Poltrona Cabine: Obsessão/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Obsessão/ Cesar Augusto Mota

O terror psicológico é um gênero em ascensão no cinema. Foi assim com Corra !(Get Out), de Jordan Peele, que foi agraciado com o Oscar de melhor roteiro e ‘Nós’ (Us), também de Peele e recém-lançado. Mais um filme desse segmento chega às telonas, e sob a direção de Neil Jordan (Entrevista com o Vampiro). Uma amizade inofensiva entre uma jovem e uma senhora mais velha mas que depois acaba indo para a tensão quando fica evidente que uma das pessoas é nada mais nada menos que uma stalker. ‘Obsessão’ (Greta) traz Chloë Grace Moretz (O Mau Exemplo de Cameron Post) e Isabelle Huppert (Elle) no elenco, com uma trama insana e ações bastante sombrias.

Frances McCullen (Moretz) é uma jovem cuja mãe acabou de falecer. Natural de Boston e recém-chegada em Manhattan, ela divide apartamento com a amiga Erica (Maika Monroe) e trabalha como garçonete de um luxuoso restaurante. Um dia, ao voltar para casa, Frances encontra uma bolsa em um dos assentos do metrô, e, ao devolvê-la, inicia uma amizade improvável com a dona do acessório, Greta Hideg (Huppert), uma senhora viúva. Os problemas começam a surgir quando Frances percebe que a necessidade de atenção de Greta é muito mais perigosa do que ela imaginava, e vai entrar em uma armadilha que será muito difícil de sair.

O clima amistoso vai dar lugar à tensão em um ritmo bem acelerado. Após um bonito gesto de Frances, de procurar a dona da bolsa perdida, começa uma amizade inocente e dali em diante o que era para ser saudável vira uma relação doentia e obsessiva. A ânsia de Greta por atenção é tão grande que logo ela enche o celular de Frances de mensagens, realiza ligações de hora em hora ou fica plantada do outro lado da rua observando tudo o que a jovem Frances faz. O roteiro começa a trabalhar bem o nível de tensão da protagonista e isso faz o espectador não só acompanhar seu drama como também sentir junto dela a atmosfera pesada que se instala. Uma menina inocente que não escutou os conselhos da amiga e agora se sente completamente encurralada.

Os planos-sequência empregados reforçam o terror psicológico, com a câmera acompanhando Frances de costas e Greta sendo mostrada frontalmente, seja seguindo a jovem ou à espreita para sua próxima tática. O uso de sombras e a pouca iluminação no interior da casa de Greta ajudam a reforçar o clima angustiante sugerida pela trama e as ações da antagonista, e na medida em que os atos vão se construindo, o espectador mantém seu interesse pelas consequências das ações de Greta em relação a Frances e como o conflito vai ser resolvido, além de uma reviravolta bem insana. E não poderia deixar de destacar que há lugar para golpes fatais e sangue jorrando na história, como todo bom terror pede, e esse não foge à regra.

Mesmo com uma personagem de objetivos obscuros e não muito claros de início, Isabelle Ruppert tem uma atuação grandiosa e capaz de manter o suspense até o momento derradeiro da trama. Com um comportamento tímido de início, mas que depois evolui com a trama, Chloe Grace Moretz consegue entregar o que se espera de sua personagem, presa fácil na história e com uma redenção épica. E Maika Monroe (A 5ª Onda) não fica atrás, com poucos momentos na tela, Erica, a melhor amiga de Frances, tem um papel importante não só na vida da amiga como também no desdobramento da história, com atitudes precisas, bem amarradas e que serão determinantes no desfecho.

Apesar de alguns clichês do gênero terror, Neil Jordan soube explorá-las bem e conseguiu trazer ao espectador uma trama instigante, tensa e digna de um thriller psicológico. Sem dúvida o espectador se envolve e também se diverte com a história, bem amarrada e regada a muitas surpresas. Uma produção que vale acompanhar.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

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