Poltrona Séries: Outlander-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Outlander-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Obras que exploram viagens no tempo costumam proporcionar grandes aventuras e emoções aos espectadores, além de mexer com o imaginário de todos acerca do que poderia ser alterado no passado e como ficaria o futuro com a mudança. Filmes como ‘De Volta para o Futuro’ e ‘Questão de Tempo’ estão aí para mostrar, e nas séries não é diferente. Porém, o tempo que separa os protagonistas é muito maior, de 200 anos, e o que se vê é uma autêntica odisseia nessa produção da Netflix. ‘Outlander’, em sua segunda temporada, oferece ao público 13 episódios com diversas surpresas e um desfecho comovente.

Inspirado nos livros de Diana Gabaldon, essa nova sequência de ‘Outlander’ ilustra os protagonistas James e Claire, no ano de 1743, na tentativa de alterarem o curso dos fatos e impedir a Guerra dos Jacobitas, que visava colocar os descendentes dos Stuarts no trono escocês. Mas o que se nota é um verdadeiro clima de tensão e uma intensa batalha campal. Destaque também para a batalha de Culloden, que vitimou milhares de escoceses em meio a um grande jogo de poder e interesses da monarquia francesa.

Assim como na temporada anterior, passado e presente voltam a se entrelaçar, como os anos de 1743 e 1945, e as escolhas difíceis que os personagens principais precisaram fazer. Cenários glamourosos e o romance continuam presentes, e o espectador passa a se inserir um pouco mais no contexto político e jogo de interesses da época, além dos efeitos nos protagonistas após as escolhas que fizeram para alterar os acontecimentos e salvar milhares de pessoas. A imprevisibilidade marca esta segunda temporada, um atrativo para quem curte histórias com emoções e muita ação.

Outros destaques são os belos cenários e o processo de amadurecimento pelo qual passam os protagonistas. As cenas mais quentes estão menos presentes, mas o enredo é rico em sequências com muita ação, emoção e escolhas difíceis, o que deixa o espectador esperançoso para a próxima temporada. Será que Claire vai aparecer em outro século e se apaixonar por outra pessoa? Muitas surpresas acontecem e poderão advir.

Quem curte literatura e aprecia uma boa adaptação para o streaming sem dúvida vaise apaixonar e gostar de ‘Outlander’, que brinca com a imaginação e mexe com os sentimentos de todos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Bridgerton-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Bridgerton-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma das séries mais glamourosas e belas visualmente está de volta. ‘Bridgerton’, produção da Netflix inspirada nos livros de Julia Quinn, irá focar em um novo romance da Londres antiga. Antes focada em Daphne e Simon, um casal que não conseguia esconder seus desejos e lutou incessantemente contra eles, agora veremos um casal bem diferente e desdobramentos diversos dos vistos na primeira temporada.

Desta vez as atenções estão com Kate Sharma e Jonathan, um casal que procura resistir a todas as tentações que os rodeiam. A relação de amor e ódio entre eles permeia boa parte dos episódios, mas o amor prevalece, embora tenha sido construído de uma forma mais lenta nesta nova sequência de oito episódios. Se o casal da temporada anterior era mais carismático, este vai exigir um pouco mais de paciência do espectador, que se sentirá como se estivesse vendo um filme de comédia romântica, mas com boas cenas e satisfatórias conclusões.

A temporada também tem outros atrativos, com tragédias acontecendo e alguns segredos sendo revelados, para instigar ainda mais o público. Quem não se lembra das publicações de Lady Whistledown, revelando várias fofocas da alta sociedade de Londres? Embora sua identidade já tenha sido revelada ao fim da primeira temporada, o medo dela em ser desmascarada e ficar conhecida por toda a sociedade também é outro atrativo para essa sequência que é um pouco diferente da primeira, mas com uma boa história e sequências interessantes.

Apesar do ritmo cadenciado, há movimentos bem coreografados entre o novo casal e muitos ganchos deixados para uma terceira temporada, o que motiva o espectador a acompanhar essa obra, bastante fantasiosa e com menos apelação. Uma diversão garantida por horas.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Tick, Tick…Boom!/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Tick, Tick…Boom!/ Cesar Augusto Mota

A luta pela realização de um sonho requer muita disciplina, coragem e persistência, mesmo que as dificuldades sejam de alto grau e a realidade seja cruel para um artista. No drama biográfico ‘Tick, Tick… Boom’, de Lin-Manuel Miranda, contemplamos toda a jornada épica de Jonathan Larson (Andrew Garfield) para alcançar o estrelato, em um cenário não tão favorável, mas certo de suas escolhas.

O ano é 1990, e o jovem Larson está prestes a completar 30 anos. Ele serve mesas em uma lanchonete de Nova York enquanto trabalha em um projeto no qual acredita que irá ser o próximo grande musical dos Estados Unidos. Apesar do otimismo, ele é tomado pela ansiedade por acreditar estar atrasado no tempo e se vê pressionado pelo melhor amigo, que deixa a carreira de ator e passa a ocupar um cargo com estabilidade financeira, além da namorada, que quer deixar Nova York para seguir na carreira artística.

O roteiro utiliza a função metalinguística para homenagear o compositor, como também para ilustrar o teatro musical e a forma de fazer musicais no principal cenário do mundo. A forma como o protagonista lida com a pressão e a ansiedade pela apresentação que considera ser derradeira para suas pretensões fazem os espectadores se sentirem mais imersos na trama, o que os faz compreender que nem sempre o que planejamos sai como esperamos e que é preciso sempre criar mais para se chegar a algum lugar. Todo o percurso feito pelo personagem-central, bem como as barreiras que ele mesmo coloca entre seus amigos e sonhos o fazem dar uma grande reviravolta até perceber que precisava de mais ferramentas para tornar seu desejo de se tornar astro mais palpável.

O filme ganhou consistência pela boa história e direção, que soube mostrar como um musical funciona e que esse novo formato, do início dos anos 1990, veio para ficar. O trabalho complexo realizado por Andrew Garfield não poderia ficar de fora, e é de excelência, com uma atuação digna de Oscar. O ator não só soube trazer o público para perto dele como transmitiu as emoções de seu personagem com originalidade. A capacidade de um compositor de transformar qualquer situação em música é extraordinária, e isso fica ainda mais evidente no monólogo 30/90, quando Larson e sua banda interpretam situações que inspiraram seu musical, como desentendimentos com a namorada Susan e o amigo Michael.

Não há uma idade certa para se realizar um sonho e alcançar o equilíbrio financeiro, mas sim a disciplina, persistência e também um pouco de sorte, de se encontrar as pessoas certas e os lugares certos para que as oportunidades possam se materializar. Uma obra que vale ser apreciada.

‘Tick, Tick…Boom’ concorre ao Oscar 2022 nas categorias de melhor ator e montagem.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Auguto Mota

Poltrona Séries: Um de Nós Está Mentindo-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um de Nós Está Mentindo-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Tramas adolescentes com muito mistério costumam mobilizar milhares de pessoas nos streamings, se se trata de adaptações de livros, mais ainda. Inspirada em ‘Clube dos Cinco’ e ‘Pretty Little Liars’, a produção espanhola ‘Um de Nós Está Mentindo’(One of Us is Lying), da Netflix, vem com uma vibe bastante sombria e disposta a mobilizar o público a acompanhar a trama e buscar descobrir quem foi o autor de um misterioso assassinato.

Sem muitos amigos e pouco popular na escola, o jovem Simon resolve criar o aplicativo About That e expõe os segredos sombrios de seus desafetos e de sua escola. No primeiro dia de aula, ele e mais quatro adolescentes são mandados para a detenção, mas Simon acaba morrendo misteriosamente. Suspeitos de homicídio, Bronwyn, Nate, Copper e Addy, juntamente de seus segredos, se unem para descobrir quem matou Simon.

A obra, baseada em livro homônimo de Karen McManus, consegue sintetizar as relações estudantis da atualidade, bem como ilustra seus mais diversos males predominantes, como bullying, luta de classes e casos de homofobia. Os personagens são cativantes, carismáticos, mas com longo desenvolvimento de seus arcos dramáticos, o que cansa o espectador. O clima de mistério predomina até o sétimo episódio, mas algumas tramas antes do clímax se desenrolam quase que à exaustão, com dezenas de pistas falsas até a derradeira revelação.

O roteiro peca pela falta de novidade, tradicionais arquétipos se repetem, como a líder de torcida, a CDF, o forte e o delinquente, que nos faz lembrar de alguns dos tradicionais personagens de ‘Clube dos Cinco’, de John Hughes. Porém, a menção é honrosa, e o grupo foi apelidado de ‘Clube dos Assassinos’. Na reta final, há um crescimento dos protagonistas, especialmente de Bronwyn e Nate, e surgem algumas pontas soltas, como uma deixa para uma possível nova temporada.

Com altos e baixos, ‘Um de Nós Está Mentindo’ mostra potencial em proporcionar imersão do espectador e oferecer uma trama emocionante e com muitas surpresas. Em caso de uma segunda temporada, há uma chance maior de se redimir. A conferir.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Não Olhe Para Cima/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Não Olhe Para Cima/ Cesar Augusto Mota

O que você faria se soubesse que a Terra e a raça humana estariam prestes a ser extintos pela colisão de um cometa? Como lidar com uma má notícia dessas e de que maneira evitar que o desespero tome conta? ‘Não Olhe para Cima’, de Adam McKay, traz uma história trágica que faz paralelo com a realidade, com uma boa dose de humor. De quebra, a produção da Netflix, presente na temporada de premiações, conta com um elenco recheado de estrelas, como Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Meryl Streep, Jonah Hill e Mark Rylance.

Kate Dibiasky (Lawrence) e Randall Mindy (DiCaprio) são dois astrônomos que descobrem que um cometa está vindo em direção à Terra e que o tempo para desviar sua trajetória é demasiadamente curto. Para isso, eles buscam ajuda de autoridades, principalmente da Casa Branca, mas encontram resistência da chefe de Estado, Janie Orlean (Streep), que não entende ou prefere não enxergar a gravidade da situação. De quebra, Peter Isherwell (Rylance), bilionário e CEO da empresa de tecnologia BASH, decide que é melhor deixar o cometa colidir com a Terra, pois este possui componentes caros e escassos no planeta, o que geraria grandes lucros a ele.

O roteiro, de autoria de McKay, resolve tocar em pontos importantes, como o poder da mídia e sede por audiência, a ganância de grandes empresários e a descrença na ciência por alguns, seja por religião ou ideologias políticas. Nota-se uma grande preocupação da imprensa no que deve ser dito e levado aos telespectadores, e isso se torna mais evidente na orientação que o doutor Mindy teve da produção de um telejornal, e o que ele deve falar. Os efeitos que as redes sociais são capazes de provocar não ficam de lado, e assuntos como vida privada de influenciadores digitais cada vez mais em evidência, seja pelo número de curtidas, compartilhamentos ou comentários nas publicações.

Há outro ponto que ganhou relevância na história e foi tratado de forma meticulosa, o negacionismo. Nota-se isso nos personagens de Streep e Rylance, e em grupos políticos apoiadores da presidente norte-americana, que fizeram campanha ‘não olhe para cima’, desacreditando na iminente catástrofe anunciada pelos astrônomos. Há um embate entre os pró e os anticiência, um cenário semelhante ao que vemos por aqui. E reações que já vimos ou estamos acostumados a ver, com uns indiferentes e outros que beiram ao desespero. O longa permite que o público se identifique ou se lembre de alguém com o devido comportamento.

A montagem e a trilha sonora conseguem provocar uma grande sensação de imersão no espectador, seja quanto às notícias em destaque no momento ou o desespero momentos antes da chegada do asteróide. A fotografia acinzentada e um pequeno ponto de brilho no céu nos faz acreditar que realmente uma catástrofe está para acontecer, e as reações das pessoas também corroboram para isso.

‘Não Olhe para Cima’ é abordado com um humor escrachado e uma alta carga de drama psicológico, há aqueles que riem e outros que preferem não acreditar. Como diz o ditado: seria cômico para não ser trágico, pois nos identificamos com essas reações e está bem próximo de como iríamos nos comportar diante de uma catástrofe iminente. Uma produção de alta qualidade, que vem para fazer críticas pontuais e satirizar o atual  momento em que vivemos. Vale conferir.

Oscar 2022: Não Olhe para Cima concorre nas categorias melhor filme, melhor roteiro original, melhor trilha sonora original e melhor montagem.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota