‘Legalidade’, longa de Zeca Brito, faz sua estreia mundial no 35º Festival Latino de Chicago

‘Legalidade’, longa de Zeca Brito, faz sua estreia mundial no 35º Festival Latino de Chicago

Na competição americana, filme com Cleo Pires, Leonardo Machado, Fernando Alves Pinto e Letícia Sabatella será apresentado com o nome de “RESISTANCE”. A estreia no Brasil será em 12 de setembro.

Um triângulo amoroso, a luta por uma causa cívica, uma revolução feita pelas ondas do rádio. A inteligência e a coragem de um líder. O poder da comunicação gerando uma verdadeira demonstração de força e civilidade. Um movimento de resistência e mobilização popular sem precedentes na história do país: a “LEGALIDADE”.

O filme aborda o momento histórico brasileiro, em 1961, quando o presidente da República, Jânio Quadros, renuncia e seu vice, João Goulart, deve ascender ao posto. Para evitar que um golpe organizado pelos militares entrasse em curso, o governador do estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, inicia um movimento inédito no país, pelo respeito à Constituição Federal.

LEGALIDADE(RESISTANCE – título internacional) faz sua estreia mundial no 35º Festival Latino de Chicago, que acontece de 28 de março a 11 de abril, na cidade norte-americana. No elenco, Leonardo Machado, Cleo Pires, Fernando Alves Pinto, Letícia Sabatella e José Henrique Ligabue. A estreia nos cinemas brasileiros está prevista para 12 de setembro.

“Em ‘LEGALIDADE’ quis falar de meu país e das raízes políticas que ligam o Brasil à América Latina. A heroica façanha de Leonel Brizola liderando o povo brasileiro em ato de coragem e civismo, garantindo a posse do presidente João Goulart e a soberania da nação. Através das ondas do rádio o despertar para a constituição, o respeito ao voto popular. Um filme que trama ficção e realidade. Um romance que une visões opostas de mundo. Política, espionagem e comunicação, temas que articulam um dos momentos históricos mais intrigantes do país”, explica o diretor, Zeca Brito.

Numa costura entre 1961 e 2004, ano da morte de Brizola, a jornalista Blanca faz uma investigação que é o fio condutor do filme. Em 1961, durante a Conferência das Nações Americanas, em Punta del Este, o antropólogo brasileiro Luís Carlos reencontra seu amigo e herói, o Comandante Ernesto Che Guevara. Já a misteriosa jornalista, Cecília, tem a difícil tarefa de entrevistar o polêmico governador gaúcho, Leonel Brizola. Brizola e Che Guevara convergem em torno das mesmas causas: ideais de cunho social e a libertação da América Latina da opressão econômica e política dos Estados Unidos, atraindo assim a ira das forças conservadoras. Paralelamente ao universo de tensão política que se instaura, Luís Carlos e Cecília vivem uma intensa história de amor interrompida pelo destino.

Pouco tempo depois, no Brasil, o presidente Jânio Quadros renuncia repentinamente. Enquanto seu vice, João Goulart, está em viagem pela China comunista, o governador Brizola se recusa a aceitar a tomada do poder pelos militares e decide resistir para que seja respeitada a Constituição. Dois irmãos vivem intensamente os dias de crise na República: o jovem anarquista Tonho, que trabalha como fotógrafo, e Luís Carlos, professor. Cecília também está em Porto Alegre, para continuar sua reportagem, quando o levante se inicia e logo conhece Tonho. É dentro do Palácio Piratini, numa situação limite, de guerra eminente, que os dois vivem um romance. Uma relação complicada, já que Cecília irá reencontrar Luís Carlos e terá que fazer uma difícil escolha.

O roteiro do filme começou a ser desenvolvido em 2010 e contou com uma extensa pesquisa. Foi escrito a quatro mãos, pela dupla Leo Garcia e Zeca Brito, que repete a parceria iniciada com a comédia adolescente “Em 97 Era Assim” (direção de Zeca e roteiro de Leo). Ambos também assinam juntos a direção do documentário “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro”, sobre a trajetória do jornalista gaúcho, que também esteve envolvido na Legalidade.

LEGALIDADE” é o sexto longa de Zeca Brito e foi inteiramente rodadono estado do Rio Grande do Sul. O filme é uma produção da Prana Filmes, de Luciana Tomasi, com distribuição da Boulevard Filmes no Brasil.

