Maratona Oscar: Moonlight/Lívia Lima

Maratona Oscar: Moonlight/Lívia Lima

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Duro e doce, bem como a vida.
Moonlight transporta, mesmo que não se trate de uma ficção irreal e extraordinária. Chiron, é um menino negro e periférico, e o filme retrata a sua jornada de autoconhecimento, enquanto tenta lidar com seus problemas familiares e fugir da criminalidade de Miami. A trama passa por sua infância até sua vida adulta, abordando conflitos comuns gerados por assuntos como sexualidade, bullying e consumo de drogas.

Moonlight não é um filme de amor, mas definitivamente é um filme sobre o amor. Chiron tenta lidar com questões como sua sexualidade e problemas familiares e é possível notar, com sutileza, o amor sendo encontrado, o que torna o longa muito humano e sensível.

Diálogos simples, porém sucintos, passam a confiança das reflexões com leveza. Fotografia impecável, assim como a trilha sonora, com certeza fazem o espectador se apaixonar pela produção. É importante também salientar que a sintonia entre os três atores que interpretam Chiron em suas três fases é visível e trás uma credibilidade real à história.

Em eras onde a homofobia ainda é presente, a importância de um filme tão empoderador quanto Moonlight consegue ser é imensurável. Apesar da pouca idade, Chiron já lida com agressões de colegas e com o passar dos anos e com a evolução do bullying, isso culmina em um sofrimento reprimido que é observado também em sua fase adulta.
Apesar de sentir falta de um melhor trabalho em relação aos traumas e ao sofrimento de Chiron, ao observar que o filme lida bem com a sutileza, em pequenas cenas, é possível ver que são nos diálogos delicados e simples que essas questões são trabalhadas, o que acaba por compensar essa falta.

Simples e Brilhante. Uma grande produção, com muito a ensinar sobre o amor, sobre o sofrimento e, principalmente, sobre a vida.

Cotação Poltrona de Cinema: 4 poltronas

Por Lívia Lima

Maratona Oscar: Toni Erdmann/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Toni Erdmann/ Cesar Augusto Mota

toni-erdmann-bannerO Poltrona de Cinema segue com a Maratona Oscar 2017 e hoje vai falar de mais um concorrente ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Sucesso de crítica na Europa e vencedor em premiações como New York Film Critics Circle Awards, Festival de Cannes 2016 entre outras, “Toni Erdmann” é um longa alemão sob a direção de Maren Ade e que chega com pompa de favorito.

A produção aborda a tentativa de um pai ter um relacionamento mais próximo com a filha, afetado pela distância e rotina intensa e estressante do trabalho desta. A solução do patriarca é aplicar boas doses de humor com uso de um disfarce espalhafatoso e piadas sutis, tudo para quebrar o gelo, a angústia e a saudade que existem entre ambos. Sem dúvida tudo isso vai render boas risadas e também reflexões, como iremos explicar mais adiante.

Wilfried (Peter Simonischek) é um professor de música sexagenário e solitário que vive com seu cachorro em uma cidade do interior da Alemanha. Ele decide ir a Bucareste fazer uma visita surpresa à filha Ines (Sandra Hüller), que é executiva e está a serviço de uma indústria que prioriza corte de despesas e terceirizações. Sempre atarefada, com o celular na mão e dezenas de compromissos a cumprir, quase não sobra tempo para Inês, nem para dar atenção ao pai.

Dentro desse contexto que Wilfried, ou melhor, Toni, entra em ação.
Com uma peruca preta, terno gasto e uma dentadura bizarra, Wilfried dá vida a Toni Erdmann, que se apresenta para Ines e seus colegas como um coach a serviço do chefe da empresa e também embaixador da Alemanha. As aparições de Toni em cada ocasião são extremamente embaraçosas, mas importantes para fazer Ines se questionar acerca da vida que leva e se realmente é feliz, além de revelar as faces e fazer cair aos poucos as máscaras das pessoas que vivem o mundo corporativo, embora este segundo não seja seu principal objetivo.

O trabalho da jovem cineasta Maren Ade é excepcional, com diálogos que fluem bem entre os personagens, além da montagem bem articulada e um roteiro que consegue exigir o melhor de cada intérprete. E a preocupação com as relações humanas e a melhor forma de abordar o relacionamento problemático e frio entre Wilfried e Ines sem dúvida foram as chaves para o sucesso do filme, além das atuações dos protagonistas. Questionamentos como “O que é a vida?” e “Você é feliz?”, feitos pelo alter ego de Wilfried para Ines serviram para nos mostrar que muitas vezes nos esquecemos de certas coisas por estarmos preocupados e focados em outras e que o significado da vida é aquela que costumamos levar.

Tudo isso parece ser trivial, mas válido para mostrar que hoje vivemos um novo conflito de gerações, dos mais velhos alertando os jovens acerca da vida que levam e como enxergam o futuro, além da diretora mostrar que é possível alcançar sentimentos de libertação num cotidiano tão tenso e boa parte violento. Maren Ade consegue entregar ao espectador um trabalho reflexivo e também hilário, com a presença marcante, intrigante e hilariante de Toni Erdmann numa trama de 162 minutos. O cinema alemão acertou em cheio, e vem forte para o Oscar.

E vale registrar que o filme ganhará uma versão hollywoodiana, com Jack Nickolson na pele de Toni Erdmann ao lado de Kristen Wiig. Se a versão norte-americana vai ter o mesmo brilho do original, isso não sabemos, mas sem dúvida “Toni Erdmann” será lembrado por muito tempo e continuará a refletir o que acontece nessa e nas futuras gerações.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Estrelas Além do Tempo / Juliana Goes

Maratona Oscar: Estrelas Além do Tempo / Juliana Goes

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Três fortes mulheres enfrentam preconceitos para mostrar o seus verdadeiros valores em plena década de 60, período importante na história dos EUA, que marcam a Guerra Fria, ascensão do presidente Kennedy, e a primeira viagem do homem à Lua.
Baseado no livro Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win The Space Race, da autora estadunidense, Margot Lee Shetterly, “Estrelas Além do Tempo” conta uma história verídica de três importantes cientistas da NASA Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) que são negras e lutam contra o preconceito racial e de gênero para terem seus direitos como cidadãs.
As formas de segregação abordada no filme geram reflexão no espectador. Pessoas brancas e negras “conviviam” separada em ambiente de trabalho, e não compartilhavam certas coisas, como por exemplo um banheiro e a mesma jarra de café.

Taraji P. Henson plays Katherine Coleman Goble Johnson, American physicist, space scientist, and mathematician in "Hidden Figures." (PRNewsFoto/PepsiCo)

Katherine Johnson, desde pequena era fascinada pelos números e matemática em geral. Já adulta, foi chamada para ajudar no centro do Projeto Mercury, um local onde só trabalha pessoas brancas e que ficam espantadas de vê-la ali, uma mulher negra assumindo um cargo importante. Dorothy possui conhecimento em computadores e deseja o cargo de supervisora do seu setor, função que ela já faz, porém sem receber o salário da área. E Mary é uma engenheira, que deseja subir na profissão, no entanto, é impedida quando uma das exigências para isso é ter cursado aulas de engenharia numa escola frequentados por brancos.

A questão é que não se trata apenas o fato de serem negras, mas também de serem mulheres inseridas em cargos que são dominados por homens (brancos), em plena década de 60, nos Estados Unidos. Época de um país totalmente preconceituoso.

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A direção de arte e o figurino estão perfeitos de acordo com o retrato dos anos 60. O elenco funciona muito bem. Taraji P. Henson está excelente, ela transmite emoção nas cenas em que enfrenta seus direitos e impressiona a todos com sua genialidade matemática. Octavia Spencer, que é conhecida pelo filme “Histórias Cruzadas”, mais uma vez surpreende pela boa atuação e consegue a merecida indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Outro destaque vai para Kevin Costner, que faz o supervisor Harrison. É impressionante a química entre ele e Taraji. Seu personagem, no início um pouco arrogante, passa a compreender a situação difícil de Katherine, e a ajuda a romper regras preconceituosas no ambiente de trabalho, passando imagem de “herói”. O elenco ainda conta com nomes conhecidos, como Jim Parsons (Big Bang Theory) e Kirsten Dunst.
Ponto negativo: É importante mostrar como era o preconceito racial da época, porém, há um certo exagero no filme ao forçar situações sobre o tema constantemente.
Conclusão:
Estrelas Além do Tempo mostra um período histórico,  rico culturalmente e levanta questões pertinentes até os dias atuais. E acima de tudo, o filme destaca a amizade entre essas três guerreiras e como elas conseguiram alcançar seus sonhos,
Baseado em fatos reais, conta com três indicações ao Oscar (“Melhor Filme”; “Atriz Coadjuvante”, para Octavia Spencer; e “Roteiro Adaptado”).

Estrelas Além do Tempo está em cartaz nos cinemas.

 

 

Ficha Técnica
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monaé, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons
Gênero: Drama, biografia
Nacionalidade: Estados Unidos
Duração: 128 minutos
Ano: 2017

Maratona Oscar: Animais Noturnos

Maratona Oscar: Animais Noturnos

animais-noturnos-trailerBaseado no romance “Tony and Susan”, de Austin Wright, o estilista e cineasta Tom Ford nos traz uma obra com alto teor estético e história envolvente. Sem dúvida, “Animais Noturnos”é um filme que encanta, mas é preciso ter paciência, pois se tratam de três histórias em paralelo e algumas arestas que precisam ser aparadas.

O enredo nos traz Susan (Amy Adams), uma comerciante de arte e bem sucedida, mas que se sente rejeitada pelo marido Walker (Armie Hammer), cada vez mais distante. Um dia, ela recebe o primeiro exemplar de um livro escrito por Edward (Jake Gyllenhaal), o ex-marido, intitulado “Animais Noturnos”.

