
Filmes sobre empatia, reconstrução e danos psicológicos estão conquistando cada vez mais públicos, tendo em vista que são temas cada vez mais atuais e já vivenciados por muita gente. “Depois do Fogo”, de Max Walker-Silverman, promete não só um drama envolvente, mas importantes debates sobre saúde mental e ser solidário.
Após perder seu rancho em decorrência de um incêndio florestal, o cowboy Dusty (Josh O’Connor)passa a viver em um acampamento mantido pelo governo e encontra consolo em seus novos vizinhos. A tragédia o permite se reconectar com sua filha Callie-Rose (Lily LaTorre), bem como com sua ex-mulher, Ruby (Meghan Fahy,), e a ex-sogra, Bess (Amy Madigan).
A perda das terras de Dusty não só representa bens materiais, como também de identidade, pertencimento e uma herança de família. A sensação de desamparo, de luto e dificuldade de superação de um trauma são os focos da história, e não a questão de financiamento de obras e pagamento de dívidas após uma propriedade se reduzir apenas a cinzas. Os valores sentimental e moral ditam a trama, a questão financeira é secundária.
No tocante às relações familiares, em vez da ideia de acerto de contas, vemos uma oportunidade de recomeço entre os membros da família e não a resolução de assuntos pendentes do passado. A união, o amor e a solidariedade entre Dusty, a filha, a ex-mulher e a sogra impressionam e representam os motores da trama. Não há grandes reviravoltas, mas há momentos de silêncio, reconciliação e de gestos de apoio.
Um filme sensível, humanista e necessário, quem vê “Depois do Fogo” não se sentirá mais o mesmo como era antes de a obra ser apresentada. Um filme envolvente e bastante imersivo, quem assiste a ele faz questão de ver de novo.
Cotação: 5/5 poltronas.
Por: Cesar Augusto Mota