Poltrona Séries: Onisciente-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Onisciente-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Universos distópicos e ficção científica estão bastante em alta, principalmente nos serviços de streaming. A Netflix já havia apresentado ao público a série brasileira ‘3%’, de Pedro Aguilera, que teve uma recepção positiva. Agora temos a produção ‘Onisciente’, também assinada por Aguilera, que mostra uma sociedade refém das tecnologias e em uma São Paulo de baixos índices de criminalidade.

Se já tivemos a sensação de sermos vigiados, agora com a internet e as redes sociais nos sentimos em um verdadeiro Big Brother. E na série em questão os cidadãos que transitam pelas ruas e todos os ambientes de São Paulo são constantemente focalizados por drones capazes de captar todas as sensações, fazer um breve relatório sobre o comportamento e também detectar crimes, sejam de grau mais baixo até os de maior gravidade. E a empresa ‘Onisciente’, que dá nome à produção, é a responsável por todo o aparato que está na cidade. Mas o sistema de vigilância não é perfeito e tampouco 100% confiável, o que já se pode atestar no primeiro episódio.

Um crime bárbaro abala Nina Peixoto (Carla Salle), a protagonista. Seu pai leva um tiro a queima roupa, mas o crime não é registrado pelo drone. Em uma investigação com ritmo frenético e cheia de percalços, Nina vai em busca do criminoso, mas não será fácil, pois as imagens de todos os drones da cidade são protegidas, apenas máquinas conseguem ter acesso e uma possível conexão seria caracterizada como violação de privacidade.

O plano visual não conta com grandes efeitos especiais, nem com representações sofisticadas no tocante ao futuro. O destaque fica para os efeitos em preto e branco e as tomadas fechadas dos drones, com todas as informações explicitadas, e possíveis crimes detectados. As ruas não contam com carros voadores, nem com prédios espelhados e luzes de neon, o que caberia muito bem em uma narrativa que se passa no futuro. O uso de flashbacks faz a relação pai e filha ser bem explorado e o espectador se envolver com os traumas da personagem central, mobilizando-o a torcer para que atinja seus objetivos, como a de desvendar o mistério que ronda a morte do pai e a efetivação no trabalho, na Onisciente, mesma empresa na qual o pai trabalhava, no setor de manutenção.

Apesar de o futuro e o uso da tecnologia já terem sido bastante explorados em outras produções, Onisciente tem uma narrativa envolvente, uma protagonista cativante e um elenco secundário que faz a personagem principal crescer, além de questões importantes como a moral, a intimidade e as fragilidades de um sistema tecnológico e o quanto isso pode ser perigoso para uma coletividade. Referências a ‘Black Mirror’ não são à toa, com toque brasileiro.

Ficou curioso? ‘Onisciente’ possui seis episódios e com um ótimo gancho para a próxima temporada, com uma continuação que mostra que nunca estamos sozinhos e que devemos desconfiar de tudo o que está a nossa volta, e todo cuidado é pouco.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

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