Viver o Cinema – Por Sabrina Salton
Tem gente que ainda tem preconceito com um monte de coisas né? Eu sei! Infelizmente o mundo é assim e com os filmes as coisas não são diferentes. Há muito preconceito com determinados tipos de filmes e assuntos abordados. Conheço várias pessoas que dizem não gostar de filmes brasileiros, documentários, curtas, sem ao menos ter assistido algum desses. Como não consigo mudar a cabeça de ninguém posso pelo menos escrever sobre isso.
Um dos motivos de preconceito ao cinema nacional pode vir de tempos atrás e será impossível descrevê-lo em apenas poucas linhas. Para quem deseja saber mais sugiro um bom livro como o Cinema Brasileiro – Das origens à retomada, do autor Sidney Ferreira Leite. Assim como o próprio nome diz as páginas nos propõe uma discussão sobre nosso cinema passando pela relação do Estado com o Cinema Novo, período da ditadura militar e o recomeço no início dos anos 90.
Hoje em dia há quem diz que o cinema nacional está completamente diferente e prova disso são as altas bilheterias que alguns conseguem alcançar, porém êxito comercial no audiovisual não é prova de qualidade. Vimos alguns filmes se transformarem em verdadeiros blockbusters brasileiros, principalmente nos últimos dez anos, mas será que com isso podemos comemorar o retorno do cinema nacional?
A excessiva vontade de mostrar a realidade brasileira inflou muitos egos e reduziu nossos filmes à apenas um. As mesmas histórias sendo contadas pelas mesmas perspectivas não chamam mais atenção. O cinema brazuca nosso de cada dia precisa de ares novos, além daqueles gravados em favelas pacificadas. Não são todos iguais, mas acredito que o tema já está batido.
Falar de filmes brasileiros bons é muito difícil, porque são muitos. Eu aprecio de verdade nosso cinema e hoje comento aqui dois que me marcaram e acho que realmente valem a pena serem assistidos e comentados. Em Os Famosos e os Duendes da Morte, por exemplo, podemos sair um pouco do tema “nacional do tiroteio” em um filme verdadeiramente brasileiro, apesar de ser do sul do país. A trama, dirigida por Esmir Filho, envolve esse novo mundo da internet onde um menino fã de Bob Dylan deseja sair da pequena cidade onde mora, mas no fundo, o que ele pretende é preencher aquele vazio que sentimos, uma vez ou outra, entre idealizações e projeções na tela.
O filme traz à tona o suicídio e também a depressão de adolescentes influenciados pela cultura pop em uma cidade fria e do interior. Alguma identificação?
Já o longa metragem Bicho de Sete Cabeças narra o inferno vivido nos manicômios do Brasil (e acredito que do mundo). Por ignorância de seu pai Neto (Rodrigo Santoro), usuário de maconha, é internado em um manicômio onde ele conhece uma realidade totalmente cruel. Onde seria a cura é encontrada a loucura e o mais triste é saber que isso realmente acontece e não fazemos nada para mudar. Bicho de Sete Cabeças é do ano de 2000 e representa a nova safra de filmes dessa década tão produtiva no país. Temos muitos novos diretores e roteiristas por aqui batalhando pelo seu espaço e é muito legal ver e saber disso. Acredito que nosso cinema, assim como um todo, tem ainda muito a crescer e melhorar, mas caminha a passos largos perante a sua grande evolução.
Dica da Semana: Os Famosos e os Duendes da Morte
