Poltrona Cabine: Extraordinário/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Extraordinário/ Cesar Augusto Mota

Quer um filme que possua uma linda história, excelentes atores e belas mensagens transmitidas? ‘Extraordinário’, dirigido por Stephen Chbosky (‘As Vantagens de ser Invisível’) e baseado no livro homônimo de R.J. Palacio, contém tudo isso e utiliza poucos, porém precisos recursos visuais que sensibilizam a todos e fazem transbordar emoções e causar sentimentos nos espectadores.

Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) é Auggie Pullman, um garoto que nasceu com uma doença congênita que provocou deformações em seu rosto, tendo realizado 27 cirurgias estéticas. O menino tem sua rotina alterada e vai pela primeira vez frequentar a escola, contando com o apoio da mãe, Isabel (Julia Roberts), do pai, Nate (Owen Wilson), e da irmã, Via (Izabela Vidovic). Uma jornada que não será nem um pouco fácil para o pequeno Auggie, pois ele enfrentará os olhares curiosos e provocações de seus colegas no novo ambiente.

O roteiro nos traz um tema polêmico, mas necessário de ser debatido na sociedade, a prática do bullying. O protagonista da história não só enfrenta esse mal, como também aborda a forma como enxerga o mundo à sua volta e a maneira que lida com o problema. Com recursos visuais suaves e criativos, como os adereços de um astronauta, além de menções e aparições especiais de personagens da franquia Star Wars, Auggie não só traz um panorama de sua vida, como também emociona e sensibiliza a todos.

O enredo não só apresenta o ponto de vista de Auggie, como também de outros personagens, como Via, a irmã mais velha, da mãe, Isabel, e de Jack Will (Noah Jupe), seu melhor amigo. A primeira conta como o nascimento do irmão mudou sua vida, além da mudança provocada no relacionamento com seus pais, que se transformou drasticamente e passou a ser deixada de lado. Isabel, a mãe, revela o choque que sentiu ao descobrir a doença do filho e apontou as principais mudanças em seu dia a dia, tendo inclusive abandonado sua carreira para dar todo o apoio ao filho. Já Jack Will, em um depoimento sincero, destacou qual foi sua impressão inicial ao conhecer Auggie e como nasceu uma saudável e sincera amizade entre eles. Todas as perspectivas apresentadas são bem conectadas à jornada de Auggie, e o espectador não só é tocado no coração, como também se importa com os intérpretes, que entregam atuações sensíveis, coesas e bastante emotivas.

Por falar em atuações, destaques para Julia Roberts e Jacob Tremblay. Os dois, como mãe e filho, não só demonstram uma química impressionante, como também oferecem diálogos incisivos e que tocam o coração dos espectadores. Roberts ilustra uma mãe que tem a perfeita percepção de como será a vida do filho e os problemas que enfrentará, e ela luta ao lado dele contra as adversidades. Tremblay nos entrega um protagonista que sofre, mas que graças ao apoio de todas as pessoas que o amam, consegue tirar de letra todas as hostilidades, além de ilustrar um garoto de bom coração.

A direção de Stephen Chbosky é digna de aplausos, não só traz sentimentos dos personagens que são capazes de atingir o público, como também sabe fazer o perfeito equilíbrio entre humor e drama, com cenas divertidas nos momentos certos e cenas mais sérias, quando necessárias. Uma forma diferente de abordar o bullying foi feita, além de mostrar que certas coisas não podemos mudar, mas a forma que enxergamos o mundo e as pessoas em volta. Uma linda mensagem que, certamente, tocou nos corações de todos e provocou fortes emoções durante a película e no fim da sessão.

‘Extraordinário’ tem de tudo um pouco, diversão, emoção e reflexão. O filme faz jus ao título, é de fato extraordinário, e você não pode deixar de ver. Uma experiência tocante e inesquecível para quem for assistir, e, quem já viu certamente vai querer repetir a dose.

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Jogos Mortais-Jigsaw/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Jogos Mortais-Jigsaw/ Cesar Augusto Mota

Franquia de sucesso com pouco mais de US$ 900 milhões arrecadados e apontada pelo Guinness Book como a saga de terror mas rentável de todos os tempos, ‘Jogos Mortais’ está de volta. Após sete anos e sete filmes, todos os fãs do gênero vão ser brindados com um novo longa, e depois de dez anos da morte de John Kramer (Tobin Bell), terrível assassino que prega peças e grandes armadilhas em todos os que se comportam mal. Mas será que ‘Jogos Mortais: Jigsaw’ é tão bom e fará valer a pena o retorno do enredo, que parecia ter sido encerrado?

