Retrato de um Certo Oriente estreia nos cinemas em 21 de novembro

Retrato de um Certo Oriente estreia nos cinemas em 21 de novembro

Novo longa de Marcelo Gomes, “Retrato de um Certo Oriente” estreia nos cinemas no dia 21 de novembro

 

Baseado em “Relato de um Certo Oriente”, livro de Milton Hatoum vencedor do Jabuti e publicado em diversos idiomas, filme acompanha a saga de imigrantes libaneses no Brasil no pós-guerra

 

 

Trailer

 

Após a sua estreia mundial no Festival de Cinema de Rotterdam (IFFR) e marcantes passagens pelo Festival do Rio e Mostra de Cinema de São Paulo, “Retrato de um Certo Oriente”, novo longa-metragem do cineasta Marcelo Gomes, entra em cartaz no circuito nacional no dia 21 de novembro. Baseado na celebrada obra de Milton Hatoum, a coprodução ítalo-brasileira que marca os 20 anos da Matizar Filmes narra a saga de imigrantes libaneses no Brasil, mergulhando em temas como memória, paixão e preconceito.

 

Ambientado na floresta amazônica, o filme acompanha a jornada de dois irmãos católicos em fuga da guerra no Líbano de 1949 e embarcam rumo ao Brasil. Durante a travessia, Emilie se apaixona pelo comerciante muçulmano Omar, o que acentua o ciúme de seu irmão Emir, levando a consequências trágicas.

 

“Imigrantes libaneses chegaram a todos os cantos do Brasil durante o século XX, mas a singularidade do livro de Milton Hatoum, que retrata a história de seus pais e avós, ilustra como esses imigrantes combinaram o estilo de vida amazônico nativo com suas tradições árabes. Meu desejo era capturar a vitalidade dos jovens imigrantes com uma câmera íntima”, revela.

 

Marcelo Gomes escolheu para os papéis principais os atores Wafa’a Celine HalawiCharbel Kamel e Zakaria Kaakour – todos libaneses – porque queria dar mais autenticidade às atuações.

A presença desses atores traz para mim uma verdade. E cada um deles me mostrou sutilezas de sua cultura e de sua religião que enriqueceram o filme”, resume.

 

Ao adaptar o livro “Relato de um Certo Oriente”, de Milton Hatoum – vencedor do Jabuti em 1990 e traduzido para diversas línguas –, o cineasta foi atraído pelas camadas de memória e alteridade presentes na obra. Para ele, a obra conta uma história de amor entre pessoas de religiões diferentes, algo impossível no Líbano, mas que encontra novas oportunidades na Amazônia. Inspirado pelo desejo de explorar sentimentos românticos e amores proibidos entre jovens imigrantes libaneses, Gomes faz uma reflexão sobre as barreiras culturais e a busca por um futuro melhor, temas já presentes em sua filmografia, como no aclamado “Cinema, Aspirinas e Urubus”.

 

“Neste filme, como em outros que dirigi, sou fascinado pela ideia de explorar o conceito de alteridade. Acredito que a única maneira de desconstruir preconceitos é ver o mundo através dos olhos dos outros. Eu ousaria dizer que este é, talvez, o único antídoto para combater o fanatismo”.

 

O pernambucano filmou em preto e branco para manter a conexão com o passado e as memórias dos personagens. Ao lado do diretor de fotografia brasileiro Pierre de Kerchove, acentuou as diferenças de luz entre a Floresta Amazônica e o Oriente Médio, explorando como essas diferenças se refletiam na mentalidade dos personagens.

Por Anna Barros

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