SINOPSE 
Em 1961, o governador Leonel Brizola lidera um movimento sem precedentes na história do Brasil: a Legalidade. Lutando pela constituição, mobiliza a população na resistência pela posse do presidente João Goulart. Em meio ao iminente golpe militar, uma misteriosa jornalista pode mudar os rumos do país.

FICHA TÉCNICA 
Direção: Zeca Brito
Roteiro: Zeca Brito e Leo Garcia
Elenco: Cleo Pires, Leonardo Machado, Fernando Alves Pinto, José Henrique Ligabue, Letícia Sabatella, Fábio Rangel, Sapiran Brito
Produção: Luciana Tomasi
Direção de Fotografia: Bruno Polidoro
Direção de Arte: Adriana Borba
Direção de Produção: Glauco Urbim
Figurino: Marcia Nascimento
Maquiagem: Nancy Marignac
Consultoria de Roteiro: Hilton Lacerda e Anna Carolina Francisco
Montagem: Alfredo Barros
Som: Gogó Conteúdo Sonoro

SOBRE O DIRETOR 
Zeca Brito é graduado em Realização Audiovisual pela Unisinos e Artes Visuais pela UFRGS. Dirigiu, roteirizou curtas e longas-metragens exibidos no Brasil e no exterior. Seu curta “Aos Pés” foi escolhido Melhor Filme Júri Popular no Festin Lisboa 2009, e o longa-metragem O Guri, exibido em festivais de Portugal e Brasil. Em 2015 lançou o longa “Glauco do Brasil” na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e 10ª Bienal do Mercosul. Em 2016 dirigiu o longa “Em 97 Era Assim”, Prêmio de Melhor Direção e Melhor Filme Júri Popular no Festival Cinema dos Sertões (Piauí Brasil), Melhor Direção de Atores na Mostra SESC Brasil, Melhor Filme no The Best Film Fest (Seattle, EUA), Prêmio Especial do Júri no 8th Jagran Film Festival (Índia), seleção oficial no Regina International Film Festival (Regina, Canada), Los Angeles CineFest (Los Angeles, EUA), 51st International Independet Film Festival (Houston, EUA) e Prêmio de Melhor Filme Juvenil Estrangeiro no American Filmatic Arts Awards (Nova York, EUA). Em 2017 dirigiu o documentário “A vida Extra-Ordinaria de Tarso de Castro” exibido no Festival do Rio e 41 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

SOBRE A PRANA FILMES 

A Prana Filmes foi criada em 2011 pelas cineastas Luciana Tomasi e Carlos Gerbase. Focada na produção de filmes e séries de televisão, a companhia produziu o curta “Amores Passageiros”, dirigido por Augusto Canani, vencedor do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro em Los Angeles Short Film Festival, e o longa “Menos que Nada”, dirigido por de Carlos Gerbase, indicado como Melhor Roteiro Adaptado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Além das produções audiovisuais, a produtora gerencia desde 2012 uma sala de cinema na cidade de Porto Alegre e é responsável pelo projeto educacional Primeiro Filme e pelo Festival Primeiro Filme, que já está em sua quarta edição.

Luciana Tomasi e Carlos Gerbase foram membros da Casa de Cinema de Porto Alegre por mais de 20 anos, participando de vários longas-metragens, curtas-metragens e séries de televisão, ganhando diversos prêmios em festivais internacionais como Berlim, Havana, Nova York, Los Angeles, Hamburgo, Índia, Portugal, Uruguai, entre outros. Os filmes, produzidos por Luciana Tomasi, já renderam impressionantes 200 prêmios nacional e internacionalmente.

Atualmente, a empresa trabalha na pós-produção do longa-metragem “Legalidade”,  de Zeca Brito; e na série de TV “Turma 5B”, de Iuli Gerbase; participando em festivais com os filmes “Bio”, de Carlos Gerbase, vencedor de 3 prêmios no 45º Festival de Cinema de Gramado (Melhor Filme no Prêmio do Público, Melhor Design de Som e Menção Honrosa para Direção) e “Yonlu”, de Hique Montanari , vencedor do Prêmio ABRACCINE – Melhor Filme Brasileiro de Diretor Estreante do 41º Festival Internacional de Cinema de São Paulo, Melhor Filme da Mostra Internacional de Longas, além de receber o Prêmio da Imprensa, no 9º  Festival Internacional de Cinema da Fronteira. A produtora também está em fase de captação de recursos para a série de TV “Todos Morrem no Fim”, de Carlos Gerbase, e para o longa-metragem “Jepotá”, de Augusto Canani.

Em 2018, a Prana Filmes produziu, em parceria com a Rainer Cine, o longa “Mudança” de Fabiano de Souza, que está em fase de pós-produção. Também produzimos o curta-metragem “A Pedra”, da diretora Iuli Gerbase, que recentemente participou do 40º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano em Havana (Cuba), e do 11º Festival Internacional de Cinema de Jaipur (Índia), vencendo a Menção do Júri na Mostra Panorama Internacional. Agora, a Prana Filmes está em fase de pré-produção do longa “A Nuvem Rosa” de Iuli Gerbase e no desenvolvimento de sete roteiros de filmes e séries de TV.

SOBRE A BOULEVARD FILMES 
A Boulevard Filmes é uma produtora e distribuidora audiovisual que busca o equilíbrio entre projetos autorais e demandas de mercado, focando em estratégias de produção e de distribuição compatíveis com cada projeto, tanto para cinema, quanto para TV e novas mídias. Entre seus lançamentos para as salas de cinema estão os longas “Amor, Plástico e Barulho” (Renata Pinheiro), “Filme Sobre um Bom Fim”(Boca Migotto), “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro” (Leo Garcia, Zeca Brito), “Histórias que nosso cinema (não) contava” (Fernanda Pessoa) e “Açúcar” (Sergio Oliveira, Renata Pinheiro), esté último com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2019.

Poltrona Cabine: Cinderela Pop/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Cinderela Pop/ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme que foi uma adaptação de uma obra literária, mas que faz claras referências a um dos mais famosos clássicos infantis, mas com contornos modernos? ‘Cinderela Pop’, de Bruno Garotti, tem todos esses ingredientes, pois se trata de um longa-metragem inspirado na obra homônima de Paula Pimenta, que vendeu pouco mais de 2 milhões de exemplares. E o conto infantil que inspirou o livro e o filme, Cinderela, até hoje é capaz de cativar jovens e adultos, com lindos ensinamentos, acrescido de elementos atuais, como vestimentas e objetos usados pelos jovens nos dias de hoje. Será que vai dar um bom retorno?

A história apresenta ao público a jovem Cíntia Dorella, vivida pela estrela Maísa Silva, que sonha em ser DJ e viver da música. Porém, sua vida vira do avesso quando descobre a traição de seu pai e o casamento com a mãe vem a terminar em seguida. Ela fica completamente desiludida com a vida e o amor, mas uma luz começa a surgir no fim do túnel quando ela é contratada para ser DJ na festa de duas meninas gêmeas, filhas da amante do pai, mas Cíntia vai disfarçada para não ser reconhecida pelo pai. Durante o evento, a protagonista conhece Freddy Prince (Filipe Bragança), um famoso cantor, que se encanta com Cíntia, mesmo que não veja seu rosto. Porém, o tempo passa e ela precisa deixar a festa, mas deixa seu tênis escapar, e a partir dele que o príncipe vai em busca de sua amada.

Já se notaram semelhanças com o conto da Cinderela, como a perda de um calçado, e o vestido que Cíntia usou a festa como Cinderela, de cor azul, além da madrasta cruel, interpretada por Fernanda Paes Leme. Mas depois algumas mudanças são introduzidas para dar ares de uma história modernizada. Há uma youtuber, Belinha (Giovanna Grigio), melhor amiga de Freddy, além de uma fada madrinha descolada e com linguagem cheia de gírias, Helena (Elisa Pinheiro), a tia de Cíntia. E sem esquecer dos jovens usando seus fones de ouvido e celulares modernos. Quem acompanha fica encantado e se sente identificado com a história, principalmente quem é crianç;a ou adolescente.  As propostas são de inovar e fazer uma bela homenagem a um conto que encantou gerações, e ambas deram certo.

O desempenho do elenco é outro ponto forte do filme, com Maísa Silva encarnando uma protagonista cheia de sonhos, carismática e que rapidamente retoma as esperanças ao encontrar um grande amor. Um papel que requer jogo de cintura na hora de dosar as cenas de comédia com drama, mas ela tira de letra e convence o público que Cíntia Dorella merece um final feliz. Já Filipe Bragança é outro ator que chama a atenção e surpreende positivamente, com um príncipe que canta e encanta o público e a personagem principal. Bragança mostra bom entrosamento com todo o elenco, principalmente com Maísa, nas cenas românticas e de cumplicidade. Giovanna Grigio, a youtuber, é uma importante aliada do príncipe e figura-chave na resolução do conflito, o encontro da amada misteriosa de Freddy Prince. A madrasta é má e ao mesmo tempo cômica, conseguindo arrancar algumas risadas, sendo bem próxima da madrasta do conto original. Fernanda Paes Leme tem um desempenho acima da média.

