Curta! exibe nesta sexta a segunda parte do documentário “A Guerra das Crianças”

Curta! exibe nesta sexta a segunda parte do documentário “A Guerra das Crianças”

Dirigido pelos franceses Julien Johan e Michèle Durren, o documentário “A Guerra das Crianças” tem sua segunda parte exibida amanhã, 6, às 23h, no Curta!.A produção mostra como, de uma hora para outra, esses meninos e meninas perderam sua inocência ao conviverem diretamente com todos os horrores dos cinco anos de conflito: deportação, fome, trabalho forçado, morte.

 

SEXTA DA SOCIEDADE

A Guerra das Crianças (Documentário) – Parte 2

Durante anos, as experiências e as histórias daqueles que passaram a infância nos tempos da guerra foram silenciadas. Longe de serem poupadas pelos conflitos brutais, crianças foram jogadas no caos dos tempos mais sombrios e sinistros da História Mundial. Esse documentário reconta a história de uma geração única de crianças que tinham 10 anos em 1940, e que cresceram no epicentro do tenebroso cenário da Segunda Guerra Mundial.

 

Diretores: Julien Johan e Michèle Durren

Duração: 45 min

Estreia: 06 de abril, sexta-feira, às 23h.

Classificação: Livre.

Horários alternativos:

Dia 07 de abril, sábado, às 3h;

Dia 08 de abril, domingo, 00h;

Maratona Oscar: Visages, Villages/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Visages, Villages/ Cesar Augusto Mota

Que tal um documentário que traga uma linguagem diferente, imagética, capaz de cativar todos os públicos e com muitas histórias boas a serem contadas? Está chegando ao circuito o documentário francês “Visages, Villages”, protagonizada por dois grandes ícones da França, a cineasta Agnès Varda e o artista plástico JR. Juntos, eles vão trazer uma série de depoimentos, além de belos painéis em diversos vilarejos rurais do país.

A produção tem o estilo de um diário de viagem, no qual a dupla parte em um caminhão personalizado, estilo estúdio fotográfico, e na medida em que o veículo vai chegando a locais campestres dotados de antigas construções, depoimentos de pessoas acerca do local e de suas vidas são colhidos e todos são convidados a tirarem fotos no estúdio, com as imagens sendo ampliadas e feitas as devidas colagens nas fachadas das casas. Belíssimas obras de arte e ilustrações são apresentadas ao público e as paisagens ganham um novo significado.

Além de nos depararmos com uma grande parceria entre Agnès e JR, vemos muitas brincadeiras entre os dois e também muitas emoções transmitidas e belas histórias transmitidas pelos moradores dos diversos vilarejos visitados. A narrativa também nos brinda com excelentes narrações em off dos protagonistas, com suas impressões acerca das paisagens, da arte e da vida, além de belíssimas declamações poéticas feitas por ambos. Esse estilo de enredo não só impressiona pela novidade, como também pela beleza, tanto na paisagem, como nas palavras, autênticas obras-primas são compartilhadas com os espectadores.

Mas nem sempre predomina a harmonia durante a projeção, em dados momentos as paisagens são priorizadas e alguns depoimentos ficaram de lado, faltou um pouco de equilíbrio e uniformidade ao documentário, mas o saldo é positivo, não só o plano estético alegórico e belo pauta o documentário, como o conjunto de palavras e as atitudes dos moradores e agricultores fazem uma perfeita conexão, de que a felicidade é perfeitamente alcançável, e isso dependerá da forma como se enxerga a vida. E as colagens apresentadas durante a produção deram uma nova vida às fachadas e um novo significado para os vilarejos visitados, reforçando o espírito de persistência, de revitalização, importante na arte de contar histórias e nas lutas diárias.

Poético, alegórico, chamativo, tudo isso representa o documentário ‘Visages, Villages’. Um prato cheio aos amantes do campo, das paisagens, da poesia e fãs de histórias pessoais recheadas de aprendizado e lições de vida. Um tributo à vida e ao cinema, vale muito a pena.

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Eu Não Sou Seu Negro/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Eu Não Sou Seu Negro/ Cesar Augusto Mota

Para celebrar o Dia da Consciência Negra e fazer o leitor refletir acerca da importância da data, o Poltrona de Cinema traz como sugestão o documentário ‘Eu não sou seu Negro’, indicado ao Oscar de melhor documentário 2016, dirigido pelo cineasta e ativista haitiano Raoul Peck.

A produção é baseada no manuscrito ‘Remember This House’, de James Baldwin, que trata das relações étnicas durante as lutas pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos com foco na morte dos principais ícones, como Martin Luther King, Malcom X e Medgar Evers. O documentário não aborda apenas a violência da época, como também faz uma intercalação com os dias atuais, com a violência policial que deu origem ao movimento ‘Black Lives Matter’, ao lado do movimento ‘Black Panther’.

Além disso, há entrevistas com os líderes do movimento pelos direitos civis, dentre eles James Baldwin, que aponta a principal origem do racismo e que está cada vez mais presente na sociedade contemporânea.

Sobre o autor

Nascido em Porto Príncipe, capital haitiana, Raoul Peck  se refugiou com sua família para a República Democrática do Congo com o intuito de escapar da ditatura de Papa Duvalier. Taxista em Nova York, fotógrafo e jornalista na Alemanha, formou-se em cinema e retornou ao Haiti para se estabelecer como cineasta e ativista político. Foi por um breve período Ministro da Cultura (1996/97). Seu mais recente trabalho foi o filme ‘O Jovem Karl Marx’, que aborda o contexto histórico-filosófico em que Marx iniciou sua trajetória intelectual e política.  O longa foi lançado no Festival de Cinema de Berlim em 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Olhando para as Estrelas/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Olhando para as Estrelas/ Cesar Augusto Mota

Inclusão é uma palavra cada vez mais ouvida e algo ainda mais evidenciado na sociedade atual. Quando nos deparamos com pessoas portadoras de deficiência e com a vontade que elas demonstram de mostrar para si mesmas que podem realizar tudo o que uma pessoa desprovida de alguma disfunção anatômica faz, não só nos emocionamos, como também nos sentimos motivados para seguir o exemplo. O documentário dirigido por Alexandre Peralta, ‘Olhando para as Estrelas’, sem dúvida vai cativar o espectador e mostrar a ele que os problemas enfrentados no dia a dia por cada um de nós são pequenos perto do que é encarado pelas protagonistas e nos fará olhar para a vida sob outra perspectiva.

O filme ilustra a trajetória de duas dançarinas da primeira e única escola de balé para pessoas com deficiência visual no mundo, a Associação de Ballet e Artes para Cegos Fernanda Bianchini, fundada há 20 anos na cidade de São Paulo. Geyza, a primeira bailarina da companhia, também é professora da escola, já Thalia é uma adolescente que sonha em ser escritora e também viver da dança, além de ser como outras meninas, que enfrentam problemas comuns na sua faixa etária. Ao decorrer da projeção, conseguimos compreender os medos, os sonhos, bem como acompanhar a luta diária dessas guerreiras, que demonstram que a limitação visual não é um empecilho para a realização de tarefas complexas, tendo em vista que o ballet é uma arte visual e corporal.

A narrativa é bem simples, fácil de ser acompanhada, as histórias contadas são emocionantes e o espectador fica ainda mais encantado com a superação demonstrada pelas dançarinas, não só durante os ensaios e apresentações, como também os desafios do dia a dia em realizar atividades domésticas e na questão da mobilidade. O roteiro é primoroso, mas do meio para o fim do documentário a história se perde um pouco, não há mais aquela conexão que existia no início, mas essa falha é compensada com um bonito, profundo e alegórico desfecho, arrancando lágrimas e aplausos da plateia, tamanho foi o esmero na produção, realizada durante três anos.

Além das interações das protagonistas, a fotografia também impressiona, com imagens fora de foco em algumas cenas para proporcionar uma experiência mais imersiva a quem acompanha e dar ideia de como é o mundo de uma pessoa portadora de deficiência visual. Em outros momentos, o brilho das luzes no teatro também ganha espaço, para valorizar não só o cenário, mas os artistas principais do espetáculo, grandes estrelas que brilham não apenas em cena, mas também fora dos palcos.

Um filme alegórico, cativante, emotivo e motivador, quem acompanha ‘Olhando para as Estrelas’ vai perceber que a força de vontade e a paixão pela vida farão os problemas diários serem deixados de lado, por mais complexos que sejam, e nos farão perceber que vale a pena aproveitar cada momento e acreditar que podemos chegar a patamares nunca antes imaginados. Um brinde à vida!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota