Poltrona Cabine: 120 Batimentos por Minuto/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: 120 Batimentos por Minuto/ Cesar Augusto Mota

Você que curte filmes alternativos e sempre quis ficar por dentro do cotidiano de grupos ativistas, suas constantes lutas e principais ideologias defendidas, agora irá se deparar com uma obra didática, institucional e de grande valor humanitário. ‘120 Batimentos por Minuto’, produção francesa dirigida por Robin Campillo, chega para alertar e abrir os olhos de muita gente.

A história apresenta o grupo ACT UP, fundado na França em 1989, que luta pelos direitos dos portadores do vírus HIV e defende iniciativas por melhorias no tratamento e prevenção em relação à doença. Não só o cenário da época é retratado, como também são traçados os devidos contornos, como tensões, medos dos pacientes, os preconceitos vividos por eles e os prazeres deles em seu cotidiano, apesar do terrível diagnóstico que tiveram. Tudo é mostrado de forma honesta, com muita abrangência e veracidade.

Na medida em que o filme transcorre, vamos conhecendo cada integrante do movimento, as ideologias defendidas, bem como o dia a dia de muitos deles, seus deleites, diversões e também seus amores. Tudo mostrado de uma maneira suave e que não dê margem a julgamentos, até chegar na questão central, de mobilizar as indústrias farmacêuticas e o poder público por tratamentos e medicamentos mais eficientes no prolongamento da vida dos pacientes, bem como mostrar as falhas cometidas nas redes de saúde e também no fabrico dos medicamentos. Alguns lemas são apresentados ao espectador: é preciso exigir melhora, e também é necessário prevenção contra doenças venéreas e, mais do que tudo, sobreviver.

O roteiro, como já dito, mostra uma trama regada por muitas ações encadeadas, em torno de objetos uniformes, mas em dados momentos ocorrem exageros, uso de meios ardis e agressivos, mas justificados, no caso a necessidade dos manifestantes serem ouvidos e na tentativa de acabar com preconceitos em relação à grupos de minorias e ainda enraizados na sociedade contemporânea. Apesar de alguns momentos fugirem ao controle, a intenção do diretor em levar para as telas e mostrar ao público o universo do movimento ativista e tudo o que o cerca, com simpatizantes e opositores, é bastante válido, retrata também o que a sociedade brasileira atualmente vivencia.

As atuações do elenco são harmônicas, muito coesas e conseguem imprimir sinceridade para o espectador. A fotografia, com alguns jogos de luzes em cenas noturnas, nos trazem um certo deleite e alívio, pois trata-se de uma história com muita vibração, barulho e que dá uma boa chacoalhada em quem acompanha. A montagem é precisa, e é o principal elemento para nos mostrar com eficiência as principais propostas da história, que funcionam muito bem.

Ficou curioso? Não deixe de ver ‘120 Batimentos por Minuto’, seu coração vai pulsar forte e você terá outra visão de mundo, é preciso ampliar estar alerta, mas também ampliar os horizontes.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

O Muro retrata polarização brasileira e tem estreia dia 10 no Festival do Rio

O Muro retrata polarização brasileira e tem estreia dia 10 no Festival do Rio

A polarização da sociedade brasileira conflagrada pela maior crise política e econômica do Brasil e seu paralelo no mundo são investigados em “O muro”, longa-metragem dirigido pelo cineasta Lula Buarque de Hollanda que tem pré-estreia na mostra Novos Rumos, da Première Brasil, no Festival do Rio, hoje, dia 10 de outubro, às 20h15.

A narrativa de “O muro” se desenrola ao longo da série de manifestações que tomou o país nos meses que antecederam o impeachment da presidente Dilma Rousseff em agosto de 2016, e constrói com uma estética experimental, na fronteira entre o documentário e a videoarte, um retrato urgente do Brasil atual. O documentário testemunha manifestantes de campos rivais compartilhando seus pontos de vista contrastantes enquanto posam para retratos “em movimento”. E também se dedica a uma outra leitura dos fatos, ao entrevistar pensadores, cientistas políticos, historiadores, filósofos, acadêmicos e brasilianistas.

