Literacine: Malala/Juliana Goes

Literacine: Malala/Juliana Goes

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O documentário Malala acompanha a história da vida de Malala Yousafzai, jovem ativista paquistanesa, que por lutar pelos direitos das mulheres à educação no seu país, sofreu um ataque por parte do Talibã.

No dia 09 de outubro de 2012, a jovem voltava para casa num ônibus escolar quando um homem armado entrou e perguntou “Quem de vocês é Malala?”. Ela se identificou e levou três tiros em sua direção. Ela tinha 12 anos, e uma das balas atravessou o lado esquerdo da cabeça. Por um milagre, Malala sobreviveu, porém, com algumas sequelas. Ela foi levada à Inglaterra para receber tratamento, e até hoje vive exilada com a família no país.

O documentário de Davis Guggenheim (vencedor do Oscar por Uma Verdade Inconveniente) conta o antes e o depois do atentando à Malala, destacando detalhes de sua vida atualmente em Birmingham, na Inglaterra, onde vive com os pais e os dois irmãos, o convívio na escola, seus hobbies e sonhos. O filme também mostra como o Talibã dominou a região do Vale do Swat (local que nasceu Malala) e promoveram mudanças radicais nos costumes da população. O pai da menina fundou uma escola e dava aulas na região. Esse é um dos principais motivos que levou Malala a se tornar uma jovem dedicada aos estudos. Seu pai sempre a apoiou nas decisões de manifestar sua opinião sobre a forma que o Talibã proíbe a educação das mulheres no Paquistão. A luta de Malala pelos direitos femininos à educação no seu país, que vem sendo seguida e admirada por todo mundo, lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2014.

Para contar detalhes importantes da vida da jovem e sua família, Davis Guggenheim usou recurso de animação, que deixou a obra esteticamente bonita e bem feita. Baseado no livro ‘Eu Sou Malala’, o longa é emocionante e inspirador. 

 

Fuocammare ganha como Melhor Filme no Festival de Berlim

Fuocammare ganha como Melhor Filme no Festival de Berlim

fuocammareO documentário italiano Fuocammare, do diretor Giancarlo Bosi, venceu na categoria principal, a de Melhor Filme, no Festival de Berlim. O festival teve como presidente do júri, a atriz americana Meryl Strepp .

Fuocammare é um documentário que fala da situação dos refugiados que se dirigem à ilha de Lampedusa, na Itália, para chegarem a solo europeu.

O Urso de Prata ficou com o filme franco-bósnio Death in Sarajevo,  do diretor Danis Tanovic.

Death in Sarajevo relata os protestos de um hotel de luxo, que não recebem seus sala´rios, enquanto diplomatas preparam uma festa de comemoração pelo centenário da Primeira Guerra Mundial.

 

 

Vitor Arouca, com colaboração de Anna Barros.

Maratona do Oscar: Amy /Anna Barros

Maratona do Oscar: Amy /Anna Barros

amyAmy é o grande favorito a vencer o Oscar de Melhor documentário. O filme foi dirigido por Asif Kapadia, o mesmo de Senna.  Asif foi feliz porque ele mostra uma Amy antes da fama, ainda adolescente mostrando às amigas Lauren e Juliette todo o seu vozeirão. Ali estava a Amy pura e dócil que com a separação dos pais, começou a se enfiar no mundo das drogas e a ter um ar triste. Amy jamais aceitou a separação dos pais e tinha verdadeira idolatria pelo pai.

Ela começou a galgar a carreira e com ela os conflitos surgiram, principalmente depois que ela conhece seu marido Blake Fielder. O amor dos dois, obsessivo e conturbado foi responsável pela grande fase criativa de Amy mas a fez se entregar mais ao álcool e às drogas pesadas. E dali se vê seu declínio até a sua morte por overdose de álcool.
Antes disso, Amy conhece a fama e apesar de amar cantar no estúdio e no palco, não consegue lidar com ela. Vê apensas suas amgias como pessoas verdadeiras, além da mãe e percebe como seu pai explorava seu sucesso, querendo sempre tirar casquinha dele.
Na primeira crise, antes do estouro de Back to Black, seu pai, Mitch, não deixou que a internassem numa clínica de reabilitação como seu produtor, empresário e amigos queriam e isso pode ter ampliado o abismo que existia entre a Amy mulher e a Amy cantora. Ela não conseguia lidar com as tristezas e sofrimentos da vida, a ponto, de, nas vezes em que ficou em abstinência de drogas e álcool, achar a vida um porre sem elas.
Quando Blake vai para a prisão seu mundo desaba. Ela se afunda mais e acaba o traindo com outro homem, levando-no a pedir o divórcio por adultério. Blake foi o grande amor de sua vida e seu ponto destruidor. Esse amor surreal a fez se distanciar de todos e a começar a arruinar sua carreira. Foi chamada pra um festival em que simplesmente não conseguiu cantar. A turnê foi devidamente cancelada e ela decidiu ir ao casamento de seu ex-empresário. Três dias antes foi encontrada morta em seu apartamento por seu guarda-costas. O filme fala da derrocada de uma artista esplêndida aos 27 anos e o quão devastador pode ser a entrega de uma pessoa às drogas. Além de cocaína, Amy foi viciada em crack e heroína, essas últimas apresentadas por Blake, no melhor estilo Meu bem, meu mal.
O documentário é triste mas à medida que mostra a vida de Amy, intercala suas principais canções mostrando como a sua vida influenciava diretamente as suas canções. Essa parte é bem sensível de Asif e própria para os fãs da voz da cantora e de sua música.
Uma das partes mais bonitas é quando ela faz dueto com seu ídolo, Tony Bennett. Ele consegue perceber seu valor extraordinário e ela consegue resgatar a Amy menina, da adolescência ao exalar toda a sua doçura frente ao seu ídolo.
Acabamos por refletir a que ponto um artista com aquele potencial se deixa derrotar e manipular pelas artimanhas e circunstâncias da vida. O documentário é linear, bonito e profundo. Ficamos pensando nele por alguns dias e vêm a dúvida: se ela não tivesse se envolvido com Blake, estaria viva?
Amy ganhou o Bafta 2016 como Melhor Documentário e é muito favorito a levar a estatueta dourada. A conferir no próximo dia 18 de fevereiro.
Super indico! Para ver e se emocionar!!
Sessão de Matinê: Vai, Garotinho que a vida é sua – Doc sobre Osmar Santos/Gabriel Araújo

Sessão de Matinê: Vai, Garotinho que a vida é sua – Doc sobre Osmar Santos/Gabriel Araújo

Osmar Santos vai muito além de um narrador de futebol. Osmar Santos vai muito além de voz da democracia, de locutor das Diretas. Osmar Santos é um exemplo de vida. E esse é o principal foco da ESPN Brasil em um belo documentário sobre o Pai da Matéria. “Vai Garotinho que a Vida é Sua!” é um panorama de uma história; é o retrato da vontade de viver.

Helvidio Mattos, Roberto Salim, Marcelo Gomes e a equipe da ESPN conseguem emocionar em um filme de apenas uma hora, que não revela muitos detalhes da trajetória tão conhecida de Osmar, mas convoca depoimentos fantásticos de importantes personagens, como Oscar Ulisses, Casagrande, Neto, Edson Scatamacchia, seu irmão Osório, sua mãe Clarice, seu filho Vitor, Wladimir, Juca Kfouri, Paulo Soares, Roberto Carmona, Juarez Soares, Fausto Silva… fãs e amigos de um gênio prestando uma merecida homenagem.

A ESPN divide a vida de Osmar em uma linha: a infância, quando chegou a ser gago, o início no rádio em Osvaldo Cruz e Marília, a chegada a São Paulo, o sucesso, a participação na busca pela democracia com as ‘Diretas Já’, o fatídico acidente provocado por um motorista embriagado, a recuperação e o apoio na pintura para se reerguer. A linha não abrange tudo, mas o tempo é curto e, para uma produção destinada à televisão, cumpre muito bem seu papel.

Quem o assiste não conhece o caso que Osmar teve com uma ouvinte ainda no interior. Não ganha detalhes de sua revolução no rádio na Jovem Pan, ou de sua transferência histórica para a Globo, numa era em que o rádio vivia seu auge: é como se hoje, vá lá, Galvão Bueno fosse trabalhar na TV Record. Não o vê como a voz da Seleção pós-Luciano do Valle e pré-Galvão na TV Globo. Não sabe de sua passagem curta pela Rádio Record no início dos anos 90. Não sabe que a Globo ainda o emprega e tem nele o principal nome de sua equipe esportiva. Mas tudo isso são apenas detalhes, nada que comprometa a ótima produção. Quem quiser saber mais pode ler a ótima biografia “Osmar Santos – O Milagre da Vida”, escrita por Paulo Mattiussi, um livro muito completo.

Destaque, no documentário, para a participação do motorista que colocou Osmar na caçamba de sua picape e o levou à Santa Casa de Lins na noite do acidente. Que, numa noite conturbada no hospital, abriu a carteira e viu quem era o acidentado, para gritar que “Osmar Santos da Globo” estava ali. Para alertar os médicos que fizeram os primeiros procedimentos sem maiores recursos, e para salvar sua vida, como também fez o Dr. Jorge Padura no Hospital Albert Einstein.

O filme da ESPN Brasil é fonte de imagens bonitas e bem inseridas, desde as gravações próprias à recuperação de cenas mais antigas, como as de Osmar na cabine, de um “Grandes Momentos do Esporte”, da TV Cultura, nos anos 90; tem uma fotografia muito interessante e o trabalho jornalístico em sua mais pura forma, escolhendo muito bem os entrevistados e exercendo um bom trabalho de pesquisa.

Osmar foi o maior locutor do rádio paulista, e protagonizou a ‘Era de Ouro’, com ele na Globo, José Silvério na Pan e Fiori Gigliotti na Bandeirantes. Passou por adversidades, mas nunca desistiu. Viveu, sempre. Renasceu e descobriu o novo. Merece aplausos de pé, assim como o documentário. Osmar Santos pode ser mais do que a TV mostrou, e isso já foi muito. Nunca menos. Pois Osmar só soma, só cresce. Um viva eterno ao Pai da Matéria. Vai, Garotinho!