Com um roteiro simples, uma história adaptada para os dias atuais, mas com um desfecho sem muito suspense e de fácil resolução, ‘Cinderela Pop’ é sinônimo de entretenimento e muita diversão. Vale a pena, é para toda as idades.

Cotação: 4/5 poltronas.

Poltrona Cabine: Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano

Poltrona Cabine: Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano

Os detetives mirins mais espertos e amados estão de volta. Principal produção nacional do canal por assinatura Gloob e que levou mais de 1,2 milhão de espectadores aos cinemas no primeiro filme lançado em 2017 nos cinemas, ‘Detetives do Prédio Azul’ apresentam uma continuação que vai levar o público a uma jornada que ultrapassa continentes e que vai exigir uma junção de forças para vencer os inimigos bruxos presentes no enredo.

Em ‘Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano’, Bento (Anderson Lima), Sol (Leticia Braga) e Pippo (Pedro Henriques Motta) estão participando de um concurso musical e  decidem gravar um videoclipe para vencer a competição, mas acabam boicotados por Berenice (Nicole Orsini), uma menina que é vizinha de prédio do grupo e um tanto invejosa. Porém, o plano de Berenice dá errado e ela acaba sendo sequestrada junto de outras crianças por uma temível dupla de bruxos, Máximo (Diogo Vilela) e Mínima (Fabiana Karla). Os dois irão participar do maior confresso de bruxos, a Expo-Bruxo, na Itália, e eles prometem por em prática um plano diabólico para torna-los mais poderosos e, consequentemente, acabar com todos os feiticeiros. Bento, Sol e Pippo são convocados para a resolução de mais um mi stério, mas não estarão sozinhos, pois contarão com a ajuda de Nono Giuseppe (Antônio Pedro), o avô de Pippo.

Muita gente já ouviu falar que em time que está ganhando, não se mexe. Esta sequência manteve a essência da famosa série de TV do Gloob, além do que ocorreu no primeiro filme, com a apresentação rápida e bem-humorada de todos os personagens, bem como a inserção de pistas que vão levar os detetives para um caso complexo e de difícil resolução. Os personagens adultos foram retratados de forma caricata e com semblantes bem assustadores, com Fabiana Karla e Diogo Vilela se saindo muito bem em seus papéis. E não podemos esquecer da famosa Kombi azul e do porteiro Severino (Ronaldo Reis), amado por todas as crianças do prédio, uma espécie de guardião.

A história apresenta um bom ritmo, com montagens bem criativas, levando os personagens do Brasil para a Itália em criativas maquetes, além de adereços muito bem feitos para os feiticeiros, como o colar com pedra brilhante e a vassoura motorizada de Berenice. Destaque maior para o ambiente criado para os bruxos Máximo e Mínima, com um laboratório que lembra o filme de ‘O Médico e o Monstro’, bem como a cabine musical que foi utilizada para o plano mirabolante e temível dos dois. Todas as pistas inseridas na trama são imprescindíveis para a resolução do conflito, com destaque para símbolos espalhados por grandes prédios presente s em importantes cartões postais da Itália. Objetos encontrados, além do auxílio de Nono Giuseppe também dão o ar da graça e tornam a narrativa ainda mais interessante.

Como dito anteriormente, os dois vilões são o destaque no enredo, com Diogo Vilela e Fabiana Karla dando vida a dois bruxos, com semblantes assustadores e ao mesmo tempo engraçados. As risadas estrondosas, bem como as trapalhadas dos dois fazem o filme ter um bom desdobramento, além da maneira como o mistério em torno do plano deles e de como os detetives mirins vão conseguir chegar até a Itália e impedi-los. E sem esquecer do ótimo entrosamento e da desenvoltura do trio mirim, que muita gente conhece, graças à serie do Gloob. Mas quem nunca viu a série e está procurando um filme para ver com a família, sem dúvida irá se divertir e vai comprar a ideia dos Detetives do Prédio Azul, a serviço do bem na luta contra o mal.