O filme nos leva até a Alemanha, em busca da sombra do lendário Muro de Berlim, e a Israel, onde o muro que separa israelenses e palestinos simboliza a recusa em coexistir. E joga luz sobre o recente avanço da extrema direita no Brasil e no mundo, examina a complexidade do momento, mescla depoimentos conflitantes e mostra, no caso do Brasil,  um denominador comum: a postura de uma sociedade em franca transformação, onde a distopia parece ser o denominador comum, exigindo uma nova forma de se fazer política.

Financiado pelo Fundo Setorial do Audiovisual (PRODAV 01/2013), o longa-metragem foi produzido com exclusividade para o Curta! pela Espiral Criação e pela Produção Cultural. Na TV, o documentário estreia com exclusividade no Curta! em 2018.

 

Festival do Rio traz Orquestra Sinfônica e Mostra de Realidade Virtual para o feriado do dia 12

Festival do Rio traz Orquestra Sinfônica e Mostra de Realidade Virtual para o feriado do dia 12

O Festival do Rio vai movimentar a Cinelândia no feriado do dia 12 de outubro. No teatro Riachuelo, a Orquestra Petrobras Sinfônica fará um concerto com trilhas sonoras de filmes de Tim Burton. Já o projeto “Rio, Pipoca & Biscoito” trará ao palco do Teatro Rival a diversidade de estilos e sonoridades de um time de artistas da nova geração composto por: Silvia Machete, Rico Ayade, Caio Prado, João Fênix, Filipe Catto e Chicas. A Mostra de Realidade Virtual, que é gratuita e acontecerá entre os dias 12 e 15 de outubro, levará ao Centro Cultural Justiça Federal uma seleção de cinco filmes e um game em experiências de imersão total a partir de um óculos de realidade virtual.

 

Serviço:

 

Teatro Rival Petrobras (Rio, Pipoca & Biscoito)

Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Centro/Cinelândia – Rio de Janeiro

(21) 2240-9796

Abertura da casa: 1h antes do show

Capacidade: 400 pessoas

Censura: 18 anos

Horário dos shows: início às 20 horas

Bilheteria: terça à sexta das 13h às 21h; sábados e feriados das 16h às 22h.

VENDA DE INGRESSOS ONLINE: www.eventim.com.br (com cobrança de taxa de conveniência)

Aceitamos cartões de crédito e débito.

Abertura da casa: 1h antes do show

 

Preços:

Dias 10 e 11: R$ 60 e R$ 30,00 (1º lote) / R$80,00 e R$ 40,00 (2º lote)

Dia 12: R$50, 00 e R$25,00 (1º lote ) R$60,00 e R$30,00 no dia.

 

 

Teatro Riachuelo (OPES + Tim Burton)

 

Data: 12 de outubro

Horário: 17h

Local: Teatro Riachuelo Rio – Rua do Passeio, 38 – Centro

Telefones: (21) 2533-8799

Entrada: R$22,00 (inteira)/ R$11,00 (meia)

Classificação: livre

 

Centro Cultural Justiça Federal (Mostra de Realidade Virtual)

Av. Rio Branco, 241 – Centro

Data: de 12 a 15 de outubro

Horário: das 12h às 19h

Entrada franca

 

Sobre o Festival do Rio

 

O Festival do Rio 2017 exibe 250 filmes de mais de 60 países, espalhados por 15 mostras em cerca de 20 locais de exibição da cidade e recebe profissionais do audiovisual para seminários e workshops, realizar debates, reunir música, cinema, realidade virtual e muito mais. De 5 a 15 de outubro, o público vai ter a oportunidade de conferir os filmes mais comentados, descobrir raridades, votar no melhor da Première Brasil, participar de debates, sessões especiais com a presença de personalidades do cinema mundial e palestras e oficinas gratuitas no RioMarket.

