Poltrona Cabine: Alita-Anjo de Combate/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Alita-Anjo de Combate/ Cesar Augusto Mota

O trabalho de adaptação de uma obra literária para o cinema requer um bom planejamento e uma série de estratégias para dar certo, desde a história a ser contada até a montagem e os recursos especiais a serem empregados. Funciona como um tabuleiro de xadrez, mas o manuseio errôneo de uma das peças pode colocar tudo a perder. A indústria cinematográfica hollywoodiana tentou recentemente adaptar o famoso mangá ‘Ghost in the Sheel’ para as telonas, com Scarlet Johansson no papel principal, mas o resultado foi desastroso, não por conta da escolha da atriz , mas por problemas no roteiro, com uma história imprecisa e personagens superficiais. Agora nos dep aramos com uma nova tentativa, desta vez com a produção do aclamado James Cameron (Avatar) e a direção de Robert Rodriguez (Sin City – A Cidade do Pecado). Será que dessa vez o desfecho é outro e de maneira positiva?

“Alita: Anjo de Combate” é inspirado no mangá cyberpunk “Battle Angel Alita”, de autoria de Yukito Kishiro, lançado em 1991 com o título de “Gunnm” e publicado pela primeira vez no Brasil em 2002 pela editora Opera Graphica com o nome “Alita Battle Angel”. A narrativa mostra o doutor Ido (Christoph Waltz) em busca de peças em uma lixão na Cidade do Ferro quando se depara com um busto robótico plenamente funcional. Ele leva a máquina para seu laboratório e dá a ela um novo corpo. Ao acordar, Alita (Rosa Salazar), a menina ciborgue, testa suas novas capacidades motoras, mas sofre de um grave problema, não faz ideia de quem ela é. Enquanto busca informações sobre seu passado, trabalha como caçadora de recompensas e descobre um interesse amoroso.

A narrativa foca em um autêntico cyberpunk, com uma estética refinada de um mundo futurístico aliada à valorização dos efeitos especiais em CGI. Além disso, a caracterização dos personagens, numa mescla de humanos com máquinas, é outro ponto forte, trazendo mais realismo, e a fotografia faz o espectador se lembrar de sucessos como Blade Runner e Matrix, com uma paleta de cores frias. E para valorizar ainda mais a produção, as cenas de ação, com sequências de golpes marciais bem ritmados e agressões das mais simples até o gore, mostram que o filme consegue se sustentar em boa parte dos seus 122 minutos de duração.

Apesar do belo plano estético, a história não consegue trabalhar e aprofundar o arco de boa parte dos personagens, mesmo que o elenco seja composto por nomes como Jennifer Connelly, Mahershala Ali, Michelle Rodriguez e Ed Skrein. Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar), que é o vilão da história, mal aparece em cena e funciona mais como uma peça decorativa em um filme que já conta com um perfeito ambiente pós-apocalíptico. Já o núcleo principal tem um desempenho mais satisfatório. Rosa Salazar (Maze Runner: A Cura Mortal), que dá vida à personagem-título, não só demonstra perfeita habilidade nas artes marciais como também carisma, o espectador compra a ideia de sua personagem, que não só corre atrás de informações sobre suas origens, como também formas de sobreviver em um mundo destruído e dominado por máquinas sofisticadas e de tecnologias de ponta. E Christoph Waltz (Django Livre) representa muito bem o doutor Ido, um cientista sedento por conhecimento e novas descobertas, e se torna um importante aliado de Alita na trama, mesmo que tenha que correr todo o tipo de risco em meio a uma autêntica batalha de titãs.

Com altos e baixos, o novo filme de Robert Rodriguez tem mais pontos positivos a oferecer e quem é fã de mundo distópicos, de cyberpunk e eletrizantes cenas de ação, “Alita: Anjo de Combate é um prato cheio.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Creed II/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Creed II/ Cesar Augusto Mota

Sabe aquela saga incrível, renovada com a chegada de um personagem jovem e cheio de energia e com uma sequência que trata de questões pessoais por trás do esporte? A franquia ‘Rocky’ sem dúvida está no coração dos apaixonados por cinema, com o protagonismo épico de Sylvester Stallone, que em seguida trouxe um Rocky transformado após a aposentadoria e a morte da esposa e depois treinador do promissor Adonis Johnson (Michael B. Jordan), filho de Apolo Creed (Carl Weathers), morto em uma luta por Ivan Drako (Dolph Lundgren). A sequência ‘Creed-Nascido para Lutar’ nasceu para dar uma nova vida e rumo para ‘Rocky’, e agora com um Adonis disposto a brilhar por si só e mostrar que não está nos ringues por causa do sobrenome do falecido pai famoso. A continuação, ‘Creed II’, vai muito além dos ringues e fala de questões pessoais de dois personagens importantes que vão dividir as telas por pouco mais de duas horas de duração. Será que será um sucesso?

Após algumas vitórias e a conquista do título de campeão dos pesos-pesados, Adonis (Jordan) se muda com a namorada Bianca (Tessa Thompson) da Philadelphia para Los Angeles e a pede em casamento. Em pouco tempo, ressurge Ivan Drago (Lundgren) derrotado por Rocky e antes refugiado na Ucrânia. Ao observar o potencial de Donnie, ele enxerga uma grande oportunidade de voltar aos holofotes por meio de seu filho Viktor (Florian Munteanu), também lutador.  Uma luta é marcada e no ringue, os filhos de Apolo e Drago se enfrentam, não só valendo o título de campeão mundial, mas com o peso do legado de seus pais nos ombros.

Se o primeiro filme, dirigido por Ryan Coogler (Pantera Negra), focou mais no esporte, nos golpes e estratégias dos pugilistas, a sequência, de Steven Caple Jr (The Land), valoriza o ambiente hostil dos ringues e as expressões faciais e corporais dos lutadores, dando a impressão de que ambos vão de matar. O realismo é tão grande que causa desconforto e agonia no espectador, realçados com a trilha sonora, com músicas características e consagradas em ‘Rocky’. Além disso, os dramas pessoais são bem explorados, principalmente de Viktor Drago (Munteanu), um jovem criado sem amor e família e com o peso de carregar o legado do pai e pressionado por ele a vencer Adonis. Já o filho de Apolo Creed, apresenta uma evolu&cc edil;ão tanto física como psicológica, ele é mais humanizado nessa segunda parte, tendo a necessidade de se mostrar mais forte e se reerguer diante das adversidades, dentro e fora dos ringues.

E não se pode esquecer de Rocky (Stallone) e também de Ivan Drago. O primeiro aparece menos em cena, mas tem participações importantes na história e consegue ser o combustível que Adonis precisava para reagir e conseguir se reerguer após a primeira luta com Viktor. Além disso, seu arco é muito bem resolvido na conclusão da trama, uma pendência que tinha com o filho, uma resolução bem comovente. Já o segundo está cada vez mais amargurado e com muito mais raiva e promete vir com força em seu plano não só por sua honra, mas também da Rússia, para recoloca-la no mapa do esporte. Não é só Viktor contra Adonis, é a Rússia contra os Estados Unidos. Temos grandes reviravoltas e um desfecho surpr eendente, principalmente de Ivan Drago.

Um filme vibrante, um elenco de destaque e uma história que envolve escolhas, amadurecimento e muita sagacidade. ‘Creed II’ sem dúvida vai agradar aos que gostaram do primeiro filme e até os que não viram o antecessor, além se er um grande potencial para mais uma sequência. Diversão e emoção garantida.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona do Oscar: Poltrona Cabine: Vice/ Cesar Augusto Mota

Maratona do Oscar: Poltrona Cabine: Vice/ Cesar Augusto Mota

Como abordar a política de uma forma bem-humorada e fazê-la se tornar interessante para o público? E como falar de um ex- vice-presidente norte-americano, uma das figuras mais poderosas e também controversas da Terra do Tio Sam, sem ser piegas e que chame a atenção? Adam Mckay, que já dirigiu o bem-sucedido A Grande Aposta (2015), faz um filme autobiográfico de Dick Cheney (Christian Bale), vice-presidente no governo George Bush (2001-2009) e decifra alguns termos políticos que pareceriam complicados para o público, tornando a obra mais didática e compreensível para todos.

Logo de início é abordada a vida difícil e desregrada de Cheney em sua juventude, sendo expulso da faculdade de Yale por se envolver em embriaguez e constantes brigas com outros alunos. E caso não ouvisse os conselhos da esposa Lynne (Ammy Adams), ele não teria trilhado um caminho de sucesso na política, quando conheceu Donald Runsfeld (Steve Carell), um poderoso empresário e Secretário de Defesa no governo Gerald Ford. Essa foi sua porta de entrada para a política, com uma carreira bem-sucedida, antes de ser convidado por George Bush para ser seu vice-presidente. E a partir desse novo mandato, o filme explora de forma contundente sua popularidade (ou falta), além de sua f orte personalidade e escolhas questionáveis, principalmente no que concerne à ideia de família, com posição ultraconservadora, despertando a ira de democratas e republicanos.

Para não tornar o filme monótono e sem graça, com muitas abordagens ideológicas e que beirassem à doutrinação política, McKay opta por escolher interessantes transições entre passado e presente, com o uso de montagens com bonecos, maquetes e também com o auxilio da quebra da quarta parede de Cheney com o espectador, que faz piadas com algumas situações. E o que poderia ser um filme com roupagem de documentário e alfinetadas em famosas emissoras de televisão americanas por mostrar seu viés político, há muito mais, com um certo ar dramático durante momentos históricos do governo Bush e ocasiões de d escontração entre Cheney e imprensa, proferindo até expressões chulas ao justificar determinadas opiniões sobre diretrizes do governo.
Sem dúvida, o atrativo desse filme é Christian Bale, que passa por uma grande transformação física para dar vida a um político de tamanha relevância e influência nos Estados Unidos. Bale já havia demonstrado um grande trabalho em ‘A Grande Aposta’, outro grande filme de McKay, demonstrando certo equilíbrio em sua atuação, apresentando mais momentos sóbrios e de vibração em situações-chave em relação a outros, de maneira linear e sem emoção, o saldo é mais que positivo.

Outro destaque fica também com Amy Adams na pele de Lynne Cheney. Ela não faz mera figuração na história, representa uma importante engrenagem na vida política de Dick, sendo uma forte aliada em sua chegada à Casa Branca, além de tê-lo recuperado em sua vida pessoal. Adams a cada trabalho desempenhado se mostra mais dinâmica e multifacetada, apta a representar todo tipo de papel e nos gêneros mais diversificados. Menções positivas também para Sam Rockell, recente vencedor do Oscar, como George Bush, uma figura mais conhecida do público em comparação ao protagonista da história. Mesmo com poucas aparições, Rockell consegue com competência interpretar o chefe de Estado mais poderoso do planeta, além de ilustrar a forte influência do presidente nos rumos da nação e também um líder que dava as carta s na Casa Branca.

Um filme cheio de atrativos e de boas atuações, além de uma montagem eficiente e atrativa para o público, ‘Vice’ é mais uma produção credenciada à temporada de premiações. E não seria absurdo dizer que Christian Bale vem forte e tem grandes chances de levar uma estatueta para casa. E caso aconteça, será merecido, um papel complexo e cheio de transformações, físicas e psicológicas, e Bale o fez muito bem.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano

Poltrona Cabine: Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano

Os detetives mirins mais espertos e amados estão de volta. Principal produção nacional do canal por assinatura Gloob e que levou mais de 1,2 milhão de espectadores aos cinemas no primeiro filme lançado em 2017 nos cinemas, ‘Detetives do Prédio Azul’ apresentam uma continuação que vai levar o público a uma jornada que ultrapassa continentes e que vai exigir uma junção de forças para vencer os inimigos bruxos presentes no enredo.

Em ‘Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano’, Bento (Anderson Lima), Sol (Leticia Braga) e Pippo (Pedro Henriques Motta) estão participando de um concurso musical e  decidem gravar um videoclipe para vencer a competição, mas acabam boicotados por Berenice (Nicole Orsini), uma menina que é vizinha de prédio do grupo e um tanto invejosa. Porém, o plano de Berenice dá errado e ela acaba sendo sequestrada junto de outras crianças por uma temível dupla de bruxos, Máximo (Diogo Vilela) e Mínima (Fabiana Karla). Os dois irão participar do maior confresso de bruxos, a Expo-Bruxo, na Itália, e eles prometem por em prática um plano diabólico para torna-los mais poderosos e, consequentemente, acabar com todos os feiticeiros. Bento, Sol e Pippo são convocados para a resolução de mais um mi stério, mas não estarão sozinhos, pois contarão com a ajuda de Nono Giuseppe (Antônio Pedro), o avô de Pippo.

Muita gente já ouviu falar que em time que está ganhando, não se mexe. Esta sequência manteve a essência da famosa série de TV do Gloob, além do que ocorreu no primeiro filme, com a apresentação rápida e bem-humorada de todos os personagens, bem como a inserção de pistas que vão levar os detetives para um caso complexo e de difícil resolução. Os personagens adultos foram retratados de forma caricata e com semblantes bem assustadores, com Fabiana Karla e Diogo Vilela se saindo muito bem em seus papéis. E não podemos esquecer da famosa Kombi azul e do porteiro Severino (Ronaldo Reis), amado por todas as crianças do prédio, uma espécie de guardião.

A história apresenta um bom ritmo, com montagens bem criativas, levando os personagens do Brasil para a Itália em criativas maquetes, além de adereços muito bem feitos para os feiticeiros, como o colar com pedra brilhante e a vassoura motorizada de Berenice. Destaque maior para o ambiente criado para os bruxos Máximo e Mínima, com um laboratório que lembra o filme de ‘O Médico e o Monstro’, bem como a cabine musical que foi utilizada para o plano mirabolante e temível dos dois. Todas as pistas inseridas na trama são imprescindíveis para a resolução do conflito, com destaque para símbolos espalhados por grandes prédios presente s em importantes cartões postais da Itália. Objetos encontrados, além do auxílio de Nono Giuseppe também dão o ar da graça e tornam a narrativa ainda mais interessante.

Como dito anteriormente, os dois vilões são o destaque no enredo, com Diogo Vilela e Fabiana Karla dando vida a dois bruxos, com semblantes assustadores e ao mesmo tempo engraçados. As risadas estrondosas, bem como as trapalhadas dos dois fazem o filme ter um bom desdobramento, além da maneira como o mistério em torno do plano deles e de como os detetives mirins vão conseguir chegar até a Itália e impedi-los. E sem esquecer do ótimo entrosamento e da desenvoltura do trio mirim, que muita gente conhece, graças à serie do Gloob. Mas quem nunca viu a série e está procurando um filme para ver com a família, sem dúvida irá se divertir e vai comprar a ideia dos Detetives do Prédio Azul, a serviço do bem na luta contra o mal.

‘Detetives do Prédio Azul 2-O Mistério Italiano’, dirigido por Vivianne Jundi (‘Vlog da Mila) segue uma receita de sucesso para o público infanto-juvenil e tem tudo para alcançar uma grande bilheteria como ocorreu com seu antecessor. É o cinema nacional investindo em produtos mais diversificados e com mais opções p ara o consumidor brasileiro, ávido por filmes e séries qualificadas e que ofereçam novidades. Diversão garantida.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Aquaman/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Aquaman/ Cesar Augusto Mota

Um dos heróis mais populares do Universo DC e que traz muitas discussões sobre o que é ser herói de uma nação ou até mesmo da humanidade, Aquaman está chegando às telonas. Criado em 1941 por Mort Weisinger e Paul Norris, o filme homônimo dirigido por James Wan (Invocação do Mal 2) vem com um grande desafio, o de mostrar que é capaz de cativar outros públicos, além dos fãs do personagem oriundo dos HQ’s.

Arthur Curry, ou Aquaman, vivido por Jason Momoa (Liga da Justiça), é um jovem filho de Atlanna (Nicole Kidman), princesa do reino subaquático de Atlântida, que chegou a ser banida por fazer visitas à superfície, conhecendo posteriormente o faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison), com quem teve um romance e depois deu vida ao protagonista da trama. Arthur herda os poderes da mãe, de respirar debaixo d´água e ter a capacidade de conversar com todas as espécies marinhas, e graças à ela e, principalmente ao pai, evolui e ascende ao trono de Atlântida. Porém, surge a ameaça do meio-irmão Orm Marius (Patrick Wilson), que alega ser o legítimo herdeiro do trono de Atlântida, e está disposto não só a se vingar de Aquaman, como também a de acabar com a superfície e dizimar todos os humanos da Terra. O personagem central tem não só essa dura missão, como também a de encontrar o Tridente do Rei, artefato capaz de controlar todo o oceano, tudo, mas somente um autêntico rei poderia controlá-lo. Mas ele não estará sozinho, pois contará com o apoio de Mera (Amber Heard), rainha do reino de Xebel, antiga colônia de Atlântida, e Vulko (Willem Dafoe), conselheiro real de Atlântida e principal mentor de Aquaman, que o treinou desde a infância.

