Documentário exclusivo ‘A Febre Elena Ferrante’ investiga talento e anonimatoda escritora fenômeno mundial

Documentário exclusivo ‘A Febre Elena Ferrante’ investiga talento e anonimatoda escritora fenômeno mundial

Paisagens urbanas são destaque nas obras de Ferrante (Crédito:Divulgação/Curta!)

Ela foi incluída entre as 100 personalidades mais influentes em listas das revistas Time e Foreign Policy, mas ainda assim, ninguém sabe quem ela é. Elena Ferrante é uma das mais lidas, celebradas, e misteriosas escritoras contemporâneas. O documentário “A Febre Elena Ferrante”, que estreia com exclusividade no Curta! e está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários, estuda esse fenômeno literário.
 

O filme recorre a outros escritores, críticos literários, editores, entre outros, para explicar suas estratégias narrativas e decifrar como, mesmo com identidade desconhecida, a italiana, autora da tetralogia napolitana, se tornou uma figura cultuada e popular. A produção é da Match Factory e direção de Giacomo Durzi.
 

“Creio que o sucesso de Ferrante se deve, sobretudo, à sua habilidade de expressar e investigar, com grande capacidade quase psicanalítica, o melhor da alma feminina. Na sua fragilidade, mas sobretudo na sua força”, afirma o diretor Roberto Faenza, que adaptou o livro “Dias de Abandono” para o cinema.
 

Os direitos de seus livros foram vendidos para dezenas de países, e constantemente figuram na lista dos mais vendidos. Entre eles, os romances “A Amiga Genial”, “História do Novo Sobrenome”, “História de Quem Foge e de Quem Fica” e “História da Menina Perdida”.
 

Suas obras, definidas por críticos e admiradores como criativas, originais e instigantes, envolvem os leitores com suas personagens, histórias, paisagens, cheiros e detalhes. Responsável pela tradução dos livros de Ferrante para o inglês, Ann Goldstein elogia como a escritora descreve e expões as emoções e sentimentos humanos de forma corajosa e precisa.
 

“Para mim, o mais difícil de traduzir foi “A Filha Perdida”, pela forma como ela aborda a maternidade. Ela quer que você pense na vida, e usa até títulos ambíguos que provocam reflexão”, conta a tradutora, sobre um dos livros de maior sucesso de Ferrante e parte da tetralogia napolitana.
 

O documentário aborda suas técnicas, destaca como ela observa a realidade e analisa a importância de suas obras para a literatura italiana e mundial. Além, claro, de debater a sua identidade e anonimato.
 

“Você pode falar do conteúdo do livro e de sua história de forma mais livre e independente. É a vitória do conteúdo sobre o indivíduo, sobre a narrativa de si mesmo, isso é o que considero a obra-prima do anonimato de Elena Ferrante”, explica o escritor Roberto Saviano.
 

“A Febre Elena Ferrante” é uma produção da Match Factory. O documentário já pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Quintas do Pensamento, 26 de março, às 21h30.

Paris Filmes anuncia nova data de estreia de O Gênio do Crime

Paris Filmes anuncia nova data de estreia de O Gênio do Crime

Paris Filmes anuncia nova data de estreia de “O Gênio do Crime”, adaptação da obra de João Carlos Marinho 

Longa-metragem chega aos cinemas em 14 de maio de 2026

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Marcos Veras em “O Gênio do Crime”. Foto de Fabio Braga, Pivô Audiovisual

Produção: Boutique Filmes. Distribuição: Paris Filmes – A Paris Filmes anuncia a nova data de estreia de “O Gênio do Crime”, adaptação do clássico infanto-juvenil de João Carlos Marinho, que marcou gerações de leitores no Brasil. O longa chega aos cinemas em 14 de maio de 2026. 

Ambientado na cidade de São Paulo, o filme acompanha a turma do Gordo (Francisco Galvão, Samuel Estevam, Bella Alelaf e Breno Kaneto), quatro amigos que se veem envolvidos em uma investigação ao descobrirem uma falsificação de uma figurinha rara do álbum da Copa do Mundo. O que começa como uma curiosidade se transforma em uma jornada repleta de mistério, aventura e bom humor, levando o grupo a enfrentar desafios e a desvendar um esquema engenhoso.

Este é um projeto de Tiago Mello (“3%”) responsável também pela produção, com direção de Lipe Binder (“Betinho: No Fio da Navalha”, “Império”), e roteiro de Ana Reber (“Depois do Universo”), o longa é produzido pela Boutique Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, e distribuído pela Paris Filmes. O elenco conta ainda com Ailton Graça, Marcos Veras, Douglas Silva e Rafael Losso. 

O projeto foi realizado com recursos do Fomento Cult SP ProAC, programa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e conta com apoio da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e da Lei do Audiovisual.

Daniel Ribeiro expande universo com novo filme e HQ de Hoje eu quero voltar sozinho

Daniel Ribeiro expande universo com novo filme e HQ de Hoje eu quero voltar sozinho

CINEASTA DANIEL RIBEIRO EXPANDE UNIVERSO COM NOVO FILME E HQ DE “HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO”

Premiado na Berlinale, o diretor transforma seu primeiro longa-metragem em quadrinho e prepara estreia internacional de filme que encerra sua trilogia

Premiado no Festival de Berlim e autor de títulos marcantes do cinema queer brasileiro contemporâneo, o diretor e roteirista Daniel Ribeiro atravessa um momento especialmente fértil de sua carreira. Nos próximos meses, ele apresenta ao público dois projetos de expansão criativa: a adaptação para os quadrinhos de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (2014), seu filme mais celebrado, e as primeiras exibições internacionais do lançamento “Eu Vou Ter Saudades de Você”.

O novo longa encerra a trilogia iniciada na estreia de Ribeiro com “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, vencedor de quase 50 prêmios internacionais, entre eles o Teddy Award de Melhor Filme LGBT na Berlinale. O segundo capítulo veio com 13 Sentimentos, lançado em 2024. Juntos, os três filmes exploram diferentes formas de afeto, identidade e amadurecimento nas relações contemporâneas.

“Depois de ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, desenvolvi duas outras histórias que exploram o desgaste de um casal, a iminência da separação e o processo de redescoberta após o fim de um relacionamento longo. Juntas, essas três obras formam uma trilogia que retrata o ciclo completo das relações humanas”, conta o cineasta sobre os filmes, que foram produzidos fora da ordem cronológica. “Mas, pensando bem, o amor e os relacionamentos raramente seguem uma lógica, então eu gosto da ideia de que os rumos da vida tenham embaralhado a ordem dessa história”, completa. 

Daniel Ribeiro (Foto: Fabio Audi)

Protagonizado por Alice Marcone e Gabriel Lodi, “Eu Vou Ter Saudades de Você” acompanha um casal transgênero que vive um relacionamento há sete anos e entra em crise quando decide morar junto. O roteiro foi escrito por Daniel Ribeiro em parceria com Marcone, e o elenco é inteiramente composto por pessoas trans.

O filme fará sua estreia internacional no BFI Flare: London LGBTQIA+ Film Festival, com sessões nos dias 27 e 28 de março. Para a ocasião, estarão presentes o diretor Daniel Ribeiro, a produtora Diana Almeida e os protagonistas Alice Marcone e Gabriel Lodi. Na sequência, o longa também será exibido no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), no México, em abril.

Enquanto apresenta seu mais novo trabalho como cineasta, Ribeiro revisita o ponto de partida dessa trajetória: o roteiro de seu primeiro longa. A adaptação de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” para os quadrinhos será publicada em maio pelo Seguinte, selo jovem do Grupo Companhia das Letras. A história foi adaptada pelo próprio diretor e ganhou ilustrações do designer Bruno Freire, cujo traço acrescenta uma nova dimensão visual à história do primeiro amor entre dois adolescentes, um deles cego, que já é um clássico do cinema brasileiro contemporâneo.

