Festival do Rio: Tarde para Morrer Jovem/ Cesar Augusto Mota

Festival do Rio: Tarde para Morrer Jovem/ Cesar Augusto Mota

O Chile experimentou um período de forte ditadura militar, com milhares de pessoas torturadas, perseguidas e mortas. Mas a partir dos anos 90 passou a retomar a democracia. E esse é o período no qual passa a narrativa de ‘Tarde Para Morrer Jovem’ (Late To Die Young), novo filme de Dominga Sotomayor Castillo que fará o espectador ter uma bela contemplação de sons e imagens e contrastes com as ações de crianças e adultos em uma comunidade isolada.

Sofia (Demian Hernández) é uma adolescente que está na busca pela afirmação e de seu próprio espaço. A vida no campo parece não ser mais o bastante para ela, e Lucas (Antar Machado), seu amigo de infância, possui uma queda explícita por ela. Porém, o amor é visto como uma barreira nessa etapa de crescimento da protagonista. Nesse cenário, os jovens se sobressaem mais que os adultos, enquanto estes trabalhos, aqueles se divertem. Vemos claras abordagens sobre a juventude e o amadurecimento, a responsabilidade e as consequências das escolhas, além das dificuldades que a vida impõe, principalmente no campo.

O filme permite todo o tipo de experiência, os jovens tocam violão e namoram, as crianças brincam com o cachorro e correm para qualquer canto, além da experiência dos adultos com drogas, sexo e rock n roll. É uma espécie de resgate de vivências que não eram mais permitidas num passado recente. O roteiro é simples, as intervenções dos personagens são realistas e os contrastes de cores da paleta com as usadas naturalmente ilustram uma perfeita mudança de perspectiva e novas transformações que o campo sofre, bem como todos os que se situam nele.

Se os conflitos entre os adultos não são muitos, os que envolvem adolescentes são apresentados muito brevemente e não há a sensação de algum deles de que vai praticar um ato de fuga, como é desejado de início, predomina a maré de frustrações e incertezas. O plano estético e simbólico são claramente priorizados na obra e o drama fica um pouco de lado, o que motivaria ainda mais o público. São poucas as subtramas, mas uma narrativa que fica permeada à representação do local e com poucas intervenções.

O trabalho de Dominga Sotomayor é satisfatório, mas careceu de um enredo que exigisse dos personagens e cativasse o espectador a ficar inteiramente com os olhos grudados na telona. Vale assistir, mas poderia ter entregue muito mais.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

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