Poltrona Cabine: O Rastro/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Rastro/ Cesar Augusto Mota

Um filme com cenário sombrio, gritos e sussurros ao fundo, além de uma enorme tensão a cada cena. Muita gente aprecia o gênero terror e não tira os olhos da tela por nada. Mas o que você acharia de um filme sobre caos na saúde pública contado sob a ótica do terror psicológico? Assim é “O Rastro”, uma produção da Imagem Filmes do Brasil em parceria com a Orion Pictures, da MGM, que promete dar calafrios e arrepiar os cabelos de quem for assistir.

A história inicialmente mostra uma mudança na carreira de João (Rafael Cardoso), um médico de sucesso convocado para acompanhar a transferência de vários pacientes de um hospital público do Rio de Janeiro que vai fechar por falta de recursos. Diante do quadro caótico, o desespero passa a tomar conta dos profissionais que trabalharam por tantos anos no local, além dos pacientes, sem saber do futuro que os espera. Mas dias antes do fechamento, chega uma nova paciente, Júlia de Souza, uma menina de 10 anos que não tem família, mas some sem deixar pistas.

Responsável pela paciente desde o primeiro atendimento, João se sente culpado pelo sumiço de Júlia e não mede esforços para encontrá-la, mas acaba se deparando com situações que jamais imaginou e tampouco queria e passa a ter sua saúde e vida pessoal completamente afetadas. Nem mesmo o apoio de sua esposa Leila (Leandra Leal), grávida de seu primeiro filho, é suficiente. O que se percebe é um verdadeiro caos na mente de João, que tem obsessão por saber o que aconteceu com Júlia, como também fica aterrorizado com o ambiente que encontra no hospital, sujo, de abandono, caindo aos pedaços.

O diretor João Caetano Feyer acerta a mão ao escolher o terror psicológico para contar a história, com filmagens em um antigo hospital desativado e todos os ingredientes de um bom terror: cenário obscuro, câmera acompanhando os passos dos personagens, gritos ensurdecedores e que tomam conta de mentes perturbadas, além de muito sangue. Não só o contexto no qual se inseriu João, que se depara com um ambiente perigoso e cheio de segredos obscuros, mas o retrato dos hospitais públicos é um autêntico filme de terror. O tamanho desleixo e a falta de investimento em uma área que requer prioridade, a saúde, é para deixar qualquer um assustado, e as filmagens realizadas em “O Rastro” retratam fielmente como estão os hospitais públicos hoje em dia.

Não poderia deixar de destacar o trabalho de direção de arte, bem como as atuações do elenco. Os efeitos utilizados no filme, com a aparição e o sumiço repentino da personagem Júlia, seus gritos estridentes, bem como a respiração ofegante dos personagens aliada ao desespero contribuem para criar um clima tenso ao espectador, lembrando filmes como “A Bruxa de Blair” e “O Chamado”. Quanto aos atores, todos estão ótimos, Rafael Cardoso consegue convencer com seu personagem e mobiliza a plateia em boa parte da trama, Leandra Leal, que também tem importante participação na história. Felipe Camargo, Jonas Bloch e Cláudia Abreu. outros atores que também estão no filme, são decisivos e vão esclarecer vários segredos da trama.

Ansioso para o filme? “O Rastro” chega ao circuito nacional em 18 de maio, vá se preparando, sem dúvida a tensão vai tomar conta de você.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Guardiões da Galáxia Vol 2/Charles Freitas

Poltrona Cabine: Guardiões da Galáxia Vol 2/Charles Freitas

Pronto, tirada a informação-spoiler que todos os sites já compartilharam, agora é hora de dar algumas impressões sobre o filme.

A primeira história contada sobre esse grupo foi de reunião e como um bando de desajustados viria para salvar a galáxia. O volume dois apresenta uma família, isso é dito no trailer, e é exatamente o que Senhor das Estrelas, Gamorra, Drax, Rocket Racoon e Baby Groot serão durante todo o filme, uma família disfuncional que funciona justo por equilibrar seus defeitos e qualidades. Aliás, não é à toa que muitas das participações especiais no filme possuem uma ligação profunda com os personagens principais. Nisso, até a trilha sonora ajuda! (spoiler evitado)

Se alguém sentir saudade do tipo de humor que o diretor, roteirista, maquiador, músico e menino que levava as pizzas ao set, James Gunn, levou ao gênero de super heróis no cinema, ele está de volta! Para isso, Dave Batista como Drax proporciona ótimas risadas com a sinceridade do personagem. Sentiu saudade da psicodelia espacial? Ela está de volta! Sentiu saudade da trilha sonora? Ela agora terá 300 músicas! Sentiu saudades das referências, Capitão? Então. se prepare, pois elas estão em todo lugar! O único problema disso é serem de uma época bem específica, fazendo que algumas das referências se percam para o público bem mais jovem, afinal Peter Quill, são todas dos anos 80 para trás.
Agora, muita gente já sabe que o Stallone está no filme, já confirmaram a Miley Cyrus, porém, há algumas participações que (alerta de spoiler), enfim, até o cameo do Stan Lee é de tirar o fôlego!

Agora, preparem lenços de papel, porque não é só de humor que este filme sobrevive!

Guardiões da Galáxia – Volume 2 é um filme recomendadíssimo se você é fã do grupo,  e também se você não é fã do grupo!

 

Charles Freitas é colaborador do Sphera Geek, em missão especial para o Poltrona de Cinema

 

Poltrona Cabine: Rock Dog-No Faro do Sucesso

Poltrona Cabine: Rock Dog-No Faro do Sucesso

A luta pela realização de um sonho, apesar das adversidades, e uma aventura eletrizante em alto e bom som. Esses são os ingredientes de “Rock Dog: No Faro do Sucesso”, uma animação baseada na novela gráfica “Tibetan Rock Dog”, de autoria de Zheng Jun, que vem para divertir e cativar toda a família.

A história acompanha Bodi, um cão mastim tibetano que vem sendo treinado pelo pai para ser o cão de guarda de sua aldeia, localizada na Montanha Nevada. Mas nosso protagonista não se enxerga como líder e protetor de seu povo e após um fato inusitado descobre sua verdadeira vocação. Ao se deparar com um rádio que havia caído de um avião no céu, Bodi sintoniza em uma estação onde era transmitida uma entrevista com Angus Scattergood, um gato persa e considerado lenda do rock. Após o acontecimento, Bodi se abriu para um novo mundo e resolveu sair em busca de seu sonho: se tornar um grande músico.

Disposto a realizar seu sonho, Bodi parte para a cidade, mas encontra diversos percalços, como uma gangue de lobos que o segue e está disposta a ter o controle de sua aldeia, além das dificuldades em encontrar chance de mostrar seu talento artístico. Mesmo um pouco atrapalhado, o personagem principal tem como trunfos a determinação e a persistência, demonstrando muita força na busca por seus objetivos, de entrar numa banda de rock e de ter aulas de música com Angus Scattergood, mas passa por situações surreais.

Quem for assistir vai se deparar com uma ótima representação gráfica dos cenários e dos personagens, tudo bem desenhado e projetado, um retrato fiel das montanhas do Himalaia e prédios altos e ruas estreitas na China. Os personagens são carismáticos e farão você se apaixonar por eles, o roteiro muito bem construído, que apresenta uma evolução harmoniosa da história até seu desfecho, bem como importantes valores são transmitidos para o público.

Ao terminar de ver “Rock Dog”, saí da sala de exibição com a melhor sensação possível, o filme se propõe não só a divertir, ele dá uma aula. Para se realizar um propósito, não basta ter somente disposição e fé, deve-se estar preparado para tudo e lutar contra todos os males, como a inveja, a ganância e o ceticismo, e o filme mostra isso muito bem. Bodi realiza suas ações com maestria e é uma inspiração para todos os personagens do filme, bem como para os espectadores.

Ficou curioso? Não perca “Rock Dog: No Faro do Sucesso”, com distribuição da Paris Filmes, o filme chega ao circuito nacional no próximo dia 4 de maio. Não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Paterson

Poltrona Cabine: Paterson

Um filme com uma mesma sequência de ações, mas que vai explorar e exaltar a beleza da vida em meio a uma rotina diária intensa com o auxílio da poesia. Tudo isso está em “Paterson”, longa dirigido por Jim Jarmusch e com Adam Driver no elenco, famoso pelo papel de Kylo Ren em Star Wars, Episódio VII.

O personagem vivido por Driver possui o mesmo nome da cidade onde nasceu e onde viveu o poeta William Carlos Willians, seu ídolo. Paterson é um simpático motorista de ônibus e que procura ter uma rotina tranquila e de paz. Todos os dias acorda abraçado à esposa, toma café, vai ao trabalho, escreve durante os intervalos alguns versos de poemas que pretende ler para a amada e volta à noite para casa. Ele janta, leva o cachorro para passear e toma uma cervejinha com os amigos. Sua rotina é assim.

Outra peculiaridade de Paterson é que ele se recusa a ter um celular no bolso e usar computador, ao contrário da amada Laura (Golshifteh Farahani), uma mulher hiperconectada ao mundo moderno e às tecnologias digitais. Outra diferença é que ela é sonhadora, se imagina uma grande cantora country ou uma bemsucedida vendedora de cupcakes, já ele é mais pé no chão, e sequer cogita se tornar um poeta conhecido, o que é sugerido por Laura ao pedir para ele tirar cópias de ser caderno secreto de poesias.

O que pode parecer desinteressante para o público, com uma história com praticamente as mesmas ações e divididas entre todos os dias da semana, passa a se tornar atraente na medida em que Paterson escreve novos versos e estes aparecem na tela, numa belíssima fotografia e com belas paisagens, principalmente da cachoeira, em referência a um dos poemas de William Carlos Willians, inspiração de Paterson.

Todas as palavras escritas são baseadas em sua rotina e em tudo o que ele vê na cidade de Paterson, no estado de New Jersey, e traz belas metáforas, sobre as letras das caixas de fósforos Ohio Blue, que parecem com som de megafone, além da comparação feita entre o beijo e o ato de fumar, verdadeiras lembranças ardentes sob o olhar de Paterson.

A montagem é muito bem feita, com a transição entre os dias realizada de forma harmônica, além da importante retratação da melancolia do personagem central e a busca pela libertação, que ele encontra por meio da poesia. O roteiro explora muito bem o universo e o cotidiano de um apaixonado por versos, que sabe transformar coisas banais em alegorias e mostrar que a simplicidade da vida é fascinante e pode apaixonar as pessoas.

Mesmo imerso em uma rotina sufocante e em meio a pessoas cada vez mais isoladas pela tecnologia, Paterson consegue achar uma válvula de escape, apesar da rotina intensa, sob stress e quase sem tempo para aproveitar o que a vida tem a oferecer. Apesar dos problemas, devemos fazer um brinde à vida, e isso o longa “Paterson” ilustra bem.

Não perca essa grande produção, “Paterson estreia nos cinemas brasileiros em 20 de abril, aproveite!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Despedida em Grande Estilo

Poltrona Cabine: Despedida em Grande Estilo

Nas primeiras cenas de “Despedida em Grande Estilo”, remake do sucesso de 1979 e que será lançado pela Warner nesta quinta-feira (06), a primeira impressão que você terá é que Willie (Morgan Freeman), Joe (Michael Caine) e Albert (Alan Arkin), três idosos e amigos de longa data, levam uma vida tranquila após a aposentadoria. Mas não é o que parece.

O primeiro vive uma vida distante, mas se comunica com a filha e a neta via Skype, o segundo participa da criação da neta e todos os dias a deixa na porta da escola, sendo considerado por ela seu melhor amigo. Já o terceiro aproveita o tempo dando aulas de saxofone, com destaque para um aluno gordinho, desajeitado e neto de uma mulher que nutre pelo professor uma paixão secreta. Até aí nada de mais, mas uma bomba cai sobre esses velhinhos, mudando os rumos das vidas de cada um: a aposentadoria deles é cortada pelo banco, que vai congelá-las e utilizá-las para saldar contas.

O que parece ser o fim é só o começo de uma jornada que promete levar os três protagonistas para uma situação arriscada e ao mesmo tempo divertida: o assalto ao mesmo banco que reteve as aposentadorias. Para Willie, Albert e Joe, tratava-se de uma questão pessoal, pois repentinamente perderam suas fontes de renda e não queriam decepcionar as pessoas que amam por não terem meios para se manter. Além disso, não tinham mais nada a perder, tendo em vista que já não existia tanta expectativa de que poderiam prolongar um pouco mais a vida, isso na visão de Joe, que teve a ideia após vivenciar um assalto à referida agência bancária.

A forma utilizada para contar a história é muito bem construída, com as trajetórias de vida dos personagens principais colocadas em sincronia e com ótimos jogos de cena e enquadramentos, além da construção do plano para o assalto, a formulação do álibi e do plano de fuga. O enredo não cansa, não há cenas arrastadas e o ritmo dos acontecimentos é alucinante, que ficará ainda maior com a perseguição aos assaltantes por um detetive que não dá o braço a torcer, interpretado magistralmente por Matt Dillon. Há a possibilidade de tudo ser desvendado, graças a uma pequena trapalhada do trio. Não existe crime perfeito.

Na medida em que a trama vai evoluindo, o espectador fica curioso para saber o que vai acontecer em seguida, isso graças ao bom roteiro e também às atuações de Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin, que pareciam se entender com um simples olhar, cada um sabia como se portar em cena e o que deveria fazer. Mesmo se tratando de um negócio ilegal e por conta do carisma dos três personagens, há uma torcida para que eles fossem bem sucedidos na missão e saíssem ilesos.

O trabalho do diretor Zach Braff é fora de série, pois junta numa mesma produção três grandes nomes e consegue fazer uma história tensa e de grandes proporções se desenrolar de uma maneira que prenda a atenção de todos e ao mesmo tempo proporcione diversão a quem acompanha. Destaque também para a direção de arte, que faz ótimas referências a filmes de sucesso e também a ícones importantes na história do cinema, sem falar das cenas na lendária cidade de Nova York.

Ficou curioso com “Despedida em Grande Estilo”? Não perca a estreia dessa grande produção, você vai se amarrar e vai torcer pelos velhinhos simpáticos da trama, vale a pena!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota