Poltrona Cabine: Aquaman/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Aquaman/ Cesar Augusto Mota

Um dos heróis mais populares do Universo DC e que traz muitas discussões sobre o que é ser herói de uma nação ou até mesmo da humanidade, Aquaman está chegando às telonas. Criado em 1941 por Mort Weisinger e Paul Norris, o filme homônimo dirigido por James Wan (Invocação do Mal 2) vem com um grande desafio, o de mostrar que é capaz de cativar outros públicos, além dos fãs do personagem oriundo dos HQ’s.

Arthur Curry, ou Aquaman, vivido por Jason Momoa (Liga da Justiça), é um jovem filho de Atlanna (Nicole Kidman), princesa do reino subaquático de Atlântida, que chegou a ser banida por fazer visitas à superfície, conhecendo posteriormente o faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison), com quem teve um romance e depois deu vida ao protagonista da trama. Arthur herda os poderes da mãe, de respirar debaixo d´água e ter a capacidade de conversar com todas as espécies marinhas, e graças à ela e, principalmente ao pai, evolui e ascende ao trono de Atlântida. Porém, surge a ameaça do meio-irmão Orm Marius (Patrick Wilson), que alega ser o legítimo herdeiro do trono de Atlântida, e está disposto não só a se vingar de Aquaman, como também a de acabar com a superfície e dizimar todos os humanos da Terra. O personagem central tem não só essa dura missão, como também a de encontrar o Tridente do Rei, artefato capaz de controlar todo o oceano, tudo, mas somente um autêntico rei poderia controlá-lo. Mas ele não estará sozinho, pois contará com o apoio de Mera (Amber Heard), rainha do reino de Xebel, antiga colônia de Atlântida, e Vulko (Willem Dafoe), conselheiro real de Atlântida e principal mentor de Aquaman, que o treinou desde a infância.

O roteiro não só traz uma jornada épica do protagonista, como também valoriza suas origens e proporciona uma importante reflexão, se Aquaman é digno ou não de seu destino, de ser rei, e se ele é realmente capaz de apaziguar os ânimos e conciliar os habitantes da superfície terrestre com os que vivem no fundo do mar. Fora isso, temos abordagens precisas sobre amizade, lealdade, lembranças, além do show de efeitos especiais e bela representação visual, tanto na Terra, como no mar. A cidade de Atlântida é retratada com um aspecto bem futurista, cheio de cores e muitas criaturas que aparentam ser do espaço. Não há; nenhum temor dos roteiristas e produtores de darem uma roupagem de HQ para o filme, com muitas cenas frenéticas de ação e uma rica paleta de cores. Quem acompanha é brindado com uma narrativa envolvente, cheia de explosões, pancadaria e muitos personagens de personalidades rígidas e de grande presença na tela.

Outro mérito do longa também está na direção de James Wan, cineasta sem nenhuma experiência com filmes de ação e que envolvam super-heróis e mais presente no gênero terror. Notadamente que se tratou de uma aposta, e, sem dúvida, certeira. Wan conseguiu trazer para o público uma produção com ocasiões memoráveis em grandes cenários, além de ter conseguido encaixar o humor em momentos oportunos, com trilha sonora vibrante e que causa grande frenei na plateia, além de mostrar que Aquaman vai além das origens do personagem principal. O longa traz importantes mensagens de humanidade, esperança, além de críticas sociais aos que devastam a Terra e o meio ambiente, e os que profanam ódio e intolerância no mundo.

E não se pode esquecer da atuação de Jason Momoa, que, sem dúvida, é memorável. Muitos esperavam que ele fosse apresentar um protagonista caricato e bastante zombado por conversar com outras espécies marinhas ou montar em um cavalo marinho. Aquaman está longe de ser um galã das HQs e personagem cômico. Ele passa por uma grande evolução, bastante violento, nervoso e demonstra ser um temível Rei dos Mares. Ele cresce na trama juntamente com o personagens secundários, que o permitem brilhar, além destes também se destacarem, como exemplo Vulko, interpretado por Willem Dafoe (No Portal da Eternidade). O conselheiro funciona como uma espécie de senhor Miyagi, do clássico filme Karatê Kid, que consegue extrair tudo o que Arthur Curry tem de melhor, além de possuir um papel importante na história, a ponto de fazer barulho e causar intriga junto ao vilão, Orm, de Patrick Wilson (A Freira). Wilson é um perfeito antagonista, que usa de todas as táticas e suas forças para não perder o trono de Atlântida e de quebra ver seu meio-irmão arruinado.

Dolph Lundgren (Rocky Balboa), o Rei Nereus, que traz uma atmosfera ainda mais sombria e violenta para a história, e Amber Heard (Conexão Perigosa), que mostra que não está ali para fazer par romântico com Momoa, possuindo uma função importante na trama. Em boa parte da história o espectador se confunde e não consegue saber de qual lado Mera está, mas nos momentos decisivos, a personagem se revela e apresenta importantes intervenções que serão decisivas no conflito final.

Um filme divertido, frenético, de enorme beleza estética e que faz o espectador levantar da cadeira de tantas explosões de cenas de ação que possui. ‘Aquaman’ convence na proposta de mostrar ao público que filmes de super-heróis vão muito além de efeitos visuais e sons estrondosos. Temos uma trama bem contextualizada, vivida por um grande elenco e com uma gama de ingredientes que o faz ser especial. E não seria exagero dizer que tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano. Um fôlego a mais que o Universo DC precisava para mostrar para os fãs de HQ, de cinema e super-heróis de que produções como a de Aquaman ainda tem muito chão pela frente e com possibilidade de trilhar um caminho de sucesso. É aguardar pelos próximos lançamentos e torcer para mais êxitos. O público agradece.

 

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