‘Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano’, dirigido por Vivianne Jundi (‘Vlog da Mila) segue uma receita de sucesso para o público infanto-juvenil e tem tudo para alcançar uma grande bilheteria como ocorreu com seu antecessor. É o cinema nacional investindo em produtos mais diversificados e com mais opções p ara o consumidor brasileiro, ávido por filmes e séries qualificadas e que ofereçam novidades. Diversão garantida.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tinta Bruta/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tinta Bruta/ Cesar Augusto Mota

Que tal um filme que revele intensidade nos movimentos e sentimentos do protagonista, apresente também a cidade onde a narrativa se desenvolve como personagem e cenas com belas representações estéticas? Premiado com o prêmio Teddy de Ficção no Festival de Berlim e Melhor Filme do Festival do Rio 2018, ‘Tinta Bruta’, dirigido pelos diretores gaúchos Márcio Reolon e Filipe Matzembacher (Beira-Mar) mostram que a narrativa a ser contada não só tem sequências belas, como possuem muito a dizer.

Pedro (Shico Menegat) é um jovem com um passado obscuro, envolvido em uma briga na faculdade, cujo incidente lhe rendeu um processo na esfera criminal. Para preencher seu tempo e o único propósito que possui para ganhar a vida, ele realiza performances eróticas na webcam, sob o pseudônimo “GarotoNeon”.  Ele mora em um apartamento alugado em Porto Alegre com a irmã Luiza (Guega Peixoto), mas quando ela se muda para Salvador, a vida de Pedro, já atribulada, toma rumos ainda piores.  Porém, quando conhece Leo (Bruno Fernandes), outro rapaz que realiza danças eróticas na internet e usando tinta neon, vê seu cotidiano se transformar.

Se antes enxergava Leo como uma ameaça pelo fato de o jovem também realizar o mesmo ofício, Pedro passa a sentir uma espécie de catarse, uma libertação que ele não experimentara antes e um novo significado de vida, que era triste, preso à rotina e tomado pelo luto, pois perdera a mãe muito cedo. Além disso, nasce um grande amor e o sentimento de ter uma lacuna preenchida, tendo em vista que não possui nenhum projeto para o futuro e sem perspectivas de encontrar seu lugar na sociedade. Leo é um jovem que sonha em ensinar dança e trilhar o mundo, e ele se torna um dinâmico, uma força-motriz para Pedro, que aos poucos vai acordando para a vida. Porém, ocorre uma reviravolta e o protagonista se vê novamente em decadência e na busca por felicidade.

O principal sentimento retratado na história é a solidão, não só pela expressão contida de Pedro quando desliga o computador ou quando conversa com seus seguidores no chat, mas também em cenas mostrando a cidade de Porto Alegre, apresentada como um local composto por jovens que se divertem em festas regadas a música alta e muita bebida e uma terra que não oferece muitas oportunidades de trabalho. Não só Leo, mas outros amigos de Pedro têm a intenção de buscar a realização profissional fora dali, e alguns planos abertos mostrando sombras nas janelas, outras pessoas nos altos dos muros observando tudo o que acontece nas ruas, acentuando a sensação de isolamento. E a falta de opções reforçam a ideia de Leo que suas apresentações semanais na internet podem lhe trazer estabilidade e realização, mesmo que ilusórias.

A estética é belíssima, as luzes em neon em um ambiente tomado por luzes negras não só enriquecem as apresentações de Pedro, como também trazem sensação de liberdade e deleite. O espectador se sente inserido no ambiente, e fora dos shows, nos planos mais fechados, com Pedro apreensivo e tomado pelo desespero, quem acompanha não só se compadece como vai aos poucos descobrindo mais sobre o protagonista. O destaque para a cena da forte chuva não só é impactante, como faz o espectador se sentir na pele de Pedro, que só quer procurar conforto a partir dali. A montagem e a forma como a história foi contada foram feitas de forma precisa e sincera, com o espectador comprando a ideia e torcendo para Pedro encontrar seu rumo e a felicidade.

Shico Menegat tem uma excelente atuação, ele não precisa se concentrar nos diálogos para transmitir ao público tudo o que seu personagem sente, com seu olhar triste e distante já é possível perceber o que se passa com ele, e os problemas pelos quais passa serve de estímulo para outras pessoas acreditarem que existe luz no fim do túnel e que a vida pode proporcionar momentos grandiosos e inesquecíveis. Há a ideia de esperança, muito bem retratada pelo roteiro e pelo personagem Pedro, o Garoto Neon.

Uma história intensa, comovente, sensível e realista, quem acompanha vai se interessar e se sentir envolvido. Não é à toa que ‘Tinta Bruta’ já foi merecedor de alguns prêmios e com potencial para voos ainda mais altos. Fortemente recomendado!

Cotação: 4/5 poltronas.

Poltrona Cabine: O Beijo no Asfalto/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Beijo no Asfalto/ Cesar Augusto Mota

Um filme bastante ousado, com atmosfera noir, prima pela metalinguagem e aborda assuntos que estão até hoje nas mais diversas rodas de discussão. ‘O Beijo no Asfalto’, baseado na peça homônima escrita em 1961 por Nelson Rodrigues, marca a estreia de Murilo Benício na direção, em uma produção que é um verdadeiro deleite para os olhos do espectador e que, sem dúvida, vai ficar por muito tempo na boca do povo, principalmente no que concerne à maneira como a obra foi construída.

A narrativa traz a história de Arandir (Lázaro Ramos), um homem que realiza um ato de misericórdia ao dar um beijo na boca de um homem desconhecido que estava prestes a morrer após ser atropelado por um lotação. A partir daí vemos Amado Ribeiro (Otávio Müller), um jornalista disposto a trazer a notícia, criando uma fake news para conseguir  mais repercussão e, consequentemente, vender mais jornal. Além dele, o incidente foi presenciado pelo sogro de Arandir, Aprígio (Stênio Garcia), que nutre muito ódio por ele e possui uma relação controversa com a filha Selminha (Débora Falabella), esposa de Arandir. Nessa atmosfera atribulada, a vida de Arandir vira um inferno, com a perseguição da polícia e da mídia, prejudicando seu casamento e a relação de amor e confiança com Selminha.

A forma como Benício escolheu para trazer esse enredo ao espectador foi de um extremo bom gosto, com uma mescla entre a produção da história feita no teatro e depois adaptada para a televisão. A conexão e a descontração dos atores em uma mesa redonda para ensaiar as falas são flagrantes e causam grande comoção, e nela estão dois grandes ícones que brilharam centenas de vezes nos palcos e dão o ar da graça nessa obra, como Fernanda Montenegro e Amir Haddad. É a arte falando da própria arte, com o público observando a montagem dos cenários, os ensaios dos atores, a equipe de filmagem de preparando para as cenas e o preto e branco na tela com clima de produção de época. Sem dúvida, uma obra de tom incrível e que foge do convencional e com assuntos cada vez mais atuais.

O ritmo apresentado no filme é frenético, na medida em que a história vai se desenrolando, o sentimento de desespero de Arandir se aflora, o espectador consegue se inserir na trama e nos convencemos acerca dos conflitos pelos quais passa o protagonista, como a questão de sua sexualidade posta em dúvida, um suposto adultério e também a fidelidade dele para com sua esposa. E outro quesito importante é até que ponto um profissional de imprensa pode ir para alcançar audiência e prestígio. Nos dias atuais, tudo isso ainda é latente, ainda mais com a existência das redes sociais, que podem acabar com a dignidade de um ser humano, além de lhe provocar feridas e expô-las ao público.

As atuações são brilhantes. Lázaro Ramos faz o espectador se sensibilizar e ficar estarrecido com as perseguições que acaba sofrendo da polícia e dos órgãos de imprensa, que o tratam como criminoso e uma aberração. Débora Falabella convence como Selminha, a mulher que sofre todas as atrocidades e brutalidades dos oficiais, além de ter sua mente afetada com todo o imbróglio no qual seu marido se envolve. E Otávio Müller representou com perfeição um repórter fissurado por fama e holofotes, e suas atitudes ilustram a que muitos profissionais de imprensa ilustram hoje em dia.

Com algumas alterações, mas sem perder a essência de Nelson Rodrigues, Benício consegue levar ao público uma obra que provoca emoção, reflexão e paixão pela sétima arte, tamanha a delicadeza com a qual a história foi tratada e a precisão em sua construção. Quem já teve contato com as obras de Rodrigues vai se surpreender positivamente com o resultado desse filme, mas quem nunca teve a chance de apreciar os textos e todo o legado deixado por Nelson Rodrigues, essa é uma grande oportunidade. Não perca!

Cotação: 4/5 poltronas.