Coiote adquire direitos de adaptação do romance ‘Cinzas do Norte’, de Milton Hatoum
Projeto audiovisual contará com a direção de Sérgio Machado
A Coiote, produtora audiovisual responsável por sucessos como “Mulher da Casa Abandonada” (Amazon Prime Video) e “Maria e o Cangaço” (Disney+), acaba de anunciar a aquisição de direitos de adaptação do livro “Cinzas do Norte”, escrito pelo premiado autor brasileiro Milton Hatoum. O projeto, que ainda está em sua fase inicial, contará com a direção de Sérgio Machado, conhecido pelo aclamado longa “Cidade Baixa” (2005) e “Rio do Desejo” (2022). A produção será da Coiote.
Lançado em 2005, “Cinzas do Norte” é ambientado nos anos iniciais da ditadura militar no Brasil, e acompanha a implantação da Zona Franca de Manaus e a criação do bairro da Cidade Nova, atualmente o mais populoso da capital amazonense. Descrito por Hatoum como “uma espécie de educação sentimental”, o livro foi o terceiro romance de escritor a ganhar um Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, desta vez na categoria de Melhor Romance no ano de 2006.
Ingressos somaram 125 milhões em 2024; receita deve atingir US$ 668 milhões até 2029, impulsionada por grandes produções
O mercado brasileiro de cinema, segundo maior da América Latina em volume de ingressos, se recupera após um longo período de retração pós-pandemia. Em 2024, as salas registraram 125 milhões de entradas, e a receita total alcançou US$ 499 milhões, com previsão de crescimento para US$ 668 milhões até 2029, a uma taxa anual composta (CAGR) de 6%. Os dados estão no estudo Global Entertainment, Media & Telecommunications Outlook 2025–2029, da PwC, que indica um faturamento global de US$ 41 milhões em 2029.
O destaque nacional foi “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles, que arrecadou US$ 12,3 milhões. O mercado também continua dominado por grandes produções, como “O Agente Secreto” em 2025 e 2026. Além disso, a retomada do público, impulsionada por sucessos como “Mufasa: O Rei Leão”, que gerou mais de US$ 13 milhões no Brasil, e “Moana 2”, com quase US$ 28 milhões em bilheteria no país, também refletem o otimismo do setor.
O Brasil também fortalece parcerias com países latino-americanos e europeus, com projetos selecionados para festivais como Berlim e Veneza. Além disso, cresce a produção de animações e filmes de gênero, com destaque para títulos premiados em eventos como Ventana Sur.
O BAFTA 2026 anunciou neste domingo (22) os vencedores de sua 79ª edição, consolidando mais um capítulo importante na temporada de premiações que antecede o Oscar. Realizada no Royal Festival Hall, em Londres, a cerimônia foi apresentada por Alan Cumming e reuniu alguns dos principais nomes do cinema mundial.
Diferentemente de outros anos, a disputa foi marcada por um cenário mais aberto, sem um único favorito absoluto dominando as categorias principais. Ainda assim, títulos como Uma Batalha Após a Outra, Pecadores e Hamnet: A Vida Antes de Hamlet chegaram fortes na corrida e protagonizaram boa parte das conversas da noite.
Para o Brasil, o destaque ficou com O Agente Secreto, que concorreu em duas categorias importantes: Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Roteiro Original. A presença do longa na premiação reforça sua trajetória internacional e o coloca ainda mais no radar da temporada.
No entanto, o longa-metragem brasileiro acabou saindo de mãos abanando do evento. Enquanto o prêmio de roteiro ficou com Pecadores, o longa Valor Sentimental ganhou a estatueta voltada para filmes internacionais.
BAFTA 2026 reforça corrida equilibrada ao Oscar
Com 14 indicações, Uma Batalha Após a Outra liderou o número de nomeações, seguido por Pecadores, que recebeu 13 nomeações. Já Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e Marty Supreme apareceram logo atrás, mostrando como a disputa estava pulverizada entre diferentes produções.
Entre os destaques técnicos, Frankenstein saiu na frente nas categorias de produção e maquiagem, enquanto Sean Penn e Wunmi Mosaku conquistaram os prêmios de atuação coadjuvante, consolidando a força de seus respectivos filmes.
BAFTA 2026: lista completa de vencedores e indicados
Abaixo, confira todas as categorias do BAFTA 2026. Os vencedores estão marcados em negrito. A relação está sendo atualizada em tempo real, durante a premiação.
