Poltrona Cabine: Alien Covenant/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Alien Covenant/ Cesar Augusto Mota

Os fãs da franquia Alien e dos trabalhos do diretor Ridley Scott estão bastante ansiosos pela estreia do mais novo filme, “Alien Covenant”, uma sequência de “Prometheus”, de 2012, que trouxe um grupo de cientistas que embarcou em uma missão para descobrir a verdade acerca da origem da raça humana. Mas será que essa nova produção fica próxima da anterior ou foi uma decepção? Vamos analisá-la.

A história começa com a nave Covenant partindo em uma nova missão, a busca de um planeta em condições de abrigar a espécie humana. Quase toda a tripulação está em sono profundo e repousando em câmaras criogênicas, exceto o andróide Walter (Michael Fassbender), responsável pela segurança de todos. O radar da nave detecta um sinal humano oriundo de um novo planeta que está em sua rota, mas um grande acidente acontece, o que obriga Walter a despertar os tripulantes. Boa parte do grupo liderado pelo capitão Oram (Billy Crudup) resolve explorar o local, descoberto dez anos antes, mas diversos alienígenas, os xenomorfos, atacam os exploradores, que farão de tudo para saírem vivos.

Se no filme anterior foi lançada a pergunta “De onde surgimos?” e houve uma abordagem bem abstrata, no novo longa passamos a ter o questionamento “E quem criou os criadores?”, nos levando a um debate sobre a origem do universo, bem como questões como fé e crenças religiosas, discutidas sobre os membros da tripulação da Covenant.

Ridley Scott tenta trabalhar alguns temas, como origem, brigas interpessoais e futuro da espécie humana, regados com frenéticas cenas de ação, muito sangue, som estridente e apresentação de conflitos. Tudo foi bem estruturado e realizado num bom ritmo, mas essa grande quantidade de assuntos abordados pode deixar o espectador confuso e sem saber qual a real intenção do diretor, um ponto negativo.

A computação gráfica também contribui para boa parte das cenas que exigiram uma maior intensidade dos personagens, o Alien se mostra ainda mais veloz e assustador, causando um grande frenesi durante a trama. A montagem é bem feita, com junção de dois eventos distintos num mesmo quadro, algo interessante e pouco antes da parte final do filme. A fotografia também é positiva, com cores bem avermelhadas no interior da nave contrastadas com a coloração fria sombreada no planeta escolhido pelos tripulantes da Covenant. A estética e a montagem de “Alien Covenant” são pontos positivos, ao contrário do roteiro, com algumas imprecisões e erros, que obviamente não serão revelado aqui para não estragar a surpresa.

Quanto aos atores, Michael Fassbender carrega o filme nas costas, ele tem excelentes interpretações como Walter e David, o andróide presente no filme anterior, mas volta com características mais humanas. O ator tem mérito na construção tão exuberante e precisa de dois personagens tão diferentes, o que não é fácil. Há também as participações de James Franco e Guy Pearce, mas são figuras de luxo. Dentre as personagens femininas, Katherine Waterston convence como Daniels e pode-se elevá-la ao status de heroína, e uma das poucas, além de Fassbender, que consegue despertar empatia no espectador.

Apesar dos altos e baixos, “Alien Covenant” possui alguns elementos que podem agradar ao público, e teremos mais filmes em sequência, segundo Ridley Scott. E vamos torcer para os próximos estarem à altura do primeiro, isso se não for pedir demais. O filme chega ao circuito nacional em 11 de maio de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Rastro/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Rastro/ Cesar Augusto Mota

Um filme com cenário sombrio, gritos e sussurros ao fundo, além de uma enorme tensão a cada cena. Muita gente aprecia o gênero terror e não tira os olhos da tela por nada. Mas o que você acharia de um filme sobre caos na saúde pública contado sob a ótica do terror psicológico? Assim é “O Rastro”, uma produção da Imagem Filmes do Brasil em parceria com a Orion Pictures, da MGM, que promete dar calafrios e arrepiar os cabelos de quem for assistir.

A história inicialmente mostra uma mudança na carreira de João (Rafael Cardoso), um médico de sucesso convocado para acompanhar a transferência de vários pacientes de um hospital público do Rio de Janeiro que vai fechar por falta de recursos. Diante do quadro caótico, o desespero passa a tomar conta dos profissionais que trabalharam por tantos anos no local, além dos pacientes, sem saber do futuro que os espera. Mas dias antes do fechamento, chega uma nova paciente, Júlia de Souza, uma menina de 10 anos que não tem família, mas some sem deixar pistas.

Responsável pela paciente desde o primeiro atendimento, João se sente culpado pelo sumiço de Júlia e não mede esforços para encontrá-la, mas acaba se deparando com situações que jamais imaginou e tampouco queria e passa a ter sua saúde e vida pessoal completamente afetadas. Nem mesmo o apoio de sua esposa Leila (Leandra Leal), grávida de seu primeiro filho, é suficiente. O que se percebe é um verdadeiro caos na mente de João, que tem obsessão por saber o que aconteceu com Júlia, como também fica aterrorizado com o ambiente que encontra no hospital, sujo, de abandono, caindo aos pedaços.

