Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme cujo ator em seu papel principal enfrenta diversos dilemas, sejam morais ou éticos, e divide opiniões? Famoso por interpretar personagens de personalidades fortes e que muitas vezes faz o público se mobilizar e comprar a ideia que ele está transmitindo, Denzel Washington (Um Limite entre Nós) em seu novo filme vai por um lado e acaba se perdendo pelo caminho. “Roman J. Israel, Esq”, longa dirigido por Dan Gilroy (O Abutre), apresenta um enredo interessante dentro do mundo jurídico e em face dos diversos conflitos sociais existentes, mas este acaba por deixar o espectador confuso e sem entender a real proposta de seu diretor.

A trama conta a história do advogado cujo nome dá título à obra, um profissional que vincula seu trabalho aos seus ideais de ativista do movimento negro e que vive em meio às grandes corporações que lucram com seus processos criminais e as ONGs que se se sustentam com ou sem ajuda financeira. Porém, Roman vê sua vida mudar radicalmente quando perde seu sócio de quase quatro décadas após este sofrer um ataque cardíaco e não poder mais advogar. Com muito esforço e relutância, ele é aceito pelo escritório de George Pierce (Colin Farrell), um advogado mais preocupado com cifras e lucros do que propriamente com o bem-estar de seus clientes. Com ideologias e princípios bem estabelecidos, até mesmo utópicos, Roman encara um mundo cujas escolhas podem acarretar sérias consequências e vai ter de lutar contra os mais poderosos, sejam promotores, ou até mesmo colegas de trabalho sem escrúpulos, para sobreviver em um universo complexo e dominado pelo poder.

A primeira parte da história tem o cuidado de construir e detalhar minuciosamente a personalidade de Roman, suas virtudes, vulnerabilidades, além de seu passado e presente dentro do movimento negro. O personagem central é muito bem construído e perfeitamente incorporado por Denzel Washington, que demonstra ser um advogado disposto a usar a vestimenta da esperança e da força, sem abrir mão do que considera certo e justo. O elenco secundário, composto por Colin Farrel (O Estranho que Nós Amamos) e Carmen Ejojo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) também possibilita que o protagonista brilhe, mas eles também possuem importância para os rumos da trama e são outros atrativos para o filme, apesar do ritmo quebrado na segunda metade até seu desfecho.

O trabalho de Dan Giroy é louvável, com temáticas importantes e sempre debatidas em sociedade, como o racismo, os movimentos pelos direitos civis e o complexo sistema judiciário, seja ele composto por leis falhas ou por profissionais corruptos e que maculam o trabalho dos representantes da Justiça, mas os imbróglios inseridos do meio para o fim fazem o filme perder sua essência e acabam por prejudicar sua coerência. Tamanhas falhas fizeram os espectadores questionarem qual o foco pretendido e se as reviravoltas teriam sido propositais. O excesso de mudanças nos personagens também é outro fator negativo, o longa perde sua identidade e força, e o público já clama pelo encerramento da história.

Um filme que tinha tudo para mobilizar a plateia e trazer grandes emoções, mas com um roteiro falho e com atuações que quase desvanecem. Roman J. Israel, Esq. Merecia mais, e poderia ter sido muito mais.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Projeto Flórida/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Projeto Flórida/ Cesar Augusto Mota

Após se destacar com um longa-metragem inteiramente filmado com um Iphone, Sean Baker chega para mostrar que está ainda mais afiado.  Assim como fez em Tangerine, o cineasta mostra que é capaz de produzir com poucos recursos, mas com bastante competência e talento. ‘Projeto Flórida’ vai mostrar isso, bem como sensibilizar e inserir o público no universo que será retratado em seus 115 minutos de projeção.

A narrativa apresenta ao espectador a dura realidade de várias famílias que moram em motéis baratos à beira das rodovias de Orlando, na Flórida, e as dificuldades que enfrentam para se manterem ali, pagando US$ 35 por noite. No centro desse contexto, há um foco especial na jovem Halley (Bria Vinaite) e sua filha Moonee (Brooklynn Prince). A primeira, uma jovem mãe abatida pelas dificuldades que a vida impôs e por ter ingressado na vida adulta após gravidez precoce, e a segunda, uma criança espevitada e que curte para valer suas férias de verão ao lado das crianças da vizinhança e se divertindo das mais diversas formas, seja pedindo dinheiro aos transeuntes para comprar sorvete, transitando entre casas velhas e abandonadas ou até em travando competições de cuspe à distância.

O local é administrado por Bobby (Willem Dafoe), um homem simples, disciplinado e preocupado em seguir as regras que sua função de gerente impõe, bem como com o bem-estar dos moradores. Ele tem uma relação muito especial e de carinho com as crianças das redondezas, principalmente com Moonee, que sempre o inferniza com suas brincadeiras e seu jeito espontâneo e alegre de ser. Bobby é um personagem que cativa o público, não só pela maneira como administra os conflitos e os problemas das pessoas que moram no hotel, como também sua personalidade, flexível em algumas situações, mas rígido quando deve ser. Dafoe tem uma atuação de destaque, e mereceu a indicação para o Oscar como at or coadjuvante, por sua atuação e pela maneira que lidou ao trabalhar com um grupo de atores iniciantes, bem à vontade ao lado deles.

Não só Dafoe, mas os atores que compuseram os inquilinos se destacaram durante a trama, com atenção especial para Bria Vinaite e Brooklynn Prince. Bria ilustra uma mãe amorosa e dedicada, mas um tanto inconsequente, uma mulher que não mede esforços para criar a filha, mas não reflete sobre as consequências de seus atos para conseguir dinheiro, alguns golpes e roubos estão entre eles. Já a garotinha impressiona por sua desenvoltura em cena, em um nível elevado para uma personagem de apenas seis anos. As cenas entre as duas, além de convincentes, são muito comoventes, com uma amparando a outra, além de muitos sorrisos, apesar da difícil situação que vivem. E é melhor mesmo sorrir para os prob lemas do que chorar e se desesperar, não é mesmo?

Não se pode deixar de dar méritos também a Sean Baker, que conseguiu trazer uma narrativa complexa, envolvente, além de explorar a sensibilidade dos personagens e de mostrar o lado da esperança e da fantasia dos moradores, que curiosamente estão nas proximidades dos parques da Disney, muito cultuados pelos turistas, principalmente os brasileiros. O equilíbrio entre o sonho e a realidade é devidamente traçado, e de uma forma para lá de especial, com a razão dos adultos e a magia das crianças.

Um filme maravilhoso, fantasioso e emocionante, ‘Projeto Flórida’ é uma produção ousada, rica em detalhes e recheada de muito talento, seja de quem está diante das câmeras ou por trás delas. Assista e se emocione bastante!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: A Grande Jogada/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: A Grande Jogada/ Cesar Augusto Mota

Está chegando às telonas mais um filme baseado em uma história real, e com direito à indicação ao Oscar. Conhecido por apresentar filmes com roteiros que contém diálogos rápidos, verborrágicos e recheado de informações didáticas e reveladoras para seu público, Aaron Sorkin (Steve Jobs), roteirista agraciado com o Oscar em 2011 por ‘A Rede Social’, estreia na direção com ‘A Grande Jogada (Molly’s Game), baseado no livro Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, de autoria de Molly Bloom, a princesa do pôquer, como era conhecida. O longa, além desses ingredientes, contará com as atuações de Michael Cera (Scott Pilgrim Contra o Mundo), Jessica Chastain (Armas na Mesa), Idris Elba (A Torre Negra) e Kevin Costner (Estrelas Além do Tempo), um elenco de peso, não é mesmo? Mas será que essa adaptação funcionou e Sorkin fez sua estreia como cineasta com o pé direito ou deixou a desejar?

A história nos apresenta Molly Bloom (Chastain), grande promessa do esqui estilo livre, que se machuca durante preparação para as Olimpíadas de Inverno, lesionando a coluna seriamente. Após o incidente, Molly se muda para tentar vida nova em Los Angeles e rapidamente se encanta com o mundo tentador, charmoso e perigoso da jogatina, se tornando uma das maiores promotoras de jogos de pôquer na Terra do Tio Sam. Disposta a enriquecer facilmente e ter todos a seus pés, Molly não hesita em utilizar todos as armas que tem nas mãos, até mesmo sua sensualidade, para ter os mais poderosos perto de si, mas controlando à distância o ímpeto dos jogadores. Com o negócio cada vez mais lucrativo, Molly acaba por encontrar as autoridades e a té mesmo a máfia russa, num caminho tortuoso e bastante complexo, deixando sua situação bastante delicada e tento que fazer de tudo, até mesmo contratar um dos melhores advogados, Charlie Jaffey (Elba), para não ir para a prisão.

Sorkin traz um roteiro com uma história dinâmica, cheia de revelações e capaz de transportar o espectador para um universo no qual egos e emoções se misturam, e milhões de dólares são obtidos ou perdidos. Há um misto de blefes, sagacidades, dramas e jogo de poderes, tudo pelo topo. Quem acompanha a trama fica empolgado e também se interessa por seus desdobramentos, mesmo quem não estiver familiarizado com o mundo do pôquer e suas regras. E além das diversas rodadas de jogos e muita bebida, o público vai se deparar com os conflitos internos pelos quais a protagonista passa, desde os desentendimentos com seu primeiro patrão até as brigas com o exigente psicólogo e pai, Larry (Costner).

Apesar do roteiro satisfatório e com uma boa proposta, uma das falhas apresentadas está no ritmo dos acontecimentos. Se todo o universo em torno de Molly Bloom é bem construído, desde os traumas que sofreu na infância até o FBI bater em sua porta, a relação com a família, principalmente com o pai turrão, é composta por rápidos saltos e diversas pontas. Os diálogos entre os dois são rasos e artificiais, principalmente nas últimas cenas, prejudicando o fechamento da narrativa. Além disso, o terço final apresenta uma rápida e fácil resolução para o conflito maior da história, se Molly vai ou não ser presa, e o desfecho para a clientela de Molly, dos ricos empresários até as altas celebridades viciadas em jogo, passa quase que despercebido. Alguns conflitos não foram tão bem explorados, e outros poderiam ter sido mais encurtados, mas apesar dos deslizes, Aaron Sorkin consegue entregar uma obra com qualidade aos espectadores, que conseguem se importar com a personagem principal e torcer por ela.

Não poderia me esquecer das atuações, Jessica Chastain prova que é uma atriz em ascensão nos últimos anos. A ruiva transmite empatia ao público com uma personagem cercada de controvérsias, mas com uma aura humana. Apesar da personalidade forte e de demonstrar empoderamento ao longo da história, ela é cercada de fraquezas e em muitas ocasiões ela é confrontada pelos homens, mas mostra força e demonstra ser difícil alguém derrubá-la. Idris Elba interpreta um advogado com participação decisiva na história e revelador de outras facetas de Molly, apesar de contestá-la na maior parte da trama. Kevin Costner tem uma participação discreta e entrega o que seu personagem pede, mas não é uma atuação memorável e para ser sempre lembrada. Michael Cera teve uma participação especial, nada além disso.

Apesar dos altos e baixos, ‘A Grande Jogada’ ilustra uma história interessante, empolgante e também dramática para o público, com uma personagem forte e disposta a tudo para vencer, sem dar o braço a torcer. Temos um enredo que mostra a realidade e o sonho americanos, de enriquecer e prosperar numa terra de oportunidades, uma adaptação satisfatória de uma história real e que poderia ter sido mais valorizada pela crítica e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Uma pena mesmo.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Três Anúncios para um Crime/ Gabriel Araújo

Maratona Oscar: Três Anúncios para um Crime/ Gabriel Araújo

Por: Gabriel Araujo (@gabriel_araujo1)

Maratona Oscar: “Três Anúncios para um Crime”

É fato que a “dona” de “Três Anúncios para um Crime”, Frances McDormand, tem missão complicada no Oscar ao concorrer o prêmio de Melhor Atriz com gente do quilate de Meryl Streep. Como também é fato que sua atuação — que já a rendeu um Globo de Ouro — a credencia para levar também o troféu da Academia e impulsiona, ao lado do excelente roteiro de Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri à indicação como Melhor Filme. E essas são apenas duas das sete indicações recebidas pelo bom longa no prêmio.

No filme de McDonagh, os coadjuvantes aparecem bem, mas o domínio da tela por McDormand é impressionante. Da primeira à última cena, a atriz exala sentimentos que constroem a protagonista Mildred Hayes. O espectador cria, ao mesmo tempo, simpatia e desprezo pela personagem, em um filme que não tem nem herói, nem vilão, já que a raiva move (e muda) praticamente todos. Mas que tem razão e emoção em doses cavalares e permite um misto de emoções a quem assiste.

A simpatia por Mildred advém do que ocorreu com sua filha Angela, brutalmente estuprada e assassinada. Meses se passam sem que a polícia consiga resolver o caso e a mãe, então, decide chamar atenção: aluga três outdoors em sua cidade, Ebbing (Missouri), para cobrar ações dos homens da lei, cujo representante e alvo principal é o xerife William Willoughby (Woody Harrelson). ‘Bill’, admirado pela cidade, certamente é a maior voz da razão do filme, por mais que Mildred ache o contrário, e precisa conviver tanto com a dificuldade para investigar o caso de Angela e com os outdoors que o acusam, quanto com um câncer pancreático terminal.

O filme se desenvolve no ódio de Mildred pela polícia e em sua busca por justiça, que expõe, por sua vez, um radicalismo exacerbado da protagonista e leva ao sentimento de desprezo por Hayes, capaz, por exemplo, de passionalmente sugerir um “banco de dados de DNA” para todos os homens do país e penas de morte ou de atear fogo em uma delegacia.

Do outro lado da moeda está o policial Jason Dixon (Sam Rockwell), que também move desprezo e simpatia — sim, em ordem inversa ao que Mildred gera. Dixon transita do policial “machão”, que se acha acima de tudo e se coloca como o principal rival da mãe de Angela e seus outdoors, ao homem comum com empatia que sofre no incêndio e mesmo assim salva arquivos importantes.

A trama de história pesada não impede, ainda, momentos de forte humor negro. As cenas das idas de Mildred ao dentista amigo de Willoughby e à escola de seu filho Robbie (Lucas Hedges) são exemplos, bem como a ‘visitinha’ que o policial Dixon faz a Red Welby (Caleb Landry Jones), chefe da empresa de outdoors contratada por Hayes.

É um filme realmente muito bom, que justifica a vitória como Melhor Drama no Globo de Ouro e a indicação à estatueta de Melhor Filme. Suas quase duas horas passam rápido e a trama é envolvente. A indicação de Martin McDonagh a Melhor Roteiro Original é justa e há boas chances de vitória — o roteiro já venceu um Golden Globe. McDonagh estranhamente não concorre a Melhor Diretor, prêmio que, de qualquer forma, deve ficar com Guillermo del Toro (A Forma da Água).

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri ainda concorre com a dupla Woody Harrelson e Sam Rockwell a Melhor Ator Coadjuvante. Apesar do bom papel de Harrelson como Willoughby, a maior chance de estatueta na categoria é Rockwell, certamente a grande estrela do longa após Frances McDormand.

Há também indicações ao Oscar de Melhor Edição, categoria na qual é bom candidato, e de Melhor Trilha Sonora, em que, por sua vez, não chama tanta atenção.

Nota: 4,5/5

Sinopse:
Inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby, responsável pela investigação.

Maratona Oscar: Lady Bird-A Hora de Voar/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Lady Bird-A Hora de Voar/ Cesar Augusto Mota

Uma história sobre autodescoberta, aprendizado, crescimento  e o desejo de alçar voos mais altos. Provavelmente você já deve ter visto um filme assim, mas ‘Lady Bird-A Hora de Voar’, de Greta Gerwig (Frances Ha), tem tudo isso e mais um pouco e fará você olhar para si mesmo e para os que estão ao seu redor de uma forma diferente, mais crítica, mais consciente.

Saoirse Ronan (Brooklyn) é Christine McPherson, ou ‘Lady Bird’, como se autodenomina, uma garota nada popular em uma escola católica da cidade de Sacramento, que deseja sair de casa e se livrar de suas raízes locais. Para ela não será nada fácil, pois para bater asas e voar, como sugere seu nome, terá que enfrentar uma grande jornada de amadurecimento, vários entreveros com sua mãe, Marion, interpretada por Laurie Metcalf (The Big Bang Theory), além de lidar com as decepções comuns às jovens de sua idade e superar o último ano do Ensino Médio, o terror da maioria dos adolescentes.

A história começa despretensiosa, mas após a cena da discussão entre Lady Bird e sua mãe no carro, com um breve silêncio, vamos sentir o peso das brigas e o quanto isso vai impactar na personalidade e no futuro da protagonista, além de momentos hilários com amigos e das decepções de Lady Bird com alguns planos frustrados. O roteiro, também assinado por Greta Gerwig, vem com propostas claras, como motivar e provocar o espectador; trazer os dramas e dificuldades adolescentes por um outro prisma, o de enxergar o mundo por sua própria ótica e também a dos outros; além de utilizar diálogos e recursos precisos para transmitir sinceridade à obra e mostrar que a vida é cheia de percalços e que nunca se deve perder a pose. É errando que se aprende, como estamos acostumados a ouvir.

Sem dúvida os calorosos e verborrágicos diálogos entre mãe e filha chamaram mais a atenção durante os 94 minutos de projeção, protagonizados por Saoirse Ronan e Laurie Metcalf. As duas mostraram um entrosamento incrível, além de conseguirem ilustrar um relacionamento tocante e cenas que fizessem o público se autotransportar para o mundo de Lady Bird, com sua criatividade, percepção, sensibilidade a tudo ao seu redor e a ousadia para driblar as situações mais difíceis. Laurie, como mãe da protagonista, apresentou o lado mais tenso do amor materno, além da postura superprotetora e zelosa, fazendo muitas mães se identificarem com ela. Já Saoirse consegue convencer e trazer o público para si, não só pela dificuldade que é o de interpretar uma jovem que está em fase de transição para a vida adulta, como encarar com naturalidade esse papel e passar segurança em suas atitudes, além de seus medos. Saoirse soube equilibrar as virtudes e os defeitos de sua personagem, bem como apresentou soluções inteligentes para seus problemas, além de nos brindar com momentos cômicos e emocionantes ao lado dos amigos. Destaque também para Timothée Chalamet (Me Chame pelo Seu Nome) e Beanie Feldstein (Vizinhos 2), dois amigos que possuem papéis importantes na trajetória de Lady Bird e  que vão cativar o público, tanto pela espontaneidade como pela força de seus personagens.

Investir em uma trama adolescente e contá-la de uma forma honesta, sem melodrama e fazer um se colocar no lugar do outro e entender suas necessidades, não só seus próprios anseios, são os ingredientes para o sucesso de ‘Lady Bird-A Hora de Voar’. Não foi à toa que o filme recebeu importantes indicações ao Oscar, como a de melhor direção, para Greta Gerwig, melhor atriz para Saoirse Ronan e atriz coadjuvante para Laurie Metcalf. Greta acerta a mão em fazer esse tipo de abordagem em seu filme e foge do lugar comum, além das duas atrizes cumprirem muito bem seus papéis e chamarem a atenção do público em geral. Um longa que alcançou voos altos, e que pode conseguir muito mais.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota