Poltrona Cabine: Planeta dos Macacos: A Guerra/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Planeta dos Macacos: A Guerra/ Cesar Augusto Mota

Que a franquia ‘Planeta dos Macacos’ é sinônimo de sucesso, isso não podemos negar. Adaptado do romance  La Planète des Singes, do escritor francês Pierre Boule, de 1963, surgiu o primeiro filme, em 1968, de Franklin J. Schaffner, e mais outros sucessos surgiram. Foram ‘Planeta dos Macacos’, de Tim Burton (2001), além de ‘Planeta dos Macacos: A Origem’ (2011), de Rupert Wyatt, e ‘Planeta dos Macacos: O Confronto’ (2014) de Matt Reeves. E o que dizer desse novo filme, também de Reeves, que está chegando ao circuito nacional e que encerra uma trilogia?

Em ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’, da Fox Films, a raça humana passa a enfrentar uma grande ameaça, de um vírus que confere capacidade cognitiva a um grupo de macacos e faz o homem chegar ao seu estado primitivo e sem possibilidade de fazer comunicação verbal. Um grupo de homens, liderados pelo impiedoso Coronel, entendem que para salvar a espécie devem enfrentar o grupo de símios liderados por César e exterminá-los. Para César, é a chance de lutar pela salvação de sua família e também de sua raça.

Nota-se uma diferença abissal de comportamento em César em ‘O Confronto’ para ‘A Guerra’. No primeiro filme, ele se mostra bastante rebelde e inconsequente, no segundo é mais clemente e um tanto reservado, acumula ódio e lembranças da morte de Koba, seu arqui-inimigo. Mas isso não faz o público diminuir a empatia pelo personagem, brilhantemente interpretado por Andy Serkis, pois ele mostra um lado mais emocional e nos ajuda a compreender sua dor e seu sentimento de alívio em alguns momentos, além de mostrar uma postura corporal imponente e intimidante. Além de César, o Coronel, com a atuação de Woody Harrelson, também se destaca, por sua personalidade forte e implacável e movido por muita força e coragem na luta pela salvação da raça humana, indo até as últimas consequências.

A trama não traz apenas Coronel e César como as principais figuras, temos também o chimpanzé Rocket, o orangotango Maurice, o gorila Luca, além da garotinha Nova (Amiah Miller), que não fala, mas forma junto com eles uma espécie de exército e que vai lutar com todas as forças pela salvação e preservação dos símios. A interpretação de todos os que compõem esse núcleo, bem como os humanos, é de se reverenciar, e junto aos efeitos especiais empregados, deu um ar mais carregado e mais emoção nos confrontos, mesmo o foco do filme não ser a guerra em si.

As locações utilizadas, bem como a fotografia do filme, são impressionantes, com cenas rodadas em cenários com muito gelo e escuridão, e ambas conseguem refletir o sentimento de César, de semblante abatido, bastante retraído e tomado por raiva, mas capaz de mostrar misericórdia pelos humanos, como bem demonstra.

Se era esperado um filme com entretenimento e muita ação, não é o que acontece. A produção foca mais em desenvolver cada personagem, traçar um paralelo entre homens e macacos e procurar uma reflexão, sobre o que separa um do outro e levantar algumas virtudes, de os humanos terem facilidade em se adaptar a determinadas situações e os símios com maior chance de sobreviver a um cenário caótico. A narrativa é bem estruturada, mas é prejudicada na reta final da trama, por conta de sua lentidão, além de não entregar tudo aquilo que poderia. Mas faz um trabalho eficiente com todo o seu elenco, fotografia, montagem e trilha sonora de Michael Giacchino, de ótima qualidade.

Se peca em alguns elementos, ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ apresenta excelentes recursos técnicos, além de valorizar o legado de César. Uma trilogia que se encerra com gosto de quero mais.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki

Poltrona Cabine: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki

Quando se fala de filmes que trazem lutas de boxe com certeza você se lembra de filmes como ‘Rocky: O Lutador’ e ‘Touro Indomável’, não é verdade? ‘O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki’, produzido pela Zeta Filmes, tem um foco bem diferente e sem dúvida vai impressionar você.

A história acompanha o pugilista finlandês Olli Maki (Jarkko Lahti), recém-saído do boxe amador, que recebe uma chance única em sua vida: decidir o título mundial dos Peso-Penas em casa e contra o atual campeão, o norte-americano Davey Moore.O filme de Juho Kuosmanen nos mostra os acontecimentos antes da luta, com Olli sendo orientado por seu técnico, Elis Ask (Eero Milonoff), não só durante os treinos pesados e intensos, como também em relação ao comportamento que o atleta deve ter para com a imprensa e o público. Além da preparação, vemos também o relacionamento raso que Olli tem com Raija (Oona Airola), uma jovem completamente diferente dele, mais cativante e receptiva, mas que está sempre ao lado do lutador, para o que der e vier.

Percebe-se um Olli com postura completamente oposta a de um candidato a ídolo e um homem disposto a nadar contra a maré e ditar as regras do seu jeito. Olli ama o boxe e adora treinar, mas demonstra não se mostra preparado para lidar com a pressão de se tornar um herói nacional. Ele é constantemente cobrado para vencer, mas odeia dar entrevistas, tirar fotos e participar de eventos com patrocinadores, e sempre com um discurso modesto, do tipo ‘Vamos lutar e ver o que acontece’. Não há uma ambição pelo triunfo e, consequentemente, o título mundial dos Penas.

A narrativa apresentada é com a intenção de abordar a pressão que o ser humano sofre pela conquista da vitória, bem como o jogo de cintura para lidar com regras impostas pela sociedade e o mercado capitalista. A pessoa deve sempre estar na moda, andar com carrões, estar rodeado de mulheres bonitas e ostentar roupas caras. E Olli não se impressiona com nada dessas coisas.

A fotografia e as cenas feitas em plano fechado são formidáveis, bem como as filmagens em preto e branco, lembrando um documentário, mostrando a rotina de Olli e os bastidores de preparação para a luta do ano. Tomadas isoladas, como cenas em que Olli anda por corredores vazios e quando ele corre com uma pipa pela floresta refletem bem o sentimento de solidão do protagonista.

A relação de conflito com o técnico Elis e o romance com Raija, dois fatos que não combinam com a rotina de um postulante a título mundial, são bem articuladas durante a história, um lado delicado e humano nunca antes visto em Olli é apresentado ao espectador. O foco inicial era o da expectativa de criação de um herói nacional, mas o isolamento e prostração de Olli acabam por ser primordiais para mostrar que a felicidade pode estar onde você quiser, não necessariamente em um projeto.

‘O Dia Mais Feliz da Vida de Oli Maki’ é uma obra-prima, que trata de esporte, mas com foco maior nos sentimentos e também com uma análise social impactante, sobre uma sociedade cada vez mais consumista e obcecada pelo desejo do ser e parecer, o culto à imagem, presente ainda mais nos dias de hoje. Estar em evidência já era uma obsessão, ainda mais na atualidade, numa sociedade cada vez mais moderna e globalizada. Uma autobiografia e um filme épico, não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Como se Tornar um Conquistador/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Como se Tornar um Conquistador/ Cesar Augusto Mota

Ninguém conseguirá viver feliz se se sentir com medo e o que ganhamos é pelo que trabalhamos e não o que desejamos. Esses dois pensamentos estão presentes em ‘Como se Tornar um Conquistador’, filme do diretor Ken Marino, com o protagonismo de Eugenio Derbez e um elenco de peso, composto por Salma Hayek, Rob Lowe, Michael Cera, Kristen Bell e Raquel Welch. Uma história cômica e didática que sem dúvida vai envolver você.

Máximo (Derbez) é um homem que sonha em viver uma vida de luxo, com muitos carros, empregados, mas sem levantar uma palha para isso. O mulherengo utiliza de suas táticas de sedução para atrair mulheres mais velhas e ricas e atingir seu objetivo, viver com sombra e água fresca. Mas tudo começa a mudar para ele quando após 25 anos de casamento é trocado por um rapaz mais jovem (Michael Cera) e perde todos os bens. A situação obriga Máximo a viver com Sara (Hayek), uma irmã distante e com quem não possui uma boa relação, e o sobrinho Hugo (Raphael Alejandro), um garoto meigo, intelectual e um tanto problemático. O que parece ser tranquilo torna-se algo complexo, pois Máximo nunca soube o que é realmente uma família e terá que aprender a conviver com Sara e Hugo, além de buscar trabalho, que nunca exerceu.

Durante a convivência com o sobrinho, Máximo descobre que Hugo nutre uma paixão secreta por Arden (Mckenna Grace), colega de escola, mas ele não tem coragem de chegar e falar com ela. E Sara tem uma leve queda por seu vizinho, mas ela não se sente pronta para um novo relacionamento após a morte do marido. Entra na história a avó de Arden, Celeste (Welch), uma senhora idosa e milionária, e Máximo vê nela a oportunidade de retomar à sua vida de ostentação, e para conseguir conquistá-la ele vai ajudar irmã e sobrinho para conseguir se aproximar de Celeste. Uma grande bola neve é formada durante a trama e que pode causar muitos estragos.

O roteiro, assinado por Chris Spain e Jon Zack, nos apresenta uma história com importantes mensagens, como a importância de se ter um trabalho, a busca pela felicidade e a importância da família, e aos poucos o protagonista vai descobrir o valor de cada um desses itens, além de se revelar um homem de bom coração, apesar de se mostrar um tanto egoísta e vaidoso em boa parte das ocasiões.

Além disso, os recursos utilizados para se transmitir as mensagens, como o uso de situações tragicômicas em alguns momentos e atitudes mais sérias em outros funciona bem, não torna a história vazia e sem propósito. Tudo é feito na medida certa, e os atores foram capazes de transmitir o que o filme propôs, uma divertida comédia, dosada de momentos reflexivos.

Os atores mostraram uma química incrível, a parceria entre Salma Hayek e Eugenio Derbez deu muito certo, e o desempenho de seus personagens, dois irmãos tão diferentes, mostra que nem sempre é tarde para recomeçar e que tudo pode ser reparado. O núcleo de conflito da história também funciona, as situações mais arriscadas e complicadas conseguiram arrancar o melhor de Máximo, além de proporcionar boas risadas com alguns momentos cômicos, como na festa de Arden, onde Máximo tenta conquistar Celeste.

Fique ligado, ‘Como se Tornar um Conquistador’ vai fazer você rolar de rir e dar mais valor à vida, não perca sua estreia por nada. Com distribuição da Paris filmes, o longa chega ao circuito nacional em 27 de julho de 2017, confira!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Em Ritmo de Fuga/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Em Ritmo de Fuga/ Cesar Augusto Mota

A música e o cinema representam uma combinação perfeita, não é mesmo? E o que você acharia de um filme que trouxesse uma trilha sonora para cada cena e de acordo com as situações e estado de espírito dos personagens? Assim é ‘Em Ritmo de Fuga’, o novo filme do diretor Edgard Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) com um contexto composto por perseguições policiais, intrigas, romance e muitas reviravoltas.

Baby (Ansel Elgort) é um jovem que perdeu os pais muito cedo num acidente e que sofre de problemas auditivos. Muito por conta dessa deficiência, ele passou a se conectar ainda mais com a música e seu passatempo predileto é ainda mais acentuado quando está ao volante. A partir do momento em que se envolve com uma organização criminosa chefiada por Doc (Kevin Spacey), Baby se torna o piloto de fuga e participa de assaltos intensos e loucas perseguições.

Apontado pelo chefe como talismã, Baby vê sua responsabilidade aumentar ainda mais diante das missões, assim como cresce a confiança entre ele e Doc. Além dele, se destacam no grupo o casal Buddy (Jon Hamm) e Darling (Elza Gonzalez), Griff (Jon Bernthal) e Bats (Jammie Foxx), que desconfia bastante das habilidades de Baby e das atitudes do garoto durante a história.

Com o passar do tempo, nota-se que Baby não está tão eufórico com sua nova rotina e pensa em largar o trabalho, e quando se envolve com Débora (Lily James), uma jovem que trabalha como garçonete e também apaixonada por música, a vida de Baby dá um giro de 180º e sua vontade de deixar o mundo do crime parece que vai se consumar, mas o envolvimento com a organização de Doc e uma nova missão, a de roubar uma agência dos Correios, torna tudo ainda mais difícil. Baby se vê numa enorme cilada, e um grande dilema surge para ele: como largar tudo e ficar com Debbie?

Do meio para o fim da narrativa, muitas surpresas surgem, várias reviravoltas acontecem e as músicas que são executadas trazem mais emoção, até o desfecho. A sinergia entre cada canção e a cena que está se desenrolando é de impressionar, isso promove uma capacidade maior de envolvimento do espectador com a narrativa, além das emoções que os personagens transmitem. Como dito antes, a trilha sonora é o ponto alto, mas também o roteiro e a direção de arte, ambas de impressionar. O que parece ser mais um filme de perseguição e tiroteio traz muito além de tudo isso, e tem de tudo um pouco, humor, ação, amor e um final para deixar todos de queixo caído. E as batidas e explosões que acontecem foram cirúrgicas e muito bem produzidas, tudo muito alucinante e eletrizante.

As atuações de todo o elenco também são ingredientes para o sucesso do filme, principalmente de Lily James e Ansel Elgort, a sincronia e parceria que os dois demonstraram durante a trama é para se aplaudir de pé, e mesmo sendo um personagem criminoso, você torce para que Baby e Debbie fiquem juntos, você não olha para os dois com reprovação, apesar de ser um relacionamento que teoricamente não daria certo. E o desdobramento das ações de Buddy e Bats também foram primordiais para que a produção tivesse esse rumo, um filme de ação envolvente e com muitas peripécias. Parabéns também para Jon Hamm e Jammie Foxx.

O diretor Edgard Wright fez um excelente trabalho, que muito mais aventuras como essa surjam no futuro e que sejamos agraciados com mais filmes criativos, emocionantes e cenas alucinantes. ‘Em Ritmo de Fuga’ chegará aos cinemas brasileiros em 27 de julho, com distribuição da Sony Pictures. Imperdível!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Carros 3/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Carros 3/ Cesar Augusto Mota

Mais um filme da franquia ‘Carros’, da Disney Pixar, acaba de chegar ao circuito nacional. O CEO do estúdio de animação, John Lasseter, aposta em uma produção que explora um lado mais saudosista e humano, tendo em vista o fracasso de bilheteria dos filmes anteriores. Será que ‘Carros 3’ vale a pena?

O corredor Relâmpago McQueen, carro vermelho de número 95 e com carreira vitoriosa na Copa Pistão, acaba sofrendo um grave acidente e se deparando com carros mais avançados e ágeis, o que o faz pensar seriamente em se aposentar. Mas o competidor reluta contra a ideia e pensando em prolongar um pouco mais sua carreira, acaba contratando uma nova treinadora, Cruz Ramirez, que vai ajudá-lo com atividades que envolvem simuladores ultramodernos e corridas de destruição em espaços rurais.

O lado nostálgico também pesa na trama, com cenas do mentor Doc Hudson, maior inspirador e incentivador de McQueen, um dos principais personagens que evita que o carro 95 desista de vez da carreira no automobilismo e o mobiliza a correr nas 500 milhas da Califórnia, que pode dar uma sobrevida a ele ou significar o fim de uma brilhante carreira em caso de fracasso. Foi uma grande jogada incluir Doc Hudson, suas inserções são precisas e corretas na história.

Seu maior rival, Jackson Storm, com sua arrogância e autoconfiança que lhe são peculiares, dá sua vitória nas 500 milhas como certa, mas não contava com um preparo especial de McQueen e o apoio incondicional da equipe dele. A batalha entre ambos promete ser um duelo de titãs, com muita estratégia, habilidade e altas doses de adrenalina, além de algumas surpresas e uma grande reviravolta que ocorre durante a prova.

Somos também brindados com uma excelente qualidade gráfica e um perfeito jogo de cores, pensamos em alguns momentos se tratar de um filme em live action, além do design da pista onde a corrida ocorre, lembra muito a que recebe provas da Fórmula Indy e até mesmo da Nascar, um show de qualidade e grafismo.

‘Carros 3’ traz mensagens importantes, sobre lembranças, superação e humildade. Devemos reconhecer nossas qualidades, defeitos, novos limites, saber o que corrigir, encontrar motivação e o principal, o momento certo de parar. O filme proporciona momentos divertidos, tensos, emocionantes e importantes reflexões. Se está longe de ser inesquecível, promove boas experiências, vale o ingresso.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota