Na manhã do dia 15 de maio foi apresentado à imprensa The House That Jack Built, de Lars von Trier, um dos filmes mais aguardados da 71ª edição do festival de Cannes. A sessão foi cercada por expectativas de violência extrema, já que muitas pessoas teriam abandonado a exibição para convidados na véspera.
O resultado é muito interessante. Neste suspense com vários momentos cômicos, Jack (Matt Dillon) é um engenheiro com uma compulsão pelo assassinato de mulheres. Ele não é um matador particularmente talentoso, mas as pessoas andam tão individualistas que não se importam em ouvir uma mulher gritar na casa ao lado. Talvez o principal tema do filme seja este: a falta de humanidade. O melhor exemplar dp pessimismo são as imagens de dentro do inferno. Sem estragar a surpresa, basta dizer que a composição é muito diferente do imaginário de fogo e do Diabo.
Quanto à violência, ela certamente tem momentos fortes, mas são curtos, e entrecortados por longas discussões sobre a natureza humana e a possibilidade de interpretar o assassinato como obra de arte. De qualquer modo, nada que não tenha sido retratado de modo ainda mais forte em Anticristo, por exemplo. The House That Jack Built cria um diálogo ainda mais próximo com Ninfomaníaca, outro retrato de uma compulsão contado a uma terceira pessoa, misturando filosofia e momentos chocantes.
Um dos filmes mais famosos de Lars Von Trier foi Dançando no Escuro com a cantora Bjork, que foi adaptado no Brasil para o teatro e está em cartaz no Teatro Sesi até o dia 20 de maio, com Juliana Bodini e Daniel Brasil no elenco.
O filme tem estreia garantida no Brasil, mas ainda não ganhou uma data de lançamento.
Por Anna Barros