 

 

Poltrona Cabine: Me Chame Pelo Seu Nome/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Me Chame Pelo Seu Nome/ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme que você acompanha e após a sessão o considera uma obra-prima, uma alegoria, um tributo à beleza e à vida? Assim defino ‘Me Chame pelo seu Nome’, filme de Luca Guadagnino, baseado no romance homônimo “Call Me By Your Name”, do egípcio André Aciman, obra que virá forte para a temporada de premiações e cotado para Oscar de melhor filme em 2018.

A história acompanha Elio Perlman, (Timothée Chalamet) único filho de uma família americana com ascendência italiana e francesa. O jovem músico vive mais um verão preguiçoso na casa dos pais em uma belíssima paisagem italiana, e tudo começa a mudar após a chegada de Oliver (Armie Hammer), estudante de Arqueologia, que vem para auxiliar na pesquisa do pai de Elio, que é professor e também especialista em arte greco-romana.  A beleza, espontaneidade e o alto grau de intelectualidade de Oliver começam a encantar a todos, principalmente a Elio.

O roteiro apresenta uma narrativa despretensiosa, mas cheia de elementos enriquecedores e fascinantes. A família é desprovida de tabus, vive em um ambiente repleto de culturas, com diálogos em inglês, francês e italiano, predomina o apoio incondicional de todos a Elio, com incentivo a ele para ser o que deseja e há estimulo à liberdade, inclusive a de identidade sexual. Temos um protagonista que não é podado e que está vivendo uma fase de transformações, não apenas físicas, mas de identidade.

A direção de arte é primorosa, com belas paisagens na Itália e perfeitas simulações dos anos 80, trazendo ar de nostalgia para os mais velhos e um certo romantismo, com um jovem descobrindo o amor e perdendo a inocência, lembrando um pouco o filme “Beleza Roubada”.

Os atores demonstram segurança e com atuações sensíveis e que se sobressaem. Chalamet apresenta um adolescente inicialmente despreocupado e sem pretensões, mas depois bastante receoso e com ânsia pelo desejo, pela necessidade de conquista e disposição de se desprender do caos e se estabelecer. Já Hammer suplanta a atuação de Chalamet, com um Oliver também em busca da afirmação, e que projeta no outro uma busca por maturidade, que incrivelmente ainda não havia atingido, mesmo nos altos de seus 24 anos.

O roteirista James Ivory construiu um roteiro que foi muito bem conduzido por Guadagnino, com equilíbrio entre sutileza e exagero, sem uso de atos explícitos e alguns momentos subentendidos, como o sentimento entre Elio e Oliver, atiçando ainda mais a curiosidade e a atenção do espectador. Não há margem para o previsível, tudo acontece de maneira harmônica, inesperada, com uma beleza estética sem precedentes, além de elementos muito bem articulados na construção da história, dos personagens e nas interações entre eles.

‘Me Chame pelo Seu Nome’ é um tributo ao amor, à arte, às pequenas coisas da vida e um culto à liberdade do ser e do pensamento. Uma obra que aborda com naturalidade os problemas do cotidiano, além de apresentar belíssimos contornos e cenários contagiantes. Não deixe de assistir!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Julia Rezende apresenta Como é cruel viver assim no Festival do Rio

Julia Rezende apresenta Como é cruel viver assim no Festival do Rio

A cineasta Julia Rezende vai apresentar no Festival do Rio o seu quinto longa-metragem, Como É Cruel Viver Assim. Segundo a própria diretora, um projeto completamente diferente de seus outros filmes (Meu Passado Me Condena 1 e 2, Ponte Aérea e Um Namorado Para Minha Mulher). “Como É Cruel Viver Assim trata de questões como ética, moral, auto-estima, esperança, violência. Quatro personagens em busca de um lugar ao sol, quatro solitários
incapazes de realizar qualquer coisa que dê sentido às suas vidas empobrecidas e sem rumo. Discutir isso no cinema é uma oportunidade de refletir sobre a falta de perspectiva desse momento em que vivemos”, diz
Julia, que repetiu a parceria com o diretor de fotografia Dante Belutti e filmou em dezembro de 2016 no Rio, em locações em Nilópolis, Marechal Hermes, Centro e Barra da Tijuca.

Produzido por Mariza Leão e Erica Iootty, Como É Cruel Viver Assim tem roteiro de Fernando Ceylão, em uma narrativa ácida que mistura drama, humor e melancolia. Os protagonistas, interpretados por Marcelo Valle, Fabiula
Nascimento, Silvio Guindane e Debora Lamm, decidem fazer algo importante e armam um plano absurdo: sequestrar um milionário. Mas não têm nenhuma experiência com crimes nem noção do que essa operação pode envolver. O elenco também conta com Paulo Miklos, Otávio Augusto e Milhem Cortaz, que
fazem um trio de bandidos, e Zezeh Barbosa, além de uma participação especial de Marcius Melhem, no papel de um farmacêutico.

Na história, Vladimir (Marcelo Valle) está desempregado e perdido na vida. Ele vai entrando em um espiral de desespero, que piora cada vez que escuta sua mulher, Clívia (Fabiula Nascimento), dizer que sonha com uma linda festa de casamento. Eis que surge Regina (Debora Lamm), uma amiga do casal, e propõe uma virada de mesa. O plano, tratado como se fosse simples e infalível, é sequestrar seu ex-patrão, riquíssimo. Vladimir resolve arriscar
tudo, certo de que essa é sua grande oportunidade de realizar algo grandioso e de se sentir respeitado pela primeira vez na vida. Ele convida Primo (Silvio Guindane) para completar o time e os quatro começam a tratar dos
detalhes do que parece ser o grande golpe de suas vidas. Enquanto tomam as providências práticas, revelam-se suas frustrações, ambições e medos.

O filme será distribuído pela H2O Films e Universal e tem lançamento nos cinemas previsto para o primeiro trimestre de 2018.

No Festival do Rio, participa da Mostra Competitiva Principal Ficção da Première Brasil, com sessões nos dias:

11 de outubro – Cinépolis Lagoon, às 21h40
12 de outubro – Cine Odeon, às 16h
13 de outubro – Kinoplex São Luiz 1, às 21h30

 

ELENCO – PERSONAGENS

Marcelo Valle – Vladimir
Fabiula Nascimento – Clívia
Deborah Lamm – Regina
Silvio Guindane – Primo
Paulo Miklos – Luiz
Milhem Cortaz – Flávio
Zezeh Barbosa – Mãe
Otávio Augusto – Velho

FICHA TÉCNICA

Direção – Julia Rezende
Produção – Mariza Leão e Erica Iootty
Roteiro – Fernando Ceylão
Fotografia – Dante Belluti
Direção de Arte – Margherita Pennacchi
Figurino – Mel Akerman
Maquiagem – Martin Macias
Som direto – Felipe Machado
Montagem – Maria Rezende
Produção executiva – Camila Medina

SINOPSE
Solitários, frustrados e incapazes de realizar qualquer coisa que dê sentido às suas vidas, Vladimir, Clivia, Regina e Primo armam um plano absurdo: sequestrar um milionário. Porém, o quarteto não tem nenhuma experiência com
crimes e nem noção do que essa operação pode envolver. Enquanto tomam as providências práticas, revelam-se seus medos e ambições. Com Marcelo Valle, Fabiula Nascimento, Silvio Guindane, Debora Lamm, Paulo Miklos, Otavio
Augusto e Milhem Cortaz. Drama. Direção: Julia Rezende.