Consegui, finalmente, ir ao cinema.
Foi necessário encontrar um horário não muito convencional (23h10), e um conveniente serviço de compra de ingressos pela internet. Mais sobre isso no fim do post.
Fui ver “Bravura Indômita”. Amigos, que filme.
Li bastante a respeito da adaptação dos irmãos Coen do romance que o americano Charles Portis escreveu em 1968.
Sei que, em algum momento da infância, vi o primeiro filme baseado no livro, que rendeu a John Wayne seu único Oscar de melhor ator. Mas não me lembro bem e certamente não o vi com interesse que tenho hoje.
Saber que Ethan e Joel Coen não viram o filme de 1969 me deixou ainda mais intrigado.
Não pretendo estragar a experiência de ninguém, mas não dá para falar sobre o filme sem , bem… falar sobre o filme.
“Bravura Indômita” é sobre a história de Mattie Ross (Hailee Steinfeld, adorável), uma menina de 14 anos que contrata um agente da lei para levar à Justiça o assassino de seu pai.
O papel principal, vivido por Wayne no filme de 69, é do agente federal Rooster Cogburn. Jeff Bridges está espetacular na pele do velho bêbado e sarcástico, que tem de lidar com a menina brilhante e obstinada.
As duas atuações já valem o filme, e levarão a conversas sobre qual é melhor. Mas a fotografia caprichada do vasto território dos faroestes americanos também merece atenção.
Nada disso, porém (e é claro que é questão pessoal), é tão importante quanto os diálogos, que foram transplantados diretamente das páginas escritas por Portis há 43 anos.
É um tipo de inglês que não se fala mais. Uma linguagem que provoca, pelo menos em mim, um interesse semelhante ao que se vê em produções brasileiras de época, em que se recupera um português longínquo. As interações entre os personagens são fascinantes.
Uma coisa que farei é alugar o DVD para rever o filme sem legendas. No cinema, fiquei o tempo todo tentando ignorá-las, mas é impossível. O que não impediu que o poder das palavras atravessasse a tela.
Gosto muito dos irmãos Coen. “Fargo” (1996) é um desses filmes que, quando estão na TV, eu paro para ver. “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007) é brilhante.
O último trabalho deles também é. E de uma forma parecida com o que fizeram em “Onde os Fracos…”, em que você acaba torcendo pelo vilão.
Em “Bravura Indômita”, você torce por Mattie Ross como se ela fosse sua filha.
Por André Kfouri.