Na medida em que lê a obra, Susan faz uma retrospectiva da vida que teve com o ex-parceiro, reflete sobre o motivo de Edward ter dedicado o livro para ela e descobre fatos tenebrosos sobre o passado e que são as causas para seus fracassos amorosos e seu momento de tristeza.

A narrativa do livro conta a história de Tony Hastings (também interpretado por Jake Gyllenhaal) que sai de férias com sua família, mas todos sofrem a abordagem de uma gangue no meio da estrada. O desenrolar da história é impactante, com o sequestro de esposa e filha de Tony e um final triste. Amargurado, Tony resolve ir atrás dos marginais e conta com a ajuda do policial Bobby Andes (Michael Shannon) para investigar o paradeiro deles.

Michael Shannon concorre ao Oscar de melhor coajuvante por Animais Noturnos
Michael Shannon concorre ao Oscar de melhor coajuvante por Animais Noturnos

Indicado ao Oscar como ator coadjuvante, Michael Shannon é o responsável pelos diálogos mais fortes e contundentes da história e também por quebrar o protocolo de atuação de um personagem quando se trata de um policial. Para Bobby Andes, que já estava muito doente, valia tudo, até mesmo ir contra a lei para solucionar a tragédia que acometera Tony Hastings. Sem dúvida uma atuação de destaque, a indicação não foi à toa.

Mesmo que seja uma história fictícia contada no livro “Animais Noturnos”, Edward faz uma analogia do tempo vivido juntamente com Susan, que logo percebe as semelhanças, e tão perturbada pela violência e selvageria retrataras na publicação, ela sente pesar por tê-lo abandonado há 20 anos.

Certamente, um filme perturbador, com cenas tensas, cores sombrias e a câmera centrada no rosto de Amy Adams, dando a sensação de melancolia e culpa, um filme para ser apreciado por todos e com aquela sensação de que ninguém quer passar pelo que os personagens passaram, como disse anteriormente.

Se “Animais Noturnos” não foi indicado para o Oscar de melhor filme, nem Amy Adams não foi lembrada para a categoria melhor atriz, vale a pena torcer por Michael Shannon como ator coadjuvante. Porém, ele enfrentará uma forte concorrência com Mahershala Ali, de Moonlight, e o surpreendente Lucas Hedges, de Manchester à Beira-Mar. Vai ser uma briga boa, e os cinéfilos só tem a ganhar com isso.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Ryan Gosling e Emma Stone de La la Land/Anna Barros

Maratona Oscar: Ryan Gosling e Emma Stone de La la Land/Anna Barros

la-la-land-2La la Land já teve sua resenha publicada aqui e hoje vamos falar das interpretações de Ryan Gosling e Emma Stone que concorrem ao prêmio de Melhor Ator e Melhor Atriz. Não é à toa que os dois estão arrebatando vários prêmios por aí. Eles estão simplesmente sensacionais. Emma está sensível, delicada e totalmente inserida na atmosfera nostálgica e sublime de La La Land, favoritaço a ganhar o Oscar de Melhor Filme e de Melhor Direção para Damian Chazelle. Seu desempenho é simplesmente espetacular e sua simbiose com Ryan Gosling é perfeita.

Ryan também arrebentou, mas tem em seus calcanhares Denzel Washington por Fences e Casey Afleck por Manchester à beira-mar. A meu ver, Denzel incomoda mais. Ryan está perfeito, em estilo próprio, mal-humorado compondo um músico que ama jazz e que quer levar seu sonho de um jazz club adiante. Ele aprendeu a tocar piano, passa veracidade ao tocar o instrumento, dança, canta, enfim incorpora de maneira doce e cativante um Fred Astaire.

Emma empresta seus olhos azuis grandões a uma mocinha batalhadora e sonhadora, que acaba tendo a ajuda do amado para realizar tudo que sempre sonhou a vida toda. Mia é o protótipo da heroína moderna.

La La Land é um filme de metalinguagem que resgata clássicos como Casablanca e Juventude Transviada e extravasa toda a paixão dos musicais. A cena inicial dos motoristas cantando no engarrafamento é simplesmente antológica e  ali que os protagonistas se encontram, de maneira fugaz e inesperada. Sebastian ainda reluta e a refuga e depois acaba se entregando ao amor de Mia.

Eu vou torcer por Ryan Gosling e Emma Stone. Chorei muito na sessão. O filme me tocou profundamente. Talvez por amar musicais, esse é daqueles típicos, mesmo. Talvez pela perda da minha querida mãezinha no último dia 20 de janeiro.

Enfim, as atuações de Emma e Ryan são luminosas! Iluminem-se logo e corram para assistir La La Land. Para ontem!

 

Esse post é in memoriam à Maria de Lurdes Faria de Barros, que ia pouco ao cinema, mas quando ia amava filmes nacionais! Seu filme predileto era Ghost! Descanse em paz, mamãe!

Por Anna Barros