Logo de cara nos deparamos com uma cena chocante no início da história, com as vítimas acorrentadas e com baldes na cabeça, e para escaparem precisarão pagar uma dívida de sangue. E quem não se cortasse, seria automaticamente morto, algo de arrepiar e para cair para trás da poltrona. Não só essa, mas outras armadilhas surgiam e deixavam os participantes cada vez mais encurralados, e teria que fazer de tudo para não serem espatifados e salvar a vida de todos os envolvidos.

Com direção dos irmãos Michael e Peter Spierig (2019: O Ano da Extinção e O Predestinado) e roteiro escrito por Pete Goldfinger e Josh Stolberg, ‘Jogos Mortais: Jigsaw’ não traz as mortes como foco principal, mas as investigações e quem poderia ter cometido todos os crimes. Nos deparamos como médico legista Logan Nelson (Matt Passmore), torturado durante a guerra e que já havia trabalhado no caso John Kramer, e a assistente Eleanor Bonneville (Hannah Emily Anderson), obsessiva por Jigsaw. Os dois iniciam uma investigação com a ajuda dos detetives Halloran (Callum Keith Rennie) e Keith Hunt (Clé Bennet) para descobrir a autoria dos assassinatos.

Os cenários retratados, bem como as armadilhas são semelhantes aos do terceiro filme, mas a diferença está no ritmo, bastante intenso, que não permite ao espectador se envolver emocionalmente com os personagens, ele se torna um mero observador. Além disso, algumas perguntas vem à mente, como “John Kramer está vivo mesmo?, ‘Trata-se de um mero imitador?’ e ‘Quem está por trás de todas as mortes’?

Quem já viu os filmes anteriores vai achar que se trata mais do mesmo, mas quem não acompanhou vai se surpreender com a história, com uma grande reviravolta e importantes revelações no desfecho. E quem já conhece, dirá ‘É isso mesmo?’ Cenas durante o dia poderão ser vistas, novidade da produção, além da ausência dos tons sombrios dos longas anteriores.

‘Jogos Mortais: Jigsaw’ apresenta um filme com diversas cenas fortes, uma impactante tragédia como pano de fundo, protagonistas com passados obscuros e segredos sombrios a serem revelados. E o apreciador do gênero terror vai gostar das armadilhas apresentadas, que trarão o desespero e angústia dos três primeiros filmes. Sustos e diversão estão garantidas.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Assassinato no Expresso do Oriente/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Assassinato no Expresso do Oriente/ Cesar Augusto Mota

Está chegando ao circuito nacional mais um filme baseado em livro, cujo foco é a resolução de um crime, com diversas pistas, vários suspeitos e um detetive com muita astúcia, excentricidade e perfeccionismo. De quebra, uma representação elegante dos anos 1930 e um elenco de peso, estou falando de Assassinato no Expresso do Oriente, inspirado na obra homônima de Agatha Christie e dirigida por um cineasta cometente e responsável pelo sucesso de franquias como Thor e Cinderela.

Logo de cara já somos apresentados ao personagem principal da história, que começa a resolver um caso de roubo de um importante artefato em Jerusalém, com três suspeitos postos lado a lado em frente ao Muro das Lamentações. Com seu jeito peculiar, Hercule Poirot, interpretado por Kenneth Branagh, que também dirige o longa, nos surpreende por seus procedimentos precisos e nada convencionais e convence o público com seu jeito sério, sedento por perfeição e com boas doses de humor. Quem acompanha já compra seus métodos e vê tudo isso posto à prova após o detetive viajar no Expresso do Oriente na esperança de ter três dias de folga e chegar ao seu destino, mas se deparar com o assassinato a facadas do mafioso Edward Ratchett (Johnny Deep), que já possuía um passado para lá de tenebroso.

O elenco é composto de grandes nomes, como Josh Gad (A Bela e a Fera), Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona), Michelle Pfeiffer (Mãe!), Willem Dafoe (A Culpa é das Estrelas) e Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força), mas os arcos dramáticos dos personagens interpretados por eles não são tão explorados como o do detetive Poirot, que até demonstra uma mudança drástica de postura, sem justificativa aparente. E eles ficam tanto tempo sumidos da tela que em dados momentos nos esquecemos que os atores estão na trama, tão complexa e de complicada resolução.

O enredo apresenta uma história envolvente, com ótimos ingredientes, atuações excepcionais e uma profundidade inimaginável, não dá para perder nenhum detalhe e tampouco descartar qualquer suspeito pelo assassinato de Ratchett. Na medida em que o detetive Poirot vai encontrando mais pistas e interrogando os acusados, mais difícil fica a resolução do caso, cada personagem carrega um segredo que pode fazer o jogo mudar, mas sempre que achamos que a solução vai aparecer, algo novo surge e ficamos ainda mais tensos. A aposta numa história complexa e cheia de percalços foi quase certeira, o ritmo cai muito do meio para o fim e o desfecho deixa a desejar, com a sensação de que o filme não está completo, além de uma sensação de leve desconforto.

Como pontos positivos, além da atuação de Branagh, temos uma excelente fotografia, bem como uma eficiente direção de arte, que remonta muito bem a década de 1930, com um Expresso do Oriente suntuoso e ambientes bens construídos, como as cabines dos passageiros, além de corredores estrondosos e uma vibrante trilha sonora. Um filme que apresenta elegância, vibração e o mistério como bom fio condutor, mas que perde na reta final da trama. Uma viagem boa que o espectador faz, com uma conclusão decepcionante e com algumas lacunas.

Fãs de literatura e de um bom filme de mistério, não vá com tanta sede ao pote, ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ é um bom filme, mas não entrega tudo o que poderia ao seu espectador. Vamos aguardar pela sequência, ‘Morte no Nilo’, que deverá explorar muito mais as características e as virtudes do detetive Hercule Poirot e trazer um enredo ainda mais dramático e situações cômicas e com maior profundidade. Aguardar e conferir.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Os fãs de quadrinhos e apreciadores dos filmes da DC estão prestes a matar a ansiedade para ver uma das produções mais aguardadas do ano: ‘Liga da Justiça’, em live action, sob a direção de Zack Snyder e com um timaço de super-heróis que se reúne para combater uma nova ameaça. Promessa de uma história eletrizante, com muitas cenas de ação empolgantes e possantes efeitos especiais.

A narrativa nos traz Bruce Wayne (Ben Affleck), que reavalia seus métodos e espírito altruísta após a morte de Clark Kent (Henry Cavill) e se mostra disposto a formar uma equipe de combatentes do crime para defender a Terra de novos perigos. Ao lado de Diana Prince (Gal Gadot), Batman e Mulher-Maravilha encontram Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue; o guerreiro de Atlantis Arthur Curry (Jason Momoa), o Aquaman; além do velocista Barry Allen (Ezra Miller), o The Flash. Juntos, eles precisam deter o terrível Lobo da Estepe (Ciaran Hinds), comandante de um exército de insetos humanóides, os parademônios, e disposto a recuperar as 3 caixas maternas, espécies de computadores vivos e dotado s de consciência própria que vivem em função de seus donos. As caixas concedem poderes como manipulação de energia e teletransporte, mas se autodestroem com a morte de seu possuidor.

Diferente de Esquadrão Suicida, a apresentação de todos os personagens se dá de maneira direta, sem rodeios e dispensando caracteres como animações e letreiros. A maneira como as histórias se entrelaçam e o encontro entre os heróis ocorrem de maneira impactante e com momentos hilários, principalmente de The Flash, o alívio cômico do grupo, com piadas infames e de duplo sentido, além dos diálogos engraçados entre Batman e Aquaman e o jeito destoante do Ciborgue, sempre sério, mas bastante solícito. A Mulher Maravilha não fica atrás e com seu jeito elétrico, carismático e de personalidade, vai conseguir motivar toda a equipe, além de se mostrar uma forte líder.

Foi possível perceber durante os 120 minutos de projeção que ‘Liga da Justiça’ deixou um pouco de lado o tom sombrio e sério presente em Batman vs Superman e incorporou uma veia mais cômica, presente nas produções da Marvel. Mas as doses de humor são aplicadas na medida certa, sem comprometer a essência do filme, e o recurso faz o espectador se importar ainda mais com cada um dos heróis. Reunidos, todos conseguem formar uma equipe coesa, empática e capaz de prender a atenção do início ao fim, além de entregarem cenas com muito dinamismo e emoção. A história foca mais na aventura e não há muita preocupação com as consequências das interações do enredo, um foco mais descompromissado e focado nas lutas.

Assim como acontecem em boas produções, também existem falhas em ‘Liga da Justiça’. Um dos pontos fracos está no vilão, o Lobo da Estepe, não por ter sido feito com efeitos CGI, mas pela pouca expressão e o pouco impacto transmitidos, o espectador não se convence e tampouco é atingido pelo grande vilão do Universo estendido da DC, tamanha era a expectativa. Além dele, o Ciborgue se mostra um tanto destoante dos demais heróis e o que menos se destaca, ao contrário de Mulher Maravilha, The Flash e o Aquaman, os três muito bem em cena e protagonistas das melhores sequências. Batman não compromete, mas não há grandes novidades do Homem-Morcego na tela, e o Superman é uma grata surpresa.

Além dos efeitos especiais e das empolgantes cenas de ação, o roteiro oferece uma grande reviravolta e surpreende o espectador no segundo terço do filme, grandes surpresas surgem e a narrativa ganha ainda mais emoção. As imperfeições demonstradas pelos heróis fazem que uns complementem os outros e juntos se tornem mais fortes contra o Lobo da Estepe, vilão tido como praticamente imbatível, mas no momento certo vamos descobrir seus pontos fracos. O desfecho é um pouco decepcionante, mas as ações e as piadas conseguem encobrir as imperfeições e empolgar o espectador, além de importantes mensagens sobre luz e esperança simbolizadas pelo grande time de heróis de ‘Liga da Justiça’.

O resultado de ‘Liga da Justiça’, roteirizado por Joss Whedon e dirigido por Zack Snyder, é muito positivo, você terá dificuldade em escolher seu super-herói favorito e vai torcer por todos eles na história, além de testemunhar uma aventura pulsante e cheia de surpresas. E fique até o fim, hein!? Há duas cenas pós-créditos, você vai se divertir muito!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Colo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Colo/ Cesar Augusto Mota

A família é vista como sinônimo de amor, fortaleza, apoio e de refúgio nas situações mais adversas da vida. Mas não é o que acontece com o núcleo familiar de ‘Colo’, filme da cineasta portuguesa Teresa Villaverde, que promete incomodar e mexer com os brios dos espectadores, além de mostrar o atual cenário de crise econômica de Portugal, fator capaz de afetar financeira e psicologicamente milhões de pessoas.

Nos deparamos durante os 136 minutos de projeção com um pai (João Pedro Vaz) desempregado e que se mostra envergonhado por ficar boa parte do tempo no ócio, uma mãe (Beatriz Batarda) sobrecarregada por jornadas em dois empregos e a jovem Marta (Alice Albergaria Borges), a filha negligenciada por ambos e que não pretende permanecer por muito tempo no mesmo teto. O que se pode perceber no filme é que raramente os três dividem a mesma cena, um sempre pergunta pelo outro, que sai de casa sem avisar e sem hora para voltar. E quando o retorno acontece, foi devido a uma frustração e por cada um não ter encontrado alívio ou uma melhor opção na rua para o preenchimento do vazio que os preenchia e atormentava. Um ambiente triste, melancólico e desolador.

O cenário de melancolia, vergonha e abandono é muito bem retratado, com metáforas sugestivas e com boas tomadas dos espaços vazios dos cômodos do apartamento. As expressões faciais dos intérpretes são paralisantes, sem desespero, mas a ponto de instigar quem acompanha a história e causar desconforto, tamanha é a falta de cumplicidade e união. A moradia, que depois vai ser esvaziada durante a história, é palco da maior parte das interações, e torna-se um personagem da trama, senão o principal, um retrato da crise econômica e familiar, e que se torna local preenchido por resignação e culpa.

A fotografia, a cargo de Acácio de Almeida, apresenta um céu nublado e coloração cinzenta em boa parte das cenas, reforçando o clima embaraçoso predominante desde o início da história, além de provocar consternação e tristeza nos espectadores. A falta de dinheiro não só devasta a dignidade dos personagens, como também provoca situações vexatórias e afeta diretamente o seio familiar, o amor não é suficiente para que a relação sobreviva.

Um filme que aborda sistematicamente e com delicadeza os sintomas provocados não só por uma instabilidade econômica, como também por uma crise de identidade familiar. Não há espaço para exageros ou constrangimentos, é uma obra lírica regada de momentos instáveis e depressivos, mas compensados por uma bela construção estética e atuações pulsantes. Um convite para a reflexão.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota