Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fatma-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

O que você diz sobre uma série com muito mistério, suspense e que promove debates importantes sobre a posição da mulher na sociedade, principalmente se esta for conservadora? A produção turca ‘Fatma’, veiculada pelo serviço de streaming Netflix, traz tudo isso e nos apresenta a uma personagem que é invisível nesse meio social, e passa por muitos percalços. São seis episódios, com média de quarenta minutos cada, e muitas surpresas.

Acompanhamos Fatma Yilmaz, uma mulher de infância sofrida e que está passando por muitas dificuldades. O marido, Zafer, ficou quatro meses preso por um crime que não cometeu e depois de ser solto desaparece repentinamente. Ela possui um filho autista, que morre em um acidente, deixando a mãe completamente desnorteada. Para poder sobreviver, ela consegue diversos trabalhos como faxineira, mas ao longo do caminho vai se deparando com diversos homens que possuem alguma ligação com Zafer e que querem machucá-la. Fatma, no decorrer dos episódios, passa por grandes transformações e procura deixar cada desafeto para trás, em uma jornada frenética e de muita perseguição.

A protagonista se mostra inicialmente sem expressão, com um semblante pálido e fechado, muito por conta dos descasos que sofre desde a infância, e da sociedade atual, que não dá a ela o devido valor, e sequer desconfia dela quando uma série de crimes aparece durante os episódios. O espectador não sabe quem de fato é a Fatma, mas é feita uma construção bem parcimoniosa para que se possa compreender a motivação das atitudes de Fatma e depois passa a torcer por ela, mesmo que ela cometa barbaridades e desemboque em situações mórbidas.

Um recurso bastante utilizado em cada episódio e usado para prender a atenção do público é a de apresentar de início o clímax e depois um flashback para explicar como Fatma chegou a cada situação. Há algumas lembranças que a personagem central possui e que podem soar como pontas soltas na série, mas no fim da temporada temos tudo devidamente explicado. Fatma tenta fazer justiça de alguma forma e usa métodos bem simples para tal, e na medida em que mais inimigos se aproximam, ela tenta encontrar uma nova saída, e foge do lugar comum de uso de estratégias bem elaboradas, sem necessidade de efeitos especiais.

Assuntos como autismo, pedofilia, machismo e assédio sexual são inseridos na trama e discutidos de forma direta e didática. Essas pautas podem incomodar, mas são necessárias e refletem em diversas sociedades, inclusive a brasileira. Problemas que até hoje não são levados a sério e que ganham o devido destaque na série turca. Quem acompanha vai passar a torcer mais por Fatma, mesmo que ela cometa crimes e não utilize de métodos corretos para fazer justiça. São assuntos delicados e que não podem ser invisíveis aos nossos olhos.

Com muita ação, suspense, discussões e sustos, ‘Fatma’ insere o espectador em um mundo conservador e cheio de problemas que precisam ser combatidos. Há ganchos para uma segunda temporada, que, se vier, tem tudo para ser como a primeira, impactante do início ao fim.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Series: Quem Matou Sara?-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Séries que retratam investigações e a busca dos protagonistas por respostas e vingança têm tomado conta dos serviços de streaming e agradado aos espectadores. Uma produção da Netflix e que lembra muito ‘Revenge’, ‘Quem Matou Sara?’ é uma obra mexicana que tenta prender a atenção de quem acompanha a história até o décimo e último episódio da primeira temporada. Será que merece nossa atenção?

Acompanhamos Alex, um jovem que foi condenado injustamente pela morte da irmã Sara em um acidente numa lancha e fica 18 anos preso. O rapaz foi forçado a confessar algo que não cometeu em troca de benefícios que a família Lazcano o prometera e a promessa de que ficaria no máximo dois meses encarcerado, o que não acontece. Ao sair da prisão, ele aos poucos executa seu plano para se vingar dos Lazcano e descobrir quem de fato matou sua irmã e por qual motivo, mas acaba se envolvendo com Eliza, filha do poderoso e corrupto Cesar Lazcano. A garota, mesmo traindo sua família, estará o tempo todo ao lado se Alex para descobrir tudo o que envolve seus familiares.­­­

­Todos os personagens possuem grandes arcos dramáticos, mas a condução de suas histórias apresentou problemas. O enredo se perde a partir do quinto episódio e há demasiadas cenas repetidas, algumas poderiam ter sido supridas e alguma outra pista relevante sobre a morte de Sara poderia ter sido inserida. Cada personagem possui alguma ligação com Sara e vários teriam motivos para querer assassiná-la, não é possível apontar um único suspeito nesta trama. Os destaques ficam com o controverso Cesar Lazcano, com um passado sombrio e com revelações grotescas sobre sua índole a cada episódio e para o administrador Elroy, figura caricata e com alguns podres em seu passado também revelados.

Discussões sobre sexualidade, preconceito e luta de classes são inseridas no contexto ao longo dos episódios, e são bem válidas. Apesar do melodrama e do tom novelesco que a série possui, nada passa batido, tudo consegue ser bem retratado e com grandes reviravoltas. O desfecho da primeira temporada é um pouco decepcionante, pois algumas revelações não fazem sentido e não fica claro quem é o assassino de Sara. Já existe um gancho, inclusive teasers que anunciam a segunda temporada de ‘Quem Matou Sara?’, que seja para alguns erros serem consertados e para brindar o público com mais ação, suspense e dramaticidade.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Shaun-O Carneiro-A Fazenda Contra-Ataca/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Shaun-O Carneiro-A Fazenda Contra-Ataca/ Cesar Augusto Mota

O cinema é capaz de proporcionar as mais diversas emoções nos espectadores, seja com a retratação de histórias reais, imaginárias ou pela realização de narrativas fictícias com elementos concretos. O stop-motion, feito com massa de modelar, é um recurso em potencial para mostrar histórias dinâmicas que se passam no mundo da fantasia, e é o que ocorre com ‘Shaun-O Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca’, um forte concorrente na nova temporada de premiações.

Acompanhamos o simpático carneiro Shaun, que leva uma vida pacata em uma fazenda, até que ele encontra Lu-La, uma criatura extraterrestre. Os dois vivem situações divertidas e inusitadas, mas Shaun vai ter de se desdobrar para se desvencilhar de Bitzer, o cão-pastor, e a agente Red, e ajudar seu novo amigo a reencontrar a sua família e voltar para casa. A cientista, líder do Ministério de Detecção de Alienígenas (M.D.A) e seu assistente-robô, estão dispostos a provar que existe vida fora da Terra e ficam no encalço de Lu-La o tempo todo.

Mesmo sem diálogos, a animação tem o mérito de conseguir prender a atenção do público infantil e adulto graças à dinâmica existente entre os personagens e o aproveitamento de suas características e cenários da história. Há claras referências à grandes obras da sétima arte, como o filme ‘MIB-Homens de Preto’, ‘E.T’ e as séries ‘Stranger Things’ e ‘Arquivo X’, num misto de aventura e ficção científica. Há um importante choque entre culturas e uma pergunta que já esteve na mente de muita gente: existem mesmo seres de outros planetas? Tudo é trabalhado com muito cuidado e com boas doses de humor.

Além da história, a caracterização dos personagens também impressiona, com o stop-motion bem elaborado, movimentos sincronizados e um ótimo jogo de luzes. O espectador se depara em várias cenas com ambientes alegres e compreende o que cada quadro quer mostrar, se esquecendo da falta de diálogos na narrativa. Com uma estética cartunesca, ‘Shaun-O Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca’ fisca crianças e adultos, mesmo com um assunto explorado em diversas ocasiões, como aliens e contatos de terceiro ou até mesmo de quarto graus, e consegue proporcionar muita diversão e risadas.

E não pense que a animação tem a ver com o clássico Episódio V de Star Wars, o Império Contra-Ataca. O título no Brasil foi um trocadilho proposital para introduzir a ideia de uma aventura espacial. E temos mais que isso, há também humor de qualidade, uma bela representação estética e uma história agradável de se acompanhar, para todas as idades.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The One-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The One-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Encontrar o par perfeito tem sido um grande desafio para milhões de pessoas, seja por relações interpessoais ou virtuais. Mas o que você acharia se esse objetivo se concretizasse por combinações de DNA? Essa premissa curiosa deu origem à série britânica ‘The One’, também baseada no livro homônimo de John Marrs, composta por oito episódios com média de duração de 40 minutos. Vale o passatempo?

Rebecca Webb, uma cientista promissora, juntamente do parceiro James, encontram uma forma de formar casais por meio de um revolucionário novo serviço de encontros, o The One. Uma ideia ousada que culminou com a inauguração de uma empresa forte e poderosa, mas ambos não contavam que esse serviço desencadearia diversos problemas, colocando relações pessoais e até mesmo o futuro da multinacional em risco.

Essa obra nos faz lembrar da série Weird City, do Youtube, que também mostra materiais genéticos combinados para encontrar casais perfeitos. ‘The One’ possui uma atmosfera macabra, no estilo Black Mirror, e tenta prender a atenção do espectador até o último episódio, mas só consegue até a metade da temporada. Além de vários elementos clichês, há muitos recursos de transição entre cenas repetidos à exaustão e não existe uma empatia entre os personagens. Tudo é apresentado às pressas, e falta desenvolvimento dos personagens, principalmente os secundários.

A série proporciona reflexões e mexe com o imaginário das pessoas no tocante à procura pelo amor ideal, mas o problema está em quem escolhe esse caminho, e na produção vemos pessoas comprometidas fazendo isso. As chances de encontro do par perfeito por métodos científicos de darem errado são enormes, e essas combinações geram graves consequências, sejam nos personagens secundários, como na protagonista, que chega a ser investigada pela polícia pelo assassinato de Ben Naser, seu amigo.

Apesar das pontas soltas, há grandes reviravoltas e um gancho para uma possível continuação. A protagonista não entrega nenhuma novidade, mas deixa um mistério no ar no último episódio, uma motivação a mais para o espectador, que se deparou com uma primeira temporada morna e sem muitas surpresas. A maneira como a tecnologia pode interferir em relacionamentos é algo interessante a se explorar hoje em dia, mas ‘The One’ merecia algo mais aprofundado e grandes desdobramentos. Mas há uma esperança disso ocorrer em uma possível segunda temporada, o jeito é aguardar e cruzar os dedos.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Por Trás de Deus Olhos-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Por Trás de Deus Olhos-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Como funciona a nossa mente? Os sonhos representam um tipo de mundo paralelo? Como medir as consequências das escolhas que são feitas na vida? Essas e outras perguntas na minissérie “Por Trás de Deus Olhos” (Behind Her Eyes), produção britânica da Netflix baseada no romance homônimo de Sarah Pinborough, desenvolvida em seis episódios que prometem prender o público, sem fazê-lo perder o interesse no decorrer da história.

Acompanhamos Louise, uma mãe solteira que trabalha como secretária em uma clínica psiquiátrica, que resolve ir a um bar para encontrar uma amiga, mas é deixada na mão. Quando está prestes a ir embora, Louise acaba por encontrar um homem gentil, com quem acaba conversando e deixando se envolver. Mas ela não esperava que esse mesmo homem, David, seria seu chefe no consultório. David é casado com Adele, uma jovem bonita que sofre de distúrbios psicológicos, e ele demonstra constantemente uma aparência de tristeza, em decorrência de constantes instabilidades no casamento. Adele, mais adiante, se esbarra com Louise e ambas se tornam amigas, e isso desencadeia um grande enigma na cabeça da secretária, que conhece o casal, mas não pode revelar nada a nenhum deles.

Em uma encruzilhada, Louise começa a ver que há inconsistências no relacionamento de David e Adele, e ela começa a desconfiar que seu chefe possa ter cometido um crime contra uma pessoa próxima de Adele, Rob, um amigo que ela conheceu em um hospital psiquiátrico no qual passou após escapar de um terrível incêndio que vitimou seus pais. Louise começa a juntar as peças e fica cada vez mais próxima de Adele, mas seu envolvimento nesse imbróglio acaba por agravar seu estado psíquico e começa a sonhar com um mundo paralelo que ela deseja ao lado de Adam, seu filho. Uma possível reviravolta no casamento de Adele e David está prestes a acontecer, mas um grande e chocante segredo do passado faz a situação se agravar e fazer Louise encarar sérias consequências.

Apesar do uso de uma ideia clichê, no caso, um triângulo amoroso, a narrativa foi bem desenvolvida e cada personagem tem tempo para ter seu arco construído e influenciar o público. As imagens em flashback do período em que Adele ficou hospitalizada servem como grande instrumento para o espectador entender sua personalidade e também a de seu amigo Rob, por quem nutriu uma paixão platônica. O flashback não foi usado à exaustão e tampouco para tapar buracos, o recurso funciona e ajuda a desvendar o passado tanto de David como de Adele.

Os conflitos internos de Louise, que tenta uma nova vida após se divorciar, são ilustrados por cores quentes e por portas que ela quer abrir. Essa representação é uma espécie de catarse, pois ela vive um trauma após a perda da mãe e um terror psicológico que parece não ter fim depois de descobrir muita coisa sobre David e o passado obscuro de Adele. Parece ser um beco sem saída, mas aos poucos os nós são desatados e o conflito é resolvido, embora de maneira fácil.

Um thriller psicológico com personagens carismáticos e universos perturbadores, esses são alguns dos ingredientes de “Por Trás de Seus Olhos”, para quem curte produções com muitos segredos e sobressaltos. Uma jornada frenética que vale a pena acompanhar.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota