Oscar 2024: ‘Oppenheimer’ domina premiação e leva sete estatuetas

Oscar 2024: ‘Oppenheimer’ domina premiação e leva sete estatuetas

Christopher Nolan recebe prêmio de Melhor Direção no Oscar 2024 por 'Oppenheimer' — Foto: AP Photo/Chris Pizzello

Christopher Nolan recebe prêmio de Melhor Direção no Oscar 2024 por ‘Oppenheimer’ — Foto: AP Photo/Chris Pizzello

Em noite com poucas surpresas, produção mais indicada da edição ganhou categorias importantes como melhor filme, direção, ator e ator coadjuvante

“Oppenheimer” foi o grande vencedor do Oscar 2024, que aconteceu neste domingo (10), em Los Angeles, ao levar sete estatuetas em uma noite sem grandes surpresas.

Mais indicada desta edição, a produção levou categorias importantes como melhor filme, direção (Christopher Nolan), ator (Cillian Murphy) e ator coadjuvante (Robert Downey Jr.)

Depois de um breve atraso, a premiação teve poucos contratempos ou susto e, justiça seja feita, também surpresas. A grande maioria dos favoritos venceu.

Na categoria de melhor atriz, a única entre as principais que muitos consideravam aberta, Emma Stone (“Pobres criaturas”) terminou como a premiada.

Com isso, seu filme terminou como o segundo maior vencedor, com quatro troféus.

Sem grandes surpresas, a emoção ficou em discursos apaixonados e nas mudanças em antigas tradições da premiação.

Em 2024, a Academia ampliou um antigo costume e colocou cinco vencedores do passado de cada uma das categorias de atuação para apresentá-las.

‘Oppenheimer’ confirma favoritismo

Quando Al Pacino leu de forma um pouco confusa o envelope para anunciar “Oppenheimer” como o vencedor de melhor filme, poucos ficaram surpresos. O filme já tinha ganhado outras seis categorias, entre elas a primeira de Nolan como diretor.

As vitórias do filme sobre o “pai da bomba atômica” também foram as primeiras para Murphy (também em sua primeira indicação) e Downey Jr (em sua terceira).

Em seu discurso, o ator disse que “gostaria de agradecer à minha infância terrível” e homenageou sua mulher, Susan.

Maior indicada da noite, a produção ainda confirmou favoritismo em trilha sonora, fotografia e montagem.

Como foi o prêmio

Mas por um bom tempo, parecia que a noite não seria tão favorável para “Oppenheimer”.

A primeira categoria anunciada, de melhor atriz coadjuvante, foi a primeira derrota da produção ao ir para Da’Vine Joy Randolph, de “Os rejeitados”.

Pouco depois, a imprevisível categoria de animação ficou com o japonês “O menino e a garça”, do estúdio Ghibli, dirigido pelo mestre Miyazaki Hayao.

Em seguida, prêmios de roteiro para “Anatomia de uma queda” (original) e “Ficção americana” (adaptado) — juntos de “Os rejeitados” e “Barbie”, indicados a melhor filme que só levaram uma estatueta para casa.

“Pobres criaturas” então emendou três categorias técnicas em seguida (maquiagem e cabelo, direção de arte e figurino) e tomou a dianteira. O filme ainda conseguiu o troféu para Stone na categoria mais dividida da noite.

Foi só na vitória em ator coadjuvante que a porteira foi aberta para “Oppenheimer”.

Atores e discursos emocionados

Logo na primeira categoria, a Academia mostrou que adotaria — de forma mais contida — o tom saudoso do Emmy de janeiro.

Para isso, convocou cinco antigos vencedores das categorias (incluindo os de 2023) de atuação para apresentar cada uma delas.

Regina King (“Se a rua Beale falasse”), Rita Moreno (“Amor, sublime amor”), Jamie Lee Curtis (“Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”), Mary Steenburgen (“Melvin e Howard”) e Lupita Nyong’o (“12 anos de escravidão”) fizeram belas introduções a cada uma das indicadas a atriz coadjuvante.

Os atores coadjuvantes foram apresentados por Sam Rockwell (“Três anúncios para um crime”), Tim Robbins (“Sobre meninos e lobos”), Ke Huy Quan (“Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”), Christoph Waltz (“Bastados inglórios” e “Django livre”), Mahershala Ali (“Moonlight”).

Dos atores principais, foram convocados Nicolas Cage (“Adaptação”), Matthew McConaughey (“Clube de compras Dallas”), Brendan Fraser (“A baleia”), Ben Kingsley (“Gandhi”) e Forest Whitaker (“O último rei da Escócia”).

Consciente da expectativa pelo resultado, a Academia empurrou a categoria de melhor atriz para a penúltima posição. Para apresentá-la, convidou Michelle Yeoh (“Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”), Sally Fields, Jennifer Lawrence (“Norma Rae” e “Um lugar no coração”), Charlize Theron (“Monster – Desejo assassino”) e Jessica Lange (“Céu azul”).

Além da emoção da presença dos apresentadores vencedores, a premiação ainda contou com discursos apaixonados. Poucos excederam o tempo e exigiram a temida música de encerramento, mas alguns arrancaram lágrimas e gritos de apoio dos presentes.

Joy Randolph chorou no palco e emocionou Paul Giamatti, seu companheiro de filme.

Já Jonathan Glazer, diretor de “Zona de interesse”, aproveitou o agradecimento pelo Oscar de melhor filme internacional para fazer um paralelo entre sua produção sobre o Holocausto na Segunda Guerra e as mortes em Gaza no último anos.

O diretor ucraniano do documentário vencedor da noite, “20 dias em Mariupol”, também usou seu discurso para falar sobre a guerra contra a Rússia. “Este é o primeiro Oscar na história da Ucrânia”, afirmou .

“Mas eu serei provavelmente o primeiro diretor neste palco para dizer que eu desejava nunca ter feito esse filme. Eu gostaria de poder trocar isto pela Rússia nunca invadindo a Ucrânia, nunca ocupando nossas cidades.”

Ken ri por último

Vitórias tão expressivas de “Oppenheimer” e “Pobres criaturas” deixaram pouco espaço para outros concorrentes.

“Assassinos da lua das flores”, por exemplo, não ganhou nenhuma de suas 11 indicações. Lily Gladstone, favorita a melhor atriz após ganhar o prêmio do Sindicato dos Atores, não se tornou a primeira pessoa nativo-americana a ganhar um Oscar de atuação.

“Maestro” e “Vidas passadas” foram os outros dois indicados a melhor filme a sair de mãos vazias da premiação.

“Barbie” se salvou graças à canção original dos irmãos Billie Eilish e Finneas, “What was I made for?” — por mais que a apresentação de Ryan Gosling com “I’m just Ken”, outra indicada pelo mesmo filme, tenha sido um dos destaques da noite.

Talvez por causa da memória ainda fresca da desastrosa apresentação de Jo Koy no Globo de Ouro, em janeiro, Jimmy Kimmel começou sua quarta vez na apresentação de Oscar com um tom inseguro. Com isso, sofreu para conectar a maior parte das piadas de seu monólogo inicial.

O tempo e os bons apresentadores de categorias específicas favoreceram o comediante, que em determinado momento contou com um John Cena pelado no palco para anunciar o vencedor de melhor figurino.

Pode parecer piada também, mas não é. O celebrado diretor Wes Anderson indicados em outras sete ocasiões por direção, roteiro e animação em filmes como “Os excêntricos Tenenbaums” (2001), “O excêntrico sr. Raposo” (2009), “Moonrise Kingdom” (2012), “O Grande Hotel Budapeste” (2014) e “Ilha dos cachorros” (2018) ganhou seu primeiro Oscar com o curta “A incrível história de Henry Sugar”.

A Academia também tem um certo humor.

Veja a lista completa dos vencedores:

Melhor filme

  • ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • ‘Ficção americana’
  • ‘Anatomia de uma queda’
  • ‘Barbie’
  • ‘Os rejeitados’
  • ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • ‘Maestro’
  • ‘Vidas Passadas’
  • ‘Pobres Criaturas’
  • ‘Zona de interesse’

Melhor atriz

  • Lily Gladstone – ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • Sandra Hüller – ‘Anatomia de uma queda’
  • Carey Mulligan – ‘Maestro’
  • Emma Stone – ‘Pobres criaturas’ (VENCEDORA)
  • Annette Bening – ‘Nyad’

Melhor direção

  • Yorgos Lanthimos – ‘Pobres criaturas’
  • Jonathan Glazer – ‘Zona de interesse’
  • Christopher Nolan – ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • Martin Scorsese – ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • Justine Triet – ‘Anatomia de uma queda’

Melhor ator

  • Bradley Cooper – ‘Maestro’
  • Colman Domingo – ‘Rustin’
  • Paul Giamatti – ‘Os rejeitados’
  • Cillian Murphy – ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • Jeffrey Wright – ‘Ficção americana’

Melhor canção original

  • ‘It Never Went Away’, Jon Batiste – ‘American Symphony’
  • ‘I’m Just Ken’, Mark Ronson e Andrew Wyatt – ‘Barbie’
  • ‘What Was I Made For?’, Billie Eilish e Finneas – ‘Barbie’ (VENCEDORA)
  • ‘The Fire Inside’, Diane Warren – ‘Flamin’ Hot’
  • ‘Wahzhazhe (A Song For My People)’, Osage Tribal Singers – ‘Assassinos da Lua das Flores’

Melhor trilha sonora

  • Laura Karpman – ‘Ficção americana’
  • John Williams – ‘Indiana Jones e a Relíquia do Destino’
  • Robbie Robertson – ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • Ludwig Göransson – ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • Jerskin Fendrix – ‘Pobres criaturas’

Melhor som

  • ‘Resistência’
  • ‘Maestro’
  • ‘Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte Um’
  • ‘Oppenheimer’
  • ‘Zona de interesse’ (VENCEDOR)

Melhor curta-metragem

  • ‘The After’
  • ‘Invincible’
  • ‘Knight of Fortune’
  • ‘Red, White and Blue’
  • ‘The Wonderful Story of Henry Sugar’ (VENCEDOR)

Melhor fotografia

  • Hoyte van Hoytema – ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • Matthew Libatique – ‘Maestro’
  • Rodrigo Prieto – ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • Robbie Ryan – ‘Pobres criaturas’
  • Edward Lachman – ‘O Conde’

Melhor documentário

  • ‘Bobi Wine: The People’s President
  • ‘A memória infinita’
  • ‘Four Daughters’
  • ‘To Kill a Tiger’
  • ’20 dias em Mariupol’ (VENCEDOR)

Melhor documentário em curta-metragem

  • ‘The ABCs of Book Banning’
  • ‘The Barber of Little Rock’
  • ‘Island in Between’
  • ‘The Last Repair Shop’ (VENCEDOR)
  • ‘Nǎi Nai & Wài Pó’

Melhor montagem

  • ‘Anatomia de uma queda’
  • ‘Os rejeitados’
  • ‘Assassinos da lua das flores’
  • ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • ‘Pobres criaturas’

Melhores efeitos visuais

  • ‘Resistência’
  • ‘Godzilla Minus One’ (VENCEDOR)
  • ‘Guardiões da Galáxia Vol. 3’
  • ‘Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte Um’
  • ‘Napoleão’

Melhor ator coadjuvante

  • Sterling K. Brown – ‘Ficção americana’
  • Robert Downey Jr. – ‘Oppenheimer’ (VENCEDOR)
  • Mark Ruffalo – ‘Pobres Criaturas’
  • Robert De Niro – ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • Ryan Gosling – ‘Barbie’

Melhor filme internacional

  • ‘A sala dos professores’ – Alemanha
  • ‘Eu, capitão’ – Itália
  • ‘Dias perfeitos’ – Japão
  • ‘Sociedade da neve’ – Espanha
  • ‘Zona de Interesse’ – Reino Unido (VENCEDOR)

Melhor figurino

  • Jacqueline Durran – ‘Barbie’
  • Jacqueline West – ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • Holly Waddington – ‘Pobres criaturas’ (VENCEDORA)
  • Janty Yates e Dave Crossman – ‘Napoleão’
  • Ellen Mirojnick – ‘Oppenheimer’

Melhor direção de arte

  • ‘Barbie’
  • ‘Assassinos da Lua das Flores’
  • ‘Oppenheimer’
  • ‘Pobres criaturas’ (VENCEDOR)
  • ‘Napoleão’

Melhor maquiagem e cabelo

  • ‘Golda’
  • ‘Maestro’
  • ‘Oppenheimer’
  • ‘Pobres criaturas’ (VENCEDOR)
  • ‘Sociedade da neve’

Melhor roteiro adaptado

  • ‘Ficção americana’ (VENCEDOR)
  • ‘Barbie’
  • ‘Oppenheimer’
  • ‘Pobres Criaturas’
  • ‘Zona de interesse’

Melhor roteiro original

  • ‘Anatomia de uma queda’ (VENCEDOR)
  • ‘Os rejeitados’
  • ‘Maestro’
  • ‘Segredos de um escândalo’
  • ‘Vidas Passadas’

Melhor animação

  • ‘O menino e a garça’ (VENCEDOR)
  • ‘Elementos’
  • ‘Nimona’
  • ‘Homem-Aranha: Através do Aranhaverso’
  • ‘Meu amigo robô’

Melhor curta de animação

  • ‘Letter to a Pig’
  • ‘Ninety-Five Senses’
  • ‘Our Uniform’
  • ‘Pachyderme’
  • ‘War Is Over! Inspired by the Music of John & Yoko’ (VENCEDOR)

Melhor atriz coadjuvante

  • Emily Blunt – ‘Oppenheimer’
  • Danielle Brooks – ‘A cor púrpura’
  • America Ferrera – Barbie
  • Jodie Foster – ‘Nyad’
  • Da’Vine Joy Randolph – ‘Os rejeitados’ (VENCEDORA)

Fonte: G1

Andreia Horta e Aline Diniz se juntam a Ana Furtado na transmissão do Oscar na Max

Andreia Horta e Aline Diniz se juntam a Ana Furtado na transmissão do Oscar na Max


ANDRÉIA HORTA E ALINE DINIZ SE JUNTAM A ANA FURTADO NA TRANSMISSÃO AO VIVO DO OSCAR® NA TNT E MAX
 

Além delas, Caroline Ribeiro estará diretamente de Los Angeles, com acesso especial às celebridades do tapete vermelho no dia 10 de março.
 

Aline Diniz

São Paulo, 1 de março de 2024 – TNT, a casa das premiações, e Max transmitirão a 96ª edição doOSCAR®, no dia 10 de marçoa partir das 19h. Ao lado de Ana Furtado, a apresentadora das premiações da TNT, estarão a jornalista Aline Diniz, especializada em filmes e séries, e a aclamada e premiada atriz Andréia Horta, que está de volta a uma produção com a Warner Bros. Discovery, fazendo parte da série Max Original ‘Cidade de Deus’, depois de protagonizar ‘Alice’, uma série original HBO, em 2008. Para completar o time, Caroline Ribeiro estará diretamente do Dolby® Theatre, em Los Angeles, trazendo entrevistas no tapete vermelho com celebridades indicadas e análises de comentaristas especializados. A cobertura nas redes sociais de TNT e Max será comandada por Gabisteca, direto de LA. A tradução ao vivo será feita por Robert Greathouse e Regina McCarthy.

Esse será o primeiro evento de premiações transmitido ao vivo pela Max na América Latina.

Para conhecer a lista completa dos indicados CLIQUE AQUI.


A Warner Bros. Discovery recebeu 9 indicações:

  • 8 indicações para BARBIE, incluindo Melhor Filme, Ator Coadjuvante para Ryan Gosling, Atriz Coadjuvante para America Ferrera, Design de Figurino para Jacqueline Durran, Canção Original para “I’m Just Ken” (música e letra de Mark Ronson e Andrew Wyatt) e “What Was I Made For?” (música e letra de Billie Eilish y Finneas O’Connell), Design de Produção para Sarah Greenwood e Katie Spencer, e Roteiro Adaptado para Greta Gerwig e Noah Baumbach.
     
  • 1 indicação para A COR PÚRPURA, incluindo Atriz Coadjuvante para Danielle Brooks.

Jimmy Kimmel, apresentador e produtor vencedor do Emmy®, retornará para apresentar o OSCAR®. Esta será a quarta vez de Kimmel à frente da cerimônia.
 

Todos os anos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas organiza o OSCAR®, a cerimônia que tem reconhecido a excelência nas realizações cinematográficas desde 1929.
 

Viva a 96ª premiação anual do OSCAR® no dia 10 de março ao vivo na TNT e na plataforma de streaming Max.

Maratona Oscar: Vidas Passadas/Yago Souza

Maratona Oscar: Vidas Passadas/Yago Souza

O longa-metragem Vidas Passadas, é um dos concorrentes ao Oscar, na categoria Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. De forma delicada e transparente, a diretora Celine Song, mostra o que é o amor e o destino.

Sinopse:

Um casal de amigos de infância, separados pela mudança da família de um deles da Coreia do Sul para os Estados Unidos, se reencontra em Nova York após mais de duas décadas. Agora, eles possuem a oportunidade de lidar com os seus sentimentos, que mantiveram guardados durante todos esses anos.

Celine Song, diretora e roteirista do longa, soube muito bem como abordar temas importantes, tocantes e que movem a gente, de uma maneira tão real, que esquecemos que os atores Greta Lee e Yoo Teo, não são os personagens que estão atuando. 

A diretora, junto com Shabier Kirchner (diretor de fotografia), fazem planos sequências em completo silêncio, mostrando que às vezes, a atitude de não falar nada, revela mais informações do que grandes monólogos e diálogos.

A sutileza nesse roteiro avassalador, apresenta que talvez, só talvez, alguns amores nunca foram feitos para existir e sim apenas sentir. Em Vidas Passadas, a narrativa mostra que nessa vida, os personagens não foram um casal com um final feliz, mas que em outras que já vieram e que vão vir, eles possam ser algo. Ou em outra interpretação, temos inúmeras vidas dentro do período em que estamos vivos, porém o meu eu de hoje, não será o de amanhã, assim, Nora pode ter amado cegamente Hae Sung em sua infância e juventude, mas esse amor… foi de uma vida passada, e não representa ela no atual; mesmo que exista um carinho e memórias dentro de si.

O principal ponto dessa obra ser tão grande, é seu dinamismo e agilidade, em conseguir nos fazer compreender e imaginar, milhares de significados sobre o destino, que nem mesmo imaginávamos.

Greta Lee, não poderia deixar de ser citada. A atriz consegue passar a sensação de estar apaixonada, sem ter que nos contar. Na cena final, em que ela divide a tela com o ator Yoo Teo, ambos tocam nosso coração, em um trecho muito bem planejado e construído por Celine Song.

No todo, Vidas Passadas é um daqueles filmes que tem o poder de marcar a história de quem assistiu, e de quem abrir a mente para as interpretações. 

Maratona Oscar: Zona de Interesse/Flávia Barbieri

Maratona Oscar: Zona de Interesse/Flávia Barbieri

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Zona de Interesse: Uma Jornada Fotográfica Entre a Beleza e o Horror

Por Flavia Barbieri

“Zona de Interesse” me transportou para um período sombrio da história, onde a beleza e a crueldade coexistiam de forma perturbadora. A fotografia impecável do filme captura a vida cotidiana em Auschwitz, contrastando-a com os horrores que se desenrolam nos campos de concentração.

Ao invés de focar na violência explícita, o diretor Jonathan Glazer nos leva a uma jornada sensorial, onde sons e imagens sutis evocam a brutalidade da época. Senti calafrios ao ouvir os gritos distantes e presenciar a indiferença dos nazistas diante do sofrimento humano.

A história de amor proibida entre um oficial nazista e a esposa de um comandante do campo de concentração adiciona uma camada complexa à narrativa. A paixão deles se desenvolve em meio à atrocidade, criando uma tensão constante e um questionamento sobre a natureza humana.

A fotografia do filme é um espetáculo à parte. A escolha de cores frias e desbotadas, em contraste com a exuberância da natureza e a arquitetura imponente, cria uma atmosfera melancólica e surreal. A câmera se detém em detalhes, como flores brotando em meio à terra árida, ou pássaros cantando em um céu nublado, contrastando com a brutalidade do ambiente.

O uso do som é outro elemento crucial para a experiência sensorial do filme. A trilha sonora minimalista é quase imperceptível em alguns momentos, dando lugar ao som ambiente: o vento soprando nas árvores, o canto dos pássaros, o ranger das botas dos soldados. Essa escolha nos coloca na perspectiva dos personagens, obrigando-nos a sentir o peso do silêncio e a angústia da situação.

O filme não se limita a apresentar uma visão binária do bem e do mal. Os personagens são complexos e multidimensionais, mesmo aqueles que ocupam posições de poder dentro do regime nazista. A história de amor proibida entre o oficial SS e a esposa do comandante do campo é um exemplo dessa ambiguidade moral.

Um dos aspectos mais perturbadores do filme é a indiferença com que os nazistas tratam o sofrimento alheio. Os personagens SS se comportam como se estivessem cumprindo uma tarefa banal, sem qualquer empatia pelas vítimas. Essa indiferença torna-se ainda mais cruel quando contrastada com a beleza da natureza e a inocência das crianças que vivem à sombra do horror.

“Zona de Interesse” nos convida a questionar a natureza humana em suas nuances mais complexas. Como a compaixão pode coexistir com a crueldade? Como o amor pode florescer em meio ao ódio? É possível encontrar beleza em um mundo dilacerado pela guerra?

Este filme não se propõe a ser apenas um entretenimento. É uma obra de arte que provoca reflexões profundas sobre a história, a ética e a natureza humana. É um convite à compaixão, à justiça e à luta contra o ódio e a indiferença.

Não é um filme fácil de assistir, mas é uma obra de arte importante que nos confronta com a crueldade do passado e nos convida a refletir sobre a importância da compaixão e da justiça. Recomendo este filme a todos que desejam ir além do entretenimento e se conectar com a história de forma profunda e significativa.

O filme “Zona de Interesse” está concorrendo a 5 prêmios no Oscar 2024:

  • Melhor Filme
  • Melhor Filme Internacional (representando o Reino Unido)
  • Melhor Direção (Jonathan Glazer)
  • Melhor Roteiro Adaptado (Jonathan Glazer, baseado no livro de Martin Amis)
  • Melhor Som (Tarn Willers, Johnnie Burn)

Outras premiações:

  • Festival de Cannes: Vencedor do Prêmio da Crítica Internacional (FIPRESCI)
  • Chicago Film Critics Association Awards: Vencedor de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Adaptado e indicado para Melhor Atriz Coadjuvante (Sandra Hüller), Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora Original
  • National Board of Review: Selecionado como um dos dez melhores filmes de 2023.
Seis motivos que tornam a indústria cinematográfica uma das mais lucrativas do mundo/Yago Souza

Seis motivos que tornam a indústria cinematográfica uma das mais lucrativas do mundo/Yago Souza

6 Motivos que Tornam a Indústria Cinematográfica uma das Mais Lucrativas do Mundo

Créditos: Krists Luhaers/ Unsplash 

Por: Yago Souza 

A indústria do cinema se iniciou em 1895, quando os irmãos Louis e Auguste Lumière projetaram um filme pela primeira vez (A Saída dos Operários da Fábrica Lumière), em um café em Paris. Desde a primeira exibição esse mercado tem só crescido, e se tornou o maior espetáculo audiovisual do mundo e um dos mais rentáveis. Mas será que esse mercado continuará crescendo nos próximos anos? 

Neste artigo, vamos apresentar 6 motivos para você investir na indústria cinematográfica em 2024, com base em dados, análises e projeções de especialistas. Confira!

1. Crescimento Sustentável:

Esse mercado vem crescendo consideravelmente por conta da “necessidade” do público de novas produções audiovisuais nas telonas. O aumento da inclusão social em filmes, ajudou demais esse cenário de elevar todo o setor, impulsionando cada vez mais representatividades de pessoas LGBTQIA+, negras, asiáticas e deficientes físicos.

Além disso, outros fatores que ajudam nessa expansão, são a diversidade de gêneros e cada vez mais as franquias de grandes filmes aumentam de tamanho, como Jogos Mortais, que está indo para sua 11ª continuação continuação, Velozes e Furiosos que também está indo para sua 11ª produção, etc.

Sem dúvida, esses pontos agregam muito a um investimento, quando pensamos que em apenas uma obra, um novo universo de produtos podem ser criados ao seu redor.

Fora isso, pensando no cenário ambiental, algumas produções exigem cenários reais e repletos de espaços verdes (sem uso de efeitos especiais), o que torna ainda mais indispensável o reflorestamento, como no caso do diretor Christopher Nolan, que plantou um milharal de 200 hectares, para o filme Interestelar.

 2. Inovações Tecnológicas:

Créditos: Jakob Owens/ Unsplash

Quando pensamos no ramo “indústria cinematográfica” logo remetemos a filmes, talvez séries, mas esse nicho é muito mais do que isso! Estamos falando de poltronas inteligentes, telas, projetores, equipamentos sonoros e tecnologia 4D; o espaço do cinema tem diversos pontos esquecidos e que estão nas mãos de grandes empresas, mas ao mesmo tempo são uns dos mais importantes para a engrenagem fluir. 

Poucas pessoas sabem, mas existem grandes convenções que discutem esses temas, como a Expocine (em São Paulo) e a CinemaCon (em Las Vegas). Nelas, empresas como Disney, Imax, Dolby, Sony Pictures, Severtson Screens, GBC Technology e diversas outras, mostram suas novas tecnologias e aumento de suas distribuições mundiais.

Com essas inovações, o espaço das salas de cinema se torna cada vez mais rentáveis e com mais variedades de sessões diferentes, como: Xplus Laser, Delux, Imax, 4DX, 3D, 2D, Dolby e muito mais; com preços variando de 23 a 77 reais.

3. Atratividade para Investidores: 

Entre as diversas maneiras de adquirir retorno financeiro com a indústria cinematográfica, além da principal que é nas bilheterias, existem outras, como o streaming, o merchandising e os direitos de distribuição, tornando os investimentos muito mais viáveis e interessantes.

•Sobre a bilheteria nacional de 2023

Se você acha que o cinema brasileiro não é tão bom e lucrativo assim, você está enganado, pois tivemos grandes produções que arrecadaram milhões em seu primeiro final de semana! Elas são Mussum: O Filmis, que conquistou em seu lançamento e em seu primeiro final de semana R$ 2,640 milhões e  Nosso Sonho, que conquistou R$ 7,6 milhões em seu primeiro final de semana.

•Cenário mundial

Mas é claro que não podemos pensar só no Brasil, essas produções audiovisuais tem um enorme poder de expansão para o cenário internacional, como pudemos observar com o filme nacional Retratos Fantasmas, que com seu bom marketing, já foi para os maiores festivais de cinema do mundo, como: Festival de Cannes, Festival de Toronto, Festival de Nova York, além de mais de outros 30 convites Internacionais.

Fora isso, o longa-metragem já teve sessões em países como Brasil, Austrália, Alemanha, Estados Unidos, França, Canadá, Portugal, Chile e Peru. Também, depois do apoio da Netflix distribuído a produção no streaming, agora o filme pode ser visto em mais de 190 países.

Por fim, não podemos esquecer que Retratos Fantasmas foi o representante nacional escolhido pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, para tentar uma vaga no Oscar, como Melhor Filme Internacional, concorrendo contra 49 países, em busca de uma das 5 vagas para a premiação.

4. Engajamento Global: 

A conexão cultural que gira em torno do cinema mundial é muito grande, como já citado em algumas partes acima do texto, mas possuem muitas outras perspectivas em relação a isso, como o poder de união de países, oportunidades de mercado e colaboração global!

•Poder de união de países

Muitas causas, dificuldades e problemas nacionais, são omitidas pelos governos mundiais, o que é um grande perigo, pois dificulta a ajuda de países estrangeiros. Porém o cinema tem o poder de escancarar todos esses “deslizes” governamentais e sociais. 

Um grande exemplo para esse fator, é o filme Cidade de Deus, que mostrou para o restante do planeta a realidade das comunidades e das pessoas que moram nas periferias cariocas. Além dele, o longa-metragem Tropa de Elite, deixa evidente como as pessoas de baixa renda são tratadas pelas forças armadas e estaduais, sendo largadas e esquecidas. Ambos mostrando realidade da população brasileira, contudo filmes estrangeiros também fazem isso, como Parasita, Quem Quer Ser um Milionário?, Infância Roubada e A Separação.

•Oportunidades de mercado

É claro que um filme não faz só com o diretor, roteirista e atores, estão envolvidos diversos profissionais, de figurantes e pessoas segurando fios por trás da câmera, com isso, a quantidade de empregos que são gerados momentaneamente por conta das gravações, são muitas. Cerca de centenas de pessoas são escolhidas e escaladas para ajudar, nem que seja em uma pontinha de todo esse emaranhado que chamamos de produção.

Com isso, quando acontecem gravações em que não seja no país local da produção, isso gera uma troca de relações muito interessantes, é que afeta no próximo tópico que será abordado.

•Colaboração global (Intercâmbio)

Pensando nessa troca de relações, diversos atores e diretores trabalham em obras estrangeiras, além de empresas também, fazendo com que aconteçam diversos “intercâmbios” durante esse meio tempo. Exemplos disso nos últimos tempos são: Guerra Civil, obra americana em que o ator brasileiro Wagner Moura estará como um dos protagonistas do filme e o longa japonês Dias Perfeitos, em que o diretor alemão Wim Wenders participou.

Essas colaborações estrangeiras ajudam na troca de conhecimento social e cultural dos indivíduos que estão em contato, tendo experiências importantes para o contexto mundial! 

5. Tendências Futuras:

 Créditos: Mollie Sivaram/ Unsplash

No relatório anual de 2021, TEMA, da Motion Picture Association, é um documento em que fornece uma análise aprofundada do desempenho da indústria de cinema, televisão e conteúdo de streaming. Nele foi visto que em 2021, foram providos US$ 71,9 bilhões apenas na categoria que inclui VOD (Vídeo sob demanda) e streaming dos grandes estúdios, em perspectiva do cenário mundial. Veja mais sobre essas informações no portal IndieWire.

Com isso, as tendências futuras, é cada vez mais o streaming colaborar com o cinema, sendo uma forma de impulsionar tanto filmes solos, quanto franquias que possuem grandes nomes. Além disso não podemos esquecer que para os filmes poderem concorrer ao Oscar eles necessitam ser exibidos em uma das seis maiores cidades dos Estados Unidos por sete dias, então, mesmo que seja um filme 100% das plataformas digitais, eles ainda precisam do cinema, como foi o caso de Assassino da Lua Das Flores (Apple Tv+) e O Assassino (Netflix).

6. Retornos Financeiros: 

Por fim, no último tópico, veja outras maneiras de arrecadação além das já citadas:

•Receita de vídeo doméstico

Depois que um filme sai de cartaz, ele pode continuar ganhando dinheiro de outras formas, e o maior exemplo disso seria a receita de vídeo doméstico, que incluem DVDs, Blu-rays, discos de vinil contendo a trilha sonora, streaming e TV. Assim, os ganhos do investimento se perpetuam por mais tempo e sem esforço.

•Receita de merchandising

Quando pensamos em marketing, ele não acontece apenas nas redes sociais, mas muitos deles no presencial, como o Burger King produzindo combos temáticos do Homem Aranha: No Aranhaverso, Senhor dos Anéis, Jurassic Park e muito mais. Além de franquias alimentícias, exemplo disso são itens de higiene temáticos (escovas de dente, shampoo e condicionador), e também ambientes como shoppings e grandes centros comerciais, utilizando temas como “Natal do Mickey”, bonecos colecionáveis, roupas e acessórios.

Conclusão:

Com isso, vemos que os motivos que tornam a indústria cinematográfica uma das mais lucrativas do mundo, são diversas, tornando esse mercado único e daqueles que irá se perpetuar por anos! As salas de cinema conectam pessoas em um só lugar e com dois propósitos principais, se divertir e sentir o que a obra tem para transmitir.

E para os investidores, com certeza esse mercado está e sempre estará aberto para vocês, sendo possível financiar esse mercado em diversos núcleos e países diferentes.