Poltrona Cabine: Viva a França/Livia Lima

Poltrona Cabine: Viva a França/Livia Lima

viva a françaSoa como mais um ordinário filme de guerra, mas ele tem potencial.

É extremamente interessante poder analisar a situação histórica vista de um ponto mais íntimo, micro social. O diretor Christian Carion fez um bom trabalho ao explorar bem os personagens e suas características, preferências e vivências.

O longa, que expõe a guerra histórica que fez mais de 8 milhões de franceses buscarem refúgio pelas planícies do país, relata a trama de uma forma bem humana, intercalando, através das cenas, as diferentes situações vividas pelos personagens e, conseguindo assim, prender a atenção de quem assiste.

É interessante também como o girl power se faz presente no filme, quebrando o estereótipo do “sexo frágil”, seja com Mado, a mulher do prefeito (Olivier Gourmet) tomando as rédeas de uma situação antes decidida apenas por homens, seja com a professora Suzanne (Alice Isaaz) auxiliando na liderança do êxodo dos cidadãos ou tentando proteger as crianças, especialmente Max, da violência gerada pela situação.

Outro ponto alto do filme, é a trilha sonora, trabalho de Enio Morricone, que parece ter selecionado à dedo músicas da época, clássicas, que se encaixaram perfeitamente nos cenários planos e nas diferentes histórias paralelas que habitam o longa-metragem.

Um filme pensado fora da caixa, feito com atenção aos detalhes e com muita qualidade em toda a produção. Vale a pena.

Cotação Poltrona de Cinema: 4 Poltronas

 

Poltrona Cabine:O Botão de Pérola/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine:O Botão de Pérola/Cesar Augusto Mota

O Botão de Pérola: história nostálgica e didatismo do diretor

 

1882Esta obra do roteirista e diretor Patricio Guzmán começa a retratar a água, um dos principais elementos da Natureza, e esta não só é exaltada como composto essencial da vida, mas também capaz de traçar os caminhos do Homem ou até mesmo ser caracterizada como local que abrigou milhares de corpos jogados durante a ditadura do ditador Augusto Pinochet.

O filme faz um belo trabalho no quesito História, pois se remete às riquezas presentes no solo do Deserto do Atacama, o passado colonial, com exploração, estupro e morte de milhares de índios, e torturas no regime político dos anos 1970, no Chile.

A narração feita durante toda a produção é do próprio diretor, que tece comentários carregados de cunho filosófico e político, e tudo isso enriquece a película, pois proporciona ao espectador a capacidade de refletir sobre o papel do homem na sociedade, repensar suas ações e práticas no seio social e também questionar sobre a questão da impunidade, ainda recorrente na atualidade e que revolta a coletividade.

Quanto ao título, o que seria esse botão de pérola? Fronteira mais extensa do Chile, a água oculta, o segredo de dois botões misteriosos que estão no fundo do mar. Não adiantarei sobre o que são esses botões, mas ilustram o processo violento da colonização das Américas, dotada de exploração das terras indígenas, a violação da liberdade coletiva e a política e repressiva predominante nos anos de chumbo do Chile.

Premiado como filme de Melhor Roteiro no Festival de Berlim (2015), “O Botão de Pérola” estreia em 14 de julho nos cinemas. Se você gosta de uma abordagem lírica, metafórica e didática sobre a colonização chilena, as belezas naturais do país e uma síntese que complete sobre a ditadura de Pinochet, esse é o filme certo.

Poltrona Cabine: Independence Day: o Ressurgimento/Thiago Simão

Poltrona Cabine: Independence Day: o Ressurgimento/Thiago Simão

independence dayOh da Poltrona,

Depois de 20 anos de lançamento do primeiro Independence Day, nós pegamos nas armas e iremos mostrar para esses alienígenas quem manda aqui, ou não.

Sinopse

Após o devastador ataque alienígena ocorrido em 1996, todas as nações da Terra se uniram para combater os extra-terrestres, caso eles retornassem. Vinte anos depois, o revide enfim acontece e uma imensa nave, bem maior que as anteriores, chega à Terra.

Análise

Neste dia de 23 de junho, estreia a continuação de um dos filmes mais badalados da década de 90.

Com algumas mudanças, por exemplo o Will Smith que aparece somente citado no filme. Temos aqui um filme que segue o mesmo tempo cronológico de seu lançamento, então se passaram na história 20 anos, como o período entre os filmes.