Melhor Filme
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Uma Batalha Após a Outra – Vencedor
Valor Sentimental
Pecadores
Marty Supreme
Melhor Filme em Língua Não-Inglesa
Foi Apenas um Acidente
O Agente Secreto
Valor Sentimental – Vencedor
Sirat
A Voz de Hind Rajab
Melhor Roteiro Original
I Swear
Marty Supreme
O Agente Secreto
Valor Sentimental
Pecadores – Vencedor
Melhor Roteiro Adaptado
The Ballad of Wallis Island
Bugonia
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Uma Batalha Após a Outra – Vencedor
Pillion
Melhor Ator
Leonardo DiCaprio – Uma Batalha Após a Outra
Timothée Chalamet – Marty Supreme
Jessie Plemons – Bugonia
Ethan Hawke – Blue Moon
Michael B. Jordan – Pecadores
Robert Aramayo – I Swear – Vencedor
Melhor Atriz
Rose Byrne – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Jessie Buckley – Hamnet: A Vida Antes de Hamlet – Vencedor
Kate Hudson – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Emma Stone – Bugonia
Chase Infiniti – Uma Batalha Após a Outra
Renate Reinsve – Valor Sentimental
Melhor Ator Coadjuvante
Benicio del Toro – Uma Batalha Após a Outra
Sean Penn – Uma Batalha Após a Outra – Vencedor
Jacob Elordi – Frankenstein
Paul Mescal – Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Peter Mullan – I Swear
Stellan Skarsgard – Valor Sentimental
Melhor Atriz Coadjuvante
Odessa A’Zion – Marty Supreme
Inga Ibsdotter Lilleaas – Valor Sentimental
Wunmi Mosaku – Pecadores – Vencedor
Teyana Taylor – Uma Batalha Após a Outra
Emily Watson – Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Carey Mulligan – The Ballad of Wallis Island
Melhor Direção
Paul Thomas Anderson – Uma Batalha Após a Outra – Vencedor
Ryan Coogler – Pecadores
Chloé Zhao – Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Josh Safdie – Marty Supreme
Joachim Trier – Valor Sentimental
Yorgos Lanthimos – Bugonia
Melhor Filme Britânico
Extermínio: A Evolução
Pillion
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet – Vencedor
I Swear
The Ballad of Wallis Island
Morra, Amor
Bridget Jones: Louca Pelo Garoto
H is For Hawk
Mr. Burton
Steve
Melhor Estreia de um Roteirista, Diretor ou Produtor Britânico
Jack King, Hollie Bryan e Lucy Meer – The Ceremony
Com a lista oficial divulgada, o BAFTA 2026 serve como um aquecimento de o que podemos esperar no Oscar. Para o Brasil, a presença de O Agente Secreto entre os indicados em duas categorias já é um feito relevante — e mostra que o cinema nacional segue ocupando espaços importantes no circuito internacional.
A História do Som: Novo filme de Oliver Hermanus aprofunda sua investigação sobre amor e identidade
Exibido na competição oficial do Festival de Cannes, longa com Paul Mescal e Josh O’Connor chega aos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro.
Reconhecido por construir retratos sensíveis e profundos sobre desejo, identidade e pertencimento, o cineasta sul-africano Oliver Hermanus apresenta em A História do Som mais um capítulo marcante de sua filmografia dedicada a personagens à margem das narrativas tradicionais. Exibido na competição oficial do Festival de Cannes, o longa chega aos cinemas brasileiros no dia 26 de fevereiro, com distribuição da Imagem Filmes.
Ambientado em 1917, A História do Som acompanha Lionel (Paul Mescal) e David (Josh O’Connor), dois estudantes de música que se conhecem no Conservatório de Boston e se aproximam pelo amor em comum pela música folk norte-americana. Anos depois, eles partem juntos para uma jornada pelo interior do estado do Maine com o objetivo de registrar canções tradicionais que correm o risco de desaparecer. Ao longo da viagem, a conexão entre os dois se transforma em um envolvimento afetivo profundo — vivido com delicadeza, silêncio e intensidade contida.
O filme dialoga diretamente com temas recorrentes na obra de Hermanus, como a vivência do desejo em contextos de repressão social e a construção da intimidade em ambientes hostis. Desde “Beleza Arrebatadora”, vencedor da Queer Palm em Cannes, passando por “Moffie”, indicado ao BAFTA®, o diretor tem se destacado por narrativas que exploram identidades LGBT+ de forma humanizada e longe de estereótipos. Em A História do Som, esse olhar se expande para um romance atravessado pelo tempo, pela memória e pela música.
Baseado nos contos ‘The History of Sound’ e ‘Origin Stories’, do escritor norte-americano Ben Shattuck — que também assina o roteiro —, o longa transforma a música em elemento central da narrativa. As canções coletadas pelos personagens funcionam como registros de histórias pessoais e coletivas, ampliando o sentido da jornada e reforçando o cinema de Hermanus como um espaço de escuta e preservação da memória.
Assista ao Trailer
A dupla protagonista foi amplamente elogiada pela crítica internacional. O Screen Daily descreveu as atuações como “discretas e fascinantes”, destacando a química entre Mescal e O’Connor. O elenco conta ainda com o vencedor do Oscar® Chris Cooper. A recepção calorosa em Cannes consolidou A História do Som como um dos trabalhos mais maduros e sensíveis da carreira do diretor.
Depois de passar pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, A História do Som estreia em circuito nacional no dia 26 de fevereiro, reafirmando Oliver Hermanus como uma das vozes mais consistentes do cinema contemporâneo ao retratar afetos, silêncios e histórias que resistem ao tempo.
Sinopse: Em 1917, Lionel (Paul Mescal) e David (Josh O’Connor) se conhecem no Conservatório de Boston, unidos pelo amor à música folk. Anos depois, eles se reencontram e partem juntos em uma viagem pelo interior do Maine para registrar canções tradicionais de ex-soldados da Primeira Guerra. Durante essa jornada que transformará suas vidas para sempre, eles descobrem que compartilham muito mais do que a paixão pela música.
– Às vésperas da premiação mais aguardada do cinema mundial, a Rede Cinemark amplia o circuito de Valor Sentimental para 34 salas, distribuídas por 19 cidades do país. Na nona semana em cartaz, o filme considerado um dos favoritos do Oscar retorna às salas Cinemark de Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Goiânia, Natal, Niterói, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São José dos Campos, São Paulo e Vitória, além das estreias em Campo Grande, Mogi das Cruzes e São Caetano do Sul. A programação completa do longa-metragem, incluindo outros exibidores, também conta com Armação dos Búzios, Juiz de Fora, Maceió, Petrópolis e São Luís. Todas as informações de circuito estão nas redes da distribuidora Retrato Filmes.
Com mais de 170 mil espectadores no Brasil, o longa dirigido por Joachim Trier é um dos grandes destaques da temporada de premiações, carregando no currículo o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Stellan Skarsgård e de Melhor Filme no European Film Awards, onde levou outros 5 prêmios. Entre as próximas disputas, estão o BAFTA, com oito indicações, e o Oscar, com nove:
Melhor Filme
Melhor Direção(Joachim Trier)
Melhor Atriz(Renate Reinsve)
Melhor Ator Coadjuvante(Stellan Skarsgård)
Melhor Atriz Coadjuvante(Elle Fanning)
Melhor Atriz Coadjuvante(Inga Ibsdotter Lilleaas)
Melhor Filme Internacional(Noruega)
Melhor Roteiro Original(Eskil Vogt e Joachim Trier)
Melhor Edição(Olivier Bugge Coutté)
A estreia mundial do filme foi no Festival de Cannes, em 2025, onde venceu o Grand Prix, segundo maior prêmio do evento. Em um retrato de reconciliação familiar, o longa acompanha duas irmãs e o pai cineasta, explorando memórias, ausências e o papel da arte na reparação. É estrelado por Renate Reinsve, vencedora do prêmio de Melhor Atriz em Cannes 2021 e indicada ao BAFTA pela também aclamada produção de Trier, A Pior Pessoa do Mundo. Também estão no elenco o indicado ao BAFTA e vencedor do Globo de Ouro Stellan Skarsgård (Duna: Parte I e Parte II); a indicada ao Globo de Ouro e ao Emmy Elle Fanning (Um Completo Desconhecido, Lugares Incríveis); e os atores revelação Inga Ibsdotter Lilleaas (Uma Linda Vida) e Anders Danielsen Lie (A Pior Pessoa do Mundo). A direção é de Joachim Trier, que também assina como corroteirista ao lado do diretor e roteirista Eskil Vogt, repetindo a parceria que levou à indicação dos dois ao Oscar de Melhor Roteiro, em 2022, por A Pior Pessoa do Mundo.