibular. Ferdinando (Marcus Majella) e Máicol (Emiliano d´Ávila) ainda sonhavam em morar no Rio de Janeiro, já Terezinha (Cacau Protásio) vivia no Morro do Cerol com o amado Tiziu. A organização de um churrasco por Terezinha faz todos se encontrarem e de uma forma bastante inusitada, com momentos para lá de confusos e insanos.

Apesar da ausência de Paulo Gustavo, o filme que se remete ao início da série, apresenta uma série de eventos que rendem não só momentos hilários, com piadas sobre o cotidiano e o recurso das pancadas e quedas de personagens, e todos eles funcionam. E sem deixar de se atentar para o ritmo como tudo acontece, os problemas enfrentados no dia a dia dos personagens, como o relacionamento complicado de Jéssica e Lacraia (Silvio Guindane), a dificuldade em se despedir e a adaptação à nova cidade por parte de Ferdinando, além das constantes saudades de Tiziu e o envolvimento de Terezinha com pessoas suspeitas. E menção também para a gringa Velna (Fiorella Matheis) que mais se mostra perdida em meio a seus disfarces e a dificuldade em se lembrar do que ela está fazendo e para quem trabalha. Tudo isso é bem explorado, antes da montagem das cenas e a ligação com cada um desses acontecimentos para o então aguardado encontro.

O roteiro  segue à risca o modelo de humor utilizado na série, com piadas sobre o cotidiano, brincadeiras acerca da sexualidade e da violência que cerca a sociedade brasileira, mas sem tocar na área política. O timing dos atores é preciso, cada um sabe entrar na hora certa e os diálogos não possuem piadas forçadas. A impressão passada é que tudo ali se deu de improviso. E sem esquecer do bom aproveitamento das locações e das tomadas em plano aberto e médio utilizados, com uma boa ilustração e para dar a verdadeira impressão de como é o Méier, bairro da Zona Norte carioca, com ruas movimentadas, muitas pessoas circulando e o dia a dia intenso e de muito trabalho.

Uma boa história não funcionaria com boas atuações, e o entrosamento do elenco é visível e notabilizado pelo alto talento e grande desembaraço dos comediantes. Marcus Majella arrasa com suas piadas sobre sexualidade e mostra muita cumplicidade com seus colegas, principalmente nas cenas mais engraçadas com Emiliano D’Ávila. O ator também não fica para trás e se destaca nos momentos em que seu personagem disputa a atenção de Jéssica com Lacraia, num engraçado e divertido embate. As personagens femininas também divertem a plateia. Samantha Schmütz, que já havia chamado a atenção em ‘Tô Ryca’, mostra porque é uma comediante em ascensão e mantém sua performance apresentada na série neste longa-metragem.  Uma produção que mantém a pegada da série, mas que soube ser criativa ao se remeter às origens.

‘Vai que Cola 2-O Começo’ é uma produção com potencial para levar grandes plateias aos cinemas e também oferecer muita diversão e entretenimento. Um humor saudável, sem apelação e que vai proporcionar momentos agradáveis para quem for assistir.
Poltrona Cabine: Divaldo-O Mensageiro da Paz/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Divaldo-O Mensageiro da Paz/ Cesar Augusto Mota

Em um mundo tão cercado de ódio, intolerância e falta de amor ao próximo, algumas pessoas não conseguem encontrar uma razão para viver e acabam optando por caminhos obscuros, dentre eles o suicídio. Há quem acredite que não existam saídas e que está desamparado, mas sempre há soluções quando menos se espera. O diretor Clóvis Mello vem com uma proposta de mostrar ao público não um documentário ou cinebiografia, mas uma obra que mostra um homem cuja missão é a de propagar caridade, amor e respeito. Divaldo Pereira Franco, um dos maiores médiuns do país é ilustrado em ‘Divaldo-O Mensageiro da Paz’, que acumula 72 anos de dedicação à doutrina espírita.

Nascido em Feira de Santana, no interior da Bahia, Divaldo Franco convive com a mediunidade desde os 4 anos de idade. Perturbado com o que vê, é rejeitado por outras crianças e reprimido pelo pai. Aos 17 anos, se convence de que não pode negar seu dom. Com o apoio da mãe, entra em contato com o espiritismo e muda-se para Salvador para estudar a doutrina. Sob a orientação de sua guia espiritual, Joanna de Ângelis (Regiane Alves), o jovem supera a saudade da família e a solidão da cidade grande e abraça sua missão. Poucos anos depois, aquele menino inseguro de Feira de Santana torna-se um dos médiuns mais importantes do país e abre mão de sua vida pessoal para dedicar-se à caridade.

A história de Divaldo é retratada em três fases e com grandes atuações dos três atores, principalmente de Guilherme Lobo, pois durante a juventude Divaldo se encontra e entende a essência do espiritismo e como a mente funciona diante das tentações e provações, e Lobo consegue imprimir autenticidade em sua atuação. Já Bruno Garcia vem para complementar o jovem Divaldo e com foco na pregação do amor e a realização da caridade. A sensibilidade com a qual o espiritismo é tratado na obra merece ser destacado, e sua doutrina não é forçada, é apenas ilustrada a título de conhecimento aos espectadores e apresentada como um dos caminhos que o ser humano pode ter e que existe vida além-túmulo.

Além do espiritismo e do bonito trabalho realizado por Divaldo Franco, uma leve crítica é feita à Igreja Católica, alguns ensinamentos são aceitos, outros, não. A intenção não é a de diminuí-la e tampouco de colocar o espiritismo como a melhor religião, mas mostrar que existem diferentes visões de mundo e doutrinas, mas cada um possui livre arbítrio. E o íntimo do ser humano também é bem explorado, e todas as tentações que podem vir a influenciar alguém só dependem da mente, se a própria pessoa permitir que o mal se aproxime. E o mal é personificado no espírito obsessor vivido por Marcos Veras, que mostra muita segurança em cena e a capacidade de encarnar personagens fora do gênero humor. E sem esquecer de Regiane Alves, como Joana de Ângelis, que inicialmente se apresenta a Divaldo como espírito amigo, a encarregada de mostrar ao médium que antes de propagar qualquer ensinamento, é necessário ter humildade.

De espírito elevado, forte e engajado em causas humanitárias, ‘Divaldo-O Mensageiro da Paz’ traz importantes lições para a vida e belas mensagens, e não vem com o propósito de convencer as pessoas de alguma coisa. Sem dúvida a trajetória de Divaldo Franco possui potencial para tocar nos corações de muitas pessoas.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Quem Você Pensa que Sou/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Quem Você Pensa que Sou/ Cesar Augusto Mota

O processo de envelhecimento pode ser complicado para algumas pessoas, ainda mais nos dias atuais. Afinal, não é fácil ouvir tantas vezes frases como ‘quando você era jovem, tinha mais vitalidade’, ou então, ‘você é velho demais para isso’. Agora, com o advento das redes sociais, surge uma nova barreira que separa os jovens das pessoas de mais idade, seja pela resistência de alguns mais velhos em aderir a novas tecnologias ou pelo fato da juventude não querer adicionar e se relacionar no Facebook e Twitter com pessoas acima de sua faixa etária. E justamente esse tema, tão delicado, será abordado no novo filme de Saffy Nebbou (Dumas), ‘Quem Você Pensa que Sou’ (Celle que vous croyez), com uma protagonista que tem um desejo que se faz claro logo no início da trama: sentir-se novamente jovem.

Claire Millaud (Juliette Binoche) é uma professora de literatura de sucesso no meio acadêmico, divorciada e com dois filhos, mas que sente a necessidade de ter alguém em sua vida. No início ela se relaciona com o jovem Ludo (Guillaume Gouix), mas ele se recusa ser apresentado à família dela, o que gera insatisfação em Claire. Após levar um fora dele, ela entra em depressão, passa a questionar se ainda é possível encontrar a felicidade, apesar de se achar velha, e resolve criar um perfil fake no Facebook para tentar chegar até Ludo. A partir daí surge uma espécie de alter ego, Claire Antunès, mas ela acaba adicionando o colega de Ludo, Alex (François Civil). Ela de início não se interessa por ele, mas resolve se passar por uma jovem de 24 anos e tudo sai dos trilhos, pois uma simples adição em uma rede social passa a se tornar algo mais sério, mexendo com a cabeça de ambos e criando situações dramáticas e quase que sem saída.

A história levanta pontos interessantes, o da construção da personalidade e como nos apresentamos ao mundo nas redes sociais. Claire deixa claro que não aceita a velhice e aponta que a sociedade trata com desdém as pessoas de mais idade, o que fica claro em uma cena na qual dança loucamente em uma festa e os convidados a desprezam. Ela sente a necessidade de nadar contra a maré e resolve se apresentar como outra pessoa na internet. Mas ser jovem no mundo online vai pelo menos trazer um pouco de paz a Claire e ela vai conseguir segurar as pontas com um rapaz que mal conhece e por quem se apaixonou instantaneamente? Essas perguntas são respondidas com um enredo que mistura drama, suspense e bom humor.

A construção das diversas facetas de Claire são bem traçadas ao longo da trama, e se dá durante as consultas da protagonista com sua terapeuta (Nicole Garcia), que faz um profundo estudo de sua mente e essa análise é boa para mostrar como nosso cérebro funciona e como nos comportamos, afinal, todos sentimos frustrações, mentimos, avançamos e atropelamos as coisas, sem respeitar o devido tempo. E com as contínuas consultas, percebemos que Claire vive em mundos paralelos, o real, no qual vive prostrada e sem saída, e o da fantasia, no qual se liberta e vê a chance de alcançar a felicidade. E ao longo da narrativa, surgem revelações acerca do passado de Claire, da vida de Alex, comportamentos controversos e uma impressionante reviravolta, que faz o espectador pensar que está tudo acabado, mas é só mais um ingrediente para mostrar o quanto o mundo virtual é complicado e é capaz de coisas que nem imaginamos.

Nebbou não se limitou a uma história clichê, de relacionamento entre mulher mais velha e rapaz jovem, ele resolve ir além, pois o insere em um contexto atual, que engloba um mundo em que todos temos os passos vigiados e necessitamos sempre da aprovação dos outros para nos sentirmos bem, seja por uma curtida em uma foto, um compartilhamento ou um comentário. E a história funciona graças a boa escolha de elenco, que tem uma atriz de sucesso (Binoche) que se entrega de cabeça ao seu papel e um jovem ator do cinema francês (Civil) cada vez mais em ascensão. Ingredientes certos, bem utilizados e com um bom produto no final, apesar do desfecho escorregar um pouco e mostrar um desvio de conduta da terapeuta, vivida por Garcia, que claramente viola o Código de Ética de sua profissão, algo que poderia ser alterado ou até mesmo excluído do roteiro.

‘Quem Você Pensa que Sou’ é profundo, filosófico, moderno e necessário a todos, sejam jovens, adultos ou idosos. Uma obra que serve de sinal de alerta para a maneira como nos portamos e nos apresentamos aos outros, seja no mundo real ou virtual.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: It-Capítulo 2/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: It-Capítulo 2/Cesar Augusto Mota

“Muitas vezes somos quem não gostaríamos. E em dados momentos, tentamos deixar o passado para trás, mas ele continua vivo”.  Frases emblemáticas, não? Elas retratam um trauma vivido por um grupo de amigos intitulados ‘The Losers’ (Os Perdedores), atacado pelo perverso palhaço Pennywise (Bill Skarsgård). Agora, temos a sequência de ‘It’, inspirado na obra homônima de Stephen King. Será que ‘It-Capítulo 2’ (It-Chapter Two), dirigido por Andy Muschietti (Mama), é tão assustador quanto o seu antecessor a ponto de nos fazer acreditar em uma possível sequência?

Os eventos de ‘It: Capítulo 2’ ocorrem 27 anos após o que foi retratado no primeiro filme, quando Mike (Isaiah Mustafa), único integrante do grupo a permanecer na cidade de Derry, percebe que um novo ciclo de ataques da Coisa teve início. Ele resolve retomar o contato com o resto da turma, que mal lembra o que havia acontecido durante a infância, e os chama de volta para cumprirem a promessa que haviam feito. Mais forte, Pennywise promete liquidar com todos, mas Mike sabe de um segredo que pode dar cabo ao palhaço de uma vez por todas.

A história é inicialmente ilustrada com alguns flashbacks antes de apresentar os protagonistas na fase adulta. Em seguida, cada personagem mostra ao espectador alguns de seus dramas, como Eddie (James Ransone), casado com uma mulher que vive às turras com ele; Beverly (Jessica Chastain), cujo marido  violento é um reflexo dos abusos praticados por seu pai durante a adolescência; Richie (Bill Hader) na tentativa de emplacar na carreira de comediante de stand up para esconder o trauma vivido no passado e Bill (James McAvoy), agora no ofício de roteirista, escrevendo histórias inspiradas nos momentos difíceis que viveu juntamente de seus amigos. O foco na segunda parte difere da primeira, enquanto nesta, o foco esteve no tormento vivenciado pelas crianças ao serem perseguidas por um palhaço demoníaco, naquela as lembranças do passado e alguns segredos reprimidos ganham atenção.

Um ótimo jogo de cenas, com passado e presente se entrelaçando, pode ser visto, o elenco juvenil, presente no primeiro filme, retorna e dá um eficiente suporte para que o adulto se destaque e tenha atuações despojadas. As sequências possuem um ritmo suave e boa parte das cenas são essenciais para a história, apesar da longa duração, de duas horas e cinquenta minutos. Tudo seria perfeitamente compreendido com um período menor, algumas sequências poderiam ser suprimidas, tornando o segundo ato menos enfadonho e arrastado.

Apesar do problema acima e de algumas ações repetitivas, o espectador pode constatar uma história com altas doses de tensão, muitos sustos e também alívios cômicos, principalmente com Richie, vivido por Bill Hader (Descompensada). Além disso, há um ótimo jogo de sombras, realçando a aparência macabra de Pennywise, e os famosos jump scares, que não poderiam faltar em um filme do gênero terror.

As atuações são eficientes e de muita qualidade, principalmente de Bill Hader, James McAvoy (Vidro) e Isaiah Mustafa (Quero Matar meu Chefe). Jessica Chastain tem uma participação mais discreta e contida, destoante do grupo. Não transmite o mesmo carisma de Sophia Lillis, a Beverly da primeira parte. E, por fim, Bill Skarsgård (Atômica) encarna tão bem como Pennywise que conseguiu traduzir o palhaço como uma criatura sombria, de mente macabra e icônica, presente na oba de Stephen King. De quebra, há referência a um filme de sucesso e inspirada em outra de suas criações, além da participação especial do próprio escritor, que está para lá de imperdível.

Mesmo sem oferecer muitas novidades e seguir o formato clássico, ‘It-Capútulo 2’ é um filme que proporciona diversão, entretenimento e alguns sustos, não na mesma proporção do primeiro. E o cuidado em trabalhar bem a adaptação do livro de King acaba por oferecer um resultado satisfatório e ótimas discussões acerca de lembranças, desapego e amadurecimento.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota