Poltrona Cabine: Downton Abbey/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Downton Abbey/ Cesar Augusto Mota

Levar uma série de TV de grande audiência para as telonas requer não só ousadia, mas muita coragem e tato para apostar em  uma possível nova receita de sucesso. E é o que justamente ocorre com ‘Downton Abbey’, série inglesa veiculada pelo serviço de streaming Amazon e que agora chega aos cinemas para brindar os fás da obra e fisgar quem não conhece a produção e seus episódios. Será que o filme traz novidades ou é apenas um episódio alongado?

A história se passa em 1927, um ano depois do fechamento da última temporada, com a família Crawley e seus funcionários sendo surpreendidos com a notícia da chegada do rei George V (Simon Jones) e da rainha Mary (Geraldine James) a Downton Abbey, casa de campo eduardiana inglesa de propriedade da família, como parte da turnê que a realeza faz pelo país. Todos se mobilizam e começam a preparar os aposentos da casa e a cozinha, mas o casal real já possui seu próprio staff, com cozinheiros e criados, e isso acaba por provocar muito rebuliço e uma certa rivalidade durante a história. Todos de Downton Abbey abraçam a causa e tentam dar o melhor de si, apesar desse desapontamento.

Quem acompanha o filme pensa que a narrativa irá trazer apenas esse conflito, mas se engana. Novos personagens são introduzidos e outras histórias se passam em paralelo, como uma importante questão familiar entre um importante casal e um segredo que envolve um dos criados e que pode abalar toda a família Crawley. Os conflitos secundários não são muito aprofundados, mas feitos de maneira leve e que chamem a atenção dos espectadores, já o principal acaba por conseguir movimentar a trama e manter a curiosidade até o fim, não só sobre o sucesso do jantar com o casal real, como também sobre o comportamento de toda a família e a sintonia com os empregados, se eles não irão deixar escapar nada e cometer alguma gafe.

Além da história atraente e de elementos interessantes, como a prática de bons modos, a preparação do cardápio, reverências, polimento de prataria e o uso adequado do vestuário, a direção de arte e os figurinos utilizados são primorosos. O trabalho de pesquisa utilizado antes da confecção das roupas é preciso e o uso de objetos genuínos dos anos 20 dão a verdadeira impressão que a história realmente está se passando no começo do século XX. E não devemos esquecer da fotografia, numa perfeita combinação de elementos e cores quentes.

Se a história e a parte técnica já são grandes atrativos, as atuações também são grandiosas, com destaque maior para Maggie Smith (A Senhora da Van) no papel de Violet Crawley, a matriarca da família. Ela provoca risadas naturais com sua personagem, realiza provocações de leve e necessárias nos demais personagens e traz um ar de leveza para a história, mostrando a importância da união de uma família e do engajamento em um trabalho realizado por gerações e a necessidade em sua continuidade. Uma atriz com potencial para nomeação em futuras premiações.

Com uma direção eficiente de Michael Engler e um trabalho técnico de excelência, ‘Downton Abbey’ oferece ao público uma divertida história, além de mostrar todo o charme e glamour da coroa britânica e todas as peculiaridades e curiosidades que faziam parte do cotidiano no século passado. Uma experiência grandiosa e inesquecível para quem acompanhou.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Malévola-Dona do Mal/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Malévola-Dona do Mal/ Cesar Augusto Mota

Quem acompanha as produções da Disney, percebe que a fantasia e os contos de fadas ditam as regras em boa parte de suas histórias, e, a depender do enredo, há espaço para a ação. E que tal um conto de fadas moderno no qual duas mulheres roubam a atenção e promovem uma verdadeira guerra? Inspirado no conto ‘A Bela Adormecida’ e lançado em 2014, Malévola (Maleficent) trouxe Angelina Jolie (Sr. e Sra. Smith) no papel principal em uma live-action que tirou o fôlego de milhões de espectadores. A atriz volta a viver a protagonista na continuação ‘Malévola: Dona do Mal’ (Maleficent: Mistress of Evil), no qual se mostrará ainda mais forte e disposta a usar seus poderes para proteger seu reino. Será que essa sequência será tão boa quanto o original?

Malévola (Jolie) e sua afilhada Aurora (Elle Fanning) questionam os complexos laços familiares que as prendem à medida que são puxadas em direções diferentes por casamentos, aliados inesperados e novas forças sombrias em jogo. Os anos passam, o relacionamento entre elas se fortalece, mas o ódio entre o homem e as fadas ainda existe. O iminente casamento de Aurora com o príncipe Phillip(Harris Dickinson) é motivo de celebração no reino de Ulstead e no reino dos Moors, pois a união servirá para juntar os dois mundos, mas um encontro inesperado introduz uma nova e poderosa aliança, Malévola e Aurora são jogadas para lados opostos em uma Grande Guerra, testando sua lealdade e fazendo com que elas questionem se podem ser verdadeiramente familiares.

Logo nos primeiros minutos, alguns eventos de impacto acontecem antes de nos deparamos novamente com os personagens do primeiro filme, e essa atmosfera de perigo criada era apenas um aviso de que essa continuação seria intensa e também recheada de muitas sequências de ação. É possível se encantar com o reino dos Moros, do qual Aurora e Malévola fazem parte, todas as fadas, apesar de Aurora ser humana, além de testemunhar a constante rivalidade com Ulstead, da rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer), e sua imponência perante seu povo e sua obsessão pela paz e combate aos seus inimigos. Tudo é devidamente construído e perfeitamente encaixado e a partir da cena em que o casamento entre Aurora e o príncipe Phillip está prestes a se realizar, o espectador consegue se sentir fisgado por aquela atmosfera inquietante e cheia de frenesi. E as cenas de batalha são bem elaboradas e de aparência realista.

O universo dos personagens e os conflitos internos de cada um também chamam a atenção, e o caminho que percorrem até o fim da história também contribuem para o sucesso da trama. Mensagens acerca de ódio, amor, união e cumplicidade aparecem nos momentos-chave da história, e as batalhas comandadas por Ingrith, de um lado e Malévola, do outro são épicas, com explosões, nuvens de fumaça vermelha e raios verdes. O primeiro representa a cor do reino das Trevas, aliado de Malévola, e o verde, os poderes que somente ela tem e outras criaturas não. Os efeitos especiais são bem elaborados e tornam a jornada ainda mais excitante, além da imprevisibilidade das ações.

Mas não é só de tensão que é feito o filme, a trama se torna bastante divertida quando as fadas de Moros entram em ação durante o confronto e elas dão o ar de sua graça, num excelente jogo de luzes e poderes de arrancar muitos sorrisos e admirações. As batalhas apresentadas estão no estilo Game of Thrones, com muitas armas, artefatos e estratégias na organização dos Exércitos e o momento certo para a execução dos combates. De quebra, as líderes Ingrith e Malévola mostram porque essa obra é tão boa e se mostra até melhor que a primeira. A imponência e a força interior das personagens de Michelle Pfeiffer (Vingadores: Ultimato) e Angelina Jolie são ilustradas com muita segurança e personalidade pelas atrizes, que também convencem em cenas que exigem frieza e emoção. Elle Fanning (Espírito Jovem) não fica atrás. Com uma personagem frágil no início, ela cresce ao longo da narrativa e se torna essencial para a resolução do conflito, a chave para o fim da guerra e uma possível conciliação entre os reinos de Moros e Ulstead.

Divertido, ousado e envolvente. ‘Malévola: Dona do Mal’ impressiona por sua beleza estética, sua trama emocionante e imersiva e seus personagens fortes e carismáticos. Um convite àtoda a família para acompanhar um conto de fadas dos tempos atuais.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Projeto Gemini/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Projeto Gemini/ Cesar Augusto Mota

Multifacetado e dono de personagens de muito sucesso no cinema, Will Smith está novamente na área. Quem não lembra do agente Jay da trilogia ‘MIB’ (Homens de Preto), que chega a lutar com uma barata gigante? Ou então do detetive Mike Lowrey, que metia bala em todo mundo em ‘Bad Boys’? Nota-se que o ator possui tino para filmes de ação, além de competência para emplacar outros personagens lendários, como Muhammad Ali, o agente Spooner, de ‘Eu Robô’ e também o controverso Hancock, de ‘Esquadrão Suicida’. Desta vez você verá Will Smith enfrentando…Will Smith. Não, você não leu errado, esse é um detalhe de ‘Projeto Gemini’ (Gemini Man), novo longa de Ang Lee (As Aventuras de Pi), uma produção que foca na ação e com grandes efeitos especiais. Mas será que deu pé? Valeu a pena?

A narrativa acompanha Henry Brogan (Smith), um assassino de elite que considera se aposentar após anos e milhares de matanças. Ele se torna alvo de um agente (Clive Owen) de sua antiga agência, que tenta eliminá-lo com um clone mais jovem e ágil dele mesmo. Para descobrir o mistério por trás do perseguidor, ele contará com a ajuda da policial Danny (Mary Elizabeth Winstead) e de seu colega Baron (Benedict Wong). Astúcia e agilidade serão essenciais, mas Henry necessitará de muito mais para sair bem-sucedido de sua missão.

Quem lê a sinopse já fica empolgado e espera encontrar mais um longa de ação com lutas frenéticas, muitas balas, explosões e mortes. Mas, para que tudo funcione e soe interessante para o público, tudo deve começar por uma boa história. O roteiro foi assinado por três profissionais, entre eles Darren Lemke (Goosebumps: Monstros e Arrepios), David Benioff (Game of Thrones) e Billy Ray (Operação Overlord), mas o que vemos é uma sucessão de eventos sem nexo e personagens com pouca profundidade. Os diálogos são intensos e propagam muitos preceitos de cunho filosófico, regados por frases forçadas como ‘ele é o espelho que você não quer ver’, ‘estou cansado de lutar contra os fantasmas do passado’ e ‘abrace o medo e consiga superá-lo’.

O trio do bem, composto por Will Smith (Aladdin), Mary Elizabeth Winstead (Rua Cloverfield, 10) e Benedict Wong (Vingadores: Ultimato), não apresenta interações sólidas e que motivem o público a acompanhá-los ao longo da intensa jornada que se estabelece. Porém, com a entrada do clone na trama, a história ganha um pouco mais de fôlego e o público é brindado com intensas sequências de pancadaria e tiroteio. A resolução do conflito não é a mais positiva, e a reviravolta é um tanto decepcionante. O vilão, Clay Verris, vivido por Clive Owen (Valerian e a Cidade dos Mil Planetas), é unidimensional e bastante raso, que poderia ter sido mais bem trabalhado, com breves sequências sobre seu passado e sua relação com o clone Clay Junior, que é apenas ilustrada no tempo presente.

Se o enredo não é convincente, os pontos positivos dessa obra estão nos efeitos especiais e a tecnologia 3D+ empregada, com projeções de 60 FPS (quadros por segundo), trazendo uma nova experiência visual para a plateia. As imagens são mais realistas, com fagulhas saltando, balas atravessando os corpos e os personagens em grandes momentos de adrenalina, com toda a tensão deles sendo sentida pela proximidade da câmera e a respiração ofegante de cada um deles em um eficiente desenho de som. Ang Lee oferece cenas dignas e empolgantes para o espectador, mas a sensação é a de que dava para entregar muito mais.

Apesar da ótima tecnologia utilizada, de um diretor competente e um elenco composto por nomes de peso, ‘Projeto Gemini’ acabou por ser uma verdadeira colcha de retalhos, com diversos elementos misturados, mas sem a devida sintonia. Uma produção que tinha tudo para dar um grande resultado, mas que lamentavelmente se perde pelo caminho, para a decepção dos fãs do gênero ação.

Cotação: 2,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Enigma da Rosa/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Enigma da Rosa/ Cesar Augusto Mota

“Nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser sabido. Tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido, e o que falaste ao ouvido no interior da casa, sobre os telhados será apregoado.” (Lucas 12: 2,3). Essa passagem bíblica inserida na tela logo no começo da projeção já dá o tom do que vai acontecer em ‘O Enigma da Rosa’ (Bajo La Rosa), suspense espanhol de Josué Ramos, que traz um drama vivido por uma família de classe média, além dos segredos que cada membro esconde e que precisam a todo custo ser revelados.

A história se inicia com a pequena Sara (Patricia Olmedo), de 10 anos, que escondera de seus pais o boletim com uma nota baixa em matemática, sendo duramente repreendida por Julia (Elisabet Gelabert), sua mãe, que a castiga com a retirada de seu celular e sem poder sair de casa. Atrasadas para a escola, ambas saem às pressas, e logo no início da tarde a família é surpreendida com a demora da filha e o recado da diretoria de que Sara sequer foi à aula. Julia; Oliver (Pedro Casablanc), o pai; e Alex (Zack Gómez), o irmão mais velho, partem em busca de notícias, mas os dias passam e a angústia só aumenta por não saberem nada sobre o paradeiro de Sara. E eis que surge uma carta de alguém que diz tê-la sequestrado e que tem um claro desejo: falar com a família naquela mesma noite.

O roteiro apresenta ao espectador uma trama envolvente, que ilustra dor, apreensão e angústia de uma família por ver um membro em perigo de vida, além de elementos interessantes no que concerne à cultura medieval trazidos para os dias atuais. O título original, ‘Bajo La Rosa’, seria traduzido literalmente como ‘Sob a Rosa’, e, segundo a tradição, a rosa vermelha era inserida nos tetos das salas de reuniões e indicava que se existisse esse símbolo acima das cabeças das pessoas, os assuntos deveriam ser mantidos em segredo. E junto à carta que a família recebe, está a foto de uma rosa vermelha, que simboliza os segredos que aquelas pessoas guardam e precisam ser revelados. E ao se depararem com um homem de vestes escuras que diz estar com Sara e exige que todos falem a verdade, ele propõe um acordo inusitado: quem tivesse algo a dizer, deveria estar de frente para os demais e no fim pagar por seu erro com algum castigo, seja estabelecido por si mesmo ou pelo homem de preto.

Na medida em que as horas passam, o drama vai só aumentando, e a ansiedade de todos também, dos personagens e de toda a plateia que acompanha a narrativa. O que cada personagem revela não só surpreende como também causa espanto e também repulsa, a depender do que é contado. E, além disso, os castigos que cada um recebe chocam, um em grau mais branco e os outros cada vez mais cruéis. A forma como  a história é conduzida e como as dores de cada personagem são trabalhadas mantém o interesse do público, que quer saber um pouco mais sobre cada um deles antes de descobrir o que o homem de preto quer de fato ouvir para cumprir sua parte do trato, de trazer sã e salva a pequena Sara.

A profundidade dada à história, com três pessoas de personalidades distintas, mas bastante complexas, enriquecem a narrativa, com um adequado e equilibrado estudo sobre a personalidade humana, suscetível a vulnerabilidade, com mentiras e a facilidade de manipulações. E tudo isso perfeitamente bem conduzido pelo homem de preto (Ramiro Blas), que, mesmo exposto, conseguiu não só extrair tudo o que queria de suas vítimas, mas trazer grandes revelações ao público. A reviravolta que a trama dá é espetacular, e um grande segredo acaba por abalar a todos, e faz mudar o panorama em relação a um dos personagens, antes tido como inofensivo e passa a ter a reprovação de todos.

Com uma história angustiante, perturbadora e personagens controversos, ‘O Enigma da Rosa’ consegue fisgar a plateia e inseri-la em uma atmosfera sufocante e num caminho quase que sem volta. Por mais dura que possa ser a verdade, ela, mais cedo ou mais tarde, acaba por vir à tona. E não à toa que esta obra recebeu pouco mais de 30 prêmios pelo mundo e tem tudo para alcançar muito mais, com sua narrativa bem construída e seus personagens convincentes e autênticos.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Coringa/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Coringa/ Cesar Augusto Mota

“Em um mundo sombrio e marcado por adversidades, deve-se sempre levar alegria e risos à sociedade”. Esta frase foi dita por um famoso vilão das HQs em uma obra que já está provocando discussões, tanto positivas como negativas. Um dos filmes mais aguardados do ano e vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, “Coringa” (Joker), de Todd Phillips (Nasce Uma Estrela),mostra o icônico personagem do Universo DC por um outro ângulo, vivido pelo talentoso Joaquin Phoenix (Homem Irracional) que sempre se entrega de corpo e alma aos papéis que lhe são designados. O resultado foi positivo?

Arthur Fleck (Phoenix) é um aspirante a comediante que sofre de um distúrbio neurológico que o faz gargalhar de maneira descontrolada. Ele reside com Penny (Frances Conroy), sua mãe, e tenta levar a vida de uma forma saudável. Apesar de ela o desacreditar da carreira no humor, Arthur não hesita em realizar seu sonho, mas é sempre hostilizado e na medida em que o tempo passa e vai sofrendo violência física e psicológica, seu estado mental piora e ele acaba por se tornar um improvável e verdadeiro perigo para a sociedade.

Logo de início nos deparamos com um Arthur disposto a fazer as pessoas rirem e se esforçando nos shows de stand up, com monólogos e piadas com críticas ácidas a políticos e preconceitos em relação às minorias. Não é um Arthur mau, o causador do caos, mas um homem com sonhos, porém bastante perturbado. Um perfeito estudo psicológico é feito sobre o personagem central, que tenta se mostrar em estado de felicidade, mas que na realidade não goza desse sentimento. Trata-se, portanto, de alguém humilhado, oprimido e em estado de loucura.

Em seguida, notamos que Arthur mergulha de vez em um quadro irreversível quando se envolve em incidentes com policiais que estavam batendo de frente com manifestantes no centro de Gotham contra a candidatura de Thomas Wayne (Brett Cullen) à prefeitura, com mensagens hostis e protestos contra o precário sistema de saúde. De quebra, é humilhado em rede nacional por Murray Franklin (Robert De Niro), apresentador de um talk show, ao mostrar um vídeo de Arthur em seus shows de stand up e o apresentá-lo com deboche e de forma caricata. Isso tudo serviu para agravar seu psicológico e fazê-lo chutar o balde.

O Coringa retratado aqui é um retrato realista de alguém rejeitado e escrachado por uma sociedade marcada pela intolerância e preconceito, e largado às traças. A intenção do filme não foi humanizar o famoso vilão e maior rival do Batman, mas o de mostrar que existem pessoas como Arthur Fleck que sofrem violência e bullying, além de não serem amparadas pelo Estado, com políticos que fazem falsas promessas e que se mostram como salvadores da pátria. Esse é o mundo visto na visão de Arthur, de uma sociedade que o maltrata, mas ele segue por um rumo errado para tentar superar tudo o que o aflige.

E para esse filme funcionar, para essa nova versão do Coringa ser envolvente e impactante, não poderia esquecer de abordar a atuação de Joaquin Phoenix, que deu profundidade ao personagem e apresentou uma impressionante linguagem corporal para ilustrar sua angústia, estado de melancolia e raros momentos de descontração. O corpo magro e com os ossos à mostra, além de seus movimentos bruscos mostram o peso enorme que carrega e todos os seus conflitos internos, sem ficar dependente dos diálogos. A forma como interage, além dos closes feitos em seu rosto e a maneira como olha para a câmera fazem o personagem de Phoenix ter maior aproximação com o público, que vê mais o Arthur Fleck do que propriamente o Coringa.

Em tempos de violência e intolerância, ‘Coringa’ é um filme que liga o sinal de alerta no meio social e mostra que existem muitos Arthurs Fleck ao nosso redor e ao mesmo tempo uma sociedade em meio à corrupção e representantes questionáveis, como retratado na narrativa. Uma produção para dar um choque, chamar a atenção e também para entreter com cenas fortes e alguns momentos cômicos. Em dados momentos, é melhor rir do que chorar de determinada desgraça.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota