Poltrona Cabine: Em Pedaços/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Em Pedaços/ Cesar Augusto Mota

O cinema alemão a cada ano vem surpreendendo os cinéfilos, principalmente os brasileiros, com abordagens sensíveis, impactantes e com temas polêmicos, como racismo, intolerância política, religiosa, terrorismo e o radicalismo. ‘Em Pedaços’, do diretor Fatih Akin, chega credenciado pelo prêmio de melhor atriz para Diane Kruger no Festival de Cannes e como melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro, além de ilustrar aos espectador os diversos estágios do luto pelos quais uma pessoa pode passar após perder alguém querido.

A narrativa nos traz a história de Katja Sekerci (Kruger) casada com o ex-traficante Nuri (Numan Acar), e os dois abrem o próprio negócio em um escritório localizado em bairro de origem turca. Um dia, Katja deixa o filho Rocco, 6 anos, no escritório do marido e horas mais tarde é surpreendida com a notícia de um atentado à bomba, vitimando sua família. A partir daí começa uma longa saga, de muita angústia, sofrimento e luta por justiça.

O roteiro fragmenta a obra em três capítulos, intitulados ‘Família’, ‘Justiça’ e ‘O Mar’, todos com desenvolvimentos adequados e bem encadeados, trazendo ainda mais curiosidade ao espectador. O enredo é de fácil compreensão e acompanhamento, cada capítulo nos oferece elementos que serão importantes e que podem influenciar no desfecho da história. Além da busca por provas que incriminem um casal suspeito e envolvido com um grupo de origem nazista, o trabalho dos advogados de acusação e defesa ganham um importante destaque, além da testemunha de acusação e personagem principal de acusação, Katja. Suas atitudes e decisões ditam o ritmo do enredo e a cada seg mento ficamos ansiosos para o que pode ou não acontecer e se Katja conseguirá obter justiça e a condenação dos acusados.

Sem dúvida que dentre as atuações, Diane Krueger leva maior destaque, e não é pelo fato de ser a protagonista da história, mas pelo que ela consegue fazer com sua personagem, com atuação emotiva, visceral, além da química que constrói com os outros personagens, como o marido, filho e o advogado Danilo Fava (Denis Moschitto). Tudo o que é sentido por Katja é transmitido ao espectador, este consegue se inserir na história com tamanha tensão e emoção que a personagem deixa transparecer, além dos belos elementos estéticos utilizados ao redor da personagem para trazer maior dramaticidade à obra.

A fotografia nos mostra cenas com ângulo fechado, explorando as emoções de Katja e a câmera passeando em primeiro plano e mudando para a terceira pessoa subitamente, o que nos traz maior sensação de inserção e incômodo. A montagem contribui com a cronologia, e a transição entre atentado, investigação, julgamento e desfecho ocorrem de maneira sistemática, prendendo o espectador do começo ao fim, deixando-o bem sintonizado à mente de Katja.

Incômodo, emotivo, vibrante e impactante, ‘Em Pedaços’, um drama alemão que fará você se comover com a vida de uma mulher com o coração estilhaçado, mas disposta a tudo. E com temas atuais e presentes no nosso cotidiano, como o fanatismo, o preconceito e a intolerância.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: 15h17-Trem Para Paris/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: 15h17-Trem Para Paris/ Cesar Augusto Mota

Contar uma história baseada em fatos reais é uma tarefa que requer planejamento, inteligência e o uso de melhores recursos técnicos possíveis, mas também coragem, ousadia e criatividade. O mais novo trabalho de Clint Eastwood (Sully – O Herói do Rio Hudson) chega com um grande desafio, o de conseguir cativar e convencer o público com uma narrativa que terá três jovens que vivenciaram o ocorrido. Será que o resultado saiu como o esperado?

‘15h17-Trem para Paris’ é inspirado em livro de título homônimo escrito por Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Spencer Stone, três amigos em tour pela Europa e que estavam a bordo do trem 9364 da Thalys que saía de Amsterdã com destino a Paris no dia 21 de agosto de 2015. O veículo foi alvo de ataque do terrorista marroquino Ayoub El Khazzani, que portava um fuzil Kalashnikov, nove carregadores, uma pistola automática e uma guilhotina de cortar papel, tendo ferido duas pessoas antes de ser completamente dominado pelos três norte-americanos e ser preso. Antes do incidente, o filme mostra ao público como Anthony, Alek e Spencer se conheceram, a infância complicada que eles tiveram em Carmichael, na Califórnia, o treinamento militar d e Alek e Spencer, como Guarda Nacional do Oregon e aviador da Força Aérea dos Estados Unidos e o roteiro de viagem, passando por Roma, Amsterdã e Paris até o acontecimento principal que dá suporte ao longa.

