
“Por trás de todo grande homem existe uma grande mulher”. Você certamente já ouviu essa frase, que se encaixa perfeitamente no novo longa do cineasta francês Martin Provost. O realizador retrata a vida do pintor Pierre Bonnard, que ao longo de cinco décadas ficou conhecido como o “pintor da felicidade”, que tinha como inspiração sua esposa Marthe de Méligny, que chegou a ocupar quase um terço das obras do marido.
Ícone de uma sociedade burguesa e patriarcal do fim do século XIX e início do século XX, Bonnard encontrou um novo combustível em sua vida profissional e pessoal ao começar a ilustrar Marthe em seus quadros, não só garantindo sua sobrevivência, como também reconhecimento de suas habilidades. O “pintor da felicidade” não viveu apenas momentos felizes, como teve um casamento de altos e baixos e muitos conflitos internos, muitas vezes colocado em seus trabalhos.
A variação na paleta de cores, em momentos mais alegres com cores quentes e em ocasiões de tensão com tons frios, foi precisa e soube mostrar o misto de emoções de Bonnard ao longo de sua trajetória e como a pintura poderia ser inerente aos sentimentos do ser humano. O francês sabia o momento certo para iniciar um novo trabalho, como sabia trabalhar os traços e usar o tom exato das cores, com destaque para um quadro com Marthe em primeiro plano, uma espécie de janela se abrindo para o mundo.
O longa não é somente de Bonnard, Marthe também ganha seus momentos de protagonismo e vemos um lado da musa que ainda não conhecíamos. Seu arco dramático é bem desenvolvido e o clímax da história ilustra o quão determinante a postura de Marthe em sua vida pessoal e como ela influenciou no trbalho de Bonnard. A personagem faz o espectador se impressionar e pensar que ela poderia ter dito mais destaque na sociedade patriarcal e machista da época.
Reflexivo, instigante e surpreendente, assim pode-se definir “A Musa de Bonnard”, mais que uma cinebiografia, uma carta de amor à pintura e um tributo a um dos grandes expoentes da França, sem esquecer o papel da mulher na sociedade, que merece mais valorização e reconhecimento.
Cotação: 5/5 poltronas.
Por: Cesar Augusto Mota