“Sempre senti vontade de continuar explorando a história de Leo e Gabriel para além do filme. A HQ surgiu como a solução perfeita: um formato que me permite expandir esse universo sem as limitações físicas do tempo”, conta Daniel, que ainda abre a possibilidade de expansão desse universo. “O mais interessante é que, no futuro, quando os personagens finalmente alcançarem a idade atual dos atores, as portas estarão abertas para um novo filme. Seria incrível revisitar Leo e Gabriel na fase adulta e entender quais são seus conflitos hoje.”

Documentário A Voz de Deus ganha trailer e pôster oficiais

Documentário A Voz de Deus ganha trailer e pôster oficiais

DOCUMENTÁRIO “A VOZ DE DEUS” GANHA TRAILER E PÔSTER OFICIAIS

Dirigido por Miguel Antunes Ramos, longa estreia nos cinemas em 16 de abril

Em um momento em que o universo evangélico ocupa cada vez mais espaço no debate público brasileiro — da política às redes sociais, passando pela cultura e pela vida cotidiana — o documentário A VOZ DE DEUS, novo longa de Miguel Antunes Ramos, propõe um olhar raro e sensível sobre esse fenômeno a partir de dentro.

Com distribuição da Embaúba Filmes e estreia marcada para 16 de abril nos cinemas, o filme acaba de ganhar trailer e pôster oficiais e acompanha a trajetória de dois jovens pregadores evangélicos em momentos muito diferentes de suas vidas.

O filme acompanha Daniel Pentecoste, que viveu o auge da popularidade ainda criança e hoje lida com o fim dessa visibilidade, e João Vitor Ota, que, no recorte do documentário, está justamente vivendo o momento de maior projeção.

Ao aproximar esses dois personagens, o filme constrói um retrato delicado sobre o que permanece e o que se transforma quando a infância se mistura à fé, à vocação religiosa e à exposição pública.

Confira o trailer:

Filmado ao longo de cinco anos, o documentário aproxima essas duas histórias para refletir sobre a fé no Brasil contemporâneo, observando como sonhos, expectativas familiares e transformações sociais atravessam a vida desses jovens.

Mais do que registrar um fenômeno religioso, A VOZ DE DEUS testemunha as mudanças atravessadas por seus personagens e pelo próprio país nesse período. Política e religião surgem não como pano de fundo ilustrativo, mas encarnadas nas relações familiares, nas expectativas depositadas sobre esses jovens e nos afetos tensionados por um Brasil em transformação. Um ciclo se encerra enquanto outro começa e o país que cerca esses meninos já não é o mesmo.

Com uma abordagem observacional que privilegia a presença e a escuta, o filme evita julgamentos fáceis e estereótipos. A câmera se aproxima, compartilha o espaço e permite que silêncios, hesitações e conflitos emerjam com complexidade. Em vez de reduzir o universo evangélico a caricaturas, o documentário revela suas contradições internas e a humanidade de seus personagens, transformando um tema potencialmente polarizado em uma reflexão íntima sobre sonhos, identidade e pertencimento.

Desde sua estreia em festivais, o longa vem sendo reconhecido pela crítica por seu olhar rigoroso e sensível. A VOZ DE DEUS integrou a Competitiva Brasileira do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde recebeu o prêmio de Melhor Montagem, além de participar do CineBH – Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte e da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Mais recentemente, o documentário conquistou o Prêmio Especial do Júri na seção oficial de documentários do Festival de Málaga, reforçando sua trajetória de destaque no circuito de festivais.

SINOPSE
Duas crianças pregadoras buscam o caminho para uma vida melhor por meio da fé. Daniel Pentecoste foi o pregador infantil mais famoso do Brasil, mas conforme cresce enfrenta a frustração de um futuro incerto. João Vitor está no auge, com um milhão de seguidores. Entre lives e smartphones, prega para multidões. O filme revela as infâncias escondidas sob a construção de duas figuras públicas, oferecendo uma reflexão sobre um Brasil em transformação, em que política e religião frequentemente se confundem.

