Categoria: Maratona do Oscar
Maratona Oscar: Projeto Flórida/ Cesar Augusto Mota
Após se destacar com um longa-metragem inteiramente filmado com um Iphone, Sean Baker chega para mostrar que está ainda mais afiado. Assim como fez em Tangerine, o cineasta mostra que é capaz de produzir com poucos recursos, mas com bastante competência e talento. ‘Projeto Flórida’ vai mostrar isso, bem como sensibilizar e inserir o público no universo que será retratado em seus 115 minutos de projeção.
A narrativa apresenta ao espectador a dura realidade de várias famílias que moram em motéis baratos à beira das rodovias de Orlando, na Flórida, e as dificuldades que enfrentam para se manterem ali, pagando US$ 35 por noite. No centro desse contexto, há um foco especial na jovem Halley (Bria Vinaite) e sua filha Moonee (Brooklynn Prince). A primeira, uma jovem mãe abatida pelas dificuldades que a vida impôs e por ter ingressado na vida adulta após gravidez precoce, e a segunda, uma criança espevitada e que curte para valer suas férias de verão ao lado das crianças da vizinhança e se divertindo das mais diversas formas, seja pedindo dinheiro aos transeuntes para comprar sorvete, transitando entre casas velhas e abandonadas ou até em travando competições de cuspe à distância.
O local é administrado por Bobby (Willem Dafoe), um homem simples, disciplinado e preocupado em seguir as regras que sua função de gerente impõe, bem como com o bem-estar dos moradores. Ele tem uma relação muito especial e de carinho com as crianças das redondezas, principalmente com Moonee, que sempre o inferniza com suas brincadeiras e seu jeito espontâneo e alegre de ser. Bobby é um personagem que cativa o público, não só pela maneira como administra os conflitos e os problemas das pessoas que moram no hotel, como também sua personalidade, flexível em algumas situações, mas rígido quando deve ser. Dafoe tem uma atuação de destaque, e mereceu a indicação para o Oscar como at or coadjuvante, por sua atuação e pela maneira que lidou ao trabalhar com um grupo de atores iniciantes, bem à vontade ao lado deles.
Não só Dafoe, mas os atores que compuseram os inquilinos se destacaram durante a trama, com atenção especial para Bria Vinaite e Brooklynn Prince. Bria ilustra uma mãe amorosa e dedicada, mas um tanto inconsequente, uma mulher que não mede esforços para criar a filha, mas não reflete sobre as consequências de seus atos para conseguir dinheiro, alguns golpes e roubos estão entre eles. Já a garotinha impressiona por sua desenvoltura em cena, em um nível elevado para uma personagem de apenas seis anos. As cenas entre as duas, além de convincentes, são muito comoventes, com uma amparando a outra, além de muitos sorrisos, apesar da difícil situação que vivem. E é melhor mesmo sorrir para os prob lemas do que chorar e se desesperar, não é mesmo?
Não se pode deixar de dar méritos também a Sean Baker, que conseguiu trazer uma narrativa complexa, envolvente, além de explorar a sensibilidade dos personagens e de mostrar o lado da esperança e da fantasia dos moradores, que curiosamente estão nas proximidades dos parques da Disney, muito cultuados pelos turistas, principalmente os brasileiros. O equilíbrio entre o sonho e a realidade é devidamente traçado, e de uma forma para lá de especial, com a razão dos adultos e a magia das crianças.
Um filme maravilhoso, fantasioso e emocionante, ‘Projeto Flórida’ é uma produção ousada, rica em detalhes e recheada de muito talento, seja de quem está diante das câmeras ou por trás delas. Assista e se emocione bastante!
Avaliação: 5/5 poltronas.
Por: Cesar Augusto Mota
Maratona Oscar: Corra!/Flávia Barbieri
CORRA! (Título Original: Get Out)
Por Flávia Barbieri
Corra! É exultante como sátira, e angustiante como terror!
Primeiro, preciso dizer que quando comecei a assistir Corra! não imaginava que seria um filme para Oscar. O filme não estava nas rodinhas mais comentadas, não tinha atores muito conhecidos ou daqueles que nos fazem crer que o filme será de alguma forma indicado.
Ledo engano. O filme é um mergulho no suspense, no drama, na ansiedade e no medo. E passeia entre o bizarro e o cômico, com uma facilidade que assusta.
Eu não sei se chegaria a interpretá-lo como uma sátira, no entanto, é o que ele realmente é. Aliás, vai além de uma sátira, é uma imersão questionadora sobre o liberalismo branco. Sim, o filme é sobre racismo. Entretanto, desenvolvido de forma tão peculiar e delicada, que apenas no final nos damos conta disso. É uma verdadeiro lembrete sobre racismo e a escravidão. Um soco no estômago entremeado de sustos e cenas bem planejadas.
Inicialmente, você não consegue entender exatamente o que está acontecendo. Há um misto de tensão, de inocência, algo que pode passar facilmente por um enredo familiar intricado e tenso.
O desenvolvimento do filme é quase lento até o ápice, e então, a história é revelada de forma mais elaborada. A cena do afogamento é uma obra-prima do terror, você consegue sentir a falta de ar, o gelado da água, o mergulho profundo no pânico absoluto de uma pessoa que se afoga, paralisada e inerte diante do desconhecido. É uma metáfora aterrorizante.
Corra! é a primeira obra escrita e dirigida por Jordan Peele, que ficou conhecido nos Estados Unidos pelo programa de esquetes cômicos Key & Peele. Ele nunca escondeu seu enorme desejo de dirigir uma obra dedicada ao terror.
A sinopse é simples. Uma mulher branca leva seu namorado negro para um final de semana na casa dos pais. O que poderia ser interpretado como uma comédia simples, ou um filme romântico que cai no lugar comum, vai se tornando intrinsecamente, um enredo assustador e envolvente.
A atuação de Daniel Kaluuya (que interpreta o namorado negro Chris Washington), conhecido por filmes como “Sicario: Terra de Ninguém” e pelo seriado “Babylon”, impressiona pela autenticidade. Você não consegue ver o ator por trás do personagem. Ele se transforma no mocinho pelo qual torcemos que fuja o mais rápido possível daquele lugar intimidante e imprevisível.
Por sua vez, Catherine Keener, como a mãe da namorada, conseguiu encontrar o equilíbrio irreprovável entre o afetuoso e o sinistro, de forma tão profunda, que você não sabe realmente o que sentir por ela.
As atuações impecáveis de Lakeith Stanfield (Andre Logan King) e Betty Gabriel (Georgina) trazem uma autenticidade irreparável para a trama.
É, sem dúvida, uma obra-prima que levanta questionamentos sobre preconceito, através de ironia, momentos de tensão e suspense, de uma forma extraordinária e única, que nenhum filme foi capaz de consubstanciar tão perfeitamente até hoje.
O filme concorre, merecidamente, em 4 (quatro) categorias – Melhor Filme, Melhor Ator (Daniel Kaluuya), Melhor Diretor (Jordan Peele) e Melhor Roteiro Original (Jordan Peele).
Mesmo tendo um veia cômica trabalhada ao longo de sua carreira, Jordan Peele surpreende; e se torna um diretor promitente, com habilidade nata e lucidez no gênero terror.
FICHA TÉCNICA
CORRA!
(GET OUT)
ESTADOS UNIDOS , 2017 , 104 MIN
Gênero: Terror
Estréia: 18/05/2017
Direção: Jordan Peele
Elenco: Allison Williams, Ashley LeConte Campbell, Betty Gabriel, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Caren L. Larkey, Catherine Keener, Daniel Kaluuya, Erika Alexander, Geraldine Singer, Ian Casselberry, Jeronimo Spinx, John Wilmot, Julie Ann Doan, Lakeith Stanfield, LilRel Howery, Marcus Henderson, Richard Herd, Rutherford Cravens, Stephen Root, Yasuhiko Oyama
Poltrona Estreia/ Estreias da Semana

A Grande Jogada: Suspense de Aaron Sorkin.
Sinopse: Após perder a chance de participar dos Jogos Olímpicos, a esquiadora Molly Bloom decide tirar um ano de folga dos estudos e ir trabalhar como garçonete em Los Angeles. Através de circunstâncias curiosas, ela acaba se tornando milionária e famosa por organizar os mais exclusivos jogos de pôquer da região.
https://poltronadecinema.wordpress.com/2018/02/19/maratona-oscar-a-grande-jogada-cesar-augusto-mota/
Trama Fantasma: Drama de Paul Thomas Anderson.
Sinopse: Década de 1950. Reynolds Woodcock é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril, para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma, que vira sua musa e amante.
https://poltronadecinema.wordpress.com/2018/02/21/maratona-oscar-trama-fantasma-juliana-goes/

Pequena Grande Vida: Drama de Alexander Payne.
Sinopse: Na cidade de Omaha, as pessoas descobrem a possibilidade de reduzir de tamanho para uma versão minúscula, a fim de terem menos gastos vivendo em pequenas comunidades que se espalham pelo mundo. Um homem aceita passar por esse processo.
Por: Vitor Arouca
Maratona Oscar: O Touro Ferdinando/Thiago Simão
Olá Poltroneiros,
No dia 11 de janeiro de 2018, chegou em nossas terras a animação de 100 milhões de dólares O Touro Ferdinando, ou somente Ferdinand. Que tem como Diretor o já conhecido em nossas terras o querido Carlos Saldanha, dos sucessos a Era do Gelo e Rio.
Sinopse
Ferdinando é um touro com um temperamento calmo e tranquilo, que prefere sentar-se embaixo de uma árvore e relaxar ao invés de correr por aí bufando e batendo cabeça com os outros. A medida que vai crescendo, ele se torna forte e grande, mas com o mesmo pensamento. Quando cinco homens vão até sua fazenda para escolher o melhor animal para touradas em Madri, Ferdinando é selecionado acidentalmente.
Análise
Que filme gostoso!
Acredito que essa é a melhor definição.
Nosso tourinho já estreia sendo lembrado nos principais prêmios do cinema deste ano. Contou com indicações para o Globo de Ouro e o Bafta. Não podendo esquecer que eles está na pré lista de indicados para o Oscar 2018.
Ele é baseado num livro antigo chamado de Ferdinando, o Touro (1936). Que chegou a ter uma animação simples (Vídeo no final do Post).
Com uma crítica social muito forte sobre esteriótipos, temos uma imersão sobre como podemos ser aquilo que queremos dentro do mundo que tenta criar padrões para nós.
Além de ser discutido, com ampla atenção, as touradas e as maldades que são feitas com os animais.
O roteiro é bem redondo e temos uma animação incrível. Os personagens são bem encaixados e nos é mostrado o perfil de cada um.
Esse mix nos garante diversão e uma pitada grande de drama.
A família pode assistir em peso e tem que levar lencinho?
R: Sim para os dois.
P.S – Está concorrendo como melhor animação no Oscar 2018, mas não conseguirá lograr desta vez.