O roteiro não só traz uma jornada épica do protagonista, como também valoriza suas origens e proporciona uma importante reflexão, se Aquaman é digno ou não de seu destino, de ser rei, e se ele é realmente capaz de apaziguar os ânimos e conciliar os habitantes da superfície terrestre com os que vivem no fundo do mar. Fora isso, temos abordagens precisas sobre amizade, lealdade, lembranças, além do show de efeitos especiais e bela representação visual, tanto na Terra, como no mar. A cidade de Atlântida é retratada com um aspecto bem futurista, cheio de cores e muitas criaturas que aparentam ser do espaço. Não há; nenhum temor dos roteiristas e produtores de darem uma roupagem de HQ para o filme, com muitas cenas frenéticas de ação e uma rica paleta de cores. Quem acompanha é brindado com uma narrativa envolvente, cheia de explosões, pancadaria e muitos personagens de personalidades rígidas e de grande presença na tela.

Outro mérito do longa também está na direção de James Wan, cineasta sem nenhuma experiência com filmes de ação e que envolvam super-heróis e mais presente no gênero terror. Notadamente que se tratou de uma aposta, e, sem dúvida, certeira. Wan conseguiu trazer para o público uma produção com ocasiões memoráveis em grandes cenários, além de ter conseguido encaixar o humor em momentos oportunos, com trilha sonora vibrante e que causa grande frenei na plateia, além de mostrar que Aquaman vai além das origens do personagem principal. O longa traz importantes mensagens de humanidade, esperança, além de críticas sociais aos que devastam a Terra e o meio ambiente, e os que profanam ódio e intolerância no mundo.

E não se pode esquecer da atuação de Jason Momoa, que, sem dúvida, é memorável. Muitos esperavam que ele fosse apresentar um protagonista caricato e bastante zombado por conversar com outras espécies marinhas ou montar em um cavalo marinho. Aquaman está longe de ser um galã das HQs e personagem cômico. Ele passa por uma grande evolução, bastante violento, nervoso e demonstra ser um temível Rei dos Mares. Ele cresce na trama juntamente com o personagens secundários, que o permitem brilhar, além destes também se destacarem, como exemplo Vulko, interpretado por Willem Dafoe (No Portal da Eternidade). O conselheiro funciona como uma espécie de senhor Miyagi, do clássico filme Karatê Kid, que consegue extrair tudo o que Arthur Curry tem de melhor, além de possuir um papel importante na história, a ponto de fazer barulho e causar intriga junto ao vilão, Orm, de Patrick Wilson (A Freira). Wilson é um perfeito antagonista, que usa de todas as táticas e suas forças para não perder o trono de Atlântida e de quebra ver seu meio-irmão arruinado.

Dolph Lundgren (Rocky Balboa), o Rei Nereus, que traz uma atmosfera ainda mais sombria e violenta para a história, e Amber Heard (Conexão Perigosa), que mostra que não está ali para fazer par romântico com Momoa, possuindo uma função importante na trama. Em boa parte da história o espectador se confunde e não consegue saber de qual lado Mera está, mas nos momentos decisivos, a personagem se revela e apresenta importantes intervenções que serão decisivas no conflito final.

Um filme divertido, frenético, de enorme beleza estética e que faz o espectador levantar da cadeira de tantas explosões de cenas de ação que possui. ‘Aquaman’ convence na proposta de mostrar ao público que filmes de super-heróis vão muito além de efeitos visuais e sons estrondosos. Temos uma trama bem contextualizada, vivida por um grande elenco e com uma gama de ingredientes que o faz ser especial. E não seria exagero dizer que tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano. Um fôlego a mais que o Universo DC precisava para mostrar para os fãs de HQ, de cinema e super-heróis de que produções como a de Aquaman ainda tem muito chão pela frente e com possibilidade de trilhar um caminho de sucesso. É aguardar pelos próximos lançamentos e torcer para mais êxitos. O público agradece.