FICHA TÉCNICA
A VOZ DE DEUS
 (2025) – 85’
Direção: Miguel Antunes Ramos
Roteiro: Miguel Antunes Ramos, Alice Riff
Produção: Nicholas Bernstein
Produtoras: Corisco Filmes, Intropia Media
Distribuição: Embaúba Filmes
Montagem: Yuri Amaral
Fotografia: Alice Andrade Drummond, Léo Bittencourt
Som: Jonathan Macías, Tomás Franco, Rafael Veríssimo
Desenho de Som: Fernando Henna
Trilha Sonora: Arthur Decloet, Kiko Dinucci
País: Brasil / Espanha

SOBRE O DIRETOR
Cineasta brasileiro cujo trabalho explora a transformação de paisagens urbanas e a persistência da violência histórica. É formado em audiovisual pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA–USP). Realizou, entre outros, os curtas-metragens “Um, Dois, Três, Vulcão” (2012), “Salomão” (2013), “E” (2014), “A Era de Ouro” (2014), “O Castelo” (2015) e “Comissão de Vendas” (2016), apresentados em festivais como os de Roterdã, Toulouse e Oberhausen e premiados em diversos festivais no Brasil. Realizou também os longa-metragens documentais “Banco Imobiliário” (2016) “Filhos de Macunaima” (2019) e  “A Flecha e a Farda” (2020).

SOBRE A EMBAÚBA FILMES
A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de filmes autorais brasileiros. Diferencia-se pela qualidade de seu catálogo, que já conta com mais de 50 títulos, investindo em obras de grande relevância cultural e política. A empresa também atua na exibição de filmes pela internet por meio da plataforma Embaúba Play, que reúne mais de 800 títulos entre curtas, médias e longas do cinema brasileiro contemporâneo.

Sinny Comunicação

Poltrona Cabine: Tatame/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tatame/Cesar Augusto Mota

Muitas vezes já ouvimos que esporte e política não se misturam. Porém, quando se trata de ideologia e questões sociais e culturais de uma nação, estes costuma ser inegociáveis. Com direção de Guy Nattiv e Zar Amir Ebrahimi, “Tatame” é inspirado em fatos reais e retrata a pressão de uma judoca iraniana pressionada a abandonar uma competição em decorrência da política de seu país.

Leila Hosseini (Arienne Mandi), judoca prestes a participar do Campeonato Mundial de Judô, se vê em um dilema, o risco de enfrentar uma atleta se Israel, país não reconhecido oficialmente pelo Irã. Ela é pressionada a fingir lesão ou abandonar a competição. Caso prossiga com sua decisão em competir, pode ela e sua família enfrentarem graves consequências por parte das autoridades de seu país.

A filmagem realizada não é a tradicional, em cores, mas em preto e branco, com a câmera próxima dos corpos das judocas. Esses recursos não só mostram a perspectiva das competidoras, como traz uma atmosfera tensa que o filme pede, não só pela pressão natural da vitória no esporte, como a tensão que envolve Israel e Irã, que já protagonizaram confrontos sangrentos que geraram sequelas físicas e psicológicas em seus povos.

Temas como direitos humanos, democracia e liberdade de consciência e crença ganham corpo ao longo da narrativa, e importantes debates são estabelecidos entre produção e espectadores, principalmente no tocante ao limite das liberdades e direitos dos cidadãos iranianos. Não está em foco quem está certo ou errado, mas o direito que cada um tem de defender seus princípios e valores, bem como o respeito e a tolerância das diferenças entre culturas.

O trabalho que faz a treinadora de Leila, Maryam (Zar Amir Ebrahimi), não só proporciona amadurecimento da protagonista como é decisivo para o clímax da história, acerca do dilema moral pelo qual passa Leila e a difícil decisão que deve tomar, de preservar sua vida e de quem mais ama ou ser fiel aos seus princípios, mesmo que surjam graves incidentes. Uma trama em um ritmo tenso, mas apreciável pelo público e um elenco coeso, com atuações eficientes e bem realistas, dando credibilidade à produção.

Um filme tenso, de clima avassalador e necessário nos dias de hoje em meio a guerras em várias partes do mundo e a incerteza da paz e do respeito mútuo entre os povos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota