Poltrona Cabine: Despedida em Grande Estilo

Poltrona Cabine: Despedida em Grande Estilo

Nas primeiras cenas de “Despedida em Grande Estilo”, remake do sucesso de 1979 e que será lançado pela Warner nesta quinta-feira (06), a primeira impressão que você terá é que Willie (Morgan Freeman), Joe (Michael Caine) e Albert (Alan Arkin), três idosos e amigos de longa data, levam uma vida tranquila após a aposentadoria. Mas não é o que parece.

O primeiro vive uma vida distante, mas se comunica com a filha e a neta via Skype, o segundo participa da criação da neta e todos os dias a deixa na porta da escola, sendo considerado por ela seu melhor amigo. Já o terceiro aproveita o tempo dando aulas de saxofone, com destaque para um aluno gordinho, desajeitado e neto de uma mulher que nutre pelo professor uma paixão secreta. Até aí nada de mais, mas uma bomba cai sobre esses velhinhos, mudando os rumos das vidas de cada um: a aposentadoria deles é cortada pelo banco, que vai congelá-las e utilizá-las para saldar contas.

O que parece ser o fim é só o começo de uma jornada que promete levar os três protagonistas para uma situação arriscada e ao mesmo tempo divertida: o assalto ao mesmo banco que reteve as aposentadorias. Para Willie, Albert e Joe, tratava-se de uma questão pessoal, pois repentinamente perderam suas fontes de renda e não queriam decepcionar as pessoas que amam por não terem meios para se manter. Além disso, não tinham mais nada a perder, tendo em vista que já não existia tanta expectativa de que poderiam prolongar um pouco mais a vida, isso na visão de Joe, que teve a ideia após vivenciar um assalto à referida agência bancária.

A forma utilizada para contar a história é muito bem construída, com as trajetórias de vida dos personagens principais colocadas em sincronia e com ótimos jogos de cena e enquadramentos, além da construção do plano para o assalto, a formulação do álibi e do plano de fuga. O enredo não cansa, não há cenas arrastadas e o ritmo dos acontecimentos é alucinante, que ficará ainda maior com a perseguição aos assaltantes por um detetive que não dá o braço a torcer, interpretado magistralmente por Matt Dillon. Há a possibilidade de tudo ser desvendado, graças a uma pequena trapalhada do trio. Não existe crime perfeito.

Na medida em que a trama vai evoluindo, o espectador fica curioso para saber o que vai acontecer em seguida, isso graças ao bom roteiro e também às atuações de Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin, que pareciam se entender com um simples olhar, cada um sabia como se portar em cena e o que deveria fazer. Mesmo se tratando de um negócio ilegal e por conta do carisma dos três personagens, há uma torcida para que eles fossem bem sucedidos na missão e saíssem ilesos.

O trabalho do diretor Zach Braff é fora de série, pois junta numa mesma produção três grandes nomes e consegue fazer uma história tensa e de grandes proporções se desenrolar de uma maneira que prenda a atenção de todos e ao mesmo tempo proporcione diversão a quem acompanha. Destaque também para a direção de arte, que faz ótimas referências a filmes de sucesso e também a ícones importantes na história do cinema, sem falar das cenas na lendária cidade de Nova York.

Ficou curioso com “Despedida em Grande Estilo”? Não perca a estreia dessa grande produção, você vai se amarrar e vai torcer pelos velhinhos simpáticos da trama, vale a pena!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Cabana

Poltrona Cabine: A Cabana

Baseado no best-seller do escritor canadense William P. Young, ‘A Cabana’ estreia nos cinemas brasileiros em 6 de abril e vem para transmitir importantes mensagens sobre amor e perdão, principalmente numa época de intolerância e de intensos conflitos no mundo em que vivemos. No elenco, destaque para Octavia Spencer, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante de 2012, no papel de Deus, ou Papa, como é carinhosamente conhecida.

A história nos traz o drama vivido por Mack Phillips (Sam Worthington), ocorrido após uma terrível tragédia que envolveu Missy (Amélie Eve), sua filha mais nova, mudando a vida de todos para sempre. A partir daí, Mack entrou em depressão e passou a enfrentar uma crise que abalou sua fé, chegando até mesmo a questionar se Deus era mesmo bom por permitir que coisas ruins acontecessem. Mas tudo começa a mudar quando Mack recebe uma misteriosa carta que o convida a ir para uma cabana no deserto de Oregon e lá encontra um grupo composto por três pessoas que irão ajudá-lo a superar o trauma e mostrar a vida por outro ângulo.

O filme começa num ritmo tenso, mas na medida em que vai evoluindo, o espectador passa a ser apresentado a um ambiente carregado de leveza aliado a uma bela paisagem, com flores, insetos e intensa luz solar, além das importantes intervenções dos atores. Mesmo diante de um bonito cenário e de conhecer Papa (Spencer), Jesus (Avive Alush) e Sarayu (Sumire), Mack se mostra bastante cético, além de bastante traumatizado e consumido pela raiva. Apesar de ter o livre arbítrio de sair da cabana e voltar para sua família, Mack é convencido a ficar e buscar a cura interior.

O que parece ser um enorme desafio se transforma em uma importante jornada espiritual de Mack, com direito a cenas que fazem alusão a alguns acontecimentos bíblicos, além de uma importante participação de Alice Braga como Sabedoria, que mostrará a Mack a maneira como ele trata as pessoas ao seu redor, bem como a forma que ele enxerga os ensinamentos divinos. Esse momento da trama será fundamental para o processo vivido por Mack, que busca se libertar de um passado trágico e se tornar uma pessoa mais evoluída espiritualmente. Ele terá a chance de mais uma vez se redimir com Papa, com quem foi ríspido antes, bem como de ajudar sua família, afetada por seu isolamento e comportamento frio.

Além da bela fotografia e da excelente montagem, nos deparamos com um importante trabalho feito pelo diretor Stuart Hazeldine, que consegue fazer uma perfeita adaptação do livro para as telonas, um trabalho que nem sempre é feito com precisão e eficiência. O desempenho dos atores é excepcional, com um perfeito entrosamento e importantes mensagens transmitidas por todos, o que vai certamente mobilizar e conquistar o público.

‘A Cabana’ vem para nos mostrar que é possível alterar o mundo em que vivemos e que não estamos imunes aos males que nos cercam, mas antes de se pensar em modificar o mundo devemos mudar a nós mesmos. Certamente um filme que vai emocionar e cativar toda a família e lotar as salas de exibição.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Poderoso Chefinho

Poltrona Cabine: O Poderoso Chefinho

Timothy, um garoto adorável de 7 anos, é o centro das atenções e vive feliz com sua família, com direito a canção composta e cantada por seus pais antes de dormir. Tudo parece bem, até uma chegada inesperada e que vai impactar a vida de todos: um bebê de terninho preto, que carrega uma maleta e veio em uma missão secreta. ‘O Poderoso Chefinho’ é a nova aposta da Fox Film no gênero animação e que tem tudo para fazer o público se apaixonar pelos personagens e se encantar com a história.

De início, Timothy fica com ciúmes, uma reação normal para quem antes era filho único e vê o novo integrante dominar a casa e todos, mas quando descobre que o bebê sabe falar e está por trás de uma missão um tanto arriscada, faz de tudo para conseguir provas e mostrar aos seus pais que seu novo irmãozinho não é quem aparenta ser. Logicamente, não será nada fácil. Ambos ficam em pé de guerra, nos garantindo muitas risadas.

O roteiro é muito bem construído, com cenas que fazem referências a grandes sucessos, além de interações dinâmicas e cômicas do bebê e de Timothy, que brigam em boa parte da trama, mas posteriormente se juntam na busca por seus objetivos individuais. Não poderei contar mais porque perde a graça e estraga a surpresa, ok? Sem dúvidas você se envolverá mais com a história na medida em que ela for se desdobrando e vai ter grandes surpresas.

Além de uma excelente fotografia e uma história divertida para toda a família, contada sob o ponto de vista de Timothy, “O Poderoso Chefinho’ nos transmite mensagens e valores importantes, como a importância da família e o amor, capaz de transformar as relações humanas e proporcionar momentos inesquecíveis.
Outro ponto alto do filme foi a junção de realidade com a imaginação de Timothy, que muitas vezes se confundem durante a trama e cativam o público. Com muita criatividade e coragem, momentos que parecem difíceis se tornam mágicos e tornam as constantes intervenções do bebê e de Timothy ainda mais divertida, transformando um importante conflito numa hilária aventura.

Com direção de Tom McGrath, o mesmo dos sucessos ‘Madagascar’ e Megamente’, ‘O Poderoso Chefinho’ contará com as vozes em inglês de Steve Buscemi (Francis E. Francis), Alec Baldwin (Chefinho), Lisa Kudrow (mãe), Patton Oswalt (Narrador, Tim mais velho), Jimmy Kimmel (Pai) e ViviAnn Yee (Stacy). Na versão dublada, a voz de Janice, a mãe, será de Giovanna Antonelli. A estreia no circuito nacional será no dia 30 de março de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

 

Poltrona Cabine: Dolores/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Dolores/ Cesar Augusto Mota

Baseado numa história real, ‘Dolores’, uma coprodução Brasil e Argentina, é um retrato fiel da vida de fazendeiros argentinos que buscam meios de sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. Um misto de romance e drama que promete impressionar o público.

A história nos mostra Dolores (Emilia Attías), uma argentina residente na Escócia, que retorna à sua terra natal após a morte da irmã Helen para cuidar do sobrinho Harry. Lá reencontra Jack (Guillermo Pfening), cunhado e antiga paixão durante a adolescência. O cenário é de melancolia, não só pela dor da perda de Helen, como também de desespero, tendo em vista que a casa da família está hipotecada e a dívida com 14 meses de atraso.

Com a chegada de Dolores, o núcleo familiar ganha novo fôlego e as negociações com o banco são retomadas, mas a questão da paixão mal resolvida entre Dolores e Jack se torna cada vez mais perturbadora. A irmã de Jack, Florrie (Mara Bestelli), tenta impedir o romance, mas a situação piora quando entra na história o rico fazendeiro e descendente de alemães, Octavio Brandt (Roberto Birindelli).

Com o coração dividido, Dolores terá que se resolver com quem quer ficar em meio a um cenário de guerra. Se a questão histórica de rivalidade entre ingleses e alemães era latente, acabou por desembocar para o lado pessoal, tendo em vista a descendência inglesa de Jack e a alemã de Octavio.

A sequência de ações, bem como o trabalho de direção de arte, com as réplicas de figurinos da década de 1940 são excepcionais. O diretor Juan Dickinson acerta na proposta de trazer ao público um filme de uma das épocas mais cruciais para a humanidade, aliado ao charme e glamour dos bailes existentes na ocasião. O roteiro é sólido, com incríveis reviravoltas na trama, bem como atuações dignas do elenco.

E por falar em atuações, o desempenho de Emilia Attías como Dolores é impressionante, sua interpretação é de tamanha elegância e ilustra uma mulher forte e que conseguiu se impor numa época predominantemente masculina, além de ser o oposto de Jack, seu antigo amor, frágil e que raramente tomava decisões difíceis. Essa postura firme e a personalidade forte fazem de Dolores uma das razões para acompanhar o filme de nome homônimo, de ótima produção e extremo bom gosto.

‘Dolores’ participou da Première Latina no Festival do Rio de 2016 e produzido pela produtora brasileira Angelisa Stein, da empresa Valkyria Filmes e a argentina Dar A Luz Cine, de Fernando Musa. A estreia no circuito nacional está prevista para 30 de março de 2017.

 

Poltrona Cabine: Tinha que ser Ele?/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tinha que ser Ele?/ Cesar Augusto Mota

Uma comédia pastelão, recheada de piadas prontas, diálogos com muitos palavrões e roteiro previsível. Assim é “Tinha que ser Ele?”, filme dirigido por John Hamburg e produzido por Ben Stiller, que chega ao circuito nacional nesta quinta-feira (16) com sensação de déjà-vu.

Déjà-vu? Quem leu a sinopse verá que se trata da história de Ned Flaming (Bryan Craston), que vai para a Califórnia passar o Natal com a família e vai visitar a filha Sthepanie (Zoey Deutch). Ao chegar lá, conhece Laird Mayhew (James Franco), um programador de aplicativos e jogos para vídeo games bem sucedido e que vive numa casa digitalizada, com artigos exóticos e, por incrível que pareça, sem papel. A impressão de Ned é a pior possível, e o pai superprotetor e rabugento de Sthepanie fará de tudo para que Laird não se case com a filha.

Esse roteiro me faz lembrar do filme “Entrando numa Fria”, com o pai ranzinza protagonizado por Robert de Niro. Se vemos coincidência no enredo, há também na direção e no roteiro, que está também a cargo de John Hamburg. Já dá para perceber o que devemos esperar dessa nova produção, não é mesmo?

Com roteiro previsível e piadas manjadas, nos deparamos também com um verdadeiro embate, uma briga de cão e gato entre Ned e Laird, com direito a golpes marciais e parkours praticados por Laird, tornando algumas cenas mais interessantes. Além disso, vemos um contraponto entre passado e futuro. Ned possui uma gráfica e que está prestes a falir, já Laird tem visão de futuro e possui uma grande empresa desenvolvedora de aplicativos. Temos a ideia implícita de um futuro que é iminente (Laird) e de um passado prestes a ser deixado de lado (Ned).

Falei em confronto entre namorado e futuro sogro, mas ambos os personagens, Ned e Laird, são seres humanos puros e de bom coração, mas com personalidades díspares. Enquanto Ned é conservador e protege demais a filha Sthepanie, Laird tenta agradar de todos os modos, mas não consegue em boa parte das vezes por ser muito atirado, desbocado e sem limites. E Sthepanie, que está no centro dessas rusgas, será o fiel da balança para o desfecho da trama, com atitudes decisivas e que vão mexer no núcleo da história.

Se o enredo parece batido, as atuações do elenco são o ponto alto, com excelentes intervenções de Bryan Cranston e James Franco, além de Megan Mulally, que dá vida à Barbara Flaming, mãe de Sthepanie, facilmente envolvida por Laird e protagonista de cenas hilárias ao lado do marido. Atores de primeira e que proporcionam momentos divertidos.

Se você é fã de filmes com humor escatológico, ritmo lento e desfecho de simples resolução, você está no filme certo. E aguente mas um pouco, há cenas pós-créditos que farão você ficar de queixo caído, não vá perder!