Poltrona Cabine: Tatame/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tatame/Cesar Augusto Mota

Muitas vezes já ouvimos que esporte e política não se misturam. Porém, quando se trata de ideologia e questões sociais e culturais de uma nação, estes costuma ser inegociáveis. Com direção de Guy Nattiv e Zar Amir Ebrahimi, “Tatame” é inspirado em fatos reais e retrata a pressão de uma judoca iraniana pressionada a abandonar uma competição em decorrência da política de seu país.

Leila Hosseini (Arienne Mandi), judoca prestes a participar do Campeonato Mundial de Judô, se vê em um dilema, o risco de enfrentar uma atleta se Israel, país não reconhecido oficialmente pelo Irã. Ela é pressionada a fingir lesão ou abandonar a competição. Caso prossiga com sua decisão em competir, pode ela e sua família enfrentarem graves consequências por parte das autoridades de seu país.

A filmagem realizada não é a tradicional, em cores, mas em preto e branco, com a câmera próxima dos corpos das judocas. Esses recursos não só mostram a perspectiva das competidoras, como traz uma atmosfera tensa que o filme pede, não só pela pressão natural da vitória no esporte, como a tensão que envolve Israel e Irã, que já protagonizaram confrontos sangrentos que geraram sequelas físicas e psicológicas em seus povos.

Temas como direitos humanos, democracia e liberdade de consciência e crença ganham corpo ao longo da narrativa, e importantes debates são estabelecidos entre produção e espectadores, principalmente no tocante ao limite das liberdades e direitos dos cidadãos iranianos. Não está em foco quem está certo ou errado, mas o direito que cada um tem de defender seus princípios e valores, bem como o respeito e a tolerância das diferenças entre culturas.

O trabalho que faz a treinadora de Leila, Maryam (Zar Amir Ebrahimi), não só proporciona amadurecimento da protagonista como é decisivo para o clímax da história, acerca do dilema moral pelo qual passa Leila e a difícil decisão que deve tomar, de preservar sua vida e de quem mais ama ou ser fiel aos seus princípios, mesmo que surjam graves incidentes. Uma trama em um ritmo tenso, mas apreciável pelo público e um elenco coeso, com atuações eficientes e bem realistas, dando credibilidade à produção.

Um filme tenso, de clima avassalador e necessário nos dias de hoje em meio a guerras em várias partes do mundo e a incerteza da paz e do respeito mútuo entre os povos.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

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