Poltrona Cabine: Os Suburbanos/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Os Suburbanos/ Cesar Augusto Mota

Vida de músico brasileiro não é nada fácil, sempre fazendo shows em pequenas casas noturnas, muita persistência e sempre de olho em possíveis chances que possa alavancá-lo ao estrelato. Integrantes do meio artístico afirmam que vale tudo pelo sucesso, mas será que tudo mesmo? Até onde vai a disposição e ousadia de alguém disposto a ganhar holofotes? Sob a direção de Luciano Sabino e com protagonismo de Rodrigo Sant’anna, ‘Os Suburbanos’ traz tudo isso e uma divertida história que traz de tudo um pouco, não só sobre ser uma celebridade em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, como também alguns problemas sociais que nos assolam até os dias de hoje.

Acompanhamos a trajetória de Jefinho (Sant’anna), ex-motorista de van e que sonha em ser famoso com um grupo de pagode, o Farol do Pagode. Para isso ele se dispõe a fazer qualquer coisa, como trabalhar na limpeza da piscina da casa de JP (Paulo Cesar Grande) dono de uma grande gravadora, de olho em uma possível oportunidade. Mas ele não esperava se envolver com a esposa do patrão, Lorena (Cristiana Oliveira) e descobrir que vai ser pai pela primeira vez. É desenhada aí uma grande enrascada, da qual para poder sair, Jefinho precisará mais do que esperteza para sair.

O roteiro, assinado pelo próprio Sant’anna, aborda uma história divertida, no ano de 2008, período no qual as redes sociais ainda engatinhavam e gêneros musicais como pagode e funk dominavam o mercado. Jefinho, o personagem-central, tenta resolver tudo do seu jeito, com muito bom humor e na base do improviso. Ele não foge de suas responsabilidades e tampouco deixa seu sonho de ser artista morrer, mas sabe de suas limitações e das dificuldades diante dos percalços da vida, porém consegue tirar de letra. O contexto histórico abordado é a de um Brasil com atendimento hospitalar precário, uma sociedade mergulhada em preconceitos e mulheres sendo objetificadas. Tudo isso ainda persiste atualmente, trata-se de uma obra atemporal, com críticas feitas de maneira cômica e cirúrgica.

Se a história é um ponto alto, as atuações também, não só do protagonista, como de seu elenco secundário. Rodrigo Sant’anna repete o bom desempenho de ‘Um Suburbano Sortudo’, com sua grande expertise em sátiras e humor caricato, sabendo aplicá-las no momento certo. Babu Santana funciona muito bem como o dinâmico de Jefinho, Wellington, tendo extraído tudo de melhor do personagem-central. Paulo Cesar Grande e Cristiana Oliveira conseguem entregar tudo o que se espera de seus papéis, como a esposa fogosa e o dono de gravadora mulherengo. Ambos os personagens não possuem muito aprofundamento e vivenciam situações clichês, o que não compromete o andamento da história.

Os figurinos e a paleta de cores utilizada ambienta o espectador nos anos 90 e início dos anos 2000, com cores claras e artistas com roupas e adereços extravagantes, com blazers, correntes, cabelos coloridos e óculos espelhados, típicos dos grupos de pagode. E a conclusão da narrativa consegue satisfazer o público, curioso para saber se Jefinho vai ou não se dar bem no mundo da música.

Divertido, didático e crítico, assim podemos definir ‘Os Suburbanos’, produção brasileira que usa e abusa do humor, mas também sabe transmitir importantes críticas e mensagens.

Cotação: 4/5 poltronas. 

Por: Cesar Augusto Mota

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