Mesmo sem Will Smith, este filme não desanima e entrega um bom espetáculo. Com cenas de impacto, e sem medo de ser feliz nos efeitos.

Desta vez temos um roteiro com mais núcleos que o primeiro, e muitas referências em homenagem ao seu antecessor.

Contudo, me incomodou algumas coisas forçadas no roteiro, estereótipos e algumas interpretações ruins.

Sobre o 3D, não senti muito a necessidade, contudo o som está muito bem trabalhado. Se puder ir numa sala que dê valor isso, vá!

Deixo então 3 / 5 Poltronas

Até mais!

 

Poltrona Cabine: Elvis e Nixon/Anna Barros

Poltrona Cabine: Elvis e Nixon/Anna Barros

elvis e nixonA ideia do filme Elvis e Nixon é muito interessante. Captar uma passagem da vida de Elvis, em que o Rei do Rock quer porque quer um distintivo especial de agente para lutar contra as drogas. O encontro deles é hilário e inimaginável e Kevin Spacey está perfeito como Nixon, tornando o presidente dos EUA responsável pelo Watergate até simpático.

Adoro Elvis Presley e confesso que o filme me atraiu bastante por aliar música e política.

Não sabia que Elvis gostava tanto de armas e andava armado. Confesso que fiquei um pouco decepcionada com isso porque detesto armas e sou a favor do desarmamento.

Michael Shannon também está muito bom como Elvis, com trejeitos e atitudes e dá para ver o quanto Elvis encanta o público feminino e conserva as suas amizades.

O encontro demora a acontecer e nessa hora achei que as coisas ficaram um pouco lentas, mas as tiradas e a beleza do jovem ator que faz Schiller, o amigo de Elvis, e seu RP, deixam fluir a película leve e divertida.

Os diálogos são soltos, engraçados e divertidos. E sabem mexer com o público nas horas certas.

Super recomendo o filme para quem gosta de política e ama o Rei do Rock and Roll.

 

Sinopse: No dia 21 de dezembro de 1970, teve lugar um dos acontecimentos mais peculiares da história recente dos Estados Unidos. Na ocasião, a Casa Branca recebeu um ilustre visitante, um homem que pediu uma audiência privada – uma reunião que viria a se tornar lendária – com o presidente Richard Nixon (Kevin Spacey): o rei do rock and roll, Elvis Presley (Michael Shannon).

 

Poltrona Cabine: O Jogo do Dinheiro/Livia Lemos

Poltrona Cabine: O Jogo do Dinheiro/Livia Lemos

o jogo do dinheiroJodie Foster estreou bem como diretora.
A atriz, que iniciou a carreira em Taxi Driver aos 12, fez um ótimo trabalho em seu primeiro filme, encarregada da direção.
Jogo do Dinheiro é um daqueles thrillers que te prendem até o fim.
O longa traz George Clooney como o apresentador de um programa pastelão sobre finanças e a bolsa de valores e, assim que o seu estúdio é invadido e feito de refém por um investidor zangado, ele conta com a ajuda da sua produtora, interpretada por Julia Roberts, para sair com vida da situação.
A crítica à sociedade capitalista e a sina de ganhar dinheiro foi o fator que me conquistou.
Com o passar da trama, se percebe que o inimigo é mesmo outro e inevitavelmente,  o sentimento é transferido pra fora das telas, criando um questionamento persistente sobre quem realmente está tirando nosso dinheiro, direta e indiretamente.
Como sempre, Clooney e Roberts estão impecáveis. É clichê, mas os dois foram uma ótima escolha. Química perceptível e fluidez bem agradável de se assistir.
Jodie fez um bom trabalho visual e um bom trabalho intelectual ao criar uma crítica, não só ao poder do dinheiro na sociedade atual, mas também na abordagem à banalização do jornalismo, dentro da busca incansável da atenção do público alvo: nosso protagonista, Lee Gates, faz de tudo para ter a atenção do telespectador, da forma mais sensacionalista possível.
Talvez, o único defeito seja acabar apelando para clichês hollywoodianos de filmes de ação. Assim que o verdadeiro vilão é nomeado, a trama se rende a vícios cinematográficos e torna-se um pouco cansativo, trazendo a tona um sentimento de “já vi isso antes”.
Em resumo, um bom filme para se assistir. Uma boa história, uma trama intensa e divertida, e duas horas que, definitivamente, não serão desperdiçadas.

Cotação: 4 poltronas/5