O diretor João Caetano Feyer acerta a mão ao escolher o terror psicológico para contar a história, com filmagens em um antigo hospital desativado e todos os ingredientes de um bom terror: cenário obscuro, câmera acompanhando os passos dos personagens, gritos ensurdecedores e que tomam conta de mentes perturbadas, além de muito sangue. Não só o contexto no qual se inseriu João, que se depara com um ambiente perigoso e cheio de segredos obscuros, mas o retrato dos hospitais públicos é um autêntico filme de terror. O tamanho desleixo e a falta de investimento em uma área que requer prioridade, a saúde, é para deixar qualquer um assustado, e as filmagens realizadas em “O Rastro” retratam fielmente como estão os hospitais públicos hoje em dia.

Não poderia deixar de destacar o trabalho de direção de arte, bem como as atuações do elenco. Os efeitos utilizados no filme, com a aparição e o sumiço repentino da personagem Júlia, seus gritos estridentes, bem como a respiração ofegante dos personagens aliada ao desespero contribuem para criar um clima tenso ao espectador, lembrando filmes como “A Bruxa de Blair” e “O Chamado”. Quanto aos atores, todos estão ótimos, Rafael Cardoso consegue convencer com seu personagem e mobiliza a plateia em boa parte da trama, Leandra Leal, que também tem importante participação na história. Felipe Camargo, Jonas Bloch e Cláudia Abreu. outros atores que também estão no filme, são decisivos e vão esclarecer vários segredos da trama.

Ansioso para o filme? “O Rastro” chega ao circuito nacional em 18 de maio, vá se preparando, sem dúvida a tensão vai tomar conta de você.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

#266 Uma Longa Jornada

#266 Uma Longa Jornada

Mais um filme inspirado no livro de Nicholas Sparks, homônimo. Há pouquíssimas diferenças do livro para o filme. Dessa vez, os atores protagonistas não são muito conhecidos, mas Alan Aida como Ira é.

Scott Eastwood, filho de Clint, como o peão Luke segurou bem o filme, mais que Britt Robertson. O casal Luke e Sofia resgata o ancião Ira que começa a lembrar da sua história de amor com Ruth. Como a conheceu, o pedido de casamento, o fato de não poderem ter filhos e a imensa coleção de Arte dela.

Além das reflexões de Ira, o filme, assim como o livro, mostra como as duas histórias de amor se entrelaçam. Não gosto de rodeios, mas mesmo tendo como pano de fundo, acabei assistindo.

A história é bem construída, mas achei esse filme o mais fraco da franquia Sparks. Prestei atenção mais pela linda história de Ira e por querer saber como seria o desfecho do problema de saúde de Luke e da resolução das suas finanças na fazenda que o colocava sempre sob risco, mesmo tendo sofrido um grave acidente com um touro que ele acabou por domar no final.

Achei Britt Robertson inexpressiva. O casal Ira e Ruth jovens também.

A trama do amor que Ruth acaba tendo por seu aluno a ponto de querer adotá-lo sem poder e como ela serve de inspiração para ele, é tocante.

Mesmo com todos os rodeios e percalços, o amor sempre triunfa. E essas histórias água com açúcar e com pitadas de tragédia de Sparks me comovem, sempre.

Cotação: Duas poltronas/5

Sinopse: Aos 91 anos, com a saúde debilitada e sozinho no mundo, Ira Levinson (Alan Alda) sofre um acidente de carro e se vê abandonado em um lugar isolado. Ele luta para manter a consciência e passa a ver sua amada esposa Ruth (Oona Chaplin), que faleceu há nove anos. A poucos quilômetros de distância, a bela Sophia Danko (Britt Robertson) conhece o jovem cowboy Luke (Scott Eastwood), que a apresenta a um mundo de aventuras e riscos. De forma inesperada, os dois casais vão ter suas vidas cruzadas.

 

 

Por Anna Barros

Poltrona Cabine: Rock Dog-No Faro do Sucesso

Poltrona Cabine: Rock Dog-No Faro do Sucesso

A luta pela realização de um sonho, apesar das adversidades, e uma aventura eletrizante em alto e bom som. Esses são os ingredientes de “Rock Dog: No Faro do Sucesso”, uma animação baseada na novela gráfica “Tibetan Rock Dog”, de autoria de Zheng Jun, que vem para divertir e cativar toda a família.

A história acompanha Bodi, um cão mastim tibetano que vem sendo treinado pelo pai para ser o cão de guarda de sua aldeia, localizada na Montanha Nevada. Mas nosso protagonista não se enxerga como líder e protetor de seu povo e após um fato inusitado descobre sua verdadeira vocação. Ao se deparar com um rádio que havia caído de um avião no céu, Bodi sintoniza em uma estação onde era transmitida uma entrevista com Angus Scattergood, um gato persa e considerado lenda do rock. Após o acontecimento, Bodi se abriu para um novo mundo e resolveu sair em busca de seu sonho: se tornar um grande músico.

Disposto a realizar seu sonho, Bodi parte para a cidade, mas encontra diversos percalços, como uma gangue de lobos que o segue e está disposta a ter o controle de sua aldeia, além das dificuldades em encontrar chance de mostrar seu talento artístico. Mesmo um pouco atrapalhado, o personagem principal tem como trunfos a determinação e a persistência, demonstrando muita força na busca por seus objetivos, de entrar numa banda de rock e de ter aulas de música com Angus Scattergood, mas passa por situações surreais.

Quem for assistir vai se deparar com uma ótima representação gráfica dos cenários e dos personagens, tudo bem desenhado e projetado, um retrato fiel das montanhas do Himalaia e prédios altos e ruas estreitas na China. Os personagens são carismáticos e farão você se apaixonar por eles, o roteiro muito bem construído, que apresenta uma evolução harmoniosa da história até seu desfecho, bem como importantes valores são transmitidos para o público.

Ao terminar de ver “Rock Dog”, saí da sala de exibição com a melhor sensação possível, o filme se propõe não só a divertir, ele dá uma aula. Para se realizar um propósito, não basta ter somente disposição e fé, deve-se estar preparado para tudo e lutar contra todos os males, como a inveja, a ganância e o ceticismo, e o filme mostra isso muito bem. Bodi realiza suas ações com maestria e é uma inspiração para todos os personagens do filme, bem como para os espectadores.

Ficou curioso? Não perca “Rock Dog: No Faro do Sucesso”, com distribuição da Paris Filmes, o filme chega ao circuito nacional no próximo dia 4 de maio. Não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Paterson

Poltrona Cabine: Paterson

Um filme com uma mesma sequência de ações, mas que vai explorar e exaltar a beleza da vida em meio a uma rotina diária intensa com o auxílio da poesia. Tudo isso está em “Paterson”, longa dirigido por Jim Jarmusch e com Adam Driver no elenco, famoso pelo papel de Kylo Ren em Star Wars, Episódio VII.

O personagem vivido por Driver possui o mesmo nome da cidade onde nasceu e onde viveu o poeta William Carlos Willians, seu ídolo. Paterson é um simpático motorista de ônibus e que procura ter uma rotina tranquila e de paz. Todos os dias acorda abraçado à esposa, toma café, vai ao trabalho, escreve durante os intervalos alguns versos de poemas que pretende ler para a amada e volta à noite para casa. Ele janta, leva o cachorro para passear e toma uma cervejinha com os amigos. Sua rotina é assim.

Outra peculiaridade de Paterson é que ele se recusa a ter um celular no bolso e usar computador, ao contrário da amada Laura (Golshifteh Farahani), uma mulher hiperconectada ao mundo moderno e às tecnologias digitais. Outra diferença é que ela é sonhadora, se imagina uma grande cantora country ou uma bemsucedida vendedora de cupcakes, já ele é mais pé no chão, e sequer cogita se tornar um poeta conhecido, o que é sugerido por Laura ao pedir para ele tirar cópias de ser caderno secreto de poesias.

O que pode parecer desinteressante para o público, com uma história com praticamente as mesmas ações e divididas entre todos os dias da semana, passa a se tornar atraente na medida em que Paterson escreve novos versos e estes aparecem na tela, numa belíssima fotografia e com belas paisagens, principalmente da cachoeira, em referência a um dos poemas de William Carlos Willians, inspiração de Paterson.

Todas as palavras escritas são baseadas em sua rotina e em tudo o que ele vê na cidade de Paterson, no estado de New Jersey, e traz belas metáforas, sobre as letras das caixas de fósforos Ohio Blue, que parecem com som de megafone, além da comparação feita entre o beijo e o ato de fumar, verdadeiras lembranças ardentes sob o olhar de Paterson.

A montagem é muito bem feita, com a transição entre os dias realizada de forma harmônica, além da importante retratação da melancolia do personagem central e a busca pela libertação, que ele encontra por meio da poesia. O roteiro explora muito bem o universo e o cotidiano de um apaixonado por versos, que sabe transformar coisas banais em alegorias e mostrar que a simplicidade da vida é fascinante e pode apaixonar as pessoas.

Mesmo imerso em uma rotina sufocante e em meio a pessoas cada vez mais isoladas pela tecnologia, Paterson consegue achar uma válvula de escape, apesar da rotina intensa, sob stress e quase sem tempo para aproveitar o que a vida tem a oferecer. Apesar dos problemas, devemos fazer um brinde à vida, e isso o longa “Paterson” ilustra bem.

Não perca essa grande produção, “Paterson estreia nos cinemas brasileiros em 20 de abril, aproveite!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota