Tensão define.
Memórias Secretas traz às telas, o nonagenario e sobrevivente de Auschwitz, Max, interpretado por Martin Landau, que promete ao seu parceiro de asilo, que, assim que sua esposa falecesse, ele iria buscar vingança indo atrás do homem responsável pelo extermínio de suas famílias. O grande problema é que Max sofre de Alzheimer e isso dificulta a sua jornada, fazendo com que ele necessite carregar uma carta de seu “asilomate” explicando a situação, caso seja necessário a retornar à lembrança.
O homem que Max busca se chama Rudy Kurlander, e existem quatro pelo país que podem ser o procurado.
O diretor do filme é Atom Egoyan, armênio que fez O Doce Amanhã, filme que já foi premiado com uma Palma de Ouro no festival de Cannes.
Entretanto, Memórias Secretas está longe de merecer um prêmio tão renomado.
O filme cria uma tensão surreal: uma missão perigosa feita por um senhor de idade, com leves problemas, causa uma tensão natural em qualquer ser humano digno de compaixão. É impossível não sentir por Max e torcer para que ele consiga ficar bem no final.
O longa cumpre bem o seu papel neste quesito, por conseguir prender a atenção, conseguir segurar o espectador na sala de cinema e criar uma necessidade de saber o que vai acontecer com o protagonista.
Mas se faz necessário muito mais do que isso para poder criar um filme de alta qualidade e a impressão que fica é de que o diretor perdeu a mão de como fazer um filme digno de um prêmio de alto escalão.
Egoyan fez uso de um tema que poderia render um filme completamente rico, bem explorado, e que poderia até gerar um filme em homenagem à memoria dos sobreviventes, mas tornou o longa apenas sobre vingança e a busca incessante pela mesma. Mais do mesmo.
Todos ingredientes certos estão lá: o suspense, a tensão e o tema que pode ser muito bem explorado. O grande pecado foi forma como todos os acima foram utilizados: de forma rasa e supérflua.
Cotação Poltrona: 3 poltronas
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