Com adaptação para a telona feita pela roteirista Dorothy Blyskal (Logan), o filme vem com propostas claras, como a de discutir o conceito de heroísmo nos dias atuais com o suporte de heróis da vida real, além de ilustrar a importância da amizade, da empatia e de como as crenças, sejam quais elas forem, movem as pessoas, além da questão do acaso e do destino, se existem ou não. A história se preocupa não só em relembrar um ato excepcional e digno de todas as honrarias, mas em fugir do tradicional documentário e apresentar um perfeito thriller de ação com momentos de tensão e um clímax que justifique a produção. O que se vê é um filme com uma bela iniciativa, mas que peca em sua execução.

Utilizar flashes de momentos que antecederam ao atentado funciona em dados momentos, mas em outros serviram meramente para preencher lacunas deixadas pela história, como o treinamento militar realizado por dois dos três heróis, ilustrado de forma incompleta e muito rapidamente, sem simulações de operações existentes na Guarda Nacional e na Força Aérea. A paixão dos protagonistas pelo universo militar é bem retratada, existente desde a infância, mas com o passar do tempo e a entrada em cena dos soldados reais notamos a diferença, seja de intimidade com a câmera e a naturalidade nas interações. A intenção era a de retratar com veracidade a emocionante trajetória dos três amigos, mas as at uações não soam naturais, nem mesmo com o suporte de atores como Jenna Fischer (“Passe Livre”, série de TV “The Office”); Judy Greer (“Planeta dos Macacos: A Guerra”); Ray Corasani (série de TV “The Long Road Home”); PJ Byrne (“O Lobo De Wall Street”); Tony Hale (série de TV “Veep”); e Thomas Lennon (“Transformers: A Era da Extinção”), mas não dá para cobrar muito de quem não é propriamente um ator.

Outra falha está na evolução dos fatos, a trajetória dos três soldados e a viagem que realizam ocupam pouco mais de dois terços de tempo do filme, de 96 minutos, e só nos momentos finais nos deparamos com as cenas do atentado e seu brilhante desfecho. As ações apresentadas não exigiram muito dos protagonistas, careceram de emoção e de técnicas militares mais bem trabalhadas, o ponto forte deles. Tudo foi feito de maneira mecânica e tão rápido que deu a impressão de que o filme deveria pular logo para o final e mostrar mensagens edificantes, como ‘você tem a força para as coisas acontecerem’ e ‘no lugar de ´ódio, amor’. Decepcionante.

Ao pensarmos em Clint Eastwood, pensamos em filmes com narrativas bem construídas, histórias impactantes, boas performances e recursos técnicos aprimorados. Mas, infelizmente, não vemos isso em ‘15h17-Trem para Paris’, o ato heroico protagonizado por Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Spencer Stone não foi traduzido em uma boa produção, do calibre de Eastwood. Heroísmo pede um filme épico, e esse novo trabalho do diretor quatro vezes vencedor do Oscar ficou devendo.

Avaliação: 2,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Operação Red Sparrow/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Operação Red Sparrow/ Cesar Augusto Mota

Acostumada a todo tipo de produção, desde as que focam em emoções e conflitos amorosos, bem como as que exploram fortes sequências de ação com muita adrenalina, Jennifer Lawrence segue sua trajetória de sucesso, agora em um longa que a fará sair da zona de conforto e que exigirá dela total entrega ao personagem. Com cenas que vão explorar sua inteligência, sensualidade e, principalmente, sagacidade, ‘Operação Red Sparrow’, produção da Fox Films dirigida por Francis Lawrence (da franquia Jogos Vorazes), fará Jennifer enfrentar um grande desafio, a de convencer com uma personagem inserida num cenário de corrida espacial entre Estados Unidos e Rússia, mesmo que tenha entrado nesse contexto na marra.

O enredo nos mostra Dominika Egorova (Lawrence), jovem bailarina da Companhia Bolshoi, que sofreu um repentino acidente enquanto se apresentava no palco e se vê forçada por seu tio Vanya (Matthias Schoenaerts) a se tornar uma espiã e se tornar “útil” ao seu país. Ela é levada para treinar na academia dos pardais, como são conhecidos os espiões russos, mas os métodos utilizados são um tanto peculiares, que utilizam métodos de tortura e degradação e outros que primam por empregar o charme, a luxúria e a perversão, tudo para a obtenção de informações sigilosas de espiões inimigos, sedução de rivais e, em diversas oportunidades, para desmascarar ou assassinar os alvos. E sua primeira mira é Nate Nash (Joel Edgerton), agente da CIA responsável por administrar a infiltração mais delicada da agência russa de inteligência. Nash saiu da Rússia de forma misteriosa e deixou pistas de que recebe o apoio de um informante, traidor do Kremlin. Ao se conhecerem, os dois entram em uma enorme espiral, que vai desde o encantamento até a decepção, colocando em risco suas carreiras e a segurança de Estados Unidos e Rússia. Uma enorme onda de tensão que vai mexer com os nervos dos espectadores.

Por se tratar de um filme de espionagem, comparações com ‘Atômica’ e ‘SALT’ sem dúvida vão surgir, mas ‘Operação Red Sparrow’ passa bem longe e não lembra nem um pouco o universo dessas duas superproduções. O roteiro não foca em cenas de ação, não há nenhuma durante os 139 minutos de projeção, mas destaca a questão da sobrevivência, já que Dominika precisa cuidar de sua mãe doente e não vê saída para desistir de seu novo trabalho, além das operações secretas, as sessões de tortura e todo o esquema de vigilância montado para a captura e o interrogatório dos suspeitos até a chegada aos alvos, o agente Nate e o informante que o acoberta. O ritmo ditado pela narrativa é irregular, só a primeira parte leva cerca de 30 minutos antes de apresentar a protagonista como espiã, há uma série de reviravoltas que prejudicam a história, mas seu desfecho corrige as imperfeições e traz ao público um fechamento digno de uma trama de altos e baixos.

Se a história apresenta problemas, não se pode dizer o mesmo da parte técnica. O diretor Francis Lawrence, já acostumado a trabalhar com Jennifer Lawrence desde a franquia Jogos Vorazes, soube muito bem explorar as capacidades físicas e psíquicas da atriz, com o auxílio de interiores opacos e planos bem abertos e enquadramentos que valorizam as atuações dos protagonistas e dos atores secundários. A fotografia é de uma extrema elegância, o espectador passeia por diversas paisagens da Rússia ao mesmo tempo em que convive com a atmosfera angustiante, tensa e frenética dos espiões em busca de seus alvos.

Com uma personagem que oferece diversos atrativos, Jennifer Lawrence consegue se destacar em um filme cheio de sobressaltos, indo além dos seus limites e ilustrando uma personagem fora do universo ao qual ela está acostumada a interpretar. Ela carrega a produção e permite aos outros atores se destacarem, como Joely Richardson, mãe de Dominika, e Charlotte Rampling, a treinadora dos Red Sparrows. Joel Edgerton tem uma atuação discreta e entrega tudo o que seu personagem permite, e Jeremy Irons, mesmo que presente em poucas cenas, brilha intensamente. E menção honrosa também para Matthias Schoenaerts, ator belga que já havia se destacado em produções como ‘Ferrugem e Osso’, de Jacques Audiard, e Suíte Francesa(2015), de Saul Dibb, além de ter participado de Garota Dinamarquesa (2015), filme com várias indicações ao Oscar 2016. E ele não faz feio, interpretar o Vanya Egorov, tio da protagonista, foi um grande desafio, o personagem que provoca os acontecimentos mais tensos da trama, além de ser a peça chave da máfia russa contra os espiões norte-americanos, uma atuação de primeira.

Uma superprodução com um roteiro impreciso, que peca pela ausência de ação e abusa das cenas com luxúria, mas que é compensado pelas atuações de seu elenco e pela bela representação visual, ‘Operação Red Sparrow’ é um filme mediano e que poderia ter sido mais bem desenvolvido para seu público. Um gênero que prima pela dinâmica e empolgação, que faltarem nesse longa, uma pena.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Pantera Negra/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Pantera Negra/ Cesar Augusto Mota

A Marvel Studios está rindo à toa e bastante empolgada, e não é para menos, pois 2018 representa o ano da celebração de uma década do universo cinematográfico da Marvel. O saldo é positivo, com mais sucessos do que fiascos, apresentou super-heróis icônicos ao público, dentre eles o Homem de Ferro, e agora vai lançar seu 18º filme, mas com uma abordagem diferente dos demais. ‘Pantera Negra’, criado em 1966 por Stan Lee e Jack Kirby, chega às telonas com um filme composto por negros em sua maioria no elenco e importantes mensagens implícitas. Mas o longa não fica restrito à questão da representatividade, há muito mais.

A história se passa em Wakanda, a nação tecnologicamente mais avançada do planeta e situada na África. T’Challa (Chadwick Boseman), após a morte do pai, retorna para seu povo para ser coroado rei e ocupar seu lugar de direito como tal. Mas um velho conhecido inimigo reaparece, Erik Killmonger (Michael B. Jordan), travando um poderoso duelo e colocando em risco uma série de coisas, como a condição de rei de T’Challa, a segurança de seu povo e seus seguidores, bem como o destino de Wakanda. Para sair vencedor e proteger sua nação, o jovem T’Challa terá que fazer um pacto e conseguir unir todos os seus aliados, além de liberar e usar todos os poderes do Pantera Negra.

O roteiro, assinado por Joe Robert Cole e Ryan Coogler, que também dirige o longa, traz um prólogo simples e preciso em seus detalhes para explicar todo o universo do personagem antes da temível batalha de T’Challa com seu rival, rompendo um pouco com a fórmula que é comum aos heróis do universo Marvel. É mais do que mostrar a infância do protagonista, seu treinamento desde cedo e o surgimento de um conflito e sua revolução rápida, há também a ilustração de um herói que reflete sobre seu papel diante de sua nação, a importância do legado de Wakanda, além do que fazer para se tornar um líder melhor, como se relacionar com as pessoas com as quais ele confia e como manter un idas todas as tribos componentes do reino.

Outras coisas que tornam ‘Pantera Negra’ um filme diferente é o alto tom de seriedade empregado na trama, com pouca margem para cenas de humor, mas também com espaço para abordar questões políticas, culturais, a construção de uma sociedade aberta às diferenças e uma relação mais plural e aberta com o mundo, povoado por guerras, doenças, corrupção e, sobretudo, intolerância. O longa faz o espectador não só se inserir na história, como nos debates propostos, e de fato funciona, o público sai da sala de exibição não apenas comentando sobre a história que se passou em Wakanda, como todos os assuntos discutidos e a importância de cada um na sociedade contemporânea.

O elenco entrega atuações convincentes e espetaculares, Chadwick Boseman constrói um protagonista que funciona, ele nos faz enxergar todas as suas virtudes, vulnerabilidades, além de conseguir fazer o público comprar suas ideias e o que ele faz para se tornar a melhor versão de si mesmo para seu povo. Michael B. Jordan também é outra grata surpresa, ele apresenta um vilão de atitudes questionáveis, mas ao mesmo tempo compreensíveis, há motivações em suas ações e isso o espectador consegue assimilar. E não poderia deixar de fazer menção honrosa ao núcleo feminino do filme, com participações inspiradoras e que vão inspirar milhões de mulheres pelo mundo, seja pela maneira de lutar, com coragem, amor ou força, e Danai Gurira; Letitia Wright e Lupita Nyong’o fizeram muito bem.

E não poderia deixar de falar do aspecto técnico, como locações e uso dos efeitos especiais. As externas realizadas e que reproduziam Wakanda ilustraram a cultura africana de um jeito que convencesse o público que a nação em questão respeita seus antepassados e tradições, mesmo que inserido em uma metrópole futurista. Já as cenas feitas na Coréia do Sul aliada aos efeitos em CGI trouxeram um dinamismo tamanho às cenas de ação que acabou por ser um deleite aos olhos da plateia, como um bom filme da Marvel é capaz de proporcionar.

Um filme muito bem construído, de cunho forte, com humor no momento certo e que se faz necessário no momento atual em que vivemos. ‘Pantera Negra’ é um ótimo entretenimento para o público, mas que também nos faz pensar sobre a diversidade, que deve ser encarada como algo comum e que não deve haver uma segregação, o conhecimento precisa ser compartilhado e as barreiras rompidas. Abaixo aos muros e que muitas pontes se construam e que a união entre os povos se torne uma bandeira pelo mundo. Sim à pluralidade e não à segregação!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Maze Runner-A Cura Mortal/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Maze Runner-A Cura Mortal/ Cesar Augusto Mota

Após quase três anos, enfim chega ao circuito nacional a terceira e última parte de Maze Runner, adaptação dos livros escritos por James Dashner. Será a conclusão da história que envolve Thomas (Dylan O’Brian), inicialmente utilizado como cobaia em um experimento e que conseguiu escapar por um labirinto mortal. O jovem parte em uma nova jornada em busca de cura para uma doença mortal causado pelo vírus Fulgor, mas descobre que a empresa C.R.U.E.L está por trás de um plano que pode trazer consequências mortais para a humanidade e terá que resolver se deve se entregar e se submeter a um novo experimento e se deve acreditar ser o último procedimento. Será um desfecho digno da franquia ou seremos surpreendidos negativamente?

Dirigido por Wes Ball, ‘Maze Runner-A Cura Mortal’ também nos traz Newt (Thomas Brodie-Sangster), Brenda (Rosa Salazar), Frypan (Dexter Darden) e Jorge (Giancarlo Esposito), amigos de Thomas que vão partir em uma dura missão, a de tentar resgatar o amigo Minho (Ki Hong Lee) e outras crianças capturadas pela C.R.U.EL. A primeira cena já dá o tom de que o filme será recheado de muita ação e com os personagens tendo tempo para planejar cada etapa do plano de resgate, uma produção digna de filmes como Blade Runner e Mad Max. Na medida em que a trama vai se desenrolando, perguntas que ficaram no ar após os dois filmes anteriores vão sendo respondidas, além de oferecer ao espectador reviravoltas interessantes e para l á de surpreendentes, não deixando-o perder o interesse pelo enredo e as conclusões de cada interação.

O roteiro não se preocupa em seguir à risca o que é relatado no livro ‘A Cura Mortal’, alguns fatos são alterados no intuito de trazer mais complexidade, dinamismo e coesão, mas a essência é mantida, além de mostrar as duas faces de C.R.U.E.L. As mudanças na tela grande surtem efeito, o espectador consegue se empolgar com a história, além de ser brindado com várias tramas paralelas e que conseguem se encaixar, sem prejudicar a evolução. Mas apesar de um enredo empolgante e cheio de muita adrenalina, perseguição e emoção, as soluções encontradas para alguns conflitos soam forçados, além da extensão desnecessária de algumas cenas, o que estica um pouco o tempo de duração do longa, de duas horas e vinte minutos.

Os efeitos especiais representam outro ponto forte do filme, com um mundo pós-apocalíptico muito bem representado, com mais realismo, além de cenas frenéticas de perseguição, explosões e da aparição dos ‘cranks’, algo surreal e bastante dinâmico. Esse importante recurso se alia a uma bela fotografia, com tons azulados para ilustrar a cidade onde está sediada a C.R.U.E.L e a coloração laranja para mostrar os conflitos e o caos instalado após o vírus Fulgor se alastrar e a grande caçada a Thomas e seus aliados. Quando você acha que tudo vai ter um fim vem algo em seguida e piora, não há trégua em nenhum momento.

E uma boa história não poderia deixar de apresentar boas atuações, como a de Dylan O’Brian, com um impressionante arco dramático e capaz de transmitir suas emoções; Kaya Scodelario como Teresa, uma personagem de semblante dúbio e com uma grande reviravolta na trama, além de Aidan Gillen (Game of Thrones) como o implacável Jason. Depois de encarnar o Homem-Rato em ‘Maze Runner-Prova de Fogo’, o ator conseguiu novamente entregar um vilão à altura da franquia, com presença bem justificada na trama, e representando uma grande pedra no sapato de Thomas. O espectador se convence de sua representação e consegue ter raiva do personagem, deveras as maldades que pratica.

‘Maze Runner-A Cura Mortal’ encerra com chave de ouro uma franquia de sucesso, com seu último capítulo bem conectado aos eventos anteriores, com uma boa conclusão ao arco dramático de Thomas e atuações suficientes para o que o enredo pede. Um prato cheio para os fãs de bons filmes de ação e para os adoradores de Maze Runner. Que nasçam mais novas franquias e tão boas quanto essa.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota