‘TÁR’: TOUR DE FORCE DE CATE BLANCHETT, É O QUE EMPOLGA, NESTA FALSA CINEBIOGRAFIA ****
Vez por outra, o cinema nos brinda com falsos documentários brilhantes (os chamados ‘mockumentaries’). Como aquele musical de Rob Reiner, sobre uma imaginária banda de heavy metal chamada Spinal Tap. Este, fez tanto sucesso, que levou a banda a existir e fazer shows!!! Há, também, as falsas biografias, de pessoas que jamais existiram. Uma das mais formidáveis, é esta cinebio, ‘Tár’, que acaba de estrear.
É sobre Lydia Tár, uma suposta maestrina, que lidera uma prestigiosa orquestra alemã. Lydia (interpretada de modo sobrenatural por Cate Blanchett, indicada e favorita ao Oscar 2023, bem como o filme, num total de 6 indicações) é intensa, loquaz, diva, inteligente, hiperativa, estrela. Mas, também, é uma mãe devotada e companheira nem tanto assim. Divide a maternidade com uma ex-colega de orquestra (a também ótima Nina Hoss, de ‘Fênix’) e trata com certo descaso a sua dedicada secretária pessoal, a jovem Francesca (Noémie Merlant, de ‘Retrato de uma jovem em chamas’). Tár é, realmente, uma pessoa brilhante e genial, embora um tanto temperamental.
Acontece que, inebriada pro sua própria fama e poder, ela acaba por agir como agem homens que alcançam este pedestal: assedia, discretamente, uma nova aspirante da orquestra; manipula, maquiavelicamente, a carreira de sua secretária em prol de seus próprios interesses. Enfim, se torna uma pessoa execrável, achando que está protegida por sua notoriedade. Até que um segredo de seu passado vem bater à porta.
É incrível a dedicação de Blanchett ao papel (reaprendeu a tocar piano e aprendeu a falar alemão e a reger uma orquestra de verdade). Tanto que, muita gente (inclusive jornalistas do ramo!) achou tratar-se de uma biografia de fato, quando o filme começou a ser divulgado. Aplausos também para o diretor, Todd Field, que nos dá um filme que, realmente, faz valer à pena sair de casa e pagar pelo ingresso. Bravo!
TOM LEÃO
