Poltrona Séries: Silêncio na Floresta-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Silêncio na Floresta-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

 

Que tal uma série inspirada em um best-seller, com uma história bem amarrada e  poucos episódios para você consumir e cheia de mistérios? ‘Silêncio na Floresta’ é uma produção polonesa da Netflix baseada na obra ‘The Woods’, de Harlan Coben, um thriller de suspense que promete envolver o espectador e fazê-lo acompanhar a história até o fim.

A narrativa acompanha a trajetória do promotor público Pawel Kopínski, que tem sofrido pela perda da irmã nos últimos 25 anos. Justamente após esse período, com a descoberta de uma pessoa que sumiu junto da irmã Kamila em um acampamento de verão, novos indícios surgem e dão esperança a Pawel de que Kamila pode ainda estar viva, mas aos poucos segredos tenebrosos de sua família são revelados.

O roteiro apresenta dois fatos interessantes, um é o mistério sobre o desaparecimento de Kamila e mais um jovem no acampamento, o outro sobre problemas internos que o protagonista tentou enterrar no passado, mas que acabaram por encontrá-lo no presente. E alguns desses demônios que Pawel enfrenta também o pressionam em sua carreira profissional, e terá que tomar decisões difíceis, pondo em risco sua trajetória como promotor de Varsóvia.

Há duas linhas temporais que são acompanhadas em todos os seis episódios: agosto de 1994, época do acampamento de verão no qual Kamila e o amigo Arthur sumiram e dois outro adolescentes foram brutalmente assassinados, Monika e Daniel, e 2019, que mostra Pawel e todos os envolvidos com a tragédia. A cada episódio, um segredo novo é desvendado, os nós são aos poucos desatados e o que aconteceu na noite do crime fica ainda mais claro. A participação dos pais dos jovens envolvidos e da antiga paixão de Pawel, Laura, possuem participações decisivas e fazem o protagonista se aproximar da verdade e saber se a irmã de fato sobreviveu ou não ao incidente.

A fotografia com cores frias e algumas cenas com tons em vermelho aguçam a vontade do espectador em seguir com a história e buscar pistas para saber quem matou os dois adolescentes e o que houve com os outros dois. Ninguém está ileso, todos são suspeitos, até mesmo Pawel, que era um dos instrutores no acampamento.

Apesar do final morno, ‘Silêncio na Floresta’ brinda o espectador com uma narrativa impactante, uma investigação meticulosa e eficiente e personagens com arcos bem construídos e importantes para a solução do mistério, e sem esquecer de Pawel, o personagem central, que atinge seu ápice ao encontrar uma pista valiosa no lago onde ocorreu o crime. Uma história alucinante e que vale a maratona.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Natal Nada Normal/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Um Natal Nada Normal/ Cesar Augusto Mota

O Natal representa noite de paz, amor e redenção, com as desavenças sendo deixadas de lado. E o que dizer de uma família que possui problemas como todas as outras, mas tudo dá errado na realização da celebração? A produção alemã “Um Natal Nada Normal”, da Netflix, apresenta um enredo instigante e nos mostra o qual fraternos e solidários podemos ser com os outros, não só no dia de Natal. A minissérie possui três episódios, de cerca de 40 minutos, de rápido consumo, e com um bom elenco.

Basti é um músico que mora em Berlim e tenta trilhar o caminho do sucesso, mas as coisas estão difíceis para ele. Durante as férias, ele vai para a cidade de Eifel passar o Natal com a família, mas não é só ela que o aguarda, como alguns problemas, principalmente no que tange ao irmão mais novo Niklas, que agora tem um relacionamento com sua ex, Fine. De quebra, Basti vê que a avó Hilde mora em um asilo e que seus pais Brigitte e Walter vivem brigando. O jovem vai passar por maus bocados e terá que desatar alguns nós para poder ver a família unida novamente e tentar passar um Natal feliz.

Apesar do enredo simples e já explorado à exaustão, como questões familiares e desavenças entre irmãos, notamos um certo cuidado no trato desses temas com o Natal como pano de fundo. O protagonista passa por conflitos internos até se encontrar, mas ao perceber seus erros, sente enormes estragos ao seu redor, provocados por seu comportamento infantil, afoito e inseguro. Isso movimenta a trama até o fim, e sentimos um certo alívio quando ele resolve tudo na base da criatividade e com a ajuda de suas maiores paixões, a música.

Mesmo que sejam poucos os episódios e a resolução dos conflitos seja simples, a minissérie tem o trunfo de abordagem enxuta e com personagens carismáticos em meio a questões triviais do cotidiano. O jeito descolado da avó de Basti deixa a narrativa mais divertida, e a chegada de Karina, a primeira namorada de Niklas, vai mexer com todas as peças do tabuleiro. E o que parecia estar perdido muda com uma grande surpresa.

Questões como amizade e cumplicidade dão o tom, e há importantes mensagens sobre a família e as principais consequências de segredos serem há muito tempo guardados. Os desdobramentos encerram a narrativa com chave de ouro, e notamos o quão importante é a família, devendo todos nós aproveitarmos os momentos juntos, o máximo de tempo possível.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Gambito da Rainha/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Gambito da Rainha/ Cesar Augusto Mota

Quer uma série estimulante e que faça você ficar com os olhos presos na tela do início ao fim da história? ‘O Gambito da Rainha’ (The Queen’s Gambit), nova produção da Netflix, traz importantes lições de vida, bem como uma narrativa com grandes variações e uma beleza estética proporcionada pela fotografia e figurinos da época retratada.

Acompanhamos a história de Elizabeth Harmon (Anya Taylor-Joy), que vai para um orfanato após a perda da mãe. Lá, ela é doutrinada a seguir todos os costumes dos anos 50, além de ser obrigada a tomar tranquilizantes como as outras crianças. Mas justamente pelo vício no remédio ela descobre sobre sua real habilidade: jogar xadrez. Beth aprende tudo com o senhor Shaibel (Bill Camp), o zelador, e não para mais. De pequenos torneios na cidade, ela passa a participar de campeonatos de maior porte, e encontra no apoio da mãe adotiva Alma Wheatley (Marielle Heller), um estímulo para que suas habilidades se sobressaiam durante as partidas.

O xadrez, à primeira vista, pode parecer um jogo repetitivo e sem emoção, mas as impressões mudam graças ao magnetismo da personagem principal e de seu olhar hipnotizante. O espectador passa a a torcer pelo triunfo de Beth, que se mantém sóbria até a partida derradeira, e se entregar a outros vícios quando se vê encurralada, como estimulantes e álcool. O que impressiona não é só a agilidade e estratégia de Beth, mas como seu cérebro funciona, e vemos isso nas cenas noturnas, quando ela olha para o teto. Visualizamos o tabuleiro e os movimentos de todas as peças, isso provocado pelo efeito dos estimulantes.

Os figurinos e ambientes dos anos 60 são fascinantes, e a fotografia com cor acinzentada transmite o quão frio é o jogo de xadrez, no qual um movimento em falso pode por tudo a perder. O vício de Beth e a obsessão pelas vitórias não só a afetam, como também todos os que estão ao seu redor, e constatamos que não só a perseguição pelo triunfo é prejudicial, como ela tem dificuldades de relacionamento e problemas do passado mal resolvidos. Tudo isso faz parte de uma grande montanha russa, e aos poucos vemos a protagonista descendo rapidamente, mas se recompondo de forma triunfal.

A série transmite importantes valores, como as escolhas que a vida impõe, e algumas podem difíceis, a necessidade de ser forte o tempo todo e a necessidade de aproveitar bem a vida, vivendo intensamente, sem se deixar levar pelos problemas. Uma produção que vale a pena e fará você se interessar do primeiro ao sétimo (último) episódio.

Cotação: 5/5 poltronas.

Poltrona Séries: The Crown-4ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Crown-4ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O fascínio que a Família Real britânica provoca nas pessoas é inegável, mexendo com o imaginário e provocando diversas reações. Após três temporadas, ‘The Crown’ chega a sua quarta, com mais surpresas e novas polêmicas. Olivia Colman (A Favorita) volta a viver a rainha Elizabeth II, com novos desafios de conduzir a coroa e de lidar com crises no seio familiar.

Em nova sequência, com dez episódios, ‘The Crown’ foca no fim da década de 70 até o ano de 1990, período em que Margaret Thatcher (Gillian Anderson), conhecida como a Dama de Ferro, ocupou o cargo de Primeira-Ministra do Reino Unido e iniciou um processo que mexeu com as estruturas da Grã-Bretanha, a implantação do neoliberalismo. Outra pessoa que chama a atenção e também ganha espaço é Diana Spencer (Emma Corrin), que viria a se casar com o príncipe Charles, filho mais velho de Elizabeth II, e se tornaria a princesa de Gales. Mas, o casamento não foi um mar de rosas, colecionou diversas intrigas e certamente abalou a realeza britânica.

Olivia Colman novamente se sai bem como a rainha Elizabeth, mas desta vez com a missão de fazer os outros personagens se destacarem, ela é um suporte na atual temporada do que protagonista. O roteiro se preocupa em ser fiel aos fatos e já dá grandes saltos na década de 80, com muitos acontecimentos conhecidos do público e os conflitos dos personagens em episódios separados. Na reta final podemos ver embates de Thatcher e Diana em um mesmo episódio, preparando o espectador para os anos 90, que devem se iniciam na próxima temporada.

Não só a caracterização impressiona, mas a interpretação de Gillian Anderson, a eterna agente Scully, de Arquivo X. Como Margaret Thatcher, Anderson mostra uma Primeira-Ministra de pulso firme, avessa a críticas e pronta para atacar quando é atingida.  Destaque para os embates acerca da Guerra das Malvinas, cuja atuação de Thatcher rendeu a vitória aos ingleses, bem como as reuniões com a rainha Elizabeth, sempre tensas e calorosas. A forma como atuava Thatcher, a agente de governo, não só refletia no Reino Unido como na coroa britânica, pois mostrava se a rainha Elizabeth tinha força de estar à frente da coroa.

Outra grata surpresa é Emma Corrin, na pele da princesa Diana. Apaixonada no início por Charles, a personagem se esforça e faz de tudo para corresponder às expectativas depositadas nela. Diana passa por altos e baixos ao longo dos episódios, e quando pensamos que irá jogar tudo para o alto, ela tira de letra e se mostra ainda mais forte e radiante, cercada pela boa recepção dos súditos e retribuindo com sua atenção e olhar terno. Há cenas fortes que envolvem Diana, principalmente no que tange a distúrbios alimentares, que vão atingir o púbico de maneira intensa. E não só de momentos difíceis Diana vive, como também momentos alegres em grandes eventos, com vestidos deslumbrantes, olhos brilhantes e um sorriso contagiante mostrado para quem está em volta. Diana exerce forte influência na Família Real, mexendo na estrutura familiar e na forma de enxergar o mundo e a importância da família.

Com uma temporada intensa e cheia de emoções, ‘The Crown’ tem tudo para continuar a encantar grandes públicos e mostrar histórias instigantes da Família Real, sempre em evidência e cada vez mais influente no cotidiano das pessoas. Vale a pena acompanhar.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Curon-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Curon-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

 

Terror e suspense em uma mesma produção costumam algumas vezes mexer com as emoções e provocar os espectadores, certo? E o que dizer se forem aliados a problemas familiares, um tema tão explorado e que já rendeu boas histórias, como em Bates Motel e Psicose? ‘Curon’, série italiana da Netflix se passa em um pequeno vilarejo do país da bota, com uma maldição que aflige os moradores e um passado trágico de uma família problemática. Será que esta série funciona?

Anna Raina (Valeria Bilello) deixa sua cidade natal, Curon, após a morte trágica de sua mãe e fica 17 anos sem falar com o pai, Thomas, que administra o hotel da família. Sem muitas opções, ela volta com os filhos gêmeos Dária (Margherita Morchio) e Mauro (Federico Russo), de 17 anos, para morar com o pai. Os jovens estão aos poucos se adaptando à escola e à nova vida, mas coisas estranhas passam a acontecer no lago e na torre do sino, provocando reações adversas, com os dois tendo visões. Quando a mãe repentinamente desaparece, Dária e Mauro passam a investigar, mas eles vão ter que lidar com perigos e questões familiares mal resolvidas.

O cenário escolhido para a história e a fotografia são atraentes, ambos dão o tom necessário para a narrativa ter todo aquele clima tenso e de mistério que o espectador espera. As filmagens foram feitas no norte da Itália, em Curon Venosta, e lá existe de fato uma torre submersa em um lago, de onde vários mistérios emergem. O tom cinza nos faz lembrar de ‘Dark’, série alemã, mas as semelhanças param por aí. E quem esperava uma sinergia entre fotografia e trilha sonora se decepciona, as músicas predominantes são no ritmo tecno e algumas cenas que requerem mais impacto não contam com os devidos sons esperados.

Temos uma premissa interessante, mas a história se perde ao longo dos sete episódios desta primeira temporada, com alguns desdobramentos sem desenvolvimento e muitas lacunas. A lenda do lobo aparece no episódio piloto, mas não é devidamente explicado ao espectador, e os desfechos de cada segmento são similares, com dramas familiares rasos e conflitos adolescentes clichês, regados a romances e drogas. E de terror, a série não possui nada, está mais para drama adolescente e raros momentos de suspense.

Além da história e montagem comprometidas, o desfecho é confuso, não se sabe como todos os personagens foram parar no mesmo lugar no último episódio e quem são os humanos e as sombras. Tudo passa de forma rápida, mas com um gancho para uma possível continuação.

Quem esperava por algo similar a “Maldição na Residência Hill” acaba por se decepcionar, mas se depara com uma produção com potencial para uma segunda temporada e com chance de se redimir de seus erros, passando para uma história que possa ser agradável de se assistir. Mas a fotografia e belas paisagens de ‘Curon’ compensam os primeiros sete episódios.